Palco de títulos do Grêmio, Olímpico virou abrigo para moradores de rua

Em ruínas, estádio Olímpico Monumental aguarda resolução do negócio entre Grêmio e OAS. Moradores e comerciantes da região relatam que assaltos, uso de drogas e roubo de peças tornaram-se comuns/Itamar Aguiar/Agência Freelancer

Da sua inauguração, em 19 de setembro de 1954, até o último adeus à torcida tricolor, em 17 de fevereiro de 2013, o Estádio Olímpico Monumental foi palco de glórias para milhões de gremistas. Porém, desde seu fechamento, o local vem, gradativamente, transformando-se em ruína. Hoje, o histórico lar azul, preto e branco serve de abrigo para moradores de rua, usuários de drogas – além de ser refúgio para assaltantes. Morador da região há 46 anos, o professor de judô Marcelo Xavier relata o impacto sofrido por residentes e comerciantes.

“Virou um caos, um foco de criminalidade. É assalto, roubo de carro, furto, venda e consumo de drogas… O estádio virou um esconderijo de ‘crackeiros’ e criminosos”, conta Xavier. “Além disso, a iluminação está um horror. Os imóveis estão desvalorizados. Houve um impacto social e econômico muito grande desde a saída do Grêmio”, completa.

Ele administra um grupo de WhatsApp formado por moradores que serve para denunciar crimes e alertar sobre indivíduos suspeitos. “Aqui, um cuida do outro. Se alguém sofre uma tentativa de assalto ou vê uma pessoa com atitude suspeita, avisa através do grupo”, aponta.

O vendedor Régis Magri, de 53 anos, trabalha na avenida Carlos Barbosa, em frente ao estádio. Ele conta que é comum ver ladrões, durante o dia, roubando partes do estádio. “Eles roubam o alumínio da fachada, jogam no meio da rua e fogem. É assim todos os dias. Eles entram pela antiga entrada da churrascaria Mosqueteiro”, diz.

Já o aposentado Adão Gonçalves expõe que a presença de usuários de drogas e assaltantes só aumentou nos últimos quatro anos. “Eu passeio com o meu cachorro às 7h e às 20h. É sempre um cheiro de droga saindo dali. Os assaltos nas paradas de ônibus também acontecem todo santo dia”, declara.

Segundo o tenente-coronel Alexandre Brite, comandante do 1o Batalhão da PM, a polícia trabalha continuamente para garantir a segurança externa. Para ele, o problema é a insegurança dentro do antigo estádio.

“Assaltos são casos pontuais. O grande problema é na parte interna. Existe a presença constante de usuários de crack e os seguranças do local não atuam”, critica.

De acordo com o vice jurídico do Grêmio, Nestor Hein, seis seguranças atuam dentro do estádio, revezando-se por turnos. Entretanto, ele admite que o número não é suficiente para vigiar os 80 mil m2 do terreno. Na semana passada, um incêndio ocorreu no local, possivelmente provocado pela queima de lixo. As chamas foram controladas, e não houve feridos.

A empreiteira OAS – que pretendia construir shopping, hotel e prédios no ponto antes de surgirem as revelações da Operação Lava Jato  – “prefere não se manifestar sobre o assunto”.

Enquanto isso, um dos maiores símbolos do futebol gaúcho segue à mercê de vândalos. Abandonado. Esquecido.

Até incêndios têm ocorrido no estádio
Arquivo pessoal

‘É um embaraço, uma tristeza’, afirma diretor

Em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o vice jurídico do Grêmio Nestor Hein lamentou a situação do estádio Olímpico Monumental e revelou que o terreno pode ser vendido para outra empresa.

Hoje, de quem é a propriedade do que sobrou do estádio Olímpico?

Os oito hectares que compõem o estádio Olímpico são só do Grêmio. Os acessos são vedados e nós temos seis guardas, que se revezam por turnos. Agora, imaginem cuidar de 80 mil metros quadrados… É humanamente impossível.

Está se formando uma ‘cracolândia’ no local?

O que estabelece uma cracolândia? É um ponto fixo de distribuição e consumo de droga. Não é o caso do Olímpico. Eventualmente, uma pessoa pode entrar lá e fazer isso. Mas não é uma cracolândia.

Qual é a perspectiva para o início das obras?

Não sou otimista em relação a isso. Deve levar algum tempo. O Grêmio cumpriu todas as suas obrigações para o estádio receber o negócio. Mas se envolveu com uma empresa envolvida na Lava Jato.

Não é possível traçar prazos?

Nós não temos uma solução de implosão do estádio proximamente. O Grêmio faz de tudo para afastar qualquer risco para a população. Mas é um embaraço, uma tristeza. Eu evito até passar na frente. Não sou otimista para resolver a situação amanhã, mas acho que no curso de 2017 teremos uma resolução. Porque se o Grêmio não resolver a situação com a construtora, vai se liberar para vender a terceiros. E têm pelo menos seis interessados em adquirir a área pelo preço que nós pedimos.

Então existe esta possibilidade?

O Grêmio está preparado para fazer negócio. O estádio está completamente desonerado e é do Grêmio. Se o Grêmio tiver paciência, calma, fará um ótimo
negócio.

Por: Metro Jornal Porto Alegre
23 De Maio 2017 / 07:00 Hrs.

Anúncios


Categorias:Implosão Olímpico, Outros assuntos

Tags:, , ,

5 respostas

  1. Me baseando pelo que li da reportagem tenho que concordar contigo. Não quero entrar em polêmicas clubistas, mas creio que tu estejas certo no aspecto de que o Grêmio é responsável pelo local e deve ser responsabilizado. É obrigação de qualquer clube manter e zelar pelo seu patrimônio principalmente no que tange aos aspectos urbanos – passeios públicos, cercamento, pagamento de impostos (creio o imóvel do estádio não pague impostos,mas existem outros), iluminação, segurança, meio ambiente, etc.
    Sim, vivemos um problema de insegurança pública com os alarmantes índices de violência que acometem a cidade (não só a cidade!), mas isso não desobriga o clube de suas responsabilidades.
    Sim, o dono/administrador do imóvel é responsável direto, inclusive judicialmente. Isso não sou eu quem diz, é a Lei. Se algo acontecer ali dentro do terreno, pode ter certeza de que quem vai responder é o Grêmio.

    Outro fator é a minha opinião pessoal. Opinião de quem se depara com os grandes clubes brasileiros ganhando milhões em patrocínio, direitos de transmissão, verbas e incentivos públicos, dinheiros de quadros sociais e tudo mais e, no final, constata que através do nome destas equipes mundo afora já é retorno importante; claro que atividades sociais e esportivas são promovidas pelos clubes durante o ano… mas quando se vê que estes clubes pagam milhões para contratar um único jogador e a ele dão salários de centenas de milhares de reais mensais, e ao mesmo tempo não são capazes de reverter nem na manutenção do próprio patrimônio… algo não está certo.
    Exigem que o poder público construa e administre estádios, mas não os mantêm. Demandam sempre da segurança pública para seus eventos (o que está correto), mas pouco as auxiliam para isso (se pensarmos que o policial que deveria estar cuidando de um local em Caxias do Sul, tem que se deslocar a Porto Alegre para cobrir um jogo durante um dia inteiro, a pergunta que vem é – quem deveria pagar parte desta conta?); Isenção de tributos/taxas municipais (não tenho informação de que os clubes paguem qualquer imposto municipal);
    Fora incentivos de pastas específicas voltadas ao esporte que sempre contribuem aos cofres dos clubes. Lembro que durante a copa, por exemplo, regaram estádios e financiamentos a clubes/construtoras com dinheiro público a taxas de juros muito baixas, se comparadas a situações normais de mercado.

    Depois disso tudo, ver Grêmio, que não consegue manter a segurança do Olímpico ou Inter, que ás vésperas da Copa do Mundo não tinha dinheiro para fazer a pavimentação dos passeios públicos em volta do Beira Rio e exigiu isso do governo do Estado/Prefeitura, acaba por me deixar bastante triste pois, como arquiteto, me parece que estas equipes poderiam olhar com um pouquinho mais de carinho para seu legado urbano em nossa cidade.

    PS:
    Beira Rio e Atual CT do Grêmio foram construídos sobre terras públicas às quais nunca pagaram – basta pesquisar.
    Beira Rio e Olímpico nunca pagaram IPTU
    Beira Rio e Olímpico tiveram benesses em que não se submeteram a aplicação das leis de parâmetros Urbanísticos pertinentes.
    Beira Rio e Olímpico durantes anos foram inspecionados com “vistas grossas” das autoridades, deixando de lado Habite-se, alvará de incêndio, Licenciamentos ambientais, estudos de impacto de vizinhança, etc, e hoje pagamos o preço disto.

    Curtir

  2. O Ministério Público deveria ingressar com uma ação contra o clube e exigir uma multa diária de pelo menos R$ 100.000,00, pelo não cumprimento da acordada demolição do estádio Olímpico, algo que foi super noticiado e que por ter sido descumprido está gerando todo esse dano para a cidade e os moradores vizinhos afetados pela degradação e violência dos tais moradores-reis-de-rua. No caso moradores-invasores-de-estádio-abandonado, todo um horror. Sentimos pena dos cidadãos de bem vizinhos desse MEGA-ANTRO, expostos à desordem dessa gentalha toda. Nota zero pro Grêmio!

    Curtir

    • Tu estás absolutamente certo. O MP também deveria aproveitar a oportunidade e ingressar com uma ação de reintegração de posse em outro local de uso equivalente construído dentro de um rio, não muito longe do olímpico.

      Curtir

    • ANTES O TEXTO FOI CORTADO. AGORA SEGUE COMPLETO
      Me baseando pelo que li da reportagem tenho que concordar contigo. Não quero entrar em polêmicas clubistas, mas creio que tu estejas certo no aspecto de que o Grêmio é responsável pelo local e deve ser responsabilizado. É obrigação de qualquer clube manter e zelar pelo seu patrimônio principalmente no que tange aos aspectos urbanos – passeios públicos, cercamento, pagamento de impostos (creio o imóvel do estádio não pague impostos,mas existem outros), iluminação, segurança, meio ambiente, etc.
      Sim, vivemos um problema de insegurança pública com os alarmantes índices de violência que acometem a cidade (não só a cidade!), mas isso não desobriga o clube de suas responsabilidades.
      Sim, o dono/administrador do imóvel é responsável direto, inclusive judicialmente. Isso não sou eu quem diz, é a Lei. Se algo acontecer ali dentro do terreno, pode ter certeza de que quem vai responder é o Grêmio.
      Outro fator é a minha opinião pessoal. Opinião de quem se depara com os grandes clubes brasileiros ganhando milhões em patrocínio, direitos de transmissão, verbas e incentivos públicos, dinheiros de quadros sociais e tudo mais e, no final, constata que, de maneira proporcional, pouco reverte de prática à cidade que os acolhe. Claro que através do nome destas equipes mundo afora já é retorno importante; claro que atividades sociais e esportivas são promovidas pelos clubes durante o ano… mas quando se vê que estes clubes pagam milhões para contratar um único jogador e a ele dão salários de centenas de milhares de reais mensais, e ao mesmo tempo não são capazes de reverter nem na manutenção do próprio patrimônio… algo não está certo.
      Exigem que o poder público construa e administre estádios, mas não os mantêm. Demandam sempre da segurança pública para seus eventos (o que está correto), mas pouco as auxiliam para isso (se pensarmos que o policial que deveria estar cuidando de um local em Caxias do Sul, tem que se deslocar a Porto Alegre para cobrir um jogo durante um dia inteiro, a pergunta que vem é – quem deveria pagar parte desta conta?); Isenção de tributos/taxas municipais (não tenho informação de que os clubes paguem qualquer imposto municipal);
      Fora incentivos de pastas específicas voltadas ao esporte que sempre contribuem aos cofres dos clubes. Lembro que durante a copa, por exemplo, regaram estádios e financiamentos a clubes/construtoras com dinheiro público a taxas de juros muito baixas, se comparadas a situações normais de mercado.
      Depois disso tudo, ver Grêmio, que não consegue manter a segurança do Olímpico ou Inter, que ás vésperas da Copa do Mundo não tinha dinheiro para fazer a pavimentação dos passeios públicos em volta do Beira Rio e exigiu isso do governo do Estado/Prefeitura, acaba por me deixar bastante triste pois, como arquiteto, me parece que estas equipes poderiam olhar com um pouquinho mais de carinho para seu legado urbano em nossa cidade.
      PS:
      Beira Rio e Atual CT do Grêmio foram construídos sobre terras públicas às quais nunca pagaram – basta pesquisar.
      Beira Rio e Olímpico nunca pagaram IPTU
      Beira Rio e Olímpico tiveram benesses em que não se submeteram a aplicação das leis de parâmetros Urbanísticos pertinentes.
      Beira Rio e Olímpico durantes anos foram inspecionados com “vistas grossas” das autoridades, deixando de lado Habite-se, alvará de incêndio, Licenciamentos ambientais, estudos de impacto de vizinhança, etc, e hoje pagamos o preço disto.

      Abraços

      Curtir

  3. Eram moradores de rua, agora sao moradores do estadio…

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: