O rush das cidades

EDITORIAL MOBILIZE BRASIL

charge-rushMetade da população do planeta  – cerca de 3,5 bilhões de pessoas  – vive em grandes cidades, numa área que corresponde a apenas 2% do território mundial. Esse número deve chegar a 6 bilhões em menos de 30 anos. O alerta foi feito pelo ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a abertura da Habitat III, realizada em Quito, no Equador, em 2016. No Brasil, que está à frente nesse processo de concentração, 85% da população moram e trabalham nos 22 mil km² que correspondem às áreas urbanas, segundo dados do IBGE. Em outras palavras, somos 170 milhões de pessoas apertadas numa área similar à do estado de Sergipe.

O aperto – comparável ao de um vagão de metrô no horário de pico  –  explica os problemas de saneamento, habitação, segurança, saúde e também de mobilidade urbana que afetam todas as cidades do mundo, em especial as dos países “em desenvolvimento”.  Explica, mas não justifica.

Uma rápida olhadela na seção Acompanhe a Mobilidade indica que a maioria dos projetos de iniciados para a Copa de 2014 e adiados para 2015 e 2016 foram paralisados ou “esquecidos” pelos governantes dos estados e municípios. A lembrar: monotrilho e BRT de Manaus, os monotrilhos e linha Lilás do metrô de São Paulo, VLT e metrô de Brasília, VLT de Goiânia, o metrô de Curitiba, ou ainda o VLT de Cuiabá. A comemorar, o que não é pouco, as linhas do metrô de Salvador, e no Rio de Janeiro, a expansão do metrô, o novo VLT e os BRTs. Mais ainda, os BRTs de Recife e de Belo Horizonte, além de algumas ciclovias em várias cidades do país.

Enquanto isso, grandes cidades do mundo, como Paris, iniciam a operação experimental com ônibus autônomos, sem motoristas. A tecnologia parece ser interessante, sobretudo para fazer as conexões entre as grandes redes de transportes, mas não para ser usada em veículos privados, como alerta o texto da UITP, publicado agora em janeiro. A organização de especialistas sugere que os gestores públicos comecem desde já a planejar o uso desses veículos como única saída para evitar os grandes congestionamentos do futuro.

Em nível regional, vale destacar a inauguração da primeira fase do VLT da Baixada Santista, que liga as cidades de Santos e São Vicente, em São Paulo. São 11,5 km de trilhos que aproveitaram a faixa da antiga ferrovia Sorocabana e que podem ser estendidos para outros municípios da região.

Ainda no território paulista, cabe lembrar o debate sobre a redução/aumento da velocidade nas avenidas da capital com a visão mediadora do especialista Olímpio Alvares, no blog Palavra do Especialista. Ou ainda o recado da arquiteta Meli Malatesta ao prefeito João Doria, no blog Pé de Igualdade. O texto traz recomendações úteis para qualquer cidade do Brasil e termina com um excelente conselho: “Alô, alô, senhor prefeito: caminhe pela cidade, e bastante. Está provado que caminhar ajuda a pensar melhor”.

Marcos de Sousa
Editor do Mobilize Brasil 

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Faltou citarem o BRT de Porto Alegre, que nunca saiu do papel. Só uma mera recapagem dos corredores…

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Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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12 respostas

  1. Para onde vai 40 % do PIB, 2.4 bi/R$/ano???

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  2. Cada cidade tem sua identidade e nenhuma é igual a outra,o que serve para determinada população não agrada a outros.Quando o Villela era prefeito uma vez eu vi ele falar que Porto Alegre da época podia facilmente abrigar dois milhoes de pessoas sem a expansão que teve.Eu moro na Zona norte e realmente vejo em determinados lugares ,bons glebas de terra vazia,se você fizer uma pesquisa a fundo vai ver que existe muito imóvel fechado,ocioso,a Farrapos é um bom exemplo disso . A cidade foi se expandindo e nos ultimos anos com as facilidades vendidas a circulação de veiculos aumentou e pressionou o poder publico a gastar dinheiro em obras carissimas para minimizar o problema.Pelo que se vê na imprensa o Estado e a maioria dos municipios não tem condições financeiras de arcar com projetos necessários e estratégicos para o presente e para o futuro.Só um exemplo o suposto metro que seria construido em Porto Alegre com aquele trajeto que depois foi cortado seria deficitário e quem bancaria ,qual seria o preço? Como não saiu metro acharam uma solução mais barata pintar uma faixa azul na Assis Brasil criando um corredor de onibus em determinados horários. Quem não tem câo caça com rato.

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  3. Lembro uma vez, durante os protextos por saúde e educação e passe livre apartidarios de 2013, que a globo encomendou de todas suas filias reportagem especiais sobre o transporte público, oara que fossem exibidas em um compacto especial no jornal nacional.
    A rbs fez uma matéria tão mal feita (em todos sentidos, imagens ruis, entrevistas ruins…) que acabou com a globo deixando de fora a matéria da rbs.
    A rbs por sua vez passou sua parte no já do dia seguinte.

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    • È por isso que ela está em desmonte. Já se foram RBS SC, Diário de Santa Maria, TVCOM, Itapema no interior, Garota Verão, Canal Rural.

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  4. Faltou citarem o aeromóvel de Porto Alegre, também (se bem que este não sai do papel desde os anos 80…).

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    • Pois é não valorizam um tecnologia nacional que melhoraria e muito a mobilidade das cidades!!!ao invés disso citam como sempre a tecnologia criada em outros países!!!

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  5. Interessante o texto. No começo, achei que o autor iria culpar a cidade por todos os problemas da humanidade, mas se concentrou na mobilidade. Muito bom.

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  6. Interessante. Tenho a impressão de que POA vem sendo cada vez menos citada na imprensa. É como se a cidade não valesse o espaço editorial (observem as previsões do tempo de telejornais de abrangência nacional, por exemplo). É como se nosso projeto do metrô e BRT nem existissem.

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    • É o efeito separatista

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      • Sua afirmação faz sentido, mas torço para que não seja esse o motivo. Nesse caso, seria melhor agir justamente de forma contrária, engajando cada vez mais a cidade (e o estado) na “cultura nacional”,

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      • Não acredito em efeito separatista. O que é isso? A percepção do brasileiro de que o gaúcho é muito ufanista em relação à sua região? Não, isso é uma peculiaridade/preconceito como dizer que baiano é preguiçoso e curitibano é frio/mal-educado. A falta de presença nacional é a mesma que tem os Matos Grossos, Paraná, etc… simplesmente são irrelevantes para a mídia de São Paulo e Rio de Janeiro, que preferem falar de qualquer favela ou político local do que grandes eventos em outras capitais. Nosso país deveria ter dezenas de canais de TV, e não esse oligopólio de SP e RJ. Mas a economia do país é e sempre foi um lixo, então todo o resto está fadado à lixeira…

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