Porto Alegre começa a ver o legado da Copa

Dois anos após o Mundial, Capital vive a expectativa da inauguração das obras

Obras do entorno do Beira-Rio foram algumas das poucas que ficaram prontas antes do Mundial | Foto: Mauro Schaefer

Obras do entorno do Beira-Rio foram algumas das poucas que ficaram prontas antes do Mundial | Foto: Mauro Schaefer

O dia 31 de maio de 2009 ficou marcado como a data em que Porto Alegre foi uma das 12 cidades escolhidas para sediar a Copa do Mundo de 2014. A partir daquele momento, começava a corrida contra o tempo para que a Capital cumprisse os cronogramas estabelecidos pela Fifa. Entre eles, a chamada Matriz de Responsabilidade, que incluía dez grandes obras de mobilidade urbana, além da reforma do Beira-Rio e seu entorno. Dois anos após a passagem do Mundial pelo Brasil, muitas dessas obras ainda são vistas em andamento, outras foram concluídas há pouco e a maioria ainda será inaugurada. O legado da Copa, termo tão utilizado para justificar a vinda do evento, demorou para acontecer, mas está tornando-se uma realidade.

O fato é que a Matriz de Responsabilidade foi desmembrada em três etapas. A primeira, que obrigatoriamente deveria estar pronta até a Copa do Mundo, incluia a reforma do Beira-Rio e o seu entorno. As demais, pela escassez de tempo e, principalmente, pelas questões burocráticas, ambientais e sociais, ficaram para um segundo e terceiro momentos. “Em termos de obras, o legado para Porto Alegre é muito grande. A cidade aproveitou a oportunidade para incluir obras que eram desejadas havia 30, 40 anos”, diz o atual secretário de Gestão da Capital, Urbano Schmitt, que atuou diretamente nas questões ligadas à Copa.

A população ainda aguarda a finalização de obras importantes como os BRTs das avenidas Bento Gonçalves e Protásio Alves, as passagens subterrâneas da rua Anita Garibaldi e da avenida Cristóvão Colombo, além da duplicação da avenida Tronco, da Voluntários da Pátria e o prolongamento da avenida Severo Dullius. O viaduto da Júlio de Castilhos já foi entregue, assim como o viaduto Pinheiro Borda, nas proximidades do Beira-Rio.

“Tudo é legado da Copa. As passagens de nível da Cristóvão, Ceará e Anita, devido à complexidade, vão ser entregues ainda este ano. São obras que não observaram o calendário da Copa, mas sim a necessidade das pessoas”, justifica Urbano Schmitt. “Nada teria acontecido se não fosse a Copa do Mundo. Os recursos foram assegurados. Na avenida Tronco, por exemplo, são seis quilômetros de duplicação, com 1.525 famílias a serem remanejadas. Ainda restam 184. Há dificuldade nas desapropriações. Na Voluntários da Pátria, foi verificado que poderiam existir restos arqueológicos. A cada buraco que se abre, tem que ter um arqueólogo junto. As trocas dos corredores de ônibus para instalação dos BRTs já foram feitas (o da Bento Gonçalves será entregue este mês). A próxima etapa é a licitação das empresas que vão operar”, comenta Schmitt.

Rafael Peruzzo / Correio do Povo

Legado da Copa: População ansiosa pelo término das obras

Porto-alegrenses aguardam ansiosamente as passagens subterrâneas da Anita Garibaldi e da Cristóvão

Porto-alegrenses aguardam ansiosamente as passagens subterrâneas da Anita Garibaldi e da Cristóvão | Foto: Mauro Schaefer

Porto-alegrenses aguardam ansiosamente as passagens subterrâneas da Anita Garibaldi e da Cristóvão | Foto: Mauro Schaefer

Boa parte das obras que ainda estão em andamento devem ficar prontas este ano. É o caso do prolongamento da avenida Severo Dullius, considerado fundamental para o desafogo da avenida Sertório. Os veículos que chegam à Capital via avenida dos Estados e BR 116 poderão ter acesso à Zona Norte diretamente pela Sertório, sem precisar acessar a Terceira Perimetral pela avenida Ceará. Outras duas obras que os porto-alegrenses aguardam ansiosamente são as passagens subterrâneas da rua Anita Garibaldi e da avenida Cristóvão Colombo. Ambas deverão ser entregues até o final de 2016.

“Na Anita, por exemplo, tivemos que retirar árvores, fazer desapropriações, para depois iniciar a obra”, justifica Urbano Schmitt. A duplicação da avenida Tronco é a obra mais complexa e que demandará mais tempo, assim como a instalação completa dos BRTs nas avenidas Protásio Alves, Bento Gonçalves, João Pessoa e Padre Cacique.

“A primeira etapa da Protásio foi entregue (troca do tipo de asfalto). Na Bento, estamos entregando agora em julho e na João Pessoa somente no ano que vem porque uma das empresas contratadas enfrentou problemas judiciais”, acrescentou o secretário de Gestão de Porto Alegre.

Mobilidade mudou com algumas melhorias

Se por um lado, ainda há bastante coisa a ser feita, por outro, os cidadãos já usufruem de obras que não só mudaram a paisagem da cidade mas, principalmente, trouxeram melhorias na questão da mobilidade urbana. Entre elas, o viaduto Pinheiro Borda, que facilitou o fluxo de veículos no sentido Zona Sul/Centro. As ruas do entorno do Beira-Rio e a duplicação da Edvaldo Pereira Paiva também já são utilizadas pela população há um bom tempo. Mais recentemente, em março do ano passado, foi inaugurado o eixo principal do viaduto da Bento Gonçalves.

Na semana passada, a obra teve sua entrega finalizada completamente, incluindo o acesso à Bento, em direção a Viamão, para os veículos que se deslocam no sentido Norte-Sul da 3ª Perimetral. O viaduto da Júlio de Castilhos, considerado uma obra do Complexo da Rodoviária, ficou pronto para a Copa do Mundo.

“A primeira Matriz de Responsabilidade, que era específica da Copa, incluía as ruas do entorno do Beira-Rio, a duplicação da Edvaldo Pereira Paiva, o corredor de ônibus da Padre Cacique e o viaduto Pinheiro Borda. Estas eram as obras da Copa propriamente dita. As demais, eram obras de tamanha magnitude e não tinham como serem feitas até a Copa”, finaliza Schmitt.

Correio do Povo



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5 respostas

  1. Minha duvida é se o BRT vai ser so corredor de concreto e paradas de onibus novas e fim ou se vai ser o que nos apresentaram anteriormente com sistema inteligente priorizando onibus etc

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    • O pior é que o BRT da maneira como foi proposto é algo extremamente simples, mas ainda assim a prefeitura está protelando. Os terminais de integração no Cristal e na Manuel Elias simplesmente não tem nem previsão de começar.

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  2. “…….As passagens de nível da Cristóvão, Ceará e Anita, devido à COMPLEXIDADE, vão ser entregues ainda este ano….”

    Complexidade????.

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  3. fala da revlitazação do shopping joão pessoa, estão reformando toda a faixada, tem fotos no face deles do projeto

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  4. Porto Alegre poderia ter muitas dessas trincheiras na região da Independência, Moinhos de Vento, Petrópolis, Bela Vista, zona sul e alto Petrópolis. Não agride o entorno como os viadutos e não exige alto investimento. Curitiba tem vários desses, alguns com um bonito paisagismo, vegetação nas paredes os tornando mais agradável. Como nos do bairro Alto da Glória.

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