Rebaixamento da avenida João Goulart pode voltar ao projeto do Cais Mauá

Conselheiros do Plano Diretor estudam pedir que medida contida na proposta original seja incluída nas contrapartidas do empreendedor

Maquete do projeto apresentada em dezembro de 2015 / Divulgação

Maquete do projeto apresentada em dezembro de 2015 / Divulgação

O rebaixamento da avenida João Goulart, previsto na proposta original de revitalização do Cais Mauá e posteriormente retirado pela Prefeitura do rol de contrapartidas, pode voltar a fazer parte do projeto. É o que indicam os conselheiros do Plano Diretor de Porto Alegre, que analisam o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) da iniciativa, uma das últimas etapas antes da emissão de licenças para obras no local.

“É quase um consenso de que o rebaixamento deve ser incluído”, revela o representante da Região 1 do Planejamento (RP1), Daniel Nichele, que coordena a análise conjunta do projeto, que já obteve parecer favorável do representante do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado (Sinduscon-RS).

Segundo Nichele, não há, em todo o processo administrativo que registra a evolução e mudanças na proposta ao longo dos mais de cinco anos em que tramita na Prefeitura Municipal uma justificativa razoável das razões de sua exclusão. “Já pedimos esse esclarecimento à Prefeitura”, completa o conselheiro.

Apesar das inúmeras polêmicas que cercam o projeto, a preocupação central dos conselheiros é com a mobilidade urbana e, neste aspecto, o mergulhão da João Goulart serviria como um ponto a favor. “O empreendedor está prevendo quatro novos semáforos na Mauá e ainda faixas redutoras de velocidade”, justifica Nichele.

Aliado ao volume extra de automóveis que a revitalização vai atrair para a região, os conselheiros temem que a intervenção prejudique o trânsito no Centro Histórico. “Alguns conselheiros de mais idade também lembraram da importância de se ter acesso direto ao Guaíba, caminhando”, complementa.

Neste sentido, o mergulhão também seria uma solução interessante, na opinião de Nichele, pois permitiria o acesso livre, de nível, a pedestres, sem influir no fluxo de automóveis.

Prefeitura barrou iniciativa

A proposta de rebaixar a avenida João Goulart no trecho entre as praças Brigadeiro Sampaio e Julio Mesquita e a Usina do Gasômetro estava contida nos primeiros desenhos que foram apresentados à população, em 2008, pelo Governo do Estado – antes mesmo da licitação para a concessão da área à iniciativa privada, que ocorreu em 2010.

Era o conteúdo da proposta vencedora da concorrência pela Manifestação de Interesse na obra do cais, que incluía, entre outras exigências, um estudo inicial sobre como ficaria o espaço. Os esboços foram feitos em parceria pelos arquitetos Jaime Lerner, bastante conhecido no Brasil, e Fermín Vázquez, um catalão.

A ideia era não apenas rebaixar a João Goulart, mas enterrar o shopping center que ocupará uma área ao lado da Usina do Gasômetro. Do telhado do imóvel desceria uma esplanada verde que passaria sobre a via subterrânea e se integraria às praças de fronte ao Gasômetro, formando uma espécie de parque.

Primeiro foi o empreendedor que desistiu da fórmula para o shopping, alegando custo muito elevado. Depois, a própria Prefeitura Municipal liberou o consórcio vencedor da licitação de realizar o mergulhão. “O rebaixamento não foi retirado do projeto por nós. Foi decisão da Prefeitura, em razão de uma série de intervenções que serão feitas na avenida”, esclareceu o diretor de Operações da Cais Mauá do Brasil, Sérgio Lima, durante apresentação do projeto aos conselheiros, no dia 11 de outubro.

Durante as audiências públicas realizadas em 2015 e neste ano, a retirada da obra do rol de contrapartidas foi muito criticada por movimentos cidadãos. Especialmente porque o consórcio manteve na lista o prolongamento da rua Ramiro Barcelos, que terá um trecho subterrâneo, sob a Avenida da Legalidade. Essa intervenção é a mais cara entre todas as compensações que o empreendedor dará à cidade (R$ 24,3 milhões em valores de 2015), mas beneficiará diretamente o consórcio, uma vez que será por esta via, rebaixada que entrarão os veículos na área das docas do Cais Mauá, onde serão erguidas três torres com hotel e escritórios.

Diante dos protestos, o consórcio retomou a ideia do telhado verde no shopping e ofereceu uma passarela para pedestres que ligaria a praça à cobertura do centro comercial. A passarela, entretanto, foi considerada inadequada para a área pelos órgãos do patrimônio histórico, que barrou a iniciativa. Movimentos ambientalistas também contestavam a solução, que exigia o corte de mais de uma dezena de árvores na praça Brigadeiro Sampaio.

A Secretaria de Urbanismo idealizou então um acesso de nível com sinalização especial e piso diferenciado, para dar a ideia de que é uma continuidade da Rua da Praia.

O empreendedor acatou a saída e ainda acrescentou uma novidade ao projeto: decidiu abrir um grande terraço no segundo pavimento do shopping center, uma área de 3 mil m², para desobstruir a vista da Usina do Gasômetro e ampliar o contato com o Guaíba.

Ainda assim, a altura do shopping (14 metros) é superior à do cume dos armazéns, que medem 10 metros nos vértices do telhado. Não haverá subsolo, nem para estacionamento, que será distribuído no miolo do edifício no andar térreo – a parte exterior do edifício abrigará lojas.

Jornal Já – Naira Hofmeister

Matéria de 16/10/2016



Categorias:Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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7 respostas

  1. Poxa, que falta de criatividade dos dois lados.

    Do lado dos conselheiros do plano diretor, sugerindo aumentar estratosfericamente o custo da obra fazendo ela ser toda rebaixada (avenida e shopping), sem nem saber se é viável em termos de engenharia – algo especialmente crítico se formos considerar proximidade com o Guaíba.

    Do lado dos empreendedores/prefeitura, uma inércia gigantesca permitindo que a coisa se direcione para um cenário onde o shopping e avenida estão no nível normal – com o shopping escondendo a Orla, e a avenida criando uma barreira no seu acesso.

    Como eu já defendi aqui antes, existe, no entanto, uma solução que todo mundo: o pessoal que quer parque, o empreendedor que quer shopping, a prefeitura que quer a avenida. E não é uma solução cara – muito pelo contrário! Explico:

    A avenida seria mantida exatamente como está; o shopping, então, é construído no mesmo nível da avenida, com engenharia simples, e no máximo dois andares (embora fosse ideal apenas um); posteriormente, constrói-se uma esplanada sobre a avenida, encobrindo essa completamente, e interligando o telhado do shopping com a praça Brigadeiro Sampaio. Essa esplanada-parque se estenderia desde a projeção da Rua dos Andradas até a curva/esquina da Siqueira Campos. O telhado do shopping seria construído para ser um parque, e a praça Brig. Sampaio passaria por ajustes para permitir que os pedestres subam de uma maneira “fluída” para essa esplanada.

    Enfim, existem várias maneiras de fazer uma obra que integre e valorize a região para toda a cidade. Só precisa de mais criatividade.

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  2. É SÓ FALAR COM o timinho inter !!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    ________________________________

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  3. Já que vão escavar, poderiam estender a linha da Trensurb, subterraneamente, até o gasômetro.

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    • Não dá pra escavar rente ao muro, pois isso comprometeria a estabilidade dele.

      Eu sou a favor de estender o projeto metrô (linha 2) até o Gasômetro, por baixo da Av. Sete de Setembro, fazendo ele terminar lá, isto é, desistir da extensão pra zona sul/Bento Gonçalves.

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  4. Tem um ponto que eu tenho que concordar com a turminha dos ecoxiitas:

    2/3 da tal “compensacao” se refere ao tunel que liga a Ramiro ao Cais, o que beneficiaria bem mais ao empreedimento(edificios/escritorios/hotel) do que a populacao da cidade.

    “……..Uma das críticas que movimentos cidadãos fazem ao projeto é o fato de que a obra de maior vulto financeiro do consórcio para a cidade – o prolongamento da rua Ramiro Barcelos – beneficiará mais ao empreendimento do que à população da Capital , uma vez que será por esta via, rebaixada sob a Avenida da Legalidade, que entrarão os veículos na área das docas do Cais Mauá, onde serão erguidos os espigões com hotel e escritórios. Em valores de 2015, essa intervenção custaria ao empreendedor R$ 24,3 milhões……”

    Ja que eles ja vao poupar milhoesssss com o nao rebaixamento da Maua proximo ao Gasometro(nem passarela vao fazer), entao que a prefeitura exija pelo menos uns outros R$10 milhoes(no minimo) para criarem algo iconico junto ao empreendimento……

    E aquela ideia dos chafarizes dancantes e iluminacao especial no lago?…. nunca mais se ouviu falar…

    A roda gigante….??….nada!

    O tal projeto/museu da Pepsi?…..nothing!

    Os grandes decks de madeira que se estenderiam junto a orla?….

    Talvez fazerem um belo investimento pra transformar a Usina do Gasometro em algo descente.??

    Ou seja, senao daqui a pouco vamos ficar so com a reforma dos galpoes, que possivelmente vao encher de lojinhas chinfrins e lotericas a La Shopping Total.

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  5. Um projeto mal elaborado acaba criando situações como essa…. inviabilidade e insatisfação por todos os lados… Viaduto?! Rebaixamento?! Manutenção de muro?! A ideia era tornar a área acessível e não criar mais barreiras para as pessoas…

    As compensações propostas são ridículas. É um erro não utilizar o subsolo da região no shopping… Da para ver que a empresa está mais interessada em empobrecer o projeto do que qualquer outra coisa…

    Nessas horas eu vejo que aquele projeto do “porto dos casais” era muito melhor para a região do que o atual… daria para conciliar espaço público, empreendimento e compensação…

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  6. “Ainda assim, a altura do shopping (14 metros) é superior à do cume dos armazéns, que medem 10 metros nos vértices do telhado. Não haverá subsolo, nem para estacionamento, que será distribuído no miolo do edifício no andar térreo – a parte exterior do edifício abrigará lojas.”

    Hahahahahahaha, quanta “altura”, nossa! Em PoA há pessoas que sofrem vertigem com mais de 10m, pobres iludidos!

    Sonhando com o dia em que essa cidade terá uma torre de verdade com 200m ou mais e não esses nossos caixotões sem estilo nenhum de até 58m.

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