Cais Mauá diz que cronograma de instalação está sendo revisto

Cais-Mauá-guindastesO início das intervenções na área do Cais Mauá, para implantação de um complexo de comércio, hotelaria e lazer, já anunciado pelo menos duas vezes, ainda não tem data.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, o consórcio Cais Mauá do Brasil, responsável pelo projeto orçado em R$ 700 milhões, informou que o “cronograma de instalação” está “sendo revisto e será divulgado em breve”.

Em março do ano passado, logo após ter recebido a Licença de instalação o empreendedor anunciou o início das obras e algumas máquinas chegaram a trabalhar na descontaminação do solo.
Uma série de incidentes, inclusive mudanças na cúpula do consórcio paralisou as obras.

O prazo original dado pelo poder público para a conclusão da primeira etapa da revitalização do Cais era de dois anos após o início dos trabalhos.

Em abril de 2018, um mês após a autorização para o início dos trabalhos, a Polícia Federal deflagrou a Operação Gatekeepers, cumprindo nove mandados de busca e apreensão em Porto Alegre e no Rio de Janeiro para averiguar fraudes relacionadas a fundos de investimento.

O esquema apurava o caso de um fundo de investimentos que teria aplicado valores em empresas de construção civil sem que as obras públicas fossem, de fato, executadas e, possivelmente, desviando as quantias para benefício de seus próprios administradores.

Na ocasião, o delegado Eduardo Bolli não deu o nome das empresas investigadas, mas confirmou que os administradores do fundo investigado estavam ligados à administração do consórcio Cais Mauá do Brasil S.A.

A Cais Mauá do Brasil S.A. informou, em julho, que nem ela e nem agentes públicos foram alvos da investigação da PF, mas confirmou que a Operação Gatekeepers a obrigou a desenvolver um novo modelo de captação, que estaria em andamento, para viabilizar os aportes e a continuidade do projeto.

“Estamos montando um novo veículo para captação. Dessa forma, os recursos previstos inicialmente para entrarem no Cais no final devem sofrer um atraso de 3 a 4 meses em relação ao cronograma original, mas sem mudar o prazo final de obra. Estamos seguros que esses recursos virão”, disse a empresa em nota de julho.

Em dezembro de 2017, o prefeito Nelson Marchezan anunciou o lançamento da revitalização criticando os “atravessadores do futuro” que teriam trancado a obra por 30 anos e que chegara o momento de “entregar o Cais ao cidadão de Porto Alegre”.

Nada aconteceu. No início do ano, o novo presidente da Cais Mauá do Brasil anunciou que a obra começaria por um “projeto piloto”, restrito a dois hectares em área junto à Usina do Gasômetro.

Canchas de esporte, estacionamento e espaço para shows, seriam entregues no aniversário da cidade. A notícia do “plano piloto”, alterando  o projeto, gerou uma advertência do Tribunal de Contas, referindo que há bens tombados na área e que qualquer interferência, sem que estejam sanadas as pendências existentes,  pode gerar responsabilidades.

No início de março o empreendedor informou que o “plano piloto” não estaria pronto para o aniversário de Porto Alegre, no próximo dia 26.

A nota desta sexta-feira é a primeira manifestação desde então. Confira a integra

NOTA CAIS MAUÁ DO BRASIL

“O projeto do Cais Mauá, que colocará Porto Alegre no patamar das principais capitais mundiais, envolve uma grande complexidade de obras, cumprimentos contratuais e de legislações, que tornam a sua realização, extremamente, trabalhosa.
 
Era intenção do empreendedor e da Prefeitura lançar um projeto-piloto no aniversário da cidade.
 
Contudo, as intervenções em ambiente tombado com todas as suas restrições, e o surgimento de imprevistos estruturais na área, que exigem obras de esgoto, elétrica e hidráulica, impossibilitou tal entrega nesta data.
 
O empreendedor, em consenso com o poder público, preferiu não sacrificar a qualidade do projeto, sobretudo o atendimento de todas as regras, que garantem a segurança jurídica do processo e da comunidade em nome de abreviar os prazos necessários.
 
A Cais Mauá do Brasil S.A trabalha com a perspectiva de que oferecer à população de nossa Capital os padrões de excelência internacional do projeto é mais importante do que a aceleração do cronograma de instalação. Ele está sendo revisto e, brevemente, será divulgado.
 
Eduardo Luzardo
Presidente da Cais Mauá do Brasil”

JORNAL JÁ



Categorias:Outros assuntos, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

5 respostas

  1. Se você for dar um passeio pelas a´reas mais urbanizadas e centrais da cidade de Porto Alegre,vai verificar que virou um cemitério,isto mesmo lugares que graças a conivência de vários prefeitos se tornaram árteas marginalizadas como a av Farrapos e adjacências,locais onde se houvesse uma intervenção urbanistica decente se tornariam ideais para negócios e moradias.Entretanto como não possuimos segurança publica e pouco incentivo para determinadas intervenções,se joga todas as fichas em projetos como este que se sair vai ser outra ilha em meio a um caos.Ainda bem que esta região não faz mais parte da minha vida,toda vez que vou ao centro medeprimo com o que vejo.

    Curtir

  2. Que falta para esse consórcio fajuto perder a concessão?

    Curtir

  3. A população e o contribuinte têm é que atentarem-se à iminente possibilidade do prefeito fazer um acordo por baixo dos panos com alguns amiguinhos e presenteá-los com algum usufruto irregular na área. O que está pintando é isso mesmo. Uma coisa é certa; esse projeto cais maué nunca passou de lenda urbana.

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: