Fundação Iberê Camargo projeta reestruturação após reduzir horário

Sem previsão de interrupção total, museu será aberto apenas às sextas e aos sábados, das 13h às 18h

Novo horário de funcionamento da instituição começa nesta sexta | Foto: Elvira T. Fortuna / Divulgação / CP Memória

Novo horário de funcionamento da instituição começa nesta sexta | Foto: Elvira T. Fortuna / Divulgação / CP Memória

Uma semana depois do anúncio de demissões e redução do horário de atendimento, a Fundação Iberê Camargo (FIC) já pensa no futuro e projeta a retomada das suas atividades normalmente. Com uma importante trajetória cultural reconhecida nacional e internacionalmente, a instituição enfrenta o momento financeiro mais difícil dos seus 20 anos de história, passando agora a deixar as portas de sua sede, projetada por Álvaro Siza e um cartão-postal de Porto Alegre, abertas somente às sextas e aos sábados, das 13h às 18h.

A medida é drástica e urgente, conforme explica o superintendente cultural da FIC, Fábio Coutinho. “É uma redução necessária devido à crise. Ela está com horário muito reduzido de atendimento ao público, houve demissões sim, mas é uma readequação. Nós tínhamos que fazer isso antes que ficasse pior”, afirma. Tal providência deve ajudar a economizar em algumas áreas como os serviços terceirizados de limpeza e segurança, por exemplo. Porém, ele comenta que esta crise na instituição acompanha a atual situação financeira do país, que tem dificultado que entidades culturais obtenham os patrocínios espontâneos e incentivos de leis, como a Rouanet e a LIC, que garantem sua sobrevivência.

Apesar das dificuldades, Coutinho faz questão de destacar que a Fundação Iberê Camargo não está fechando, como muitos chegaram a pensar – e, inclusive, desmente boatos sobre uma provável interrupção total temporária. “Isso não está previsto. Acredito que ficaremos assim (com horário reduzido) por um tempo e depois voltaremos às nossas atividades normalmente. É uma crise e uma crise acaba, felizmente”, comenta.

Mesmo com o tom otimista, ele evita falar em datas para esse retorno, mas acredita que 2017 já começará melhor. “Nós estamos trabalhando em vários projetos, várias possibilidades, pode até ser antes, pode até ser depois, mas nós estamos tentando voltar o mais rápido possível”, assegura. Tanto é que, até o final de setembro, a FIC vai encaminhar os projetos para a programação do próximo ano ao Ministério da Cultura para captação da Lei Rouanet, como sempre aconteceu. Em dezembro, já com resposta das aprovações, o calendário da instituição será divulgado.

Coutinho não adianta detalhes dos projetos e evita falar em novidades, pois seria uma ousadia, mas garante que uma das metas é retomar iniciativas que foram interrompidas ainda em 2015 – já devido a problemas financeiros que chegaram a atingir outras instituições pelo país, como aponta o superintendente cultural. É o caso da Bolsa Iberê Camargo, que envia artistas para uma temporada de aperfeiçoamento em um centro de arte internacional, e do Ateliê de Gravura, que os convida a produzirem no local. Por outro lado, a preservação do acervo da FIC continua intocável “porque a Fundação existe em função dele”.

Embora a situação tenha atingido um ponto crítico agora, a Fundação já vinha buscando um novo modelo de financiamento e gestão. Desde o início deste ano, a agência Edelman Significa, de São Paulo, vem realizando um estudo para reposicionar a FIC a fim de assegurar um futuro ainda mais sustentável. Os trabalhos, segundo Coutinho, estão na fase final, mas ainda não há previsão de medidas a serem implementadas ou quando serão postas em prática.

“Isso não resolve o problema da Fundação porque esse projeto objetivamente não traz dinheiro, mas nos apresenta novas soluções, novas possibilidades, novos programas. É o que nós estamos desenvolvendo: alternativas para nos mantermos melhor no futuro”, afirma ele, que ainda revela que este projeto já estava nos planos da instituição há algum tempo, mas acabou sendo adiado. “A FIC tem 20 anos, no ano que vem serão oito anos da Fundação aberta ao público nesse prédio. Então, como toda instituição, a gente tem que se reinventar, estava na hora”, complementa.

“I will BE theRE”

Desde o anúncio, na semana passada, da redução do horário de funcionamento, tanto a classe artística como a população em geral estão mostrando solidariedade à Fundação Iberê Camargo. “Nós temos um apoio imenso que, de certa forma, nos surpreende, vai além do que podíamos imaginar, mas são todos no sentido de quererem nos ajudar porque a ‘FIC não pode fechar’, porque a ‘FIC tem que voltar a absoluta atividade’ – o que é muito bom”, diz Coutinho.

Prova disso é o evento “I will BE theRE”, organizado pelos DJs Felipe Marques e JKZ, além do fotógrafo Raul Krebs. A ação será realizada neste domingo – o primeiro em que a Fundação não estará aberta – reunindo DJs dos núcleos de música Arruaça, Wax, Cut, Obra, Sentando a Lenha e Stúdio 84. Eles vão levar a sua música para as imediações do museu, chamando a atenção para o problema da instituição e também valorizando o espaço tão característico da cidade.

Júlia Endress / Correio do Povo

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Será que não haverria uma outra forma de reduzir custos ???  Fechar o museu em pleno domingo, o dia que mais as pessoas visitam a área??? 

Espero que voltem logo ao normal, pois mais uma vez quem paga o pato é a população que ficará com horário restritíssimo para visitá-lo.



Categorias:Cultura, Museus

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1 resposta

  1. Acho mais válido fechar em alguns dias da semana e manter aberto aos domingos.
    Mas, sei lá, eles trabalham na área, sabem mais que eu sobre o assunto.

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