Carris: do lucro a um déficit anual de 50 milhões, em sete anos

No pátio da empresa, zona leste da Capital, há um depósito de ônibus, desde carcaças até outros parados por falta de parafusos / Ricardo Stricher / JÁ

Desde o começo da década, a empresa pública de ônibus de Porto Alegre vem apresentando uma queda vertiginosa. Prejuízos enormes e crescentes, diminuição na qualidade do serviço e graves problemas de gestão, chegando a ter mais de cem ônibus parados por falta de peça.

Até 2010, a Carris dava lucro. Os balanços eram positivos e a empresa recebia prêmios pela qualidade do serviço. Nos anos anteriores, chegou a ser escolhida duas vezes a melhor empresa de transporte público do Brasil, em 1999 e 2001.

Foi no início da gestão de José Fortunati na prefeitura que a empresa começou a apresentar prejuízos. Em 2011, o prejuízo foi de quase R$ 6 milhões. Em 2012, um salto negativo: mais de R$ 21 milhões negativos. O déficit nas contas da empresa chegaram a mais de R$ 50 milhões em 2015 e 2016. Para este ano, a previsão é de resultados ainda piores.

Funcionários já falaram publicamente que há um processo de sucateamento provocado. Reclamam também de assédio e falta de diálogo, por parte da nova direção. Desde o início de ano, um diretor-presidente recém nomeado, Luís Fernando Ferreira, em fevereiro, e uma procuradora, Jaqueline Simões, em julho, pediram demissão da Carris.

Ao longo de quase onze meses de governo, a atual gestão não apresentou um plano de recuperação para a empresa. Periodicamente, o prefeito Nelson Marchezan Júnior cita a Carris como um problema em suas entrevistas. Agora, Marchezan subiu o tom. Afirmou que a empresa não é mais viável e está com seus dias contados.

Mais de cem ônibus parados

Carris deixa de realizar até 300 viagens por dia devido a problemas em veículos. O prejuízo mensal com a falta dessa arrecadação chega a R$ 2 milhões por mês / Ricardo Stricher / JÁ

Com cento e quarenta e cinco anos de serviços prestados, levando e trazendo a população de Porto Alegre, de bonde ou de ônibus, a Carris vê no horizonte o fim da linha. Pelo menos é o que se desenha, na gestão do prefeito Nelson Marchezan Júnior, para o modelo de empresa pública de transporte de passageiros.

Se ao longo da campanha eleitoral, a possibilidade de venda da empresa era negada pelo então candidato Marchezan, desde que assumiu o Paço, o prefeito volta e meia dá o recado. Recentemente, Marchezan foi taxativo: “a Carris está com os dias contados.” O prefeito já apresentou as três possibilidades: privatização, venda ou extinção.

Um mar de ônibus parados, na garagem da empresa, é o retrato da grave crise de gestão. Um terço da frota da Carris não vai para a rua, garante funcionários da empresa. Ao longo deste semestre, o número varia entre 100 e 120 automóveis parados, a maioria por falta de peças. No dia 14, dos 347 carros da frota, 112 não tiveram condições de sair.

“Considerando que já passamos muito do número da frota reserva (32), todos os dias são cerca de 80 ônibus que não andam pela cidade, cerca de 300 viagens que deixam de serem realizadas. É a realidade atual”, lamenta o delegado sindical da Carris, Felipe Suteles. Segundo o sindicalista, a situação, que vem piorando gradualmente na última década, piorou de vez nos últimos meses.

Quase metade dos automóveis são da Volvo e a reposição de peças depende de um contrato com a montadora. Assim, veículos novos, com falta de peças simples, dividem o espaço com carcaças que já foram descartadas. “Há ônibus parados por falta de parafusos de poucos reais”, lamenta.

A falta de entendimento entre os funcionários, direção e o prefeito também tem se tornado uma rotina. Na mais recente controvérsia, Marchezan declarou em entrevista que o alto índice de roubo de peças é uma das causas da situação precária da empresa. Os funcionários responderam com indicativo de greve, mensagens pela internet e panfletos distribuídos para a população. “Já houve alguns furtos de peças, sim, mas justificar a precariedade atual com isso é criminoso”, classifica Suteles.

(…)

Para ler a reportagem na íntegra, clique aqui.

JORNAL JÁ



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito, mobilidade urbana, onibus

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14 respostas

  1. Porque o município deve ter uma empresa de ônibus? Porque o estado tem um banco, um trem?

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    • Em relação aos trens, o estado tem as estradas, as paradas de ônibus, os corredores de ônibus, os terminais… portanto não vejo nada de mais de ter os trilhos e as estações, por exemplo.

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  2. A carris sempre foi um reduto de sindicalistas faziam o que eles queriam a empresa funcionava,quanto ao lucro duvido muito destes balanços melhor empresa publica de transporte, quem dá estes premios não anda de onibus e a propria situação dela publica define ela o que é publico no Brasil é cabide de empregos,quanto ao atual prefeito,não votei nele,não entendi muito bem onde ele quer chegar na administração da cidade,dizem que é apoiado por um movimento que prega o liberalismo e ele quer aumentar impostos como o IPTU,ou tá perdido ou é demagogo.

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  3. Houve uma reorganização das rotas durante a pseudo licitação que retirou da Carris rotas importantes, mais lucrativas, e a deixou com as rotas mais longas. Não entendo dos numeros de lucro por linha, mas suspeito que a Carris tenha saído prejudicada desse processo em pról das outras concessionárias. Uma empresa que lucrava 50 mi por ano, sem razão aparente passar a registrar 50 mi de prejuízo seria um escândalo num país civilizado, aqui ninguém parece se importar. O correto seria que se fosse feita uma investigação que explicasse essa virada de mesa. Mas como isso não vai ser feito, nos basta especular os motivos.

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  4. vende! Setor público não tem que ficar gerindo empresa de ônibus e pagando mais caro por tudo que compra.

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  5. A empresa dá prejuízo há 7 anos e o culpado é o prefeito que entrou há 1 ano?

    Já opera com mais de 50mi de prejuízo. Não tem como recuperar. Vende de uma vez e já era.

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    • Tu acha que vão por a culpa nos prefeitos anteriores ? claro que não, vão tocar a culpa pra cima do marchezan, tem que vender mesmo, uns onibus andando na rua sucateados, o calor de hoje e os mesmos com ar condicionado desligado so com janela aberta, ta louco.

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  6. “Carris deixa de realizar até 300 viagens por dia devido a problemas em veículos.”

    Bom, imaginem que o t11 teve 3 horários suprimidos entre 6h45 e 7h15… eu pego ele antes de passar a Anhanguera, ali no cassino, e já mal consigo entrar… caos.
    O cobrador e o motorista só berram “reclama pro Jr”.

    Que projeto de prefeito… e ainda fica sugerindo por usb nas paradas!

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  7. Este prefeito eleito justamente pela possibilidade de melhorar a qualidade da gestão, tem no seu maior defeito até então justamente a gestão. Gestão de recursos humanos, das empresas públicas, de publicidade, de projetos. Tudo conseguiu andar pra trás.
    Falar em privatizar a Carris é assumir a incompetência de não ter capacidade de salvar a empresa, e assim desistir do transporte público como um todo. Transporte que francamente é prioridade em qualquer prefeitura do mundo.

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    • Quem é minimamente informado sobre como andam as coisas na prefeitura sabe que é este mesmo o projeto de governo, ou seja, sucatear pra justificar a venda. É assim com a Carris e tem sido assim nas outras secretarias. Mesmo havendo recurso, serviços não são autorizados/liberados. Este governo está sabotando o município, está traindo a confiança nele depositada por quem esperava que as coisas na cidade melhorassem.

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      • Administrar também é fechar e extinguir o que não é viável. Foi eleito justamente para isso, acabar com a farra da maquina. Chega de pagar impostos pra sustentar funcionalismo apenas.

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