Empresas apontam prejuízo de R$ 52 milhões no transporte coletivo de Porto Alegre

Ônibus registraram queda de 7,35% no volume de usuários transportados

Transporte coletivo de Porto Alegre acumula R$ 52 milhões de prejuízo | Foto: Mauro Schaefer

Transporte coletivo de Porto Alegre acumula R$ 52 milhões de prejuízo | Foto: Mauro Schaefer

Empresas do transporte coletivo de Porto Alegre acumulam R$ 52 milhões de prejuízo, dos quais cerca de R$ 12 milhões são apenas da Carris, resultado da queda de 7,35% no volume de usuários transportados. Este valor foi verificado seis meses após a licitação que definiu os quatro novos consórcios para operar as 424 linhas de Porto Alegre.

De acordo com o diretor e executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), Gustavo Simionovschi, o valor equivale aproximadamente a um mês de arrecadação bruta e as empresas avaliam recorrer judicialmente, conforme previsto no contrato de concessão.

“Chegamos em um impasse. Ao final do mês, as empresas terão que decidir se pagam os salários dos rodoviários, têm equipe para trabalhar, compram combustível para o ônibus rodar ou quitam a parcela relativa ao financiamento dos novos carros adquiridos por exigência contratual”, relatou. “Os consórcios não terão dinheiro para as três despesas. A nossa expectativa, por exemplo, é que a própria Carris tenha um prejuízo muito superior ao registrado no ano passado, que foi mais de R$ 50 milhões”, sustentou Simionovschi.

O Poder Executivo foi informado sobre o cenário em dois momentos: em 28 de março, pelo rebaixamento da tarifa. Os novos operadores avisaram o Executivo Municipal que os sinais indicavam que a situação financeira não aguentaria por muito tempo. E, em uma última reunião, no dia 15 de agosto, os empresários apresentaram o quadro deficitário de cada lote e pediram providências. Ouviram a promessa de ações por parte da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que até o momento não surtiram efeitos para o combate à crise.

Em consequência desta situação, os novos operadores foram obrigados a ingressar, a partir de 12 de agosto, com notificações administrativas junto à EPTC/Prefeitura, seguindo os trâmites estabelecidos pelo próprio edital, requerendo o requilíbrio do contrato de concessão.

Propostas

Para amenizar a situação, as empresas propuseram a redução de 10% das viagens com baixo carregamento; suspensão do repasse da taxa de gestão de 3% sobre a receita do sistema para a EPTC; não permitir a concessão de novas isenções para usuários com idade entre 60 e 65 anos; retornar o desconto de 50% para a integração; limitar o uso de isentos em horários de picos; priorizar a criação de vias exclusivas para o transporte coletivo em avenidas com três ou mais pistas e definir linhas de financiamento para pagamento de isenções, tais como área azul, taxa para combustíveis ou até pedágio urbano, entre outros.

“A população, em especial o usuário do transporte coletivo, terá que fazer uma escolha. Ou apoia um processo de revisão de isenções que somam 35% dos passageiros ou paga o custo real da operação. Isso significa dizer que a cada três pessoas transportadas, uma anda de graça, provocando atualmente um custo extra de cerca R$ 1 por passageiro que paga a tarifa”, lembrou Simionovschi.

EPTC

O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, informou que uma equipe técnica da EPTC está fazendo acompanhamentos diários no desempenho do sistema de transporte coletivo de Porto Alegre. “Notamos uma queda significativa no mês de junho e começamos a fazer adequações na operação em agosto para reduzir este impacto negativo”, declarou Cappellari. Segundo ele, a queda de passageiros não é constante nas 424 linhas de ônibus da Capital. “Em algumas linhas a queda é mais acentuada do que em outras”, destacou.

Cappellari informou que a EPTC retirou alguns horários de baixo carregamento das linhas mais afetadas e reduziu 21 ônibus da frota operante, o que já apresentou uma redução aproximada de 2% da operação total. “Nossa equipe está fazendo novas avaliações, mas não queremos desequilibrar a operação do transporte. Isso está sendo feito gradualmente para que nenhum serviço seja retirado sem necessidade”, explicou. Na última sexta-feira a EPTC e a Brigada Militar (BM) efetuaram ações de fiscalização e recolheram 23 cartões do Transporte Integrado de Porto Alegre (TRI) por mau uso – cartões com isenção que estariam sendo utilizados de forma irregular.

“Se as empresas melhorarem a fiscalização dos seus colaboradores, por exemplo, teremos uma melhora na evasão do sistema de bilhetagem eletrônica”, disse. De qualquer forma Cappellari afirma que estas ações não trazem uma solução imediata. “O ideal seria o retorno dos passageiros, mas a crise financeira e a insegurança no transporte coletivo tem provocado uma fuga significativa dos usuários transportados”.

Jessica Hübler / Correio do Povo

 

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Comentário de um leitor do Blog no Facebook:

“Há uma campanha de longa data contra o transporte público em Poa. E as empresas de transporte público executaram essa campanha sem saber que o faziam quando derrubam a qualidade e não se preocupam em melhorar o sistema como um todo. A economia tem leis implacáveis. Sem qualidade, sem regularidade, com linhas ineficientes as pessoas gastam o que tem e o que não tem para comprar moto, carro e até pagam mais caro para morar perto do trabalho e não ter que depender do lixo que é o nosso sistema.” Guilherme Mussoi Louzada – Porto Alegre.



Categorias:Ônibus

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5 respostas

  1. Transporte de baixa qualidade, inseguro e mal otimizado leva as pessoas que podem a fugir de utilizar o transporte publico.
    Sou um que só não parou de andar de ônibus pois tenho desconto de estudante, se fosse pagar o valor integral da passagem, mais os riscos de esperar numa parada a noite, eu andaria de carro.

    Querem a volta dos passageiros, que tal implementarem os BRTs, mais linhas circulares no centro e terminais seguros para se esperar o ônibus?

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    • Concordo, só uso ônibus por ter passe estudantil, senão iria de carro…
      Ônibus fedidos, sujos, paradas com teto de zinco (valeu Fortunat por tirar as que nos protegiam!!)
      E na boa, se aumentar mais vou usar só o carro, lamenta pela mobilidade urbana, mas essa licitação que só piorou não incentiva o uso do bus.

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  2. O mais estranho é que com todo esse déficit, as empresas continuam querendo operar. São realmente grandes filantropos esses empresários da ATP. Isso ou talvez o fato deles controlarem toda a contabilidade e ninguém saber ao certo se o prejuízo alegado é real ou não.

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  3. Na minha opinião o que tem que parar, é os amiguinhos de motoristas e cobradores terem passe livre, vejo todo dia, pessoas entrando pela porta de trás dos onibus e não pagando passagem, por que conhecem o motorista da linha e o mesmo deixa passar, Idosos também vendo que o onibus está vazio com lugares para eles sentarem atras e não passam a roleta, claro sem fiscalização fica mais facil fazer isso, então eles que não reclamem e que façam fiscalização nos seus colaboradores que trabalham para as empresas.

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