Em fase de estudos, licitação para rodoviária de Porto Alegre deve ficar para 2019 (atualizado)

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Rodoviária foi inaugurada há 48 anos | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Desde junho de 1970, Porto Alegre tem um prédio de tijolos a vista como referência numa das pontas do Centro Histórico. A estação rodoviária, um projeto desenhado pelo Daer (Departamento Autônomo de Rodagem) e executado pela empresa Veppo, virou um dos pontos de referência da Capital gaúcha. O largo da entrada do prédio, onde as filas de táxis alaranjados também são tradicionais, leva o nome do patriarca da família: Vespasiano Júlio Veppo.

Segundo a história contada pela própria empresa, na década de 1930, ao lado de Júlio Castilhos de Azevedo, Vespasiano Veppo teve a ideia de centralizar a chegada e saída de transportes em Vacaria, na região nordeste do estado, em um só local. Até então, era o transportador quem passava de casa em casa para buscar os passageiros. Criaram assim, aquela que teria sido a primeira estação rodoviária do Brasil, em 1939.

Na capital, a Veppo e Cia operou estações em três endereços diferentes até fechar acordo com o governo do Estado. Construiria o projeto desenvolvido pelo Daer para a nova estação rodoviária – “o maior e mais moderno da América do Sul” – em troca de ter a concessão sobre os serviços da mesma. Um acordo direto. Mesmo depois que a Constituição Federal de 1988 tornou licitação uma obrigatoriedade, nunca houve processo para regulamentar o contrato da Veppo com o governo do Estado ou para abrir chamadas a outros interessados.

Consultoria internacional ficou encarregada de estudo

Essa é a primeira vez que o Daer não está encarregado de definir uma concessão, de acordo com o diretor. O encargo foi passado para o “Conselho Gestor do Programa de Concessões e de Parcerias Público-Privadas”, um órgão superior de caráter normativo e deliberativo, vinculado ao Gabinete do Governador José Ivo Sartori (MDB) e presidido por ele. Na descrição do PL que determinou a criação do Conselho, no início do ano passado, diz “que será responsável pelo planejamento e pela execução, dentro de suas atribuições, das concessões e parcerias público-privadas no âmbito da Administração Pública Estadual”.

Mudança à frente

A indefinição sobre a licitação da estação rodoviária de Porto Alegre também abriu espaço para rumores. Segundo uma fonte do Sul21, há duas semanas um grupo de representantes de governo teria visitado o shopping DC Navegantes, na região do 4º Distrito, e mostrado interesse em usar o espaço para um terminal rodoviário. O governo do Estado nega a informação. A Prefeitura de Porto Alegre e o shopping não retornaram ao contato da reportagem.

Fernanda Canofre – SUL 21 (matéria diminuída – para ver integralmente, clique aqui)

 

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O leitor Andreas nos encaminhou um link de um projeto, a cargo do Arquiteto Fábio Maia Guzenski, para remodelação completa da Estação Rodoviária de Porto Alegre.

Veja esta foto abaixo e clique aqui para acessar mais informações sobre o projeto.



Categorias:Outros assuntos, Rodoviária de Porto Alegre

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14 respostas

  1. O render deu uma ideia boa para resolver um dos problemas do entorno da rodoviária, citando o excesso de tráfego, mais especificamente o de veículos de grande porte. Use uma estrutura física que limite a altura dos veículos que trafegarão pela via e os force a utilizar outra saída de PoA que não seja o nó da rodoviária. Muitos dos veículos de médio e grande porte não passam mais por ali, somente veículos de passeio e de transporte até a rodoviária. Poderia aliviar o fluxo.

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  2. a rodoviaria deveria ser deslocada para PERTO do aeroporto, formando um grande hub intermodal (avião, onibus, trem, vias urbanas, rodovias..)


    https://polldaddy.com/js/rating/rating.js

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  3. Pessoal, na minha opinião a rodoviária de Poa, precisa de uma remodelagem completa, em todo o complexo, gostei do projeto que foi mostrado ali na foto, ficou muito bonito de verdade, queria citar alguns pontos importantes que seriam interessantes serem feitos para ontem.

    1º – Segurança => vejo muita gente atravessando ali nos boxes interestaduais e internacionais para irem para o outro lado para embarcarem, isso é muito perigoso, imagina uma pessoa ta correndo e cai, e nisso vem um onibus ali, e ai ja viram né, acho que deveriam fazer algo para que não tivessem mais pessoas atravessando ali, tem a passagem la debaixo da rampa.

    2º As encomendas, acho que todas as empresas poderiam embarcar as encomendas em suas garagens e não ali na rodoviária, fica aquele acumulo de onibus ali, sem contar quando tem pico, por exemplo feriados grandes.

    3º Mudanças nos embarques dos onibus Interestaduais e internacionais, pelo que eu vejo, a rodoviária tem 10 boxes ali para embarque e desembarque, acho que poderiam mudar isso, colocando os embarques interestaduais e internacionais ali pra onde fica os da citral, e também da bento, por exemplo pega 10 ou 12 boxes al e pronto, ai ali onde é o embarque hj, ficaria para desembarque interestadual e internacional, movimento na rodoviária temos todos os dias é claro, mas aqueles movimentos grandes, tem nos feriadões, natal, ano novo, carnaval, acho que daria para fazer essa mudança.

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  4. Não entendo porque tantas linhas de ônibus municipais precisam passar pela rodiviária, criando aquele congestionamento tradicional, nem porque uma área tão grande é destinada a estacionamento de taxis. Tirando esses dois problemas daria para começar a pensar em melhorias mais complexas.

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    • Estratégia bioclimática para inverno! ❤
      Nos ultimos 200 anos se construiu no RS igual se construiu no resto do país: janelas grandes, aberturas, ambientes abertos, afinal, Porto Alegre é uma cidade num país tropical e como estamos sentindo nos últimos dias, a prioridade é sempre AREJAR o ambiente e reduzir a temperatura interna dos imóveis…

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      • Guilherme, tu te refere a que exatamente ?

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        • A 90% dos prédios construídos em Porto Alegre. Eu lembro quando estudava na UFRGS, aquela reitoria toda com janelões abertos no inverno e todo mundo enfrunhado em casacos grossos dentro das peças pois o prédio não foi construído pro inverno gaúcho. Conheci uma russa que morou em Santa Maria e disse que passou mais frio aqui que na Sibéria, em função da nossa arquitetura despreparada. No centro de Porto Alegre tu anda num dia como hoje, as portas estão todas escancaradas, são raros os lugares com porta giratória, ou vestíbulo e aquecimento. As pessoas tem o hábito de “arejar” os ambientes mesmo com 10.C. Tu anda nas ruas num dia como hoje e vê janelas abertas pelos prédios. Em outros lugares do mundo com clima parecido tem aquecimento e prédios preparados para o frio. Aqui AGORA que estão fazendo prédios com aberturas em PVC que não empenam como a madeira e que fecham o ambiente contra o frio.

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          • Sabes Guilherme, que isso é bastante pertinente?
            Morei cerca de 2 anos numa cidade com condições de temperatura muito parecidas com as de Porto Alegre. As variações anuais de temperaturas médias muito, mas muito, similares.
            E lá eu não sentia tanto frio quanto sinto aqui… nem perto!!!
            Comecei então a prestar atenção no porque isso acontecia e, alguns fatores me chamaram a atenção. Muito vem da nossa cultura mesmo, por exemplo, isso que falas do comércio com portas escancaradas mesmo em dias muito frios.
            Mas, sem dúvidas, a arquitetura é um dos principais motivos que constatei.
            Em termos de infra estrutura e sistemas arquitetônicos, não temos o costume de utilizar aquecimento em piso, em boa parte de nossas residências não há aquecimento da água de torneiras, calefação é praticamente inexistente em nosso Estado, quando existem lareiras elas são mais decorativas do que funcionais, nossas vedações de esquadrias são pensadas apenas para o conter sol e não o frio, não há isolamento térmico em nossas construções, entre outros fatores.
            Em termos arquitetônicos a falta de consciência de empreendedores em abrir mão do lucro em benefício do conforto do usuário é um grande entrave, reprimindo os ensinamentos básicos que recebemos na academia a respeito de sustentabilidade, conforto e eficiência bioclimáticos. Também a população (e a própria crítica especializada) não dão muita importância a isso, preferindo belos renders e um “conceito enche-linguiça”.
            Um de nossos maiores mestres, Niemeyer, tem muito desta mancha sobre parte de sua obra, em que o espetáculo arquitetônico visual se sobressai totalmente sobre o conforto interno (e externo) do edifício (vide relatos sobre a usabilidade, conforto térmico, privacidade, acessibilidade, etc. que recaem sobre algumas obras suas).
            No mais, ao contrário do que a canção apregoa, não vivemos em um país tropical. Somos um país continental com, no mínimo, 2 climas e vários sub-climas. No sul, por exemplo, somos um “país” sub-tropical com as 4 estações bem definidas e, entrar numa loja e somente encontrar aparelhos de ar condicionado que esfriem o ambiente é um contra-senso sem tamanho, quando existem os que aquecem e esfriam no mundo inteiro (até pouquíssimos anos a maneira que tínhamos de aquecer ambiente era através da queima da madeira, seja em fogões a lenha, seja em caldeiras ou seja em lareiras). Talvez a falta de reservas de gás canalizado nos tenha privado muito tempo dos confortos oferecidos pelo aquecimento através deste sistema.
            Agora, com a nova norma de desempenho de edificações este quadro talvez se altere um pouco ao longo dos anos, mas creio que o cerne do desconforto já está em nosso “DNA” e não vai ser tão cedo que lidaremos arquitetonicamente bem com o inverno.

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        • Eu vivo à base de ar-condicoinado. Aumento R$100 a conta da luz, mas ando de manga curta e shorts dentro de casa, não fico batendo queixo dentro de casa. Não é normal morrer de frio dentro de casa. Só aqui que todo mundo acha normal andar pela casa com casaco de lã.

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  5. Eu acho a localização da rodoviária muito boa. O problema é que ninguém se presta a investir na área.
    Claro que precisa de uma boa reforma, e na minha opinião, um estacionamento subterrâneo.
    Aliás, deveriam aterrar a passagem dos carros, criar algum espaço público pra dar uma valorizada na região que é bem largada. Bem ao lado tem um terreno onde fica um estacionamento, poderiam usar aquele espaço pra criar uma área de embarque e desembarque, sei lá.
    É muita bagunça pra ser uma porta de entrada pra cidade. Tem dias em que se demora mais de meia hora pra conseguir entrar na rodoviária.

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  6. Boa oportunidade para fazer uma ou mais torres 🙂
    Segue exemplo da rodoviaria/ferroviaria de Boston (https://en.wikipedia.org/wiki/South_Station_Tower)

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