Cais busca locatários e tenta evitar atrasos

Em março. Durante a entrega da Licença de Instalação, ontem, representantes do consórcio garantiram que as obras deverão começar em três meses. Agora, corrida é para entregar cronograma e definir espaços comerciais

PROJETO-CAIS

O trauma do atraso em obras é típico do porto-alegrense. Que dirá uma obra aguardada há três décadas. Por isso, ontem, quando o consórcio responsável pela revitalização do Cais Mauá recebeu a Licen- ça de Instalação da prefeitura, foi dada a largada para garantir a credibilidade. O Cais Mauá do Brasil não quer repetir a demora que já afugentou potenciais locatários dos espaços comerciais, essenciais para manter o negócio financeiramente e atrair público.

Para não atrasar, empresas estão sendo contatadas e também contatando o consórcio. Segundo o diretor de Operações do Cais Mauá, Sérgio Lima, há conversa- ções com dezenas de companhias. “Estamos em contato com empresas que têm interesse em ficar no cais, mas seria prematuro divulgar quais são”, disse.

Dezenas de empreiteiras também estão sendo avaliadas para realizar os trabalhos, quer começarão com a restauração dos armazéns históricos, a ser iniciada em março de 2018. A entrega do cais à população é prevista para março de 2020. “A nossa intenção é fazer as obras com empresas do Rio Grande do Sul. Procuramos empresas que tenham capacidade técnica e expertise no trabalho.”

Em 2012, um projeto de ocupação dos setores comerciais estava pronto. Os locatários então definidos eram Seu Buteco (Natalício), Quiosque Chopp Brahma (Chopp Stubel), Kiosque Brasil, Barba Negra, Bazkaria, Bar do Beto, Press Café, Z Café, Barranco, Via Imperatore, Tirol e NY. No entanto, a demora para o projeto sair do papel fez com que o plano comercial murchasse.

O consultor Maurenio Stortti afirma que o planejamento dependia da obten- ção das licenças, o que estava demorando demais. “Eu fiz a PMI [Proposta de Manifestação de Interesse], a montagem da viabilidade. Mas, depois, em toda a sequência das aprovações, eu não estava mais. Se achava que andaria com uma certa velocidade, mas em função da questão legal [não andou]…”, relata.

Mesmo com o revés, Lima não descarta os estabelecimentos cogitados anteriormente. Um gerente contatado pelo Metro Jornal, porém, demonstrou que a desconfiança ainda existe: “De nossa parte, não tem interesse. Não sei se vai vingar. O investimento é alto demais para a situação econômica do país”, avalia.

Cabe ao consórcio provar se o negócio vale a pena. E uma das formas de convencimento é mostrar que o projeto não continuará patinando, como ocorre há 30 anos.

JORNAL METRO – PORTO ALEGRE – 06/12/2017



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Outros assuntos, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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5 respostas

  1. Me preocupa a construção de três novas torres comerciais (serão milhares de metros quadrados de área) e um novo Shopping em plena era do teletrabalho e do comércio online. Por quanto tempo irão funcionar até tornarem-se os mais novos prédios fantasmas a assombrar o centro de Porto Alegre? Vide o fracassado projeto Porto Maravilha no RJ, que não conseguiu ocupar sequer 30% dos espaços comerciais disponíveis.

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  2. Tomara que saia do papel e seja um fator de desenvolvimento da cidade e que se alastre para outros bairros,Porto Alegre tá um lixo em determinados bairros é só imposto e neca de manutenção e serviços.

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  3. Acho que o maior medo dos possíveis locatários é assumir os compromissos, fazer planejamento financeiro, contratação e treinamento de pessoal, contrair empréstimos, comprar equipamentos e insumos e a prefeitura atrasar a liberação, inventar algum problem em licenças, alvará, carimbo… ou ainda algum vereador entrar na justiça e travar tudo por meses ou até anos.

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  4. Esse projeto é bem equilibrado porque em ambos extremos permite a construção de edificações novas que são importantes para atrair empresas e pessoas para dar nova vida a esta área tão significativa, e no caso se as torres realmente forem feitas com esse visual para melhor, irá agradar e com certeza agregar valor ao skyline da cidade. Vê-se que entre estes extremos na esmagadora extensão permanecem os tais armazéns preservados e finalmente devidamente revitalizados. Definitivamente não há do que se reclamar e essa galerinha empaca-cidade dos movimentoides toscos que lutam pela continuidade da degradação da capital gaúcha, merecem total rechaço, pois está claro o que querem e seus discursinhos e tesesinhas não colam.

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