Voos ao interior do RS mais próximos do início

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Cessna Grand Caravan da TWO Flex – Foto: João Machado – Gaúchos Spotters

No Diário Oficial do Estado de 5 de setembro de 2018, mais especificamente da página 194 à 196, consta um acordo celebrado entre a Secretaria dos Transportes e a Gol, no qual a companhia aérea adere ao Programa Estadual de Desenvolvimento da Aviação Regional (PDAR), criado em 2015. O que, mais especificamente, significa isso e o que esse acordo tem a ver com os voos da TWO Flex? Tudo! É o que explicaremos nesse post.

Como já é de conhecimento de quem acompanha o blog, desde fevereiro a TWO Flex vem tentando emplacar voos de Porto Alegre ao interior do estado em parceria com a Gol, reservando diversas vezes slots para tais operações, mas nunca colocando passagens à venda. O último pedido publicamos aqui essa semana, com data de início prevista para 20 de setembro.

Agora com tal acordo firmado entre o governo estadual e a TWO, a tendência é que o início dos voos esteja mais próximo. Isso porque a maior interessada na operação é a Gol.

O acordo tem amparo no Decreto Estadual 52.607, de 16 de outubro de 2015, que estabeleceu o PDAR. Tal programa concede redução no ICMS em todo o combustível abastecido pelas empresas participantes no estado. Em contrapartida, as companhias devem operar um número mínimo de rotas regionais no RS, além de outras medidas determinadas pelo contrato.

No caso da Gol, será firmado contrato de interline com a TWO, o que permitirá a venda de voos da TWO e da própria Gol no mesmo bilhete por qualquer uma das duas. A seguir, a TWO iniciará os voos previstos no contrato firmado, sendo eles:

POA-Bagé-POA – seis semanais
POA-Passo Fundo-POA – cinco semanais
POA-Rio Grande-POA – cinco semanais
POA-Rivera (Livramento)-POA – quatro semanais
POA-Santa Rosa-POA – quatro semanais
POA-São Borja-POA – quatro semanais

Contratualmente, essas rotas devem ser operadas num mínimo de quatro frequências semanais para que valha a redução de ICMS. A lei garante, para seis rotas regionais, uma alíquota incidente de 7% no imposto. Sem os voos, a empresa pagaria 18%. Portanto, a redução é de 61,1%. Todas as operações serão realizadas pelos Cessna Grand Caravan da TWO Flex, com capacidade para 9 passageiros.

Sabe-se que o Cessna Caravan é uma aeronave com custo por assento elevadíssimo, portanto é de se esperar que as passagens sejam igualmente caras. Entretanto, o desconto no ICMS deve cobrir totalmente os custos. Mesmo que todos os voos da TWO no estado saiam completamente vazios – e esperamos que não saiam -, será um negócio vantajoso para a Gol. Até porque tais operações representarão uma mínima parcela das operações no RS.

A oferta semanal da TWO Flex no estado será de 504 assentos. As decolagens de POA e CXJ, somadas, representam 38892 assentos por semana (dados obtidos no SIROS para o período compreendido entre 16 e 23/09). Assim, a oferta da TWO representará apenas 1,28% de todos os assentos ofertados semanalmente pela Gol, um número irrisório, considerando que o ICMS para o combustível de todos esses voos será reduzido além da metade.

Gaúchos Spotters



Categorias:Aviação, Outros assuntos

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9 respostas

  1. Como não existe regulação (tabelamento de preços) nas passagens de avião como existe no caso dos ônibus e as empresas são livres para subir e baixar as passagens de acordo com o mercado, a aviação acaba evoluindo mais rápido que transporte rodoviário.

    O transporte ferroviário é ainda mais engraçado, onde é proibido uma empresa construir uma linha férrea e explorar o trecho sem o governo decidir por onde passa a linha, quantas estações, preço da passagem, velocidade média dos trens…

    Imagine se o governo decidisse a velocidade dos aviões, tamanho e autorizasse onde e quais conexões?

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  2. Mesmo com Teco-Teco e caro já é um começo. Nos States viajam 7 vezes mais que nós.

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  3. Sei lá, é deprimente (e inexplicável) como em certos setores o RS encontra-se tão defasado e atrasado não só em relação às maiores economias do centro do país, mas até mesmo em relação aos vizinhos do Sul, PR e SC. Aeroportos gaúchos sem estrutura com seus terminais-casinhas patéticos, até mesmo o de uma grande cidade como Caxias do Sul com seu aeroporto muito mas muito aquém, e meu agora esses teco-tecos operando e oh sendo notícia. Isso é muito túnel do tempo!

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  4. Que coragem pra voar nisso dai. Mais uma deturpação de um plano que até é interessante no papel. A passagem vai ser tão cara que só vai servir pra quem já tem avião (inclusive melhor que esse teco-teco aí). Vai acabar voando vazio com todos nós subsidiando o icms da gol.

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    • Na verdade o nome desse “teco teco” é Cessna Grand Caravan, um avião muito utilizado em pistas pequenas para voos de baixa capacidade mundo afora. Na Europa e nos EUA (mais nos EUA) é bem comum o uso de aeronaves menores para atender cidades menores, ao invés de não ter voo algum, como é o caso do Brasil. A questão é que o público em geral quando ouve falar em “voos regulares” imagina um Boeing 737, só que o Boeing 737 é um avião relativamente grande, leva mais de 150 pessoas (mais de 3 ônibus lotados). Só que um 737 não se sustenta indo pra Bagé ou Livramento. Então tem que ser esses aviões menores mesmo, ou “teco teco” no linguajar popular. E os assentos devem custar o dobro de uma passagem de ônibus, imagino, o que pode valer a pena, bem menor do custo de um voo para alguem que ja tenha um aviao, que pegando gasolina, custo do aviao (manutencao, armazenamento) + piloto, fica bem mais caro.

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      • Pois é, eu acho bizarro o preconceito que existe com relação a aviões turbo-hélice. Para determinados nichos, esse tipo de avião até faz bastante sentido, não só por ter o tamanho certo para a demanda, mas também porque eles são mais fáceis de manter e operar. Na Califórnia, tem uma empresa fazendo voos relativamente curtos usando aviões um pouco maiores que esses, bem interessante a proposta.

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  5. Com estradas destruídas e com a super regulação estatal no setor ferroviário, até esse serviço caro torna-se competitivo.

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