Locomotiva de Porto Alegre ficará na serra!

locomotiva

Locomotiva estava abandonada | FERNANDA GROLLI/PREFEITURA DE CARLOS BARBOSA

A mais longa novela ferroviária gaúcha chega ao fim às 9h de sexta-feira. Este será o momento em que iniciará a cerimônia de inauguração, em Carlos Barbosa (Serra), de um monumento para lembrar a história das ferrovias no Rio Grande do Sul. O detalhe é que o monumento se trata de uma maria-fumaça que por décadas circulou em Porto Alegre e que era reivindicada por ativistas e moradores da capital.

Até 2017, tudo indicava que a locomotiva, completamente degradada, seria enviada de volta a Porto Alegre para ocupar um pedaço da Pracinha da Tristeza, na zona sul. Faria sentido. De 1899 a 1936, a maria-fumaça puxou vagões de carga e de passageiros entre o Centro Histórico e a zona sul. A saga ferroviária virou o livro “A Ferrovia do Riacho – do Sanitarismo à Modernidade”, de 2012, de autoria do arquiteto André Huyer (leia abaixo). Patrimônio. Locomotiva que circulou em Porto Alegre na chamada Ferrovia do Riacho entre 1899 e 1936, ligando o Centro à zona sul, ficará em definitivo em Carlos Barbosa Maria-fumaça vai virar monumento na serra gaúcha.

A prefeitura da cidade serrana concordava com a mudança. No entanto, uma mobilização popular, iniciada com a Associação de Moradores do Bairro Ponte Seca, reuniu mais de 3 mil assinaturas para que o veículo permanecesse no município. Faltava que alguém bancasse a restauração do trem – Ministério Público Federal e Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) já pressionavam para que a situação fosse resolvida, devido a uma denúncia. Foi aí que apareceram as empresas Giordani Turismo e Tramontina. A restauração foi assumida pelas companhias. Conforme a assessoria de imprensa da Giordani, como a empresa opera o passeio de maria-fumaça entre a cidade e Bento Gonçalves, combinou participar do trabalho. O monumento ficará no bairro Triângulo.

A ideia é que dois vagões sejam restaurados e abriguem um museu ferroviário. Já a locomotiva poderá ser cenário para fotos de turistas, segundo o vice-presidente da associação, Ari Heck. “Quando ficamos sabendo que a prefeitura tinha interesse em doar para Porto Alegre, nos mobilizamos para mantê-la aqui. Era preciso ser rápido porque havia um projeto de doação. Este ano é o centenário da ferrovia da Serra, e a estação de Carlos Barbosa tem importância histórica”, afirma Heck.

Enquanto na Serra a comunidade festeja a permanência da locomotiva, em Porto Alegre, especialmente no bairro Tristeza, ficou um sentimento de que um símbolo restará para sempre distante. O fim da novela causou revolta nos principais envolvidos nas tratativas para o retorno da maria-fumaça à capital.

O autor do livro sobre a Ferrovia do Riacho criticou a decisão. “Esse episódio, que se arrastou por vários anos, causa profunda decepção. De se ver como meia dúzia de pessoas, que estão em postos chaves, por omissão algumas, por ações negativas outras, inviabilizam algo que toda uma comunidade estava mobilizada para fazer. Enfim, manter a locomotiva longe de onde deveria estar, fora de seu contexto, com uma reforminha meia-sola, é mais descaso com nossa cultura, mais uma ação antididática”, diz Huyer. Ele criticou as diversas partes que trataram da questão, desde o Ministério Público Federal até o Iphan, passando pelas prefeituras de Carlos Barbosa e Porto Alegre.

A advogada Jacqueline Custódio chegou a se responsabilizar pela restauração. Ela relata que buscou a empresa construtora da maria-fumaça, na Alemanha, para negociar o trabalho e deixar o veículo igual a como era antigamente. “A gente tinha apresentado um projeto de restauro com patrocinador, que era o próprio construtor da locomotiva. Tinha orçamento para um bem que é patrimônio.”

Jacqueline também demonstrou indignação com o fim da história da locomotiva, e questionou o projeto de restauro implementado, que custou R$ 170 mil, segundo Heck. “É um monumento ao mau gosto, ao desprezo pelo que a população deseja. Quem fez ela ficar daquele jeito [degradada] não vai ter punição nenhuma. É um projeto ridículo, pintaram de vermelho e branco, ela não era assim. Fizeram uma barbaridade. Era a única ferrovia municipal que Porto Alegre tinha”, aponta a advogada.

Jornal Metro Porto Alegre – André Mags – 11/12/2019

(O título da matéria original foi modificado assim como as duas matérias foram fundidas numa só)



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17 respostas

  1. Logo que o mercado publico ganhou cara nova na administração do PT foi colocado um vagão de um bonde da carris no largo glenio Peres,não durou muito teve de ser retirado pois era vandalizado,Viva Porto Alegre.

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  2. nós sonhando com metrô em poa quando nem conseguimos uma locomotiva enferrujada

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  3. Esta Locomotiva ficaria muito bem restaurada e instalada no parque do Estaleiro Só. A Responsável pelo empreendimento poderia adotar está ideia em contrapartida do empreendimento e ainda resgatar a história da primeira ferrovia municipal do país. Seria um baita negócio para a cidade. Fica a Dica.

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  4. Esta Locomotiva ficaria muito bem restaurada e instalada no parque do Estaleiro Só. A Responsável pelo empreendimento poderia adotar está ideia em contrapartida do empreendimento e ainda resgatar a história da primeira ferrovia municipal do país. Seria um baita negócio para a cidade. #dica

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  5. E a composição ferroviária que era vista próxima ao pampa Safari que por décadas fez a ligação de Palmares do Sul com Osório ?

    Pode estar virando sucata por aí.

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    • Só para acrescentar. A restauração da locomotiva é louvável se feita dentro dos padrões de engenharia de fábrica, mas devemos olhar os trens e locomotivas como futuro e não como uma máquina do passado.

      Se restaurada conforme especificação de fábrica poderia até fazer uma rota pequena qualquer seja em Porto Alegre ou Carlos Barbosa.

      Colocar uma máquina destas como objeto estático não é das melhores coisas, mas melhor que virar sucata .

      Os bondes de Lisboa são beeeeem antigos e continuam servindo à população.

      Os trens são o futuro.

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  6. Lamentavel, ir contra o desejo da população de Poa.
    E que mau gosto a pintura!!!

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    • Repara que ele não está pintado. É a ferrugem.
      Esta imagem é dela não restaurada.
      Mas, tu achar ela esteticamente de mau gosto é o reconhecimento de que o estado de abandono em que está é lamentável.

      Aproveitando a mensagem, acho que a população do interior tem o mesmo direito do que a de Porto Alegre e seu desejo também deve ser levado em consideração.

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      • Josiel, respeito muito a tua opinião, mas não concordo de jeito nenhum com o dito em “acho que a população do interior tem o mesmo direito do que a de Porto Alegre e seu desejo também deve ser levado em consideração.”

        A locomotiva prestou memorável serviço a população de Porto Alegre há décadas atrás, porque haveria de ornar uma praça no interior ?
        Totalmente sem nexo !!!

        É a mesma coisa que querermos que a Maria Fumaça que hoje faz o passeio da serra, quando se “aposentar”, ficar em Porto Alegre. Até poderia acontecer já que Porto Alegre é a capital do estado, mas o inverso nunca!

        Desculpe, mas a tua colocação não tem respaldo lógico nenhum.

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        • Como respaldo, posso dizer que grandes obras artísticas e históricas do mundo estão sendo apreciadas longe dos de seus lares. Vais a paris e verás o quadro mais importante feito por um pintor italiano. Vais a Berlin e verás obras históricas francesas (muitas saqueadas, é bem verdade). Vais a Londres e verás o maior acervo de antiguidade egípsia fora do Egito. Vais a Nova Yorque e verás artes do mundo todo em seus museus.
          Isso se chama descentralização. isso se chama dar oportunidade a que outros também apreciem.

          Mas eu entendo teu ponto de vista. Concordaria com teu texto se se tratasse de algo de valor inestimável e de representatividade para a população mas, pelo jeito que Porto Alegre tratou deste tema durante as décadas não parece ser o caso – esta locomotiva foi simplesmente ignorada e largada ao relento.

          Outro ponto que destaco é que esta locomotiva ficou aqui por muito tempo – a prioridade de ficar na capital, onde prestou seus serviços, sempre foi respeitada embora com o passar dos anos parece que alguém teve a brilhante ideia de mandar o “problema” para longe, para restauro na Serra, por responsabilidade e ônus da população e empresas de lá. Perfeito!!! ideia brilhante e problema resolvido !

          Só que não.

          Carlos Barbosa não tem nem 30 mil habitantes e conseguiu fazer o que Porto Alegre, com seus mais de 1,4 milhão não fez – se mobilizou e restaurou o que aqui foi ignorado. Se mobilizou e conseguiu com que parte da “história das ferrovias no Rio Grande do Sul” ficasse por lá.

          Certamente Porto Alegre teve a oportunidade de conservá-la e dar-lhe o devido valor. Deixou passar.
          Não é culpa da população de Carlos Barbosa isso. Pelo contrário, ao invés de elaborar comentários “em clima de velório” deveríamos estar contente pelo restauro e valorização deste elemento histórico.

          Então, neste caso especificamente eu acho que aconteceu o correto e não me entristeço ou fico decepcionado pelo desfecho. Se é o caso de ficar decepcionado e/ou triste, que seja com as autoridades da própria Porto Alegre.

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  7. Não sei se fico contente ou não, acredito que se viesse pra Poa, iria ficar largada, até apodrecer, como já estava.
    Porém, também não curti a ideia de mudar as cores, uma restauração por apenas 170 mil não me parece ser um valor dentro do padrão para uma locomotiva.
    Se bem que não entendo do assunto, não posso falar.

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    • Ué, prevendo o futuro agora? Poderiam conseguir algum patrocínio e mantê-la. Foi uma pena que parte da história de Porto Alegre foi pra uma cidade nada a ver com a capital.

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      • Não é previsão de futuro. É a triste realidade de uma população que não respeita seu patrimônio histórico nem urbano.
        Convido qualquer um a vir a São Leopoldo visitar o Museu do Trem (junto à estação São Leopoldo da Trensurb).
        Ainda em pé a estação férrea com composições antigas e um belo acervo sobre o tema ENFERRUJANDO E AFUNDANDO EM PICHAÇÕES.
        Falando nisso, onde estão os bondes que um dia já circularam pela cidade?
        A última notícia que é que um par deles estava sendo doado e, não havendo interessados, iria para a sucata.
        https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADcia/bondes-ser%C3%A3o-doados-em-porto-alegre-para-interessados-em-restaura%C3%A7%C3%A3o-1.346136

        Tenho certeza (e não é ensaio de futurologia) que este item ficará muito melhor e será de maior importância em Carlos Barbosa doo que em Porto Alegre, perdida em uma praça qualquer.

        Parabéns à população e à iniciativa privada de Carlos Barbosa que abraçaram a ideia e se mobilizaram para preservar este patrimônio.

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        • Este é o comentário mais sóbrio. Porto Alegre não sabe cuidar do patrimônio público. Se deixar em uma praça, em breve estaria pichado, vandalizado e usado como ponto de uso de drogas ou moradia de indigentes. Deixa em Carlos Barbosa que ao menos lá estará preservado. E como o Josiel disse, POA estava doando os últimos bondes ou iria pra sucata. Quer prova maior que é melhor tirar essas coisas de POA se quiser que seja preservado?

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  8. Triste ver a “evolução” do nosso transporte. Em cidades europeias, vemos as novas versões dos bondes elétricos, enquanto aqui nos restam os ônibus barulhentos e poluentes, além de mandarmos a história que não deve ser vista para longe da cidade…

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