Após 37 anos, aeromóvel sai dos trilhos

aeromovelO símbolo de um futuro que Porto Alegre poderia ter tido na mobilidade urbana deixou ontem seu pedestal. Depois de 37 anos, os dois vagões pichados e vandalizados do aeromóvel foram retirados dos trilhos.

Sem uso comercial há tanto tempo, a primeira linha do aeromóvel na capital havia se tornado um ícone do atraso que governos tão bem implementam nas cidades: em 1982, com a linha e o veículo já instalados na praça Júlio Mesquita, o então ministro dos Transportes da ditadura, Cloraldino Severo, cancelou o investimento no modal.

Após a frustração porto-alegrense, a empresa construiu uma linha de 3,2 km em Jacarta (Indonésia) sete anos depois. Em 2013, o trajeto de cerca de 1 km no aeroporto Salgado Filho foi inaugurado. Há um projeto mais ambicioso a ser implementado em Canoas, de 18 km, e negociações com países africanos e asiáticos.

Mas a empresa não desistiu de um investimento mais robusto em Porto Alegre. Enquanto os antigos veículos devem ser restaurados e instalados em uma espécie de memorial da Aeromovel Brasil S.A. – que poderia ficar no mesmo local junto ao Gasômetro –, a ideia é criar uma linha que aproveite o traçado existente, ligando-o, pela orla, à região do estádio Beira-Rio.

O valor do investimento seria de R$ 200 milhões. Segundo Marcus Coester – filho do inventor do aeromóvel, Oskar Coester, e CEO da companhia –, o montante valeria a pena para uma concessão de 30 anos. “Acho que a possibilidade é boa. Como o projeto é 100% privado, seria uma concessão simples. E como já existe um trecho histórico com a tecnologia da Aeromovel, a expansão poderia ser, em tese, por inexigibilidade de licitação.”

Um projeto do vereador Idenir Cecchim (MDB), porém, prevê a demolição de toda a estrutura restante. “Vamos ver se com o tempo conseguimos retirar essa estrutura que enfeia nossa linda orla”, disse. Mas ponderou que, se a empresa “mostrar que agora está capacitada e não deixará tudo parado outra vez”, concordaria com a construção de uma linha ao longo da orla, desde que sem o uso de dinheiro público.

Frustrações não intimidam Oskar. Ao acompanhar a retirada do veículo, defendeu o projeto. “Quando se entra em uma empreitada dessas, tem que ter paciência. Se tem qualidade, vai em frente. Se não tem, morre. E esse tem.”

Jornal Metro Porto Alegre, 03/10/2019



Categorias:Aeromóvel, Outros assuntos

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22 respostas

  1. a tecnologia do aeromovel foi exportada para asia nos anos 80 e funciona na indonesia desde então.
    Espero que não derrubem os trilhos, ele faz parte da historia e da personalidade a praça do aeromovel

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  2. o Fato do coester dizer que poderia investir 100% da obra apenas em troca da concessao é bem interessante. havendo interesse politico haveria um sistema funcional sem custo para a sociedade

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  3. inexigibilidade de licitação… interesse publico né?sei…

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  4. como assim linha comercial? ali era uma linha piloto experimental

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  5. Não sou engenheiro tampouco tecnico em transportes,aprecio soluções inovadoras para os problemas existentes.Mas há coisas que me incomodam,ora se este sistema fosse tão eficiente e que sepagaria por si só porque ninguem topou ? Ele só funcionaria a um preço razoavel de passagem se houvesse susidio publico como o Trensurb.Existem muitas perguntas que até hoje nunca foram respondidas e ai reside o problema,quando as coisas não são claras se desconfia.

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    • Por esse pensamento que, desde que foi cancelado em 1982, que poucos investem no aeromóvel. É um modal que exige pouca manutenção, tem implementação e operação realmente baratos, dificilmente a passagem de uma linha de aeromovel realmente precisaria de subsídios para se manter na mesma faixa de preços da tarifa de ônibus.

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  6. Até hoje nao sei o quanto bom e eficiente é este modal.

    Leigos pondo defeito e tambem elogiando é o que nao falta.

    Lobbys contra novos concorrentes também sao fortes por aqui.

    A vontade que o coester tem de implementar o aeromovel me faz crer que é um sistema viavel, se fosse só um sistema criado em associação com algum grupo politico apenas para embolsar verba publica ja teriam desistido dele e partido para outra plataforma.

    Se for bom tomara que venha para nós um dia!

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    • A Trensurb tem prejuízo com ele. Acho que isso diz tudo.

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      • Tem que ser feita uma linha com capacidade grande de passageiros, e não tinha na orla. Ai vai dar lucro.

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        • Eu acho que não é viável, senão outros países já estariam usando essa tecnologia. Não é uma tecnologia secreta nem complexa, então o fato de que ficou restrita a duas ou três linhas curtas no mundo todo já comprova que não é atraente ou eficiente.

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        • A principal variável do lucro (ou prejuízo) é o que se chama “taxa de renovação”. É a frequência com que os usuários entram no trem. Por isso que a expansão até NH foi um tiro no pé da Trenseurb. A linha já nasceu fadada ao fracasso e impactou negativamente ainda mais todo o sistema.

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      • Regis.
        Apenas complementando a tua informação, quando dizes que a trensurb tem prejuizo com ele.acho que vale a pena ressaltar que ele é GRATUÍTO.
        Talvez a gratuidade ao usuário seja o principal motivo de dar prejuízo.

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        • Não é esse o problema. O cálculo do trensurb leva em conta o público a mais que esse modal agrega em relação aos custos que gera para ser operado. Nesse caso, o custo é maior do que a quantidade de usuários a mais que circulam pela estação Aeroporto depois da sua implantação.

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          • talvez por que esse mesmo publico fazia apé até o trem o mesmo trajeto?

            Acho que é sabido de todos que o trensurb nao criou o aeromovel para aumentar o quantitativo de usuarios e sim para ter base de conhecimento do modal e tambem (se tratando de uma estatal) qualificar o transporte até o aeroporto, algo essencial em todas cidades grandes.

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          • Pode até ser, mas o local em que esta linha se encontra e o potencial de passageiros não é muito grande, afinal basicamente seriam pessoas que trabalham no aeroporto ou que dele se utilizam para algum serviço. resumindo, é uma linha exclusiva do aeroporto portanto, não acho que seja um bom parâmetro de referência para a avaliar a viabilidade do sistema como um todo.
            O público depende muito mais do fluxo do aeroporto do que qualquer outra coisa.l.

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      • A Trensurb já tinha prejuízo antes de implantar o Aeromóvel, então isso não quer dizer nada.

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