Sistema prisional do RS chegou ao fundo do poço, admite Cezar Schirmer

Secretário estadual da segurança prevê criação de cerca de 3 mil vagas até julho de 2017

Cezar Schirmer durante entrevista à Rádio Guaíba | Foto: Lucas Rivas / Especial / Rádio Guaíba / CP

Cezar Schirmer durante entrevista à Rádio Guaíba | Foto: Lucas Rivas / Especial / Rádio Guaíba / CP

Com a retenção de presos em viaturas por falta de vagas em presídios e delegacias, o secretário estadual da Segurança Pública, Cezar Schirmer, admitiu nesta sexta-feira, em entrevista à Rádio Guaíba, que o sistema carcerário gaúcho está em colapso. Ele reconheceu a gravidade do problema e lamentou. “Todo o sistema prisional está em colapso no Rio Grande do Sul. Isto não é novo, isso vem acontecendo e se agravando nos últimos 20 e 30 anos, mas agora nós chegamos ao fundo do poço”, reconheceu.

De forma emergencial, Cezar Schirmer informou, durante o programa A Cidade É Sua, que um comitê foi criado com integrantes do governo e Judiciário para traçar um “diagnóstico” do sistema prisional. O decreto autorizando a criação do grupo de trabalho foi publicado nessa quinta-feira no Diário Oficial.

Em meio a falta de vagas em presídios, Schirmer foi categórico ao afirmar que os presos não podem ficar custodiados em viaturas, tampouco em carceragens da Polícia Civil. “Não é papel das delegacias de polícia se transformar em presídios. Isso é rigorosamente inaceitável”, admite.

De acordo com o secretário, o problema pode ter se agravado ainda mais em função do elevado número de prisões realizadas pelas polícias gaúchas. Em 20 meses, segundo Schirmer, mais de seis mil prisões foram realizadas, acarretando também na superlotação das cadeias, sobretudo na região Metropolitana. Cezar Schirmer reafirmou que o problema na área da segurança pública é tratado com primazia pelo Executivo. “A prioridade número um é de enfrentar a realidade do sistema prisional”, frisa.

Com vários presídios interditados, o secretário confirmou que dois centros de triagem serão construídos nos próximos meses. Além disso, reiterou a liberação do Presídio Feminino de Lajeado, em fim de novembro, assim como abertura total do complexo prisional de Canoas, no início de 2017. Com 80% das obras concluídas, os trabalhos na penitenciária de Guaíba também serão retomados para desafogar o sistema. “Ate julho do ano que vem, se tudo der certo, nós vamos ter no de 3 mil a 3,5 mil vagas novas no sistema prisional do Rio Grande do Sul. Estou falando do mínimo dos mínimos”, frisou.

Lucas Rivas/Rádio Guaíba / Correio do Povo



Categorias:segurança

Tags:

2 respostas

  1. Chegamos ao fundo do poço quando o governo do PMDB nomeou um dos responsáveis pela maior tragédia da história do RS como secretário de segurança.

    Curtir

  2. Como é prática na política, temos que pagar mico de idiotas lendo tais comentários. Precisam compor equipes e então criam relatórios para dizer que descobriram a “pólvora”. Fala sério!!!!
    Os presídios não estão reformados e funcionando por falta de administração e de forma de tratamento para com os detentos. Existe la dentro uma vasta mão de obra, não aproveitada. Muito preso ficaria feliz em ter “trabalho” ao invés de ficar a mercê de “organizações internas do crime”. Porque a liberação de entrada de celulares, armas, drogas e mais uma série de outros objetos dentro do presídio? Porque a “solução” é somente novos presídios?
    Penso que deveríamos adotar o “sistema Joe Arpaio”, que foi ou é o xerife do Condado de Maricopa no Arizona.
    Suas regras:
    -os presos não podem fumar;
    -pagam pela comida que lhes é servida.
    -não permite a circulação de revistas pornográficas dentro da prisão;
    -não permite que os detentos pratiquem halterofilismo.
    -montou equipes de detentos que, acorrentados uns aos outros, (chain gangs), são levados à prestarem serviços para a comunidade;
    -liberou TV a cabo aos detentos, mas só entra o canal do Tempo e da Disney.
    -quanto ao canal do tempo, respondeu que era para os detentos saberem que temperaturas vão enfrentar durante o dia quando estiver prestando serviço na comunidade, trabalhando em estradas, construções, reformas em escolas, etc.
    -quando os detentos reclamaram, ele respondeu: – “Isto aqui não é hotel 5 estrelas e se vocês não gostam, comportem-se como homens e não voltem mais.”
    Precisamos uma “operação de guerra” para resolver esse impasse. Precisamos cuidar das pessoas aqui fora e tentar resgatar aqueles presidiários que ainda podem voltar a ter uma vida correta!
    Minha sugestão:
    O Governo cede/aluga/desapropria uma área de terra com a metragem necessária para construir um acampamento/alojamento;
    Manda “limpar” o local;
    Coloca barracas similares a utilizada pelo exército, tantas quantas forem necessárias;
    Abre uma vala funda em volta do dito acampamento;
    Levanta uma cerca com arame farpado ao lado dessa vala;
    Coloca postos de vigilância armada ao redor do dito acampamento;
    Coloca câmeras de monitorando em todo o acampamento;
    Cria equipes de trabalho entre os presos, de acordo com o conhecimento de cada um sobre obras;
    Presídio vazio=>projeto de reforma definido=>traz as equipes de detentos para executar as obras.
    Custo da reforma: só material. Sem remunerar mão de obra, pois vão estar reformando o que eles mesmos estragaram e “felizes” por terem uma ocupação sadia, sem estar na rua roubando e matando pessoas inocentes.
    Não temos mais tempo, já faz tempo!!!!

    Curtir

Faça seu comentário aqui:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: