Mobilidade, para democratizar as cidades

Foto: Marcos de Sousa | VLT no Rio de Janeiro 2016

Foto: Marcos de Sousa | VLT no Rio de Janeiro 2016

Quem andou pelo Rio de Janeiro nos últimos dias pôde acompanhar os testes da segunda etapa do VLT carioca. Ao final, quando completo, serão 28 km de linha, o que é pouco se comparado aos quase 400 km de trilhos de bondes que a cidade já teve. No entanto, a passagem do novo bondinho, mais a nova linha 4 do metrô e as dezenas de quilômetros de BRTs construídos no Rio são, sem dúvida, uma boa novidade no mar de notícias negativas que temos recebido.

Basta lembrar que outro VLT, o de Cuiabá, já estava com trilhos implantados e composições operando, mas foi abandonado pelo governo de Mato Grosso e corre o risco de ser simplesmente vendido. Mais ainda, em São Paulo, as obras dos monotrilhos prometidos para 2014 estão abandonadas e se transformaram em depósitos de lixo e moradia de pessoas sem teto. Em Brasília, lembra o blogueiro Uirá Lourenço do Brasília para Pessoas, todos os sinais indicam que o governo do DF continuará a deitar falação sobre pedestres e ciclistas, mas seguirá construindo mais e mais pistas para automóveis.

Enquanto isso, a cidade de Quito, no Equador, prepara-se para iniciar as obras de mais uma linha de metrô, que agora chegará ao centro da capital, com 22 km de extensão. Lá também há muita polêmica sobre uma possível elitização gerada pelo metrô, mas a experiência internacional mostra que  – ao contrário – os bons sistemas de transportes funcionam sobretudo para democratizar as cidades, torná-las mais acessíveis. Em Paris, por exemplo, costuma-se dizer que o centro da cidade está na estação de metrô mais próxima.

Berlim, aquela mesma do muro derrubado em 1989, anunciou agora que pretende transformar os cerca de três quilômetros de sua principal avenida, a Unter der Linden, em um calçadão para pedestres, com pistas para ônibus e táxis. E ainda na velha Europa, vale ver o bonito exemplo de Gotemburgo, na Suécia, que está experimentando triciclos a pedal para substituir os caminhões nas entregas urbanas.

Ali ao lado, o governo da Rússia observa o movimento e prepara uma revolução na mobilidade urbana, com mais metrôs, teleféricos e trens elevados. A ideia é tirar o transporte do nível das ruas e deixá-las livres para pedestres, cadeirantes e ciclistas.

Afinal, cidades foram feitas para pessoas, não para carros, lembrou o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, na abertura do CityLab de Miami. Fechamos com ele.

EDITORIAL MOBILIZE BRASIL

Marcos de Sousa
Editor do Mobilize Brasil 



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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1 resposta

  1. Aqui nessa terra onde quem paga IPVA sente-se dono da rua estamos longe disso. Nem os BRTs n}ao teremos.

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