Vereador recriará projeto para acabar com Muro da Mauá

Polêmica. Debate sobre a derrubada da estrutura que protege Porto Alegre contra as enchentes do Guaíba voltou à tona com a defesa de sua retirada pelo prefeito Marchezan

muro-mauaNas últimas décadas, pelo menos três projetos de lei para derrubar o Muro da Mauá tramitaram na Câmara Municipal. Em 1995, o vereador Nereu D’Ávila foi o autor. Haroldo de Souza pediu consulta popular sobre o assunto em 2003. Em 2010, Idenir Cecchim propôs o fim do muro. Todos acabaram arquivados.

Porém, após o prefeito Nelson Marchezan Júnior declarar que quer eliminar o muro, em evento de apresentação do Cais Embarcadero, na segunda-feira, Cecchim (MDB) planeja relançar o projeto. “Tem muita gente a favor de derrubar. Vou reapresentar nesta semana para que se discuta na Câmara.” Para o parlamentar, a existência da estrutura é “um absurdo”. “Acho que serviu mais para dar dinheiro à empreiteira que o construiu”, criticou.

Ontem, no programa “90 Minutos”, da Rádio Bandeirantes, o prefeito lembrou que a enchente traumática de 1941, motivadora da construção do muro, em 1974, está muito distante. “O prejuízo de se estar sem acesso ao cais é muito maior do que se tivesse tido uma cheia. Que se mantenha um muro de meio metro, um murinho. Faz uma elevada com uma calçada ou uma ciclovia.” O prefeito brincou que deveriam ser distribuídos martelos e picaretas para derrubá-lo, como feito com o Muro de Berlim.

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Centro de Porto Alegre, 1941

Arquiteto, urbanista e professor da UFRGS, Benamy Turkienicz concorda com a derrubada. “Sou o mais fervoroso adepto da derrubada do muro. Ele perdeu a razão de existir.” Ele se baseia na atualização de estudos sobre em quanto tempo uma enchente como a de 1941 pode retornar – segundo Turkienicz, cerca de 600 anos – e na existência de novas alternativas para conter a água. “Em Viena, rapidamente podem ser erguidas barreiras. Na Holanda, há comportas nas edificações,com acesso a prédios vizinhos por escadas com pontes.”

Os riscos

Mesmo com tantas críticas, especialistas defendem o muro por não haver opções viáveis contra o risco de inundações. O professor Joel Goldenfum, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, alerta que o muro faz parte de um sistema de diques da região metropolitana. A estrutura, de três metros, é proporcional à altura da avenida Edvaldo Pereira Paiva, que é parte do dique. “Ao reduzir o nível do muro, compromete-se a segurança de todo o sistema. A maior parte das pessoas vive em prédios e nunca viu uma enchente”, justificou.

Outro defensor é o engenheiro civil e professor aposentado da UFRGS Carlos Eduardo Morelli Tucci. Ele explicou que o muro é um tipo de contenção que funciona para o tipo de cidade que é a capital, plana e localizada no fim de um rio. “Podem construir outro ou deixar inundar. Mas a sociedade não deverá aceitar correr esse risco. Ou que alguém se responsabilize pelas pessoas desprotegidas.”

André Mags – Jornal Metro Porto Alegre – 24/04/2019



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Muro da Mauá, Outros assuntos

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21 respostas

  1. A construção do MURO DA MAUÁ foi motivado em função da enchente de 1941. Logo o nível do Guaíba em função ao deck do Porto Mauá, ficou entre 10 a 20 cm acima. Mas então porque 2m de muro? Quando se monta um projeto, além do objetivo principal, tenta-se alcançar outros, como isolar a área portuária ao acesso de transeuntes indesejados a movimentação de mercadorias. Por isso construiu-se o muro com 2m.
    Hoje, mantendo o muro com 0,30m acima do deck, estaríamos ainda com uma boa margem de segurança a novas enchentes.

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  2. Há um problema que ninguém pensa:
    Todo o proprietário que comprou um imóvel depois de instalado o muro, pode entrar na justiça pedindo indenização pela desvalorização do imóvel caso o muro for tirado.
    Da mesma forma qualquer pessoa que sofrer algum acidente devido a uma cheia, mesmo não atingindo a cota máximo, o Ministério Público poderá processar CRIMINALMENTE todos os responsáveis pela retirada do muro, começando pelos engenheiros e chegando no Prefeito.

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    • E qual é a tua opinião, professor?
      Deve-se retirar o muro ou não? Ele ainda é eficaz contra enchentes? Há outras maneiras menos intrusivas e mais efetivas?

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