O que está freando o projeto do Aeromóvel em Canoas

CEO da empresa, Marcus Coester, vê absurdo jurídico no rompimento unilateral do contrato pela atual gestão municipal

AeromovelImplantado desde 1989 em Jacarta, na Indonésia, e também em Porto Alegre, para conectar o trem metropolitano ao Aeroporto Salgado Filho a partir de 2013, o Aeromóvel sofreu uma freada súbita no projeto de implantação de uma linha de 18 quilômetros no município de Canoas, cidade vizinha à capital gaúcha. A gestão comandada pelo prefeito Luiz Carlos Busato, eleito em 2016, levantou questionamentos ao projeto implantado durante o mandato do seu antecessor e, por fim, tomou a decisão de pedir a anulação do contrato. Trava-se uma batalha jurídica, porque a Aeromóvel Brasil já havia ingressado na Justiça para garantir a execução do contrato que mobilizou a empresa e seus fornecedores, como Marcopolo e Randon, para a implantação do sistema de transporte movido a ar. “Nunca, em 60 anos, nossa empresa havia ingressado na Justiça contra um cliente, o que dá uma medida do nosso desconforto com a situação criada”, diz o CEO, Marcus Coester, filho de Oskar Coester, o homem que inventou e patenteou mundialmente a tecnologia do Aeromóvel.

Marcus conversou com AMANHÃ sobre o impasse em Canoas na sexta-feira (2).

Como foi gerado o projeto do Aeromóvel em Canoas?
Este é um projeto muito bem estruturado. Ele nasceu de estudos que foram realizados inicialmente pela própria Trensurb (metrô de superfície que atende cidades da região metropolitana de Porto Alegre). A Trensurb já vinha com uma ideia de acrescentar alimentadores, conectores, à sua rede, tal como seria feito, depois, no aeroporto, com o Aeromóvel Salgado Filho. Então existe uma estratégia aí, como em toda empresa de metrô, de trazer passageiros para o seu sistema. Foi essa a primeira movimentação que houve em torno desse projeto do Aeromóvel em Canoas.

A iniciativa partiu de quem? Da Prefeitura de Canoas? 
Partiu da Trensurb, não da Prefeitura. Posteriormente, o doutor Fernando Mac Dowell (falecido em 2018, quando era vice-prefeito do Rio de Janeiro), grande autoridade na área de transporte, fez um estudo usando metodologias de transporte e este trabalho que ele fez apontou algumas diretrizes para Canoas. Mais adiante, então, a Prefeitura de Canoas tomou a dianteira do processo e entrou num edital do Ministério das Cidades, no início da década. Várias prefeituras submeteram projetos para mobilidade que era voltado para médias cidades, e duas cidades foram contempladas – Canoas e Campos, no Rio de Janeiro. Campos depois congelou o projeto porque lá o transporte é subvencionado e houve uma grande crise por causa dos royalties do petróleo. Mas Canoas, que foi contemplada no mesmo edital do Ministério das Cidades, seguiu com o projeto do Aeromóvel.

Em que estágio estava a implantação do Aeromóvel quando a Prefeitura de Canoas decidiu embargar o projeto?
O contrato estava em andamento com 40% de execução realizada, paga, recebida, com material e projetos entregues, quando houve então, a partir de 2017, essa troca de governo que levou à paralisação. O primeiro ano foi de conversas. Reexaminaram o contrato, reestudaram… Em outubro de 2017, o próprio secretário de Mobilidade de Canoas manifestou formalmente que o contrato com a Aeromóvel Brasil estava totalmente adimplente nos prazos e nas entregas. Por alguma razão, esse secretário foi depois demitido – ele e praticamente todo o seu gabinete. E mais tarde então veio a paralisação e, agora, essa jabuticaba jurídica que é a anulação do contrato.

O que está  incluído nestes 40% que já estavam executados?
São três contratos. O primeiro, bem pequeno, é de um estudo preliminar, totalmente concluído, entregue, quitado. Um segundo contrato, também com recursos do Ministério da Cidade, visou a um aprofundamento maior do projeto, envolvendo complexidades técnicas, e está praticamente concluído. E o terceiro contrato, que é o mais importante, por envolver a execução da obra em si, é que está com 40% realizado. Esses 40% correspondem a um valor de cerca de R$ 60 milhões e se referem a uma primeira linha de quatro quilômetros que é obra pública, de responsabilidade do município de Canoas, e para a qual existe um financiamento da Caixa Econômica Federal. É a linha do sistema Guajuviras (bairro de Canoas). A implantação dessa obra pública de quatro quilômetros de linha é a contraprestação do município de Canoas para o sistema de transporte em trilhos da cidade, que ao todo perfaz 18 quilômetros.

E o restante? Como é a divisão de responsabilidades entre investimento público e privado?
O projeto todo tem em perspectiva a implantação de 18 quilômetros de linha do Aeromóvel. Sobre a divisão de responsabilidades, a Prefeitura de Canoas construiu a seguinte estratégia: primeiro, o município constrói uma primeira linha de quatro quilômetros com dinheiro público (mediante financiamento liberado pela Caixa) e depois transfere a operação do sistema para um operador privado, via Parceria Público-Privada, e esse operador tem a obrigação de construir o que falta para o total de 18 quilômetros de linhas do Aeromóvel, podendo explorar o serviço por 30 anos e com um modelo de tarifa que deve ser compatível com o do atual sistema de transporte coletivo na cidade. Estes quatro quilômetros iniciais, da linha Guajuviras-Trensurb, são obra pública de responsabilidade do município e para sua implantação já há um financiamento aprovado pela Caixa no valor de R$ 257 milhões. Todo o restante do empreendimento, para chegar aos 18 quilômetros de linha, demandará um investimento adicional de cerca de R$ 1 bilhão que será dinheiro do operador privado, via contrato de PPP.

Este financiamento da Caixa para a Prefeitura de Canoas, no valor de R$ 257 milhões, envolve quais serviços? 
Com este financiamento da Caixa à Prefeitura é preciso fazer a compra dos equipamentos (que é o contrato com o Aeromóvel), as adequações nas ruas, principalmente a parte elétrica e de subsolo, de água, obras civis. Tudo isso – incluindo a construção da linha inicial de quatro quilômetros, a construção das estações e  compra de equipamentos – entra nesse financiamento de R$ 257 milhões.

CONTINUA

Veja a entrevista na íntegra, clicando aqui (site da Revista Amanhã)



Categorias:Aeromóvel, Outros assuntos

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6 respostas

  1. Todos os argumentos apresentados pelo sr. Coester parecem coerentes e dão a entender que o cancelamento é mais uma politicagem qe qualquer outra coisa. Seria interessante ter o contraponto da prefeitura de Canoas a respeito.

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  2. Acho interessante esta ideia do aeromovel,entretanto nunca tive noticia deste sistema funcionando como ou transporte de massas ou alimentador de outros sistemas.A unica reverencia é jacarta onde me parece que a linha não é grande coisa. Achar um operador privado que invista i bilhão não vai ser fácil e alem do mais não teria como servir as pessoas como os onibus fazem entrando em várias ruas. Me parece que esta ideia surgiu meio que como propaganda politica tal qual o metro de Porto Alegre.

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  3. 18 km de vias elevadas? A cidade ficara mais feia do que ja e
    Corredores de onibus sao mais baratos, ou que faca trams, como, acredito que Santos e Cuiaba implantaram.

    Ha uma razao porque nenhuma cidade implantou aeromovel alem de Porto Alegre (sim sim, e Jacarta no seculo passado)

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    • Em são leopoldo e novo hamburgo o trem elevado até embelezou as cidades

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    • Você definitivamente não conhece Canoas. As principais vias da Cidade são estreitas, sendo impraticável qualquer corredor de ônibus sem realizar desapropriações e demolições (que além de serem caras, seriam um suicídio econômico para a cidade pela perda dos empreendimentos lá instalados).

      Sinceramente, não sei se o pior são as falas do prefeito, que não entende nada a respeito da tecnologia do Aeromóvel e fala asneiras para a imprensa local ou o gado eleitoral que é a população canoense e fala ainda mais porcarias sobre o projeto.

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  4. Até onde sei a prefeitura de canoas preferiu e conseguiu transferir o dinheiro dessas obras para reasfaltamento de ruas e avenidas, uma piada…

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