A volta por cima da Carris e a surpreendente saída de Helen Machado

A centenária Companhia Carris Porto Alegre terá um novo presidente a partir de terça-feira, 10.

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Prefeito Nelson Marchezan dá posse ao novo presidente da Carris, na sexta-feira 6. Foto: Joel Vargas/PMPA

Cesar Griguc, diretor administrativo-financeiro, assume no lugar de Helen Machado, que deixa o cargo no momento em que colhe os primeiros frutos de sua gestão.

Ela assumiu em janeiro de 2017, com um déficif do ano anterior de R$ 74,2 milhões. Em dezembro de 2018, já havia reduzido para  19,2 milhões. Em agosto deste ano, pela primeira vez em sete anos, a Carris deu lucro, de R$ 124 mil.

Para surpresa geral, na quinta-feira, 5, Helen Machado anunciou que estava deixando o cargo.

No dia seguinte, ao formalizar a mudança, o prefeito Nelson Marchezan, disse que o resultado na Carris “foi obtido através de um plano de gestão até 2020, que busca o equilíbrio da empresa”.

“Agradeço a Helen pelo empenho em melhorar nossa cidade e se dedicar a esta empresa que ninguém mais acreditava que poderia melhorar ”, disse o prefeito.

No início do mandato, o prefeito deu reiteradas declarações de que a Carris teria um tempo para alcançar o equilíbrio, senão seria privatizada.

“Saio com a certeza de que cumpri com o propósito maior que era buscar o equilíbrio financeiro, mudar a cultura da empresa”, disse Helen.

Seria isso o que Marchezan realmente esperava?

Uma dos marcos da gestão de Helen Machado é o posto de combustíveis da Carris. Com equipamentos de última geração, que vão permitir o controle total da operação de abastecimento, o novo posto será um dos mais modernos da América do Sul.

A construção está em fase de conclusão, com 95% da obra já executada.

A estrutura usará como bandeira a marca Carris, “símbolo de tradição e prestação de serviço à população de Porto Alegre”.

“Este é um projeto de extrema importância no processo de recuperação da Carris e também de modernização das operações. Trará a empresa para um novo patamar na gestão de sua frota”, declarou  Helen Machado no início de dezembro, quando Marchezan vistoriou a obra.

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No dia 2 de dezembro, o prefeito vistoriou as obras do Posto de Abastecimento da Carris/ Foto: Cesar Lopes, PMPA

O posto é uma contrapartida da licitação para abastecer a frota da Carris, em que a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A foi vencedora.

O posto foi construído pela empresa contratada, sem custos para a Carris. Localizado em um ponto que torna mais rápido o acesso dos ônibus, vai possibilitar a reorganização do abastecimento da frota, composta por 347 veículos.

A tecnologia moderna das instalações vai também ampliar em 30% a capacidade de atender o abastecimento e permitir o controle do consumo de óleo diesel pelo sistema de automação.

O projeto inclui seis ilhas de abastecimento, novos tanques de armazenagem, três máquinas de lavagem, equipamentos de filtragem de combustível e sistema automatizado que vai conectar todo o posto.

Outro benefício oferecido pelas novas tecnologias será a reutilização de 100% da água demandada.

Como conciliar isso com o dogma de que a empresa pública não funciona?

Ao demonstrar que a Carris, a mais tradicional das empresas públicas do Rio Grande do Sul, é víavel e lucrativa,  Helen Machado não estaria estaria na contramão de toda uma

JORNAL JÁ



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8 respostas

  1. Interessante como a visao de que nada publico funciona cega algumas pessoas.

    Em 147anos de empresa 7 deram prejuizo e ai vem os bonitos dizer que nada publico funciona!

    É nornal que uma empresa tenha prejuizo durante sua trajetoria e é normal que durante uma crise do sistema algumas tenham que se adaptar para sanar as deficiencias que existiam e nao eram vistas em tempos de vacas gordas.

    Talvez 7 anos consecutivos seja um tempo longo de prejuizo. Ainda assim forma so 4,7% do tempo de vida da empresa.

    É sabido que na administraçao fortunati tudo foi mal administrado e tudo tenha dado prejuizo.

    Os gargalos da carris eram tao “bobos e faceis de resolver” que esta ai o resultado, em menos de 3 anos de nova adm se reverteu de milhoes de reais em prejuizos para um pequeno lucro.

    Vale lembrar que a carris sempre abraça as linhas de onibus que as outras empresas nao querem fazer por que dao prejuizo, para assim nao desassistir a populaçao, funçao estatal.

    Que siga assim a careis, voltando a ser exemplo.

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    • Desculpe, cara, mas não, não é normal uma empresa ter prejuízo.

      Uma empresa pode ter 200 anos, se em 1 ano teve um prejuízo, ela corre o risco de fechar as portas, e a Carris só não fechou as portas porque eu e tu botamos nosso dinheiro nela, mesmo sem querer.

      Imagine que tu tenha uma empresa, fez algum planejamento errado e ficou devendo 5 milhões pro banco. Tu chega pro teu vizinho e pede dinheiro pra ele? E não é nem pedir emprestado. É pedir e nunca mais devolver.

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      • Que cara desinformado, por favor! É um papagaio de políticos interessados em acabar com qualquer iniciativa pública. Sabia que o Uber e Netflix não dão lucro? O que mede a rentabilidade de uma empresa na bolsa de valores, por exemplo, é a capacidade de crescimento. A Carris tem potencial para crescer muito, otimizando seus serviços, adotando mais tecnologia e agregando mais conforto. Pode durar mais 200 anos. Serviços de transporte público podem ser rentáveis, falta GESTÃO COMPETENTE, coisa que passa longe na atual gestão da prefeitura e também não foi eficiente nas anteriores.

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        • Acho que tu não conseguiu entender o que eu comentei anteriormente. O Thierry falou que “É nornal que uma empresa tenha prejuízo durante sua trajetória” e eu rebati dizendo que não. O que é uma coisa óbvia. Porquê tu acha que as empresas quebram? Porque obtiveram lucros acima de lucros? Claro que não, né meu chapa.

          Eu só comentei que se fosse qualquer empresa séria, esses 7 anos de prejuízo teriam servido pra fechar as portas. E só não foi porque eu, tu e os cidadãos de Porto Alegre subsidiaram a empresa. Só quis mostrar que esse argumento dele não é verdadeiro.

          O fato de serviço público ser ou não eficiente nem foi levantado. Relaxa, cara.

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  2. Por isso também que estatal não vai dar certo nunca. Basta colocar uma administração competente que logo logo um chefe político comete ingerência. Seria muito interessante saber o porque da demissão da Helen Machado.

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    • Foi ela que pediu as contas. Deve ter visto que ela ficou bastante valorizada, viu que tava num buraco onde a perspectiva de ganhar dinheiro era pequena e vai partir pra iniciativa privada, onde com a qualidade dela ela vai ser milionária. Simples.

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  3. Parece sim positivo, tudo bem, mas o fato é que se penso e comparo uma aspecto importante que é o das frotas tanto no nível de qualidade dos veículos, como na estrutura dos terminais, e ainda no grau de eficiência do sistema no todo, comparado a Curitiba e também àquelas linhas de ônibus do centro de Sampa, meu, POA com essa empresa está bem atrasada. Na real, todos os esforços para implantar as tão necessárias linhas de metrô, é pouco. Porto Alegre precisa de menos busões entupindo suas ruas com seu volume físico, e suas impactantes emissões de poluição sonora e de gases da queima de combustível e precisa horrores de trem subterrâneo conduzindo de forma tri eficiente a população, para as pessoas terem melhores condições de cumprir seus compromissos e gozarem assim de uma melhor qualidade de vida. Definitivamente o transporte coletivo dessa capital precisa de um novo modal, que retire o protagonismo absoluto desses ônibus e lotações defasados e capengas.

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    • É o velho problema da sobreposição dos ônibus. Infelizmente não vejo nenhuma movimentação para resolver esse problema.

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