Camelôs, moradores de rua e obras mudam paisagem do Centro Histórico

Espaços públicos de Porto Alegre estão cheios de obstáculos que atrapalham população


Obras com tempo demorado para execução criam obstáculos e transtornos para os pedestres que se movimentam na área central | Foto: Samuel Maciel

Caminhar pelas ruas do Centro Histórico de Porto Alegre poderia ser comparado a uma prova de superação de obstáculos. Para cada lado, há empecilhos nos espaços públicos. A Rua dos Andradas, por exemplo, reconhecida pelo seu valor cultural e comercial, se transformou num mercado persa. É possível comprar quase de tudo. E quando se fala isso, não é de maneira genérica. Há vendedores de frutas a capas de proteção de celular e antenas de televisão a poucos metros de distância um do outro.

A presença de moradores de rua, que tem crescido numa curva ascendente e em velocidade recorde, também impacta, tanto no visual como nas condições mínimas para caminhar pelas ruas. Estas são, infelizmente, apenas algumas das situações que retratam a atual paisagem do Centro da Capital gaúcha. Pode-se citar ainda as pichações, o lixo despejado de qualquer jeito e as obras intermináveis, que complicam ainda mais a circulação. Por exemplo, a fachada do prédio da prefeitura, o Paço Municipal, que foi alvo de ações de vandalismo durante protestos realizados em 2013 e segue, quatro anos depois, com parte da fachada histórica danificada. Esse cenário acaba ainda por reduzir os atrativos turísticos e, ao mesmo tempo, aumenta a sensação da população de descaso por parte do poder público. Mas afinal, qual é realmente a responsabilidade por este panorama, no mínimo, caótico da região referência da cidade?

Os ambulantes não representam novidade em Porto Alegre. Durante anos, espaços nobres do Centro eram ocupados por bancas improvisadas de camelôs. Um dos pontos mais emblemáticos era a Praça XV de Novembro, onde dezenas de barracas ficavam lado a lado até o final dos anos 2000. Numa tentativa de regrar esse tipo de comércio, surgiu o Centro Popular de Compras (PopCenter). Assim, os ambulantes não ficavam mais na rua, mas em uma estrutura que fica sobre o terminal Rui Barbosa. Porém, a sensação de “limpeza” das ruas durou pouco. A situação, reconhecida pela própria prefeitura, fugiu do controle, com ênfase no ano passado, quando sem ações de fiscalização, o número de vendedores ambulantes deu um salto. E atualmente eles estão em praticamente todos os lugares.

Um local que chama bastante a atenção é o cruzamento das avenidas Salgado Filho e Borges de Medeiros. No local o número de pessoas e de veículos é intenso durante todo o dia, tanto pelas paradas de ônibus, em que muitas linhas têm o seu terminal, assim como lotações, como pelas estruturas que existem, como o TudoFácil e diversos bancos. Neste mesmo local, onde as pessoas caminham diariamente, estão bancas improvisadas de frutas. Algumas ocupam sem problemas trechos inteiros da calçada, obrigando os pedestres a desviarem. E, infelizmente, para piorar a situação, no final do dia, boa parte dos alimentos não comercializados e que acabaram estragando são deixados nesta mesma calçada.

Em manifestações a Prefeitura de Porto Alegre reconhece a dificuldade em resolver a situação. Em encontro com representantes do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ricardo Gomes, ressaltou que a ideia não é realizar medidas pontuais, mas sim um conjunto de ações para garantir a resolução do problema em caráter permanente.

Do outro lado, os lojistas aguardam com ansiedade e preocupação uma iniciativa efetiva. Segundo o presidente do Sindilojas, Paulo Kruse, as perdas provocadas pelo comércio ilegal giram em torno de 30%. “São 30% a menos no faturamento, 30% a menos de empregos e 30% a menos de impostos”, lamentou ele. Kruse recordou que a situação não é específica de Porto Alegre, mas que outras cidades, como São Paulo e Caxias do Sul, têm adotado ações fortes no sentido de buscar uma solução. “A cada dia que passa a situação se torna mais difícil. O comércio ilegal só ajuda a afastar os clientes do Centro e a deteriorar mais o comércio da região”, sentencia.

A esquina

Na confluência das avenidas Salgado Filho, Borges de Medeiros e rua Andrade Neves, feiras improvisadas foram erguidas. Dos dois lados da sinaleira na rua General Andrade Neves, é possível observar feirantes atuando com a maior naturalidade. Um deles, inclusive, montou sua estrutura bem em frente à rampa de acesso para a faixa de segurança no local, o que atrapalha não só os pedestres, mas principalmente cadeirantes que precisam da acessibilidade para transitar pelo Centro.

Ao final do dia, como se fosse normal, os feirantes irregulares despejam restos de frutas e verduras, que não foram vendidos, diretamente na rua. Além dos feirantes, ambulantes disputam espaço com os pedestres na região. Há quem venda tapetes, cintos, calçados e até óculos de sol.

Mauren Xavier e Jéssica Hübler – Correio do Povo

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9 respostas

  1. “a presença de moradores de rua impacta no visual” kkkkkkk é aquele debate da restauração do Laçador, gastam milhões restaurando algo estético enquanto tem pessoas em condições precárias. (sou a favor da preservação de monumentos)
    Mas nos importamos mais do que nos agrada aos olhos do que com as condições precárias de um humano. O que importa é o nosso conforto em ver a cidade limpa, e não o conforto daquele que a suja com sua presença, “ele que suje longe dos meus olhos”.
    Se isso impacta a visão dele, ele que mude seu conceito de belo, pois é a realidade, esconde-la de baixo do tapete só é benéfica pros olhos dele.
    Texto altamente elitista, querendo segregar os ambulantes do centro e por o pobre para longe, disfarça a intenção justificando com dados do Sindilojas. Duvido muito que o camelo faça perder 30% das vendas das lojas, esquecem que a internet é o maior responsável pela queda de vendas em lojas físicas e regionais, isso porque na internet a loja concorre com lojas de todo o Brasil, e o Sindilojas é só Porto Alegre e Alvorada.
    Esse dado é trazido de má fé com intenção do escritor de convencer o leitor :/

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    • Os ambulantes não pagam impostos e vendem mercadorias pirateadas/contrabandeadas, ajudando a abastecer o mercado ilegal que envolve drogas, crime organizado etc. Além de atrapalharem a circulação de pedestres em vários locais. Não é questão de segregação, e sim de legalidade. Querem vender produtos, o façam legalmente, pagando impostos devidamente.

      Quanto aos moradores de rua, concordo que é um assunto mais complexo.

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      • ah sim, com certeza o mercado de produto pirata e quinquilharias é o mesmo do traficante que vende crack armado no morro kkkkkkkkkkkkkkk
        Quanta ignorancia, “não é questão de segregação”, mas segregou 2 mercados completamente diferentes e botou tudo no mesmo saco.

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    • O interessante de tudo é que os Haitianos por exemplo compram os produtos contrabandeados de “emrpesarios” brasileiros, ricos e tambem NAO pagadores de impostos…

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  2. Vamos ver se o comentário aí em cima do AutoBOT reflete mesmo o que ele pensa, ou se é mais um Petezinho incomodado…… Teste: Já que tens tamanha “consciência social”, é tão politicamente correto, que tal pegar meia dúzia destes ambulantes, mendigos, feirantes etc. e instala-los na calçada da tua casa, preferencialmente na frente da entrada da tua garagem….. depois me da o teu, que depois de uma semana quero ir aí te entrevistar…. ver se o teu discursinho politicamente correto continua o mesmo…. Ok? Há…. e chama a maria do Rosário para te visitar….. quem sabe ela contribui com alguns bandidos para tua calçada?

    Cada vez menos paciência com estes discursinhos para parecer “Culto”……Vai se ferrar o Babaca!

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    • Bastante lucido e nada ofensivo.

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      • Ai meu deus!!!!! o Nei Carlos ficou ofendido ! Tanta sensibilidade, vestiu o chapel. Mais um petezinho milindrável. Mas com a cacaca que os politicamente corretos fizeram com todos os setores da vida nacional ele não se milindra…..

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  3. Concordo com o autor do texto.

    Mas, já que ele citou a Andradas, poderia citar também os inúmeros bares e restaurantes (no trecho entre a Caldas Júnior e a Bento Martins) que enfiam mesas e cadeiras em quase toda a calçada, tornando um martírio a passagem dos pedestres. Ou as lojas da Voluntários e José Montaury que ficam invadindo as calçadas com suas mercadorias.

    Ou seja, os próprios lojistas que “aguardam com ansiedade” também deveriam fazer a sua parte, não invadindo locais públicos.

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