Prédio tomará lugar da área dos antigos casarões da Luciana de Abreu (atualizado)

Moinhos. Quase três anos após a demolição das casas, construtora se prepara para lançar empreendimento com 22 apartamentos de luxo

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Prédio, que terá 12 andares, deve ficar pronto em 2021 | REPRODUÇÃO

O projeto imobiliário que tomará o lugar da área dos antigos casarões da rua Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, está definido. Quase três anos após a demolição do conjunto de seis casas, que deu fim a batalha judicial de 14 anos, a uma empresa lançará nos próximos meses o empreendimento Luciana, 250, com 12 andares e 22 apartamentos de luxo.

Embora a empresa não queira se manifestar sobre o projeto, no momento, devido às polêmicas do passado, o Metro Jornal apurou que são dois apartamentos por andar, de frente até os fundos, com 387 metros quadrados cada um e quatro vagas na garagem. O térreo e o segundo pavimento serão áreas comuns.

As obras já começaram e têm prazo de 20 meses para conclusão, ou seja, os futuros moradores poderão ingressar em 2021. Imobiliárias que atuam no segmento de luxo já estão prestando informações sobre o empreendimento. Cada unidade custa a partir de R$ 7,5 milhões.

Longa batalha judicial

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Moradores protestaram pelas casas em 2013 | GABRIELA DI BELLA/METRO/ARQUIVO

Em dezembro de 2016, a construtora que havia adquirido o terreno conseguiu uma vitória no Superior Tribunal de Justiça e demoliu com máquinas os seis casarões em três dias, perto do Natal. Foi o fim do movimento popular que tentava preservar o casario por alegar que eram exemplares dos anos 1930 que tinham interesses históricos e culturais para a cidade. A questão se arrastava desde 2002, embora a Epahc (Equipe de Patrimônio Histórico e Cultural) nunca tivesse incluído as casas no inventário para preservação.

O Ministério Público chegou a questionar a demolição e conseguiu liminar que barrou intervenções no local por dez anos. O IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) até emitiu nota posicionando-se contrário às demolições, porque era o “conjunto arquitetônico representativo de um pe ríodo histórico e da paisagem urbana daquele bairro e da cidade”.

Em 2013, a construtora se abriu ao diálogo, propondo- -se a manter três casas, mas o acordo foi desfeito e o processo correu até a decisão do STJ. Aí, definiu-se pela remoção de todo o conjunto. Moradores da região se dividiram sobre o tema. Alguns gostaram do desfecho, visto que as casas estavam abandonadas e serviriam de refúgio para moradores de rua e usuários de drogas. Outros criticaram o fim dos imóveis por conta do suposto interesse como patrimônio histórico. O movimento Moinhos Vive liderou protestos contra a demolição do casario, ao longo de 2013. Um deles chegou a reunir mais de 500 manifestantes.

Maicon Bock – Jornal Metro Porto Alegre – 25/07/2019

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MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O PRÉDIO:

A incorporação do empreendimento é pela WOLENS INCORPORADORA.

O projeto arquitetônico é de Arthur Casas, arquiteto paulista responsável pelo Hotel Emiliano, do Rio de Janeiro, por exemplo.

O render divulgado é o provisório. Já existem novas imagens mas ainda não foram divulgadas.

Em breve será possível ver aqui no Blog as novas imagens, que revelarão um projeto muito mais interessante do que este mostrado acima. Em termos de volumetria é similar ao mostrado, mas a qualidade será muito superior.

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A reportagem original tem o título de “Prédio dará lugar à área dos antigos casarões da Luciana” mas entendemos que o correto é Prédio tomará lugar da área dos antigos casarões da Luciana. Portanto, alteramos o título e o início do texto da matéria.

O erro foi alertado pelo leitor Jose Serrano Agustoni.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Outros assuntos, Prédios

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12 respostas

  1. e o projeto do beira rio? estranho até o momento o blog nao ter citado nada!

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    • Único veículo que publicou matéria sobre o projeto foi a ZH. Estou proibido de postar matérias da ZH. Assim como do Jornal do Comércio e do Correio do Povo. Os 3 se sentiram ameaçados pelo blog (ironia) e me proibiram de compartilhar matérias deles, mesmo com fonte. Já com o Jornal Metro tenho parceria, e uma autorização expressa do Editor pra publicar matéria dele. Vou ver se consigo material com os arquitetos do projeto e vou fazer uma matéria nos próximos dias.Aguarde.

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      • perfeito Gilberto! desculpe a pergunta, mas achei pontual, tendo em vista que me atualizo sobre os acontecimentos da cidade aqui pelo blog e estranhei nao ter nada até o momento, mas está bem entendido! outra sugestão é uma reportagem em relação a área do olimpico. A do beira rio estou bem empolgado(parece que poa acordou), já a do olímpico eu to prevendo o pior(cade os ecochatos nessa hora)?

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  2. saem os casarões entra o caixote,
    pra que fazer um prédio-caixote tão feio?
    P. Alegra única capital no mundo sem arranha-céu.
    dalleeé Camboriú.

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    • O projeto não é exatamente esse. Aguarda que em breve vai ser divulgado o render final e mais detalhado do projeto.O arquiteto é o Arthur Casas, que fez o Hotel Emiliano do Rio de Janeiro. O cara é bom.

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  3. Me parece que literalmente a olhos vistos, a questão é: se for para fazer algo novo, que seja bom, gabaritado. Esse render dá vontade de correr tamanha mediocridade, retângulos com uns arbustos na frente para bancar eco, só que não, na real toda uma pobreza de traço de uma arquitetura fraquinha pra caramba e já ultrapassada.

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    • O projeto não é exatamente esse. Aguarda que em breve vai ser divulgado o render final e mais detalhado do projeto.O arquiteto é o Arthur Casas, que fez o Hotel Emiliano do Rio de Janeiro. O cara é bom.

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  4. se era pra fazer essa caixa poderiam ter mantido a fachada das casas. Muito mais interessante, os gastos do projeto não seriam problema para quem pode comprar esses aptos de 7,5 milhões.
    Demoliram porque não sabem valorizar a história da capital, e não pra reduzir custo em caixa de 10 milhões.

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    • Na época defensores da destruição da arquitetura histórica diziam que o Moinhos precisava construir em altura e se adensar para diminuir os preços. Mesma desculpa que usam agora pra defender torres na orla. Mesma desculpa que usaram pra detonar nossos centros históricos há 60 anos.

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    • O projeto não é exatamente esse. Aguarda que em breve vai ser divulgado o render final e mais detalhado do projeto.O arquiteto é o Arthur Casas, que fez o Hotel Emiliano do Rio de Janeiro. O cara é bom.

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  1. Imagens: projeto do prédio a ser construído na rua Luciana de Abreu
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