O Shopping Center tradicional está para morrer (e vai nascer algo no lugar)

Dos atuais 1.200 shoppings dos Estados Unidos, cerca de 300 fecharão, só nos próximos anos – dizimando empregos no setor de varejo

Você provavelmente passou boa parte da sua vida visitando shopping centers. Cada vez mais presentes na vida das pessoas no Brasil (principalmente por causa do crescimento nas cidades do interior), nos Estados Unidos ele já é algo que está ficando “ultrapassado” – inclusive com a possibilidade de que 20% a 25% dos shoppings fechem nos próximos 5 anos, de acordo com um estudo da Credit Suisse.

Dos atuais 1.200 shoppings dos Estados Unidos, cerca de 300 fecharão, só nos próximos anos – dizimando empregos no setor de varejo. Grandes redes estão fechando milhares de lojas dentro de shoppings ou na rua por conta disso. Boa parte do varejo mundial está migrando para o e-commerce: enquanto o online cresce cerca de 14% a 15% por ano, o físico cresce 1 a 2%.

Mas ainda há um espaço gigantesco para o crescimento do varejo online, já que só 9% do varejo global se faz por computadores e smartphones. No momento, são US$ 2 trilhões movimentados eletronicamente em um mercado muito maior, de US$ 23 trilhões. Alguns setores já estão mais bem adaptados à internet do que outros. Apenas 7% dos alimentos são vendidos pela internet, enquanto livros e brinquedos os números chegam a quase 50%.

A tecnologia está engolindo o varejo tradicional: falaremos extensivamente do assunto na maior conferência sobre o assunto no Brasil, o Retail Tech Conference. Lá mostraremos as startups que estão remodelando o setor varejista do Brasil, seja aumentando a rentabilidade de lojas (online ou físicas), diminuindo custos e inventando novas formas mais efetivas para realizar vendas – e como isso pode beneficiar sua empresa. Confira aqui os palestrantes já confirmados e não perca a oportunidade.

Alternativa número 1: virar centro de logística

Uma das alternativas que podem ser “o futuro” dos atuais shoppings centers é que eles virem centros de logística – sim, você não leu errado. A Amazon tem comprado terrenos de shoppings fechados nos Estados Unidos para montar seus centros de distribuição.

Mas não é uma “ironia do destino”: são terrenos gigantescos, que suportam uma grande quantidade de produtos, localizados em regiões de fácil acesso (mas que também não são necessariamente no centro das cidades). Tudo que um centro de distribuição precisa.

E não acontece só com shoppings não: o Carrefour transformou uma de suas lojas em São Paulo em um enorme centro de distribuição de alimentos e outros produtos para seu e-commerce, uma plataforma cada vez mais “desejada” dentro do gigante do varejo francês.

Com isso, os terrenos antigos passam a alimentar o comércio eletrônico, que é mais prático para a maior parte dos usuários. E o papel dos antigos shoppings passa a ser atendido por lojas de rua (que estão em alta… mais a seguir no próximo intertítulo). Ou seja, parte dos shoppings deverão morrer com o crescimento do e-commerce. Ponto. Finito.

Um ponto válido de destacar é que muitas das lojas físicas que existem são apenas “marginalmente rentáveis” e qualquer coisa que lhes afeta (o crescimento do e-commerce) acaba com suas rentabilidades e elas precisam fechar – mas isso não acaba com todas as “oportunidades” daquela rede. É mais um jogo para “maximizar ativos” do que necessariamente o fim do comércio.

A rede Macy’s, por exemplo, fechou centenas de lojas – mas 60% das fechadas, cuja rentabilidade não é mais atraente, estão próximas de outras lojas da Macy’s. Quem tinha o costume de ir em uma loja consegue ir na outra também. Com o crescimento das vendas online, é necessário menos pontos físicos – isso é um fato.

Alternativa número 2: o “novo shopping”

Só que as pessoas continuam gostando de ir em shoppings. É uma experiência gostosa para a maioria das pessoas: andar entre as lojas, ver o que você quer comprar (mas não sabia), visitar o cinema, comer em um restaurante gosto… enfim, uma vista ao shopping pode ser uma experiência bacana. “Os melhores shoppings continuam a ter uma boa performance, e os que não estão tão bem vão evoluir”, destaca Kathy Elsesser, co-diretora de varejo e consumo global do Goldman Sachs.

Bons shoppings são os que são capazes de fazer essa experiência ser interessante, enquanto shoppings ruins são aqueles focados excessivamente em lojas. “As pessoas gastam agora em viagens, restaurantes, mídia, entretenimento e acomodação ao invés de bens de consumo pessoais, como no passado. Para os shoppings, isso significa mais cinemas, mais restaurantes e mais oportunidades baseadas em experiências”, diz Kathy.

Transformar o espaço do shopping em um ambiente de convívio é cada vez mais uma prioridade para as empresas que gerenciam esses espaços – principalmente para atrair a geração millenial, que passa a ser a maior parcela de consumidores.  Isso significa que os ambientes estão com a tendência de ser cada vez mais híbridos: diga adeus ao shopping que é só shopping e da oi para os ambientes que incluem moradias e espaço de escritório.

JK Iguatemi – São Paulo. Foto: Gilberto Simon

É o que muitos complexos fazem aqui no Brasil. Torres de escritórios (ou residenciais) em um grande local, parecido com o JK Iguatemi, que possui vários espaços para que as pessoas trabalhem – e, por acaso, possam ir gastar suas horas de almoço no shopping.

Um dos melhores exemplos, porém, é o Easton Town Center, no subúrbio de Columbus, Ohio, Estados Unidos. É uma comunidade “completa”, com tudo que se faz necessário – casas, escritórios, locais de compra – e que simula o centro de uma cidade. Cria-se um ambiente denso para que as pessoas trabalhem e vivam, consumindo o que lhes for necessário em distâncias andáveis. Um shopping a céu aberto – e muito mais próximo do que o inventor do shopping desejava.

StartSe – Felipe Moreno
Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

23 de outubro de 2017

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Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Artigos, Shopping Centers

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9 respostas

  1. Quem lê até acredita, ok, mas vamos aos números: Os Estados Unidos possui de acordo com a International Council of Shopping Centers (ICSC) o numero oficial de 763 Shoppings Centers e desses alguns já foram demolidos e outros fechados. A matéria parece ser comprada de empresas Online e que mostra números errôneos. Falta credibilidade nisso. Veja a lista de quais os Shoppings que os Estados Unidos possuem: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_shopping_malls_in_the_United_States
    Portanto existem matérias bem tendenciosas e sem fontes. abs

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  2. Os shoppings no Brasil vão muito bem, obrigado, e sem sinais de morte. Tanto a Multiplan quanto o Iguatemi são empresas que têm se mantido sólidas, sem qualquer indício de derrocada, pelo contrário, são bons investimentos na bolsa.

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  3. Por que os shoppings se proliferaram tanto por aqui? Porque não há utilização da rua, a violência e a degraçação dos espaços públicos fazem as pessoas buscarem o conforto (e a beleza) dos shoppings. Isso tão cedo não chegará por aqui…

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    • Também acho que não estamos perto disso acontecer, mas de qualquer forma, é um aviso de que a “curva” começa, aos poucos, inverter o sentido.
      Espero sinceramente que com isso se volte a vislumbrar o comércio de rua (não só o comércio, também os entretenimentos de rua) com olhos mais amistosos. Para tanto é preciso que a segurança, o asseio e a acessibilidade acompanhem o processo.
      Não sou contra shopping centers – acho que há espaço para tudo – afinal, a cidade é dinâmica. Embora tenha que concordar que prefiro várias lojas abrindo para a rua do que um quarteirão todo emparedado.

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  4. Os modelos de negócios vão se adaptando às conjunturas. Tudo tem o seu ciclo. Atinge um auge e depois começa a decair; desaparecendo ou readequando-se. Em Porto Alegre e grandes cidades brasileiras os shoppings são o refúgio da violência urbana, aonde o cliente tem estacionamento farto, segurança e variedade de serviços…e ainda experimenta um raro gostinho de país de primeiro mundo, com limpeza e organização.

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  5. compras online fechando SHOPPINGS e a culpa da queda de vendas no centro é pelos ambulantes que vendem pirataria kkkkkkk

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