Donos de bancas investem em melhorias no Mercado Público

Associação destaca investimentos após incêndio e tenta diálogo com prefeitura contra PPP

Mercado Público irá completar 148 anos mês que vem Foto: Gilberto Simon

Prestes a completar 148 anos em 3 de outubro, o Mercado Público de Porto Alegre ainda não se recuperou completamente do grande incêndio de 2013. No entanto, os mercadeiros, verdadeiros responsáveis por manter o local em atividade, não se cansam de buscar soluções para que a população continue desfrutando do que o histórico prédio tem de melhor.

De acordo com Sérgio Lourenço, integrante da diretoria da Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc), depois do incêndio de 2013, já foram investidos pelos permissionários mais de R$ 2 milhões em melhorias no local e, em breve, um novo aporte financeiro será feito. “Vamos aplicar mais R$ 1,5 milhão para que o mercado fique aberto e, com isto, mantermos mais de 1,2 mil postos de trabalho, vendendo produtos de excelente qualidade e com preços extremamente competitivos”, revela.

Lourenço ressalta que os donos das bancas estão buscando constantemente uma aproximação com a prefeitura para que não seja levada adiante a intenção de passar a gestão do Mercado para uma Parceria Público Privada (PPP), como cogitou o prefeito Nelson Marchezan Jr. “Essa alternativa não nos contempla e muito menos contempla a população. As pessoas que vêm até aqui buscam o melhor preço, mas além disso, recebem um atendimento diferenciado. Oferecemos as mais diversas opções para que o cliente saia sempre satisfeito. E acredito que temos conseguido fazer isso ao longo de todos esses anos”, argumentou.

Recentemente, uma parceria entre a Ascomepc e a Coordenação dos Próprios, um braço da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre responsável pelo local, realizou a troca de inúmeras telhas que desde 1996 não recebiam manutenção. A medida solucionou o problema das goteiras que assolavam o prédio. Além disso, houve a substituição de 30 lâmpadas, o que melhorou a iluminação do local, bem como foi feita a limpeza de bueiros e a pintura da sala de descarte do lixo, que também foi equipada com uma prensa.

Outra ação que está sendo tomada pela associação é com relação ao Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI). Há vários meses, os permissionários buscam solucionar o problema e protocolaram junto à Procuradoria Geral do Município a intenção de fazer o plano com todas as adequações determinadas pela Lei Kiss, o que possibilitaria a reabertura completa do segundo pavimento, o mais prejudicado pelo incêndio.

Com o intuito de aproximar ainda mais a comunidade do Mercado, em junho deste ano, os estabelecimentos se reuniram para organizarem o Mercado Enamorado, uma programação especial para o Dia dos Namorados que lotou os restaurantes e movimentou a região na noite de 12 de junho.

Agenda cheia para o aniversário

Em outubro, para a celebração do aniversário, haverá uma agenda repleta para receber os clientes que forem ao Mercado no dia 3. Música, dança, capoeira e um bolo gigante estão entre as atrações que serão oferecidas. “Tudo isso porque temos consciência da importância que o Mercado Público representa para a história do Rio Grande do Sul. Diariamente, estamos aqui das 7h30min até as 19h30min buscando fazer o melhor. Nas 110 lojas, uma infinidade de pessoas levanta todos os dias com um único objetivo: atender bem os nossos clientes”, afirmou Lourenço.

O Mercado

O Mercado Público Central de Porto Alegre foi inaugurado em 1869. Inicialmente, foi construído para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. Hoje, é um tradicional ponto da Capital dos gaúchos. Em 1973, o Mercado Público foi tombado como patrimônio Histórico e Cultural do Município. Atualmente, conta com mais de 100 estabelecimentos e uma pluralidade de serviços. Cerca de 150 mil pessoas circulam todos os dias pela primeira construção que ocupou um quarteirão inteiro de Porto Alegre. E este número pode ser ainda maior em datas comemorativas como Páscoa e Natal, chegando a 250 mil pessoas.

Correio do Povo

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Categorias:Comércio

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9 respostas

  1. Comparado a outros do gênero pelo país, o mercado público de Porto Alegre deixa a desejar. Muitas bancas vendendo praticamente as mesmas coisas, muito pouco diversificado. E é incrível como um espaço que é tombado pelo patrimônio histórico e cultural do município seja tão negligenciado. Quatro anos do último incêndio e ainda não há um PPCI?

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  2. Os donos das bancas tem muito mais conhecimento do Mercado Público que os burocratas da prefeitura.

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  3. As vezes nos de POA não percebemos o quanto esta decrepto o mercado publico, quando vamos la ja sabemos onde ir, o que comprar…
    Recentemente minha mae veio me visitar e queria ir no mercado “tomar um cafezinho”.

    Nao encontramos uma banca razoavel para isso, a sinalizaçao era toda pré incendio, tudo errado.

    O espaço dos restaurantes reduzidissimo…

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  4. A primeira vez que pisei no mercado publico era uma lixeira algo bizarro era habitado por um monte de gatos não tinha cobertura e me parece que os porto-alegrenses nem ligavam.Eu não me recordo qual gestão da prefeitura na mão do PT resolveu modernizar um pouco o prédio,me lembro na época foi uma gritaria total pois me parecia que a modernização implicaria em aumento dos alugueis e tinha permissionário que já se achava dono do pedaço pagando uma ninharia pelo espaço,mas enfim saiu.Não sei se é uma caracteristica das obras publicas aqui em poa,principalmente as que servem o povo,são caras ,mal feitas e não tem conservação.Havia até um bonde museu do lado de fora do mercado,foi retirado pela depredação. Respeito quem frequenta o mercado publico,eu pessoalmente não frequento acho muito sujo e fedorento e os preços não são tão bons assim. Espero que consigam melhorar o ambiente,agora se a parceria for igual a do camelodromo deus me livre.Sinceramente é uma lastima a involução das áreas centrais de Porto Alegre e o mercado é um exemplo.

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  5. Parece que o único caminho é a união das pessoas e no caso dos permissionários. Eles mesmos assumindo, tomando frente e promovendo as obras. Só esperamos que contratem profissionais de arquitetura e engenharia realmente gabaritados, pois o ideal é que fosse feito algo lindo, contemporâneo, muito atrativo, mas sei lá, não dá para criar espectativas em se tratando de POA, onde revitalizações caríssimas dão quase na mesma do que a degradação que deveriam reverter..

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    • Caríssimas mesmo! Aquela reforma /reconstrução do segundo pavimento do mercado público, ainda não concluída, foi licitada há uns 6 anos por 19 milhões de reais, o mesmo que custaria para construir dois prédios residenciais de dez andares, segundo falam. Está certo isso?

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  6. Apreciaria muito saber porque os atuais permissionários estão contra a pretendida PPP. E porque a prefeitura a quer. Esclarecimentos, por favor.

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  7. Parece que só a prefeitura ter cogitado a ideia de uma PPP já fez o pessoal permissionário dos espaços do Mercado Público se mexer um pouco mais. Espero que logo tenhamos nosso bom e velho Mercado de volta ao funcionamento integral e – sobretudo – auto-sustentável financeiramente.

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  8. Fiquei esperando a matéria dizer quais são os problemas da PPP pretendida pela prefeitura…

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