Reestruturação da Usina do Gasômetro será substituída por projeto reduzido

Obra foi impugnada por falta de recursos após dois anos de trabalho dos arquitetos / Tânia Meinerz

Após dois anos de trabalho desde que venceram a licitação para elaborar o projeto de reestruturação da Usina do Gasômetro – e às vésperas de entregar a versão definitiva para a Prefeitura de Porto Alegre – os arquitetos da 3C precisaram mudar radicalmente os planos para o centro cultural.

Sob a justificativa de que não há recursos disponíveis para executar uma obra com as proporções previstas, a administração municipal suspendeu a última etapa do projeto em setembro. Agora as diretrizes mudaram e a intervenção – que antes previa a transformação completa do espaço, com construção de estruturas novas e remodelação interna (inspirado na Tate Modern Gallery, de Londres) – será muito menos ambiciosa.

O novo projeto, ainda sob responsabilidade da 3C Arquitetura, deverá incluir apenas a recuperação de pisos, infiltrações e pintura geral, além da reformulação das instalações elétricas e atualização do Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). Será uma obra de manutenção e melhoria das estruturas já existentes.

Em outubro, o Secretário Municipal de Cultura, Luciano Alabarse, qualificou o projeto existente como “inviável”, “megalômano” e “de dimensões herzoguianas” em um debate no Instituto Goethe, mediado pela jornalista do Dossiê Palcos Públicos Michele Rolim: “Eu não vou entrar para a história da cidade como o homem que fechou a Usina para nunca mais abrir”, provocou Alabarse.

A reestruturação da Usina do Gasômetro está incluída em um contrato de financiamento da Corporação Andina de Fomento (CAF), que totaliza 92 milhões de dólares. A dotação para o centro cultural, entretanto, é de três milhões de dólares. “Não daria nem para começar a obra com esse dinheiro”, assegurou, em outubro, Luciano Alabarse.

Conforme o coordenador da Memória Cultural, Eduardo Hahn, o Instituo Odeon – contratado pelo CAF para desenhar um modelo de gestão para a Usina após a requalificação do espaço – teria avaliado a execução do projeto em torno de R$ 20 milhões, o que extrapolaria o valor existente. “Inviabilizaria a execução da obra. O secretário avaliou e optamos por retroceder e fazer uma reformulação para adequar ao orçamento que temos”, explica Hahn.

A decisão de suspender o andamento do projeto na linha que vinha sendo desenvolvida pegou de surpresa os arquitetos. A etapa final do trabalho – essa suspensa em setembro – havia sido autorizada um mês antes, em agosto.

Além de descartar o trabalho de elaboração e desenho da proposta, que levou quase dois anos, a mudança no escopo da obra preocupa os arquitetos que haviam debatido os pormenores do conceito e da intervenção com a comunidade de artistas e frequentadores do Gasômetro: “Fizemos dois grandes eventos públicos e outros menores para discutir e aprovar o projeto”, ressalta um dos sócios da 3C Arquitetura, Tiago Holzmann da Silva.

Por isso ele espera que nessa nova etapa seja possível repetir o debate, para que novamente a população possa opinar sobre o trabalho a ser executado. “Gostaríamos de apresentar ao público o novo projeto também”, complementa.

Para desenvolver o projeto agora impugnado, eles receberam 417 mil reais, saídos dos cofres municipais. Como não será possível aproveitar quase nada do trabalho anterior, será feito um aditivo contratual para assegurar aos profissionais o pagamento pelo trabalho extra.

Por enquanto, o projeto agora descartado segue exposto no hall da Usina do Gasômetro que deve fechar as portas para iniciar o levantamento estrutural preparatório das obras ainda este mês.

Publicado originalmente pelo Dossiê Palcos Públicos de Porto Alegre*

Para ler a matéria na íntegra, no Jornal Já, clique aqui.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Restaurações | Reformas

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13 respostas

  1. Hoje temos um esqueleto coberto por tapumes no parque Harmonia, são restos de uma obra que se arrasta desde 2003 o que seria a sala sinfonia da nossa OSPA , porque não aproveitar este elefante da usina do gasômetro para alocar a orquestra sem ter que construir projetos faraônicos que no fim se transformam em esqueletos de pela cidade “” assim dando uma destinação ao espaço da usina !!
    https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2016/01/prometida-para-2014-sala-sinfonica-da-ospa-nao-tem-previsao-de-entrega-4952622.html

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    • Dadas as atuais circunstâncias, acho ótima a ideia. Sempre achei a usina com ocupação aquém do potencial, e a OSPA vem sendo destratada há muito tempo. Casamento perfeito. Dignidade e respeito para ambas, com um custo menor. Todos ganham. Que a reforma da usina seja para abrigar a OSPA e aproximar ambas da população!

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    • Alem da prefeitura começar a obra no gazometro e nao terminar,tinha que dar uma limpa naqueles franelinhas que cobram pra estacionar o carro e na verdade nao cuidam de nada,se o motorista nao paga eles, riscam os carros,tinham que tiralos do gazometro e por guarda municipal ali.

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  2. Com Marchezan nem essa orla aí do Fortunati não teria saído, não tenho nenhuma dúvida disso, tivemos sorte que a obra já estava em andamento.

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  3. A usina e outras areas publicas em Porto Alegre que demandam somas vultosas para serem recuperadas e mantidas deveriam ser privatizadas,preserva~se um pouco da História se necessário e o investidor que o use da melhor forma possivel.Entretanto para massagear o ego dos burocratas com cotonete e enche-los de privilégios financeiros joga-se o esforço financeiro dos contribuintes fora ou melhor nos empregos publicos inuteis. Menos estado,mais cidadão.

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  4. Já é praxe da prefeitura de porto alegre criar projetos faraônicos para não fazer. Lembram dos painéis LCD para os ônibus? Querem transformação completa para o Gasômetro em nãoseioque de London enquanto nem as contas da prefeitura se consegue fechar.

    Ao menos dessa vez parece que estão mudando antes de começarem as obras.

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  5. Cemitério de projetos. É impressionante como a nova orla não foi sugada pelo buraco negro da incompetência da nossa gestão municipal

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  6. em vez de aproveitar este espaço coberto que fica 99% do tempo inocupado o Marchezan ainda inventa um novo centro de eventos que tera a fase inicial custeada em 60 milhões.. Isso é burrice? ou é pra lavagem de dinheiro?
    Fico incredulo com a falta de ‘sustentabilidade’ dos espaços fisicos em Porto Alegre, enquanto na Holanda usam o teto de antigas igrejas como bibliotecas ultra modernas, aqui constroem-se coisas novas sem limites, obras que jamais ficarão prontas e superfaturadas, provavelmente é só para roubar mesmo.

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    • depois dizem que porto alegre nao tem estrutura para tal, ignorando os vários espaços da cidade esquecidos e criando uma necessidade ilusoria de novos espaços.. sinceramente, é só para roubar. Não é possível que seja mais barato erguer um prédio do 0 do que reformar algo que ja está em pé e bem localizado..

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      • Infelizmente neste caso do Gasômetro (que é tombado), a reforma sairia muito mais cara que a construção de um novo.

        Mas concordo contigo que a reforma é sempre melhor do que a construção de um novo. Até porque o velho vai continuar ali, então que se faça um uso decente dele.

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        • Precisamos definir o seguinte: se é “velho” proponho botar a baixo e criar área livre para não gastar o que não temos com nova construção. Se é “antigo” então concordo em fazer a manutenção/preservação e ocupação estruturada.

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        • discordo que sairia mais caro, a arquitetura da usina nao tem complexidade estética alguma, não precisa contratar um ‘escultor frances’ para reforma-la. E é tombado até que nivel? com comércio dentro e elevador?

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