Transporte público não melhorou após licitação, aponta pesquisa

Principal reclamação dos passageiros são os atrasos e superlotação dos ônibus de Porto Alegre

Superlotação, atrasos e aumento da tarifa são as principais reclamações dos passageiros | Foto: André Ávila / Especial / CP Memória

Superlotação, atrasos e aumento da tarifa são as principais reclamações dos passageiros | Foto: André Ávila / Especial / CP Memória

Uma pesquisa apontou que, mesmo com a operação do novo sistema de transporte coletivo desde fevereiro deste ano e com o aumento da tarifa para R$ 3,75, 83,5% dos usuários de ônibus de Porto Alegre disseram que a qualidade não melhorou. Entre junho e agosto, participaram da enquete 924 pessoas e 4,5% responderam que o serviço está mais satisfatório. Outros 12% afirmaram que a melhora ocorreu em parte.

Promovida pela bancada dos vereadores do PT, o levantamento revelou que o principal problema, na opinião de 60% passageiros, é a superlotação dos veículos, seguida da falta de cumprimento dos horários (47,6%) e do preço da passagem (44,3%). Outros pontos negativos citados foram o estado de conservação e limpeza dos veículos; a quantidade de linhas e itinerários; a insegurança; a falta de respeito de motoristas e cobradores e a ausência de ar-condicionado. Para a bancada petista, os dados indicam que a licitação do transporte urbano não resultou em qualidade.

“Patrão” quem paga tarifa

O vereador Marcelo Sgarbossa entende que o fato de o preço da passagem não ter aparecido em primeiro lugar, apesar de ser a motivação de inúmeros protestos, deve-se à ideia de que é o “patrão” quem paga a tarifa. A bancada do PT também defende que os recursos do transporte público voltem ao controle do poder público. Desde 2008, por decreto municipal, a gestão do sistema de bilhetagem é realizada pela Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP).

Um projeto de lei, que atualmente tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), busca estabelecer o controle público da bilhetagem e dos recursos como forma de garantir mais transparência. “Em 2013, esse projeto foi rejeitado na Câmara. Agora, voltamos a apresentar essa matéria e esperamos, dessa vez, maior apoio”, disse a vereadora Sofia Cavedon. “Os usuários repassam, por dia, mais de R$ 3 milhões às empresas. Essa é uma receita pública que não deveria estar sendo delegada às empresas”, complementa Mauri Cruz, que já presidiu a EPTC e foi secretário municipal de Transportes entre 1999 e 2000. Ele lembra que a EPTC foi criada, em 1997, para gerir a receita tarifária.

Fase inicial da implantação

O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, disse que a implantação do novo sistema de transporte e de todos os requisitos do edital de licitação ainda estão numa fase inicial. “Vai haver uma evolução constante até atingir todos os requisitos. Há um cronograma especificado no edital e que será rigorosamente fiscalizado pela EPTC”, afirmou.

“Estamos começando a medir diversos indicadores e caso os consórcios não cumprirem as determinações a multa pode chegar a 1% do faturamento das empresas”, acrescenta. Cappellari também diz que é uma preocupação a queda da receita das empresas operadoras do sistema por conta da redução no número de passageiros. Em 2011, 19,3 milhões de pagantes eram transportados por mês e, em 2015, foram 16,8 milhões, uma diminuição de 13%.

Correio do Povo / Cíntia Marchi



Categorias:Ônibus

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8 respostas

  1. Acho que tem uns aspectos que a própria estética fala por si só. Claro que uma análise adequada requereria muito mais do que isso, mas basta observarmos o padrão desses busões de POA, e comparar com os de Floripa e especialmente de Curitiba, e se pode de cara perceber que o sistema de transporte público da capital gaúcha é tacanha pra caramba. Meu, o que me estranha deveras é saber que aí logo em Caxias do Sul está umas das maiores fabricantes de ônibus do mundo, a mesma que fornece modelos último grito em tecnologia, conforto e estética para Curitiba, Floripa e mesmo para várias cidades do interior da nossa Região Sul, enquanto aí no sisteminha de transporte coletivo portoalegrense prevalecem estes carros visivelmente segunda categoria. Atraso. Descaso. Triste.

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    • A fabricante não pode ser culpada de o cartel que toma conta do transporte coletivo daqui preferir encomendar modelos defasados pra “economizar” e de a Prefeitura não exigir tal coisa no contrato (afinal, a própria Prefeitura foi contrária à exigência de ar-condicionado. Danem-se os passageiros.)

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  2. Mas arrecem começou esse sistema, o que queriam ? onibus a jato de cara ? essas coisas se fazem aos poucos, concordo também que tem onibus super lotado ( vulgo carris ) é uma palhaçada a lotação desses onibus. tem que dar tempo ao tempo. aos poucos vai melhorando.

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  3. Eu acho que os ônibus novos têm suspensão a ar em vez de suspensão de caminhão, o que é um grande avanço, na minha opinião. De qualquer modo, ainda há muitos problemas com o sistema de ônibus de Porto Alegre para os quais não há previsão de resolução.

    Os ônibus, inclusive alguns dos novos, têm piso alto, o que, além de ser desconfortável, provavelmente aumenta o tempo de espera nas paradas para entrada e saída – o que provoca, talvez, um custo maior ao sistema.

    Legibilidade ruim dos letreiros à frente dos ônibus (o que faz que às vezes voce só consiga identificar qual a linha de ônibus quando esse está muito próximo da parada) – deveria haver um painel eletrônico nas paradas informando a ordem é o tempo de espera das próximas linhas para resolver isso.

    Falta de cobrança antecipada nas paradas (o que não só reduziria os gastos com cobradores, mas também permitiria a redução do tempo de viagem e aumentaria a eficiência dos sistema, podendo cada ônibus e motorista fazer mais viagens por dia.

    Falta de informação nas paradas quanto ao trajeto das linhas.

    Falta de um controle maior quanto às freagens bruscas dos motoristas: ficar de pé no transporte (desse que esse não esteja sobrelotado) não seria tão ruim se nao houvesse desaceleracoes violentas por parte dos motoristas.

    Gargalos no trânsito e falta de priorização nos semaforos: há várias sinaleiras na João Pessoa onde nunca me lembro do ônibus ter passado sem esperar por uma longa sinaleira. Caso seja impossível priorizar o tráfego do transporte publico sobre o individual, que pelo menos se faça algumas trincheiras exclusivas para ônibus nos cruzamentos mais complicados. Além disso, o túnel da Conceição, com 4 pistas de 3.5m representa um grande gargalo para os ônibus da chegada ao Centro. O túnel poderia ser mudado para uma pista de 3.5 metros para ônibus e veículos largos e quatro pistas de 2.625 metros para carros.

    A falta de um sistema tronco-alimentador: embora a ideia de ter de fazer baldeação não pareça ser boa, ela pode trazer vantagens tanto para o custo do sistema quanto para os usuários. Vamos pegar como exemplo como um exemplo o corredor da Bento. Há três principais fluxos: Centro-UFRGS, Zona Leste-centro e Viamão-centro. O que ocorre nos horário de pico (vou usar 7h30 da manhã como exemplo): os ônibus saem do centro para a zona leste ou Viamão vazios enquanto há ônibus que vão do centro à UFRGS saindo superlotados, mesmo os dois fluxos tendo 90℅ do trajeto em comum. Seria mais eficiente construir um terminal de baldeação logo antes da Joao de Oliveira Remião para utilizar melhor a capacidade dos onibus, reduzindo custos. Os ônibus troncais poderiam ser também maiores, havendo, assim, menor fluxo de onibus no corredor e maior possibilidade de preferência em semaforos. Além disso, poder-se-ia usar microonibus para atender as linhas que ligam regiões isoladas ao terminal de ônibus, aumentando a frequência dos ônibus e reduzindo o tempo de espera na parada.

    Nada de outro mundo, mas aqui é Porto Alegre.

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    • Pensou mais sobre o transporte público do que o Fortunatti no governo desde 2010. E o vice do maluco ainda é candidato.

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      • Me pergunto qual a dificuldade dos técnicos da EPTC se até em blog na internet tem gente sugerindo coisas melhores do que já existem. Se não tem como implantar, acho que deveria ser jogo aberto: dizer o que queriam e porque não dá certo. Brainstorm de idéias.

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  4. Transporte público no Brasil uma grande caixinha preta….

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