Megaprojeto é liberado

Zona Sul. Prefeitura concede Licença de Instalação e obras podem iniciar em região ao lado do Hipódromo do Cristal

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Empreendimento Golden Lake contará com até 19 torres, dependendo da demanda | REPRODUÇÃO

Nos próximos meses, quem passar pela avenida Diário de Notícias começará a ver mudanças na paisagem. Um empreendimento passará a ser erguido na região, alterando o visual para quem mora nas redondezas. A prefeitura concedeu na sexta- -feira a Licença de Instalação para o início das obras de um megaprojeto que contará com até 19 torres. O documento foi assinado por Maurício Fernandes, secretário municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade.

O Golden Lake, da Multiplan, mesma incorporadora que administra o BarraShoppingSul, será erguido na antiga área de baias do Jockey Club. O número de prédios com que o condomínio contará dependerá da demanda. A primeira etapa prevê a construção de quatro edificações. A estimativa é que o começo das obras ocorra ainda este ano. O projeto está orçado em R$ 2,5 bilhões.

2bilhoes

O megaprojeto contará com lagos e piscinas. Na autorização concedida pela prefeitura há o comprometimento de que o projeto deva priorizar o plantio de árvores nativas da região. Fica proibido o uso de águas subterrâneas no local para qualquer fim. Há um planejamento de manejo da vegetação, mas ainda não está definido onde os vegetais serão recolocados.

contrapartida

As mudanças na zona sul avançaram a partir da construção do próprio shopping, há dez anos. Se ampliou com o projeto do Pontal, na área do antigo Estaleiro Só. Além do Golden Lake, o Loteamento Ipanema e o empreendimento previsto na antiga Fazenda Arado Velho, no bairro Belém Novo, devem mudar a paisagem. A preocupação de ambientalistas é com a vegetação. “É uma zona que está perdendo rapidamente as suas áreas verdes”, lamenta Francisco Milanez, presidente da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural). A construção do Golden Lake era negociada com a prefeitura há cerca de dez anos.

Jornal Metro Porto Alegre, 07/01/2019



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, GoldenLake, Outros assuntos

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15 respostas

  1. Nao se trata de ranço ideológico. Quando se faz 19 torres de acesso controlado você aliena as pessoas dos problemas da cidade e simplesmente mata a vida urbana.

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    • Quando me refiro a “ranço ideológico” não me refiro ao que tenha fundo técnico, seja bom ou ruim. Me refiro aqueles argumentos forjados por ideologia/interesses baseados em sensos político-partidários e sem comprovação de fato de sua veracidade.
      Quando dizes que em “19 torres de acesso controlado você aliena as pessoas dos problemas da cidade e simplesmente mata a vida urbana” tem muita verdade e fundamento no argumento. Não vejo esta colocação tua como “ranço”, embora não concorde inteiramente com ela.

      Em primeiro lugar não vou questionar a afirmação de que este tipo de moradia, em condomínio fechado e de acesso controlado, “aliena as pessoas” pois nunca vi estudo ou informação alguma de que morar em sistema de condomínio fechado deixa as pessoas mentalmente, em maior ou menor grau, distantes da realidade a ponto de podermos afirmar que se tornam alienadas a isto. Não acho justo argumentar isso desconsiderando milhares de pessoas que moram em empreendimentos fechados e de acesso controlado com centenas de apartamentos nos empreendimentos MCMV, nas periferias de nossa cidade.
      Então, não entro nesta seara de discussão.

      Mas é bem verdade que grandes áreas de cercamento sem interação entre propriedade privada-calçada matam a vida urbana, como bem argumentas. Por isso acho que grandes empreendimentos que demandam grandes perímetros de testadas fechadas, como condomínios de grande porte, shopping centers, fábricas, etc., merecem estudo de impacto de vizinhança indeferindo o projeto ou deferindo, inclusive se necessário, com medidas mitigatórias (afinal é para isso que o EIV serve). Como é o caso do empreendimento licenciado, me parece que o EIV então deferiu o projeto e, portanto, estudos técnicos foram feitos os quais chegaram a conclusão que, embora possa causar prejuízos ao urbano, ainda assim os benefícios à cidade consequentes são maiores.
      Que benefícios?
      Bom, nem preciso entrar na questão de toda a cadeia empregatícia que este tipo de obra gera. Nem questões de aquecimento de economia e geração de tributos. Isso é óbvio, pois estamos falando de 2.5 BILHÕES em uma época em que a economia acumula perdas e desempregos sucessivos, além da cidade estar enfrentado sérios problemas financeiros.
      Acho que também entre os benefícios mensuráveis podemos falar das contrapartidas. Na minha opinião, só as contrapartidas impostas à incorporadora já sanam grande parte dos possíveis malefícios gerados por este empreendimento.

      Pois bem, além dos benefícios mensuráveis, existem os benefícios imensuráveis.
      Dentre aqueles benefícios imensuráveis, podemos partir do próprio argumento de prejuízo à vida urbana pelo não relacionamento de grandes áreas com a malha viária. E isto é exatamente o que acontece atualmente neste local (ou alguém aqui acha que o local é altamente frequentado pela população e vascularizado pelas vias da cidade?).
      Tratamos de um local altamente nobre, central e… segregado urbanisticamente. Não há vida em seu interior (além dos cavalos que habitam as baias e o número cada vez menor de frequentadores do Jóquei Clube que para ali tem acesso). Peço que deem uma olhada no google earth e verifiquem que absurdo uma área destas (entre grandes avenidas, ao lado de shopping e de frente ao Guaiba) e com um uso tão pouco sustentável – cerrada em si, árida, sem vegetação, sem interação com a malha urbana – “simplesmente matando a vida urbana”.
      Também existem outros benefícios imensuráveis como, por exemplo a valorização local, o manejo controlado e sustentável do meio ambiente, o desenvolvimento, etc.. O corpo do texto cita que “as mudanças na zona sul avançaram a partir da construção do próprio shopping”. Eu lembro como era a região antes do shopping. Lembro por que não conseguia passar por ali a pé nem de bike. Lembro que havia esgoto a céu aberto, invasões descontroladas, vias sem pavimento e esburacadas… Agora, embora ainda ache que esteja longe do ideal, tenho que concordar que a região melhorou.

      De qualquer modo, tua observação é válida e ha muitas décadas ela já faz parte de uma visão de desenvolvimento urbano sustentável. Lembro que na implantação do shopping Iguatemi tinha um grupo que levantava estas questões de interação propriedade privada-calçada.
      Tenho certeza de que grandes extensões de muros separando a calçada da propriedade privada são um problema muito sério mas, infelizmente, em alguns casos são um mal necessário ao qual temos que aprender a conviver e minimizar. Estas situações ocorrem não só apenas a intervenções de alto padrão aquisitivo, mas também em projetos voltados à habitação de interesse social – como acontece na maioria absoluta dos empreendimentos MCMV, como citei anteriormente.

      Por fim acredito que em questões urbanas devemos tentar ser imparciais e, ao argumentar sobre algum tema, é importante levantar os prós e os contras – saber colocar o dedo na ferida e saber ver que a ferida pode ter cura(s).
      Se está longe do que seria o ideal, este empreendimento pelo menos trará algum retorno urbano à região e deve ser saudado.
      Grande abraço.

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