Marchezan disse que quer ser o piloto do trator que irá derrubar o Muro da Mauá

Prefeito disse que o muro do Cais do Porto criou uma metáfora para outros obstáculos difíceis de se derrubar na Capital 

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Foto: Joel Vargas/PMPA

O prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan Júnior, em discurso na apresentação do Cais Embarcadero, realizado na noite de segunda-feira, afirmou suas intenções para a retirada total do Muro do Cais Mauá. Marchezan disse que o muro do Cais do Porto criou uma metáfora para outros obstáculos difíceis de se derrubar na Capital.

O mandatário da cidade afirmou o interesse: “Eu quero derrubar o Muro do Cais da Mauá, eu gostaria de ser o piloto do trator que irá derrubar o muro. Temos muitos muros que deveriam ser derrubados, mas que não são por medo.

O Muro da Mauá, considerado necessário pelo corpo técnico da prefeitura para conter eventuais cheias como a de 1941, propôs um substituto mais baixo ou alguma outra saída com menor impacto.

O corpo técnico da prefeitura de Porto Alegre propôs uma outra alternativa ao muro, uma construção mais baixa, ou uma saída de menor impacto aos cofres do município.

Porto Alegre 24 horas



Categorias:Outros assuntos, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

23 respostas

  1. O muro faz parte de um extenso dique que envolve quase toda a cidade. Não é só o muro que funciona sozinho. Sou totalmente contra a sua retirada. A av. Edvaldo Pereira Paiva (beira-rio) faz parte deste sistema. Milhões em obras foram feitas ao longo dos últimos 45 anos e agora um prefeito vem e quer desmanchar por uma suposta popularidade? Quem vai arcar com as consequências depois, no caso de uma mega enchente ? Sem falar que as condições climáticas estão de certa forma piorando. Nenhum prefeito ate hoje quis arcar com essa responsabilidade. Imagina, se 1941 ja foi uma tragédia de repercussão mundial, em dois mil e pouco, com mais de 50 mil pessoas só no bairro centro… quem arcaria com a responsabilidade?

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  2. Não dá pra tirar o muro na canetada de um político. A decisão de construir o muro foi técnica, logo a decisão de derrubá-lo também deve ser. Pra mim já ficou bastante claro a necessidade – e sucesso – do muro em 2015, onde as únicas falhas foram de drenagem do lado seco (por falhas em algumas bombas). O muro, como está hoje, cumpre perfeitamente o papel de defesa da cidade.

    Entendo o desejo de vencer o muro enquanto obstáculo urbanístico. Ter um acesso mais direto à orla sempre torna as coisas mais interessantes e vivas. Isto dito, volto a insistir num ponto antigo meu: o obstáculo não é só o muro. Temos o muro, temos o trensurb, temos a Av. Mauá. Todos eles afastam o pedestre da orla; todos eles desumanizam a região. Basta um passeio rápido no trecho norte da Mauá para constatar isso; a única atividade que prosperou ali foram os horrendos prédios-garagem. Ninguém quer estar ali.

    Há quem defenda que a solução seria enterrar (alguns dizem aterrar, :facepalm:) o Trensurb e a avenida, como se trivial fosse. Não só há um custo de tunelamento formidável, como também não é claro se o terreno (lembremos, um aterro) aguenta. Além disso, um túnel rente ao muro compremeteria as fundações deste. O solo em volta do muro funciona como “calço” contra o qual atuam os três metros do muro que estão abaixo da terra. Como diria o Régis, o muro na verdade é uma laje. Em suma: não tem como fazer isso sem gastar caminhões de dinheiro.

    Para mim, a melhor (e mais barata) solução para isso é a construção de uma grande esplanada sobre os três obstáculos, construído de maneira a não apoiar-se sobre o muro, uma vez que ele não está projetado para isso. Esta esplanada deveria ser erguida em cima de um pilotis ao longo da avenida. Nesta esplanada poderíamos ter atividade humana voltada para pedestres: um calçadão, ajardinamento, mesas, bares, etc. Os edifícios da Mauá poderiam ser adaptados para terem a “frente” para este calçadão, talvez recebendo algum incentivo de volumetria para incentivar a substituição dos horrendos prédios-garagem.

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  3. Em breve fecharemos 100 anos da cheia de 1941 e nesse meio tempo quantas vezes o muro foi realmente usado? Qual a probabilidade de uma enchente passar de 3mts de altura do Guaíba para que chegue ao muro? Quanto mudou o Guaíba nesses 80 anos? Quais as soluções que outras cidades encontraram para este problema?

    Sem essas respostas, tudo sobre o muro é apenas achismo.
    Dirigir trator é complicado Prefeito, use a caneta e inicie esse estudo.

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    • Teve mais duas enchentes depois de 41, na década de 60. Se não me engano em 1965 e 1967.

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    • Temos estas respostas:
      1 – Em breve fecharemos 100 anos da cheia de 1941 e nesse meio tempo quantas vezes o muro foi realmente usado? – ainda nenhuma vez de maneira plena.
      2 – Qual a probabilidade de uma enchente passar de 3mts de altura do Guaíba para que chegue ao muro? – 1 vez a cada 50 anos. Como se trata de período de recorrência, isto quer dizer que este é o intervalo médio entre enchentes, ou seja, podem acontecer 2 em 100 anos, ou 20 em 1000 anos, não sendo necessariamente 1 a cada 50 anos exatamente.
      3 – Quanto mudou o Guaíba nesses 80 anos? – mudou bastante em termos hídricos, pois temos a elevação do nível dos oceanos por questões de aquecimento global, assoreamento no delta do Jacui e a construção da 448 que funciona como um dique.
      Quais as soluções que outras cidades encontraram para este problema? – variadas, mas um dique formado com muro ainda está entre a soluções mais comuns e confiáveis.

      Antes de 2015 o debate sobre a remoção do muro tinha mais força e era mais comentado na mídia desinformada. Pela sequencia de obras/projeto na orla e revitalização do cais, este era um tema bastante recorrente nas faculdades de arquitetura e na mídia desinformada especialista em generalidades de Porto Alegre.

      Após 2015, ficou provado a necessidade técnica do muro e um dos argumentos foi que se a água proveniente de cheia do Guaiba causasse prejuízo ao Centro haveria um efeito em cascata de processos e pedidos de indenização movidos por particulares que se sentissem prejudicados pela remoção do muro estimados em valores astronômicos, tudo sob responsabilidade da Prefeitura.

      Antes de remover o muro, pensemos em uma solução técnica para torná-lo desnecessário.

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  4. Bem, vi as fotos do tal Embarcadero e tinha portão de armazém pixado, isso na “inaurugação” (palanque) para os políticos. Confesso que já perdi esperança de ver uma das paisagens mais icônicas de Porto Alegre liberada e qualificada para a visitação…

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  5. a melhor alternativa (custo/beneficio) que eu vejo é substituir por um muro de VIDRO (espessura/material com mesma resistencia do concreto). teria custo baixo de manutenção (somente limpeza)

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    • não é somente limpeza, em SP fizeram isso e o vidro quebra constantemente. Achavam que era vandalismo, mas era o tremor no chão que os automóveis causavam, e objetos que os carros passavam por cima e viravam projeteis contra o vidro

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  6. Acho que o primeiro passo seria a elaboração de estudos hídricos para avaliar a necessidade ou não de manter o muro.
    Se o muro for necessário significa que há possibilidade de enchentes atingirem a cidade. Então o que será do cais reformado quando houver enchente? Não sei se o projeto de revitalização contempla algo para evitar/reduzir os danos as estruturas construídas.

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  7. poderia cortar a altura do muro pela metade, e nessa altura fazer degraus/rampas para que passassem para o outro lado, no estilo arquibancada como são as passagens de nível da orla.

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    • Penso o mesmo desde quando era criança….

      Convenhamos, ainda que nao seja o melhor ou mais bonito projeto, mas com certeza é o mais adequado á cidade. Zero de custo de manutenção, baixo cursto de realizaçao. Grande bebeficio a cidade sem reduzir a 0 a segurança contra enchentes

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  8. Não sou engenheiro nem nada, só um leigo imaginário aqui. Mas não seria possível construir um muro elevadiço que saísse do chão?

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  9. Olha, me parece que está mais que provado a necessidade de algo que contenha as enchentes que estamos fadados a sofrer eventualmente em um largo (mas não infinito) período de recorrência.
    A possibilidade de o Centro de Porto Alegre sofrer estragos significativos pelo aumento do nível do Guaiba é real, tanto é que já passamos por isso no passado. Para quem é mais jovem, basta lembrar o que ocorreu em 2015, quando a água chegou nos “pés” do muro e muita gente ficou com o coração (para não dizer outra coisa) na mão.
    https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2015/10/com-293-m-agua-do-guaiba-chega-as-comportas-do-muro-da-maua-cj5w3yksy19zgxbj0sborj0st.html

    De fato, não sei se realmente o muro é confiável (parece que existem estudos que tratam de possibilidade de eventuais falhas no sistema como um todo), mas melhor ele do que nada.

    A cidade certamente ganharia muito em termos urbanos e arquitetônicos sem o muro, mas antes de pensar em derrubá-lo é preciso pensar em planejar um sistema o substitua em sua função.

    Ao invés de ser o piloto do trator que derruba o muro, quem sabe ele não seria mais efetivo sendo a cabeça pensante que coloque em prática um sistema ante enchentes que torne o muro desnecessário?

    Afinal, ele foi eleito não para pilotar trator e sim para gerir a cidade.

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  10. a cidade que constroi um muro pra prevenir enchente, só no imperio romano e em porto alegre mesmo

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    • em outras cidades ha esses muros que sao extremamente importantes.

      São leopoldo, portao, esteio….

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      • Bem colocado.
        Em São Leopoldo temos o sistema de prevenção de cheias do Rio dos Sinos onde, na área central, ele é constituído por muros (assim como Porto Alegre). Este muro segrega a cidade do Rio, mas em momento algum passa pela cabeça das autoridades ou dos habitantes removê-lo, pois ele é frequentemente posto em prática.
        Diria que, além de cidades do Império Romano, como cita o comentário acima, também encontramos estes diques em forma de muro em vários outros locais modernos pelo mundo, tratando-se de estruturas caras e necessárias. Duvido que algum governo gaste uma fortuna para projetar, executar e manter um equipamento destes onde ele não se faça realmente necessário.
        Mas concordo que em termos de mobilidade e relação da cidade com seu rio/lago, ele se torne um obstáculo visual e físico. Acho que devemos pensar em maneiras de minimizar ou eliminar sua existência, mas mantendo a segurança da população.

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