Círculo vicioso: cai o número de usuários, aumenta a passagem, cai ainda mais o número de usuários

onibus-farrapos

Foto: Gilberto Simon

Entra em vigor no dia 13 de março a nova passagem de ônibus de Porto Alegre, no valor de R$ 4,70, um aumento de 40 centavos ante o valor anterior. Isso significa que, em 10 anos, a tarifa de Porto Alegre quase dobrou, saltando de R$ 2,45, em 2010, para o valor atual, com reajustes frequentemente acima da inflação e do aumento do poder de compra do brasileiro.

O resultado é a criação de um círculo vicioso de queda do número de passageiros, que gera a necessidade de um maior reajuste da tarifa para compensar essa perda, por sua vez afastando ainda mais os usuários do transporte coletivo. Uma situação que leva as próprias empresas operadoras a falarem da possibilidade de um colapso no sistema.

A partir desta segunda (11) e até a próxima sexta-feira (15), publicaremos no Sul21 uma série de matérias com o objetivo de debater como e por que o transporte coletivo de Porto Alegre, que já foi reconhecido como um dos melhores do Brasil e utilizado como exemplo por diversas cidades do mundo, está à beira deste colapso. Um material produzido a partir de entrevistas com gestores públicos, especialistas em mobilidade e usuários. Nesta primeira reportagem, aprofundamos o debate a respeito da evolução da tarifa.

Menos passagens por salário mínimo

Um levantamento realizado pelo Movimento Economia Pró-Gente aponta que a inflação acumulada desde o início do Plano Real, em 1994, até julho de 2018 foi de 459%, enquanto a passagem de ônibus de Porto Alegre subiu 1.170%. Caso o aumento no período tivesse sido equiparado à inflação, a tarifa hoje deveria ser de R$ 2,07. O aumento concedido este ano também ficou consideravelmente acima da inflação, 9,3% ante os 3,43% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

tabela-aumento-da-tarifa-x-inflação

Fonte: Movimento Economia Pró-Gente

Os reajustes recentes também indicam uma tendência de perda de poder de compra de um salário mínimo. Este ano, é possível comprar 202 passagens com o salário mínimo de R$ 998. A última vez que a passagem esteve abaixo desse patamar foi em 2012, quando o mínimo comprava apenas 191 passagens. O início da década passada foi marcado pelo crescimento anual de protestos contra o aumento da passagem, que culminaram nas manifestações de junho de 2013.

 

Matéria Especial do Jornal Online Sul 21.

Publicado por Luís Eduardo Gomes em 11 de março de 2019.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra, que é bem extensa.

 



Categorias:onibus, Outros assuntos

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16 respostas

  1. Achei um comentário pronto sobre esse tema

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  2. Essa de cai o numero de passageiros não me convence, SEMPRE que pego onibus para vir ao trabalho ou ir para casa, onibus lotado. Essa média de calculo, fizeram com usuarios que utilizam o onibus das 13 as 17 e das 20 às 4 da manhã, só pode. Esse aumento não tem justificativa lógica.

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  3. Infelizmente está na hora de pensarmos em subsídio da prefeitura no preço da passagem.

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    • Sem dúvida os grandes sistemas de transporte público são subsidiados pelo mundo. Mas se vamos colocar dinheiro público nessa bagunça, vamos organizar antes. A começar pela reorganização das linhas, passando pelo fim dessa história dos pneus custarem R$1 por km rodado num ano, e depois custa R$90 por km rodado noutro ano, entre outras chicanas que são feitas nas planilhas de cálculo. Vamos abrir as planilhas, aí sim podemos começar a falar em ajudar com dinheiro público.

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      • Pois é, já falei aqui:

        reorganizar as linhas, removendo redundâncias e sobreposições
        integrar a tarifa por tempo (ideal 90 minutos)
        remover cobradores, mover a catraca pra mais perto da porta
        facilitar a aquisição do cartão TRI
        remover dinheiro do ônibus, pagamento só com cartão TRI
        converter corredores para embarque em nível pela esquerda (estilo sertório)
        utilizar ônibus menores para linhas nos bairros, para circular com mais agilidade pelas ruas menores

        Quando começarmos a implementar esses ajustes, eu acho que podemos começar a falar de subsídio.

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        • “remover dinheiro dos onibus, pagamento só com cartao TRI”. E para quem não for de porto alegre?

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          • Filipe: isso se resolve simplificando a aquisição e carga do cartão. Em vez de levar sete dias para fazer um cartão, o cartão deveria ser anônimo e ficar pronto na hora; em vez de ter que se deslocar para recarregar, deveria ser possível recarregar o cartão “no caminho”. Deveria ser vendido e recarregado em supermercados, lotéricas, bancas de revista. Já é assim em várias cidades mundo afora, não é difícil de fazer.

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          • (e claro, deveríamos simplificar a questão da recarga online… embora eu entenda que existem desafios técnicos que não são triviais de resolver para uma recarga online 100% instantânea).

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          • Realmente não é dificil de fazer, mas ninguém faz. Eu tentei conseguir cartao do TRI para minha ex-namorada de SP e exigia comprovante de residencia. Eu Sao Paulo qdo eu fui como turista , só cheguei numa estação de metrô e me deram na hora. Não entendo porque ninguém poe em prática soluções tão simples.

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          • Outra coisa é: não teria meios de tentar financiamentos em instituições como BID e/ ou fazer PPPs pra botar pra frente projetos como o BRT? O prefeito só diz que não tem dinheiro, mas nao engulo que não existam alternativas, existindo vontade política.

            O fato é que nosso transporte público é muito ruim. Muito tempo de espera nas paradas, linhas sobrepostas e mal-desenhadas, falta de ar condicionado. Agora com o Uber juntos, nunca mais andei de ônibus.

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        • Perfeito comentario. Descreveu todos os exatos passos que ja fariam por si so a passagem cair bastante. Mesmo sem BRT, daria pra melhorar muito o transporte. Pegando como exemplo os unicos corredores de onibus que funcionam nessa cidade, que sao o da erico e da terceira perimetral, vc anda mais rapido que os carros, pq eles sao vazios, pq nao tem o excesso de linhas que tem na protasio, farrapos, assis brasil e bento. Reformular linhas, ter integracao entre as linhas dos corredores e dos bairros e remover cobrador seriam os pontos primordiais.

          Remover dinheiro seria otimo. Em 2013 visitei Lima e la existem vending machines nas estacoes, vc paga com dinheiro ou cartao e recebe um cartao com creditos pra entrar no onibus. Estou morando no Canada, e aqui na minha cidade, eles vendem passagens e passes mensais de onibus em qualquer farmacia. Pensem com eram os orelhoes. Vc comprava cartao em qualquer banca de revista, eh so fazer igual.

          Basta um pouco de vontade que o transporte seria mais rapido e barato sem nem precisar trocar os onibus. Dai pra frente pode-se pensar em ar-condicionado em 100% da frota, piso rebaixado e etc. Mas so de vc andar mais rapido que os carros, esperar pouco pro onibus vir e pagar pouco, ja atrairia mais gente, ja teria vantagens. Hj as pessoas so passam trabalho.

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          • E no lugar da renca de onibus que existe hj nos corredores, bota onibus bi-articulados como os de Curitiba, com um motorista, leva sei la, 150 pessoas. Aumenta a frequencia, pq eles vao andar mais rapido, e bota nas pontas dos corredores as linhas de bairro. Ok, isso nao vai funcionar pra todas as linhas, pois tem varias linhas que nao andam em corredor, mas pra quem mora mais longe, que sofre mais, seria uma mao na roda.

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  4. Não sou economista mas se o governo publicou que a inflação foi x podes crer que foi y,ou seja o fato da passagem de onibus aparentemente ter subido muito mais que a inflação publicada não quer dizer que esta foi a inflação real,Sou usuario de onibus e tenho notado ao menos no meu bairro que nos horarios de pico eles andam lotados . Se o negócio de manter o serviço é tão ruim como os permissionários alegam,deveriam decretar falência e entregar as linhas para a Prefeitura e ela que se virasse. Não tenho nem ideia de quanto os donos dos onibus remuneram seu capital,ou seja quanto é que fica limpinho no bolso deles. O sistema é caro por uma serie de erros ou porque o capital privado não quer ganhar menos ou porque o poder publico não tem competência para gerir um sistema decente de transporte.

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    • Existe uma margem GIGANTE onde tu pode dar margem pra ter maior lucro. Nem todos ônibus funcionam com Ar ligado certo? pois é.. mas deveriam PAGAMOS pra ter um beneficio que não é concedido. As manutenções e o uso do ar condicionado consumiria muito recurso.. e eu dei só esse exemplo.. De pagar pra ter algo que não é feito. De modo geral, acho que todos sabem a solução mas ninguém quer porque não é “popular” Cortar cobrador.. Fazer linhas alimentadoras dos corredores principais saindo ônibus a cada 5min. Imagina só !! bugaria a cabeça do pessoal do sindicato.. imagina ter que cortar onibus, motorista e cobrador, imagina pras empresas cortarem faturamento… Tivemos essa oportunidade com a metroplan mas cagaram pro projeto..

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  5. No final de janeiro usei o transporte coletivo de POA, andei de busão e lotação entre a zona norte região do Bourbon Shopping, o bairro Floresta e o centro. Morei em Curitiba por alguns anos, e quero traçar um paralelo, já que tal cidade assim como POA tem alguns corredores de ônibus, chamados por eles de “canaletas” nos quais circulam ônibus lindos ultra modernos e aonde ficam as ótimas “estações tubo”. O sistema de transporte coletivo da capital paranaense é hors concours neste país, nível de excelência. POA, a coisa toda é mais simplória digamos assim, aquém de um bom nível, mas vejamos que tem um tremendo potencial afinal já há o espaço dos corredores, e isso é importante, mas… meu que coisa mais detonada a estrutura dos mesmos, que imundície e mediocridade das paradas, bem constrangedor e vergonhoso. As “otoridade” locais nunca ouviram falar de manutenção e conservação dos equipamentos públicos!? Bem sente-se ainda outra diferença marcante comparando ao sistema curitibano e é quanto ao movimento, a quantidade de linhas de ônibus, a intensidade do trânsito como se vê na Assis Brasil que é muito mas muito maior, algo frenético, alucinante, e vejamos que Curitiba já tem sei lá uns 200 mil habitantes a mais. Gente é muito ônibus circulando em POA, isso é algo que percebe melhor quem conhece outros lugares. A meu ver mais do que Curitiba e qualquer outra capital brasileira, POA precisa de menos ônibus e em seu local ocupando a função de transporte coletivo dos cidadãos urge ter outro(s) modal(is), e sem dúvida alguma um sistema de metrô subterrâneo é fundamental em se tratando da capital gaúcha. No Brasil não é só Sampa e Rio que possuem, Salvador também, e POA nada de metrô! O governo brasileiro deveria de forma obrigatória e prioritária implantar um baita sistema de metrô com algumas linhas em Porto Alegre, fato, porque só não vê quem não quer que no caso da capital gaúcha não é luxo é necessidade! É uma questão ampla de qualidade de vida, de gerar menos poluição, de preservar a psiquê das pessoas para que não haja mais tanta agitação de busões e carros entupindo até a goela ruas e corredores, e gerar uma condição ideal para o transporte das pessoas dentro dessa cidade, de forma rápida, eficiente, lógica até. Essa capital tem carências grandes na esfera do transporte público que precisam ser supridas. Menos busões e mais opções! Menos poder de cartéis e pessoas que se beneficiam com esse sistema de ônibus municipais muito inflado e pouco eficiente, e mais avanço pô para uma cidade moderna e melhor para os cidadãos.

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    • “nunca ouviram falar de manutenção e conservação dos equipamentos públicos”

      A resposta curta eh nao. Eles trocam tudo, esperam apodrecer por 10 anos e trocam de novo (as vezes).

      Metro eh sonho, nunca vai acontecer.

      Outro grande problema eh que empresas mafiosas mandam no transporte em POA e a prefeitura diz amem,

      Por ultimo, tem trocentas linhas de fora da cidade que circulam junto nos corredores. Se tu falar em baldeacao, vai ouvir um monte de choro. As pessoas querem um onibus na porta de casa que deixe na porta do trabalho, nada de caminhar, trocar de onibus, essas coisas, mesmo que isso significasse menos tempo total de viagem.

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