Vem aí o app dos ônibus de Porto Alegre

Tecnologia. EPTC e ATP querem dotar toda a frota, ainda neste semestre, de equipamentos que melhorem a atratividade do sistema, após alta da tarifa e nova queda no número de usuários

Que ônibus passa aqui? Se você lembra dessa frase naquele tumultuado ano de 2013, época de protestos nas ruas contra os aumentos nas passagens dos coletivos, sabe que se devia a uma campanha do coletivo Shoot The Shit, que colava adesivos nas paradas informando as linhas que passavam no local.

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Na tela, usuário acompanha chegada do coletivo e seus dados| REPRODUÇÃO

Foi nesse período que esquentou o debate sobre a necessidade de haver melhores informações aos usuários do transporte coletivo a respeito do sistema de ônibus, como o horário de chegada dos veículos na parada, se estão lotados ou se há acessibilidade. Pois agora, seis anos depois do começo da discussão, vem aí o aplicativo dos ônibus de Porto Alegre, que promete resolver todas essas pendências.

A previsão, tanto da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) quanto da ATP (Associação dos Transportadores de Passageiros), é de que ainda neste semestre o app esteja pronto. O sistema que inspira a prefeitura é o mesmo utilizado em municípios como Campinas e Recife (veja na imagem ao lado).

A novidade vem dentro de um pacote de melhorias para o transporte público, o que inclui câmeras de segurança, reconhecimento facial, GPS e facilidades via internet para uso do cartão TRI, com previsão de chegar à totalidade da frota até o final de junho deste ano.

app1O diretor executivo da ATP, Gustavo Simionovschi, confia que as medidas podem ajudar a frear a queda no número de passageiros – no início deste ano, a média mensal caiu ao seu menor nível na série histórica desde 1994, com 20,5 milhões de usuários transportados (veja abaixo). “Além da racionalização, o sistema está investindo na qualificação”, afirma. Diretor-presidente da EPTC, Marcelo Soletti diz que a segurança é um dos principais problemas que os passageiros querem evitar e que o app pode ajudar. “Ninguém quer ficar na parada dez, 20 minutos.”

Contrato previa mais usuários

A redução de passageiros levou as empresas de ônibus a buscar na Justiça o reequilíbrio do contrato, já que, na licitação que passou a valer em fevereiro de 2016, a previsão era de que transportariam 17,8 milhões de pessoas que pagam passagem por mês. No ano passado, o número de pagantes chegou a 14,1 milhões, e se mantém nesse patamar no início de 2019. Os isentos de pagar tarifa, que só foram diminuir neste ano, são apontados como o maior custo.

Hoje, dois usuários pagam, cada um, 50% do que um terceiro passageiro, isento, deveria desembolsar. “O único serviço social que existe no transporte é o ônibus, que tem que estar em todos os bairros”, aponta Simionovschi. Sem isenções, a tarifa, que deverá ser de R$ 4,70 em 2019, poderia baixar a R$ 3,50, segundo Soletti. “A média nacional é de 21% de isentos, nós temos 31%.”

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Jornal Metro Porto Alegre – 18/02/2019



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18 respostas

  1. Como é bom, após ler uma matéria num site/blog, ver logo abaixo comentários balizados e pertinentes sobre o tema, não deixando apenas no texto (e na opinião) do jornalista a responsabilidade de ponderar pontos os técnicos e ser o dono de uma única verdade. Podemos até não concordar com aquilo que é escrito, mas temos que reconhecer a importância deste tipo de manifestação voluntária e balizada – de quem trabalha na área e sabe das mazelas do sistema, seja ele qual for.
    Esta era uma das diferenças do rádio. O rádio, ha bem pouco tempo, programas com entrevistas variadas sobre temas da atualidade. Hoje se resume a programas com vários apresentadores “especialistas em generalidades” debatendo entre si, apenas para encher linguiça e manter o público pensando o mínimo possível. Quando muito, abrem espaço para algum político ou jogador de futebol.

    Também digo isso por que cada vez mais os procedimentos administrativos estão se tornando judicializados, relegando a parte da engenharia técnica a segundo plano. Os embates/debates e bases de fundamento para qualquer coisa na máquina pública são feitos por advogados, raramente por técnicos na área debatida… muito raramente.
    Cai a barragem? chama os “adeva” pra ver de quem é a culpa conforme leis, contratos, meio ambiente, normas de trabalho, etc…
    Programa de rádio vai repercutir a que da barragem? chama o secretário de meio ambiente, o ministro, o ministério público, o sociólogo, a associação de moradores, etc… até o cara que faz a animação gráfica computadorizada do desastre dá opinião…

    Quantas vezes a opinião de um técnico (engenheiro, geólogo, etc.) a gente ouviu em algum programa de rádio/TV sobre o desastre em Brumadinho?

    Assim, parabenizo aos que escrevem de maneira independente e com conhecimento de causa.

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  2. Ônibus sujo? Sem ar condicionado? Passagem mais cara que Uber? Seus problemas “se acabaram-se” com o novo APP da prefeitura! (Sqn)

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    • É bem isso mesmo. É só perfumarias e o cerne do problema, o que realmente encarece e torna o sistema ineficiente eles não abordam.

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  3. A ideia é válida e muito boa. Tomara que saia do papel, após anos de promessas. No entanto, como tudo na Prefeitura, falta o cuidado com o básico. Não adianta apenas saber o horário, se o ônibus tá imundo e caindo aos pedaços. Não adianta só inaugurar obra nova, se a limpeza da cidade está horrível. Falta o básico para atrair as pessoas.

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  4. Não era simplesmente publicar os horários em tempo real com o Google?

    http://maps.google.com/help/maps/mapcontent/transit/index.html

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  5. “A média nacional é de 21% de isentos, nós temos 31%.”

    Porto Alegre não tem tanto idoso/estudante/deficiente a mais que as outras cidades brasileiras. Esse cálculo só dá 31% porque a prefeitura maliciosamente começou a considerar a passagem integrada (i.e. isenção ao pegar o segundo ônibus na mesma viagem) como uma isenção. Digo que isso é malicioso porque é uma martelação interpretativa que só serve a um objetivo: jogar a população contra ela mesma, e esquivar-se da culpa pelo péssimo planejamento e administração do sistema.

    Como já digo há literalmente mais de uma década, a reforma URGENTE que o transporte público de Porto Alegre precisa consiste de:

    1) REORGANIZAR AS LINHAS, diminuindo o número de viagens inúteis
    a) acabar com a multitude de linhas sobrepostas nos eixos troncais
    b) implementar linhas troncais de alta capacidade exclusiva nos corredores (BRT)
    c) implementar linhas de bairro com veículos mais ágeis/menores, alimentando os troncais em pontos estratégicos (“terminais de integração” em alguns casos, “paradas maiores” em outros)
    d) implementar linhas transversais que façam sentido e sejam céleres (i.e. T9 nunca mais)
    e) reorganizar a integração no Centro, acabando com a maluquice da “rodoviária a céu-aberto”; tenho umas ideias de como fazer, mas não cabe nesse comentário

    2) REMODELAR A COBRANÇA DA PASSAGEM, implementando a passagem integrada por tempo como outras metrópoles (considero 2 horas o ideal). Passes semanais ou mensais são outra ótima ideia. Há quem defenda que haja cobrança escalonada por distância/áreas, mas eu não acho que seja uma boa ideia numa cidade onde em geral o pobre mora mais longe.

    3) INCENTIVAR O CARTÃO TRI, permitindo a compra simples e anônima como é feito em praticamente qualquer outra cidade, e dando descontos que tornem seu uso vantajoso para o usuário habitual.

    4) DESINCENTIVAR USO DE DINHEIRO, arredondando o valor para cima, e.g. R$ 5. Eu até penso que já seria viável NÃO aceitar dinheiro. Santiago já faz isso, pois lá é trivial adquirir o cartão.

    5) REMOVER OS COBRADORES, embora extremamente polêmico, há de se reconhecer que não faz mais NENHUM sentido mantê-los se as pessoas usam o TRI. Ainda poderíamos manter a roleta para assegurar que as pessoas paguem, colocando-a mais próxima ao motorista. A checagem de isenções poderia ser feita por amostragem.

    6) REFAZER A CONCESSÃO, aumentando o número de operadores e diminuindo o tempo da concessão. Hoje temos três operadores privados encastelados em uma concessão de 20 anos. Eles não têm nenhum incentivo para aprimorarem o serviço, pois farão um gordo pé-de-meia nesse meio tempo. Ao meu ver, poderíamos ter dezenas de operadores dedicados a porções menores do sistema; poderíamos até ter partes do sistema operadas por micro-ônibus e vans (em harmonia com o item 1c)

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    • claro, esqueci algo extremamente importante:

      7) SUBSÍDIO PÚBLICO, com a prefeitura “completando” o que for necessário pra conta fechar e manter a passagem em patamares aceitáveis. Considerando o ganho de valor trazido à cidade por uma mobilidade eficiente e ágil, faz todo sentido do mundo. Claro, perguntarão, mas vamos tirar dinheiro pra isso de onde?

      Sabe a CIDE? Significa “contribuição de intervenção no domínio econômico”. É um dos impostos que pagamos na gasolina, e junto com PIS/PASEP e COFINS são ±10% do preço que você paga. Mas o mais importante não é isso, o importante é atentar para o nome do imposto: é um imposto para “intervir no domínio econômico”. O que quer dizer isso?

      Domínio econômico se entende como o balanço entre demanda e oferta, e esse imposto é desenhado explicitamente para afetar esse balanço, por entender que o consumo de combustíveis gera um custo à sociedade (poluição, congestionamento, acidentes, etc). A ideia é de uma intervenção dessas é tentar moldar o comportamento da sociedade, “punindo” o comportamento até um certo ponto, para desincentivar as pessoas de fazê-lo e, ao mesmo tempo, gerar uma receita que pode ser usado em medidas mitigatórias contra os malefícios do dito consumo (e.g. transporte público). Ou seja, é diferente dos outros impostos, pois os outros impostos visam a mera arrecadação e impactam o equilíbrio econômico por tabela; a CIDE é ostensivamente uma ferramenta pra afetar o equilíbrio econômico e, em teoria, poderia ser aumentada ou diminuída ao longo do tempo. Na prática, o que se faz é “desligar” a taxa de vez em quando, e “ligar” de novo algum tempo depois (geralmente pra ganhar votos, enfim).

      Como todo imposto ou contribuição, existe uma previsão para o retorno do valor para os estados e municípios. Como se trata de uma contribuição, o retorno não é calculado proporcional a arrecadação, e sim a outros fatores, como quilômetros de rodovias, população e etc.

      Enfim, eu escrevi tudo isso pra dizer: sabe quanto retornou como cota-parte do CIDE-combustíveis para o município de Porto Alegre no ano de 2014? A embasbacante cifra de R$ 186.593,22. Isso precisa ser rediscutido urgentemente.

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    • Excelente! Compartilho de todas essas ideias! Mas infelizmente com a prefeitura atual nada disso vai acontecer… E sim, extremamente malicioso dizer que temos 31% de isenções. Mais que isso, eu diria criminoso! É completamente falsa essa informação… Se fosse considerar como isentos o que a prefeitura de POA considera, SP teria até 75%, já que com uma passagem é possível pegar ate 4 ônibus.

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    • Muito bom!

      Veja como existem soluções simples. Em São Paulo a recarga do cartão pode ser feita na própria roleta em qualquer horário. Só pagar para o cobrador o quanto se quer depositar no cartão.

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      • Não sei se gosto dessa ideia, pois pressupõe a continuidade dos cobradores, e ainda “enche” o ônibus de dinheiro, o que pode atrair assaltos. Vejo outras opções:

        1) simplificar a recarga pela internet, com validez imediata dos créditos (razoavelmente complicado, considerando que exigiria conectividade contínua dos ônibus)

        2) permitir recarga nos moldes dos celulares pré-pagos, usando supermercados/lotéricas/etc (requer ter o equipamento que “escreve o crédito” no cartão nestes lugares)

        3) ter máquinas de recarga que aceitem dinheiro e cartão em lugares estratégicos da cidade (a exemplo do que temos agora com a área azul digital)

        No frigir dos ovos, um gargalo para isso é a questão da conectividade das máquinas do TRI para transmissão dos créditos. Alguns ajustes operacionais podem ser feitos para agilizar a sincronização, mas acho difícil de garantir recarga imediata. Talvez as soluções 2 e 3 sejam as melhores no curto e médio prazo.

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      • Se tu é cliente do BB tu podes recarregar teu Bilhete Único de qualquer ATM do BB.

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  6. “queda no número de usuários”, não me convence, sempre que pego onibus está lotado, a pesquisa que fizeram deve ter sido feita as 3 da tarde ou pela madrugada, só pode.

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  7. “Ninguém quer ficar na parada dez, 20 minutos.”

    Só agora que o diretor da EPTC descobriu isso? Parece até que é uma tecnologia mirabolante e tal. Com um whatsapp o cara já compartilha a localização.

    E outra coisa: não se engane com Uber e Cabify. Se colocar na ponta do lápis, no final do mês vai acabar gastando muito mais do que com transporte público e ainda dá uma parcela de carro próprio. Isso só com a diferença do que tu gastaria com transporte públic. É pra uso esporádico e não diário.

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  8. Maravilha estas melhorias tecnológicas. Só que antes coloquem ônibus descente. Frota da Bacia Sul um horror. O Belém Velho 289 que peguei semana passada não conseguia subir as lombas da Av. Oscar Pereira

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  9. Essa informação ao vivo de quanto tempo falta para chegar o ônibus é muito útil, já tive a oportunidade de vivenciar isso em outra cidade e é ótimo. Realmente isso ajuda a aumentar o uso, pois aí você tem a informação para ponderar se vale a pena esperar ou ir por outro meio. Depois tem que colocar essa informação nas paradas em forma de painel eletrônico, para quem não tem app saber também.

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  10. Quem não tem solução inteligente vem com esta babaquice eletrônica ,se as pessoas desistiram ou desistem de andar de onibus é porque o sistema é ruim.

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