Mina Guaíba, os dois lados de um projeto

Mineração. Empresa pretende extrair carvão em área na região metropolitana. O impacto ambiental gera debates e controvérsia

A instalação da Mina Guaíba, entre Eldorado do Sul e Charqueadas, a cerca de 30 km das ilhas de Porto Alegre, irá gerar empregos e novos investimentos. Contudo, traz inseguranças relacionadas à questão ambiental. O impacto do projeto que pretende extrair carvão na região metropolitana foi discutido ontem, no programa “90 Minutos”, da Rádio Bandeirantes. Um dos pontos abordados foi o destino dos rejeitos gerados na extração do minério.

Responsável pelo empreendimento, a empresa Copelmi Mineração destaca que o projeto não armazenará os rejeitos em barragens. De acordo com Cristiano Weber, gerente de sustentabilidade da Copelmi, os rejeitos não irão prejudicar o meio ambiente.

“As cavas abertas para extrair o carvão irão armazenar os rejeitos. Eles ficam no fundo da abertura, não saem de lá. Só vão para o rio Jacuí, por exemplo, se vencerem a lei da gravidade”, comentou. As cavas (escavações) são abertas para que o carvão seja extraído a cem metros de profundidade. Elas se fecham à medida em que novas cavas são abertas, e sustentam os rejeitos no fundo. O processo durará de 23 a 30 anos.

90%
das reservas de carvão do Brasil
estão localizadas no território
gaúcho, com 6,3 bilhões de
toneladas do minério

A Copelmi mantém seis minas no Rio Grande do Sul. Irani Medeiros, procuradora jurídica do Consórcio Intermunicipal de Gestão Ampliada da Região Carbonífera, destacou que mora a 1 km da mina de Butiá, que fica a 79 km de Porto Alegre, e jamais sentiu problemas relacionados a ela. Assim, defendeu a Mina Guaíba. “O projeto contempla respostas aos impactos ambientais. Se há carvão, ele precisa ser explorado o quanto antes”, afirmou.

mina-guaiba

Outro lado

Para ambientalistas, o relatório de impacto ambiental apresentado pela Copelmi é inconsistente. Francisco Milanez, presidente da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), a extração de carvão traz problemas ao meio ambiente. “Relacionar um combustível fóssil com sustentabilidade é complicado. O carvão destruiu a China, as pessoas precisam usar máscaras lá. Existem outras formas de gerar energia, como as energias eólica e solar”, pontuou.

Deputados e vereadores pedem uma audiência pública para tratar do tema. Dentre eles, está o deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), que entende a relevância da obra para a região, mas exige atenção. “Quando se discute um projeto alternativo, é importante que haja garantias ambientais. Não tenho preconceito em relação à exploração do carvão, mas tenho cautela em nome do interesse público”.

RÁDIO BANDEIRANTES E METRO POA – 09/04/2019



Categorias:Delta do Jacuí, Economia Estadual, Meio Ambiente, Outros assuntos, Polo Carboquímico, Poluição do ar

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10 respostas

  1. Quando atividades com impacto ambiental são feitas muito próximas de áreas urbanas.

    A ver o que está gerando a exploração do sal gema com mina muita próxima de área urbana de Maceió.

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  2. Não tenho conhecimento tecnico o suficiente para opinar sobre a viabilidade economica da queima de carvão para gerar eletricicidade,entretanto vale lembrar que se uma empresa se propõe a tal fato é sinal que é viável. O uso do carvão traz muitas consequencias indesejaveis para a natureza mas é uma solução para eenergia eletrica a preço razoavel.Quanto a qualidade do carvão ,há anos eu ouvi que havia material pior no mundo e era utilizado era uma questão de tecnologia.Sou fã inconteste de energias limpas mas a que seria mais viavel domesticamente que seria a solar é carissima,pois você tem de investir muito e retorna pouco devido a luminosidade aqui no sul.Quanto a extração se li bem não seriam feitas barragens e sim utilizaria-se a propria mina para o rejeito.

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    • Não é apenas por que uma empresa está disposta a entrar em um nicho de mercado que queria dizer que este mercado todo é viável. A extração do carvão pode sim ser viável e ter um custo relativamente baixo, o problema é o uso.

      Como já mencionei abaixo, a eficiência do carvão gaúcho para produção de energia fica abaixo dos 20%, isso significa que somente 20% do carvão comprado para a usina termoelétrica vira efetivamente energia, e os outros 80% não vão causar prejuízo para a usina, por isso a energia vinda deste meio é muito cara, o que aumenta gasto residencial, comercial, industrial e inclusive estatal com energia elétrica.

      Se ao menos o que fosse ganho com a mineração do carvão fosse usado para investir no desenvolvimento de tecnologia para produzirmos localmente meios mais eficientes para obter energia, compensaria o custo, mas, infelizmente não há nenhuma menção à isso e sabemos que o dinheiro que o estado vai obter com a mineração será para pagar os atrasados e parcelados salários do funcionalismo e uma parte vai para o bolso de alguns corruptos.

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  3. Muito próximo da região metropolitana, com possibilidade de impacto na vida de milhões de pessoas, não dá. Para essa área, prospecção de carvão, meio que absurdo total. Gostaríamos de outro tipo de investimento, uma fábrica de porte para o mercado mundial de painéis solares, uma montadora de carros elétricos para atender o mercado latino-americano, algo mais moderno e que insira o RS em um mundo mais moderno e avançado.

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  4. Mais de 40% da matriz energética da Alemanha é carvão e lignito, que é um carvão piorado. Não vejo problema ter uma termo aqui perto…

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  5. Depois da Borregard/Riocel, agora essa! Ar de Porto Alegre ficaria pior! Viva a alergia heólica, solar e outras alternativas não poluentes!

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  6. Utilizar o carvão como fonte energética hoje é um verdadeiro desperdício, ciclos termodinâmicos a vapor, geralmente aquecidos por carvão tem eficiência de cerca de 25% (quando são os melhores), ou seja, só 25% de todo o calor gerado se converte em energia de fato na turbina, e ainda tem a conversão da energia cinética em energia elétrica, que perde um pouco mais nesse processo.

    Para piorar, o carvão gaúcho tem muita fuligem, o que reduz ainda mais o calor específico dele, e, consequentemente, menor eficiência energética. Sem contar todos os gases e partículas emitidas durante a mineração e queima do carvão. É melhor deixar como ele está e investir em parcerias para energias limpas do que ganhar um troco com a mineração agora e ter que pagar o preço por isso depois.

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