Lançado o edital que prevê roda-gigante na Orla do Guaíba

GCS - Consulta pública sobre o trecho2 da Orla do Guaíba

Foto: Arte PMPA

A Prefeitura de Porto Alegre lançou, nesta terça-feira, 14, o edital para concessão do trecho 2 da Orla do Guaíba, que estará aberto até 20 de março, quando os envelopes com a garantia de proposta, proposta comercial e documentos de habilitação deverão ser entregues na Secretaria da Fazenda (rua Siqueira Campos, 1.300/3ºandar). O trecho de 135 mil metros quadrados, entre a rótula das cuias e o Anfiteatro Pôr do Sol, será administrado pela iniciativa privada e vai oferecer opções de lazer e turismo, incluindo uma das maiores rodas-gigantes da América Latina, com vista para o lago, prevista no projeto conceitual desenvolvido pelo arquiteto Jaime Lerner. A concessão integra o projeto de revitalização da Orla do Guaíba, que já tem um trecho entregue à população e outro em obras.

O prefeito Nelson Marchezan Júnior destaca que isso está sendo possível como resultado de todas as ações que a prefeitura vem desenvolvendo, como o cercamento eletrônico, a instalação de GPS em ônibus, biometria e exame toxicológico no sistema de táxis, integração entre os poderes na segurança pública, a proposta para graduar todos os professores de Ensino Infantil, as concessões de placas de rua e abrigos de ônibus, entre outras. “Tratar este projeto de forma isolada por uma gestão o tornaria inviável. Ele só se tornou executável graças a uma visão de cidade organizada e planejada, que cuida da segurança pública, da saúde, da educação. Tudo isso traz segurança para os investidores acreditarem em Porto Alegre”, frisa.

Dentre as obrigações, o concessionário não poderá cobrar ingresso em áreas públicas do parque, mas apenas em equipamentos específicos, como a roda-gigante. Também está prevista a construção de parque infantil, cachorródromo, ciclovias, decks e passarelas para esportes náuticos e vestiários, além da realização de eventos no local.

O secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Thiago Ribeiro, salienta que o objetivo é elevar Porto Alegre ao patamar do país e do mundo. “Nossa ideia é fazer uma cidade diferente, mudando a forma como ela é vista no resto do Brasil, na América do Sul e na América Latina. Essa mudança envolve mais recursos, aumenta o número de empregos e melhora a autoestima do cidadão, que verá uma cidade mais qualificada e melhor avaliada pelos visitantes”, afirma.

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A expectativa é de que um milhão de pessoas por ano andem na roda-gigante  Amuse BR / Reprodução

Investimento

O contrato com o concessionário terá duração de 35 anos, e o investimento previsto é de R$ 512 milhões ao longo de toda a concessão. Inicialmente, serão aplicados R$ 70, 5 milhões. Além de construir a infraestrutura do trecho, a empresa ficará encarregada da manutenção preventiva e corretiva das edificações, da limpeza e segurança do local e do cuidado com a flora e fauna do parque.

O secretário municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade, Germano Bremm, chama atenção para a importância da revitalização urbana. “Esta é mais uma entrega da prefeitura que vai ao encontro das diretrizes da revisão do Plano Diretor e da Nova Agenda Urbana da ONU: uma cidade para as pessoas, caminhável e com espaços públicos de qualidade”, diz.

O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops) auxiliou em toda a estruturação do projeto do trecho 2 da Orla do Guaiba e na elaboração do edital. O coordenador de infraestrutura do Unops, David Melo, lembra que o projeto foi desenvolvido pensando nos próximos 35 anos da Orla. “Estamos orgulhosos em fazer parte desse resultado de cooperação, com modelo de negócios atrativo e convergindo com a agenda 2030 da ONU para o desenvolvimento sustentável”, afirma.

Para o presidente da Câmara Municipal, Reginaldo Pujol, a consolidação do parque da Orla se assemelha ao que ocorreu há mais de 50 anos no Rio de Janeiro, com a criação do parque do Flamengo. “Tenho alegria de participar desses momentos como o da ocupação dessa área importante da vida urbana de Porto Alegre, que está acontecendo no governo de Nelson Marchezan. É um sonho para este jovem de 80 anos poder andar em uma enorme roda-gigante na Orla do Guaíba. Um sonho que agora pode ser realizado”, comemora.

Consulta pública

Na consulta pública sobre a concessão do trecho 2, a Secretaria Municipal de Parcerias Estratégicas (SMPE) recebeu mais de 40 contribuições. “Tanto a sociedade civil quanto os órgãos de controle tiveram uma participação muito construtiva nesse processo, nos permitindo apresentar um planejamento consistente e de grande qualidade técnica”, diz o gerente do projeto, Rodrigo Góes, ao destacar as melhorias nos documentos decorrentes do período de consulta.

Entre as mudanças a serem implementadas, está uma maior regulação para a realização de eventos no local. A concessionária não poderá promover festividades no anfiteatro em finais de semana consecutivos, com exceção de um por período de três fins de semana a cada 90 dias. A prefeitura terá possibilidade de uso do espaço para eventos em até 15 dias durante o ano. Outro ponto é a ampliação da área para atividades náuticas, devido ao aumento de 50% da faixa de água da parte concedida.

Também participaram do evento o secretário municipal adjunto de Parcerias Estratégicas, Fernando Pimentel;  o adjunto de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Nelcir Tessaro; os secretários municipais de Serviços Urbanos, Ramiro Rosário, e de Relações Institucionais, Christian Lemos; o vereador Moisés Barboza; e o coordenador de Áreas Verdes da Secretaria Municipal do Meio-Ambiente e da Sustentabilidade, Alex Souza, além de dirigentes e representantes de entidades.

Prefeitura de Porto Alegre



Categorias:ORLA, Outros assuntos, Projeto de Revitalização da Orla, roda gigante, Trecho 2 da Orla

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32 respostas

  1. Espero estar errado, mas eu tenho minhas dúvidas quanto a viabilidade financeira desse negócio. Medo da empresa declarar falência em 1 ano de operação e nós ficarmos com uma carcaça de roda gigante, um novo esqueletão. No Rio de Janeiro o ingresso é 70 reais, a população de Porto Alegre provavelmente irá apenas uma vez e depois não mais (pai+mãe+2 filhos são 280 reais) e dependerá do fluxo de turistas para manter o negócio.

    Quem vai na orla consegue ver que boa parte do publico é de “manos do funk” que pulam catraca do ônibus para estar ali, essa pessoas não irão pagar 70 reais por uma volta.

    Espero estar bem errado…mas…acho que teremos um novo esqueleto

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    • É possível. Mas esse é o mercado. As empresas interessadas com certeza fizeram esses mesmos questionamentos. E se ela achou que há perspectiva de ganhar dinheiro ela vai fazer uma proposta. Caso ela também seja pessimista (ou realista) como tu, não vai apresentar proposta. De repente a prefeitura vê que não é viável e corta a roda gigante no próximo edital. Vida que segue.

      Mas com certeza se a empresa vencer a licitação ela vai ter que cumprir o contrato. Quanto a isso sem problema.

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      • É a mesma coisa que esse patinetes motorizados que estão sendo retirados de Porto Alegre. Não dá para copiar ideias de Londres, Paris, e achar que vão funcionar em Porto Alegre com um simples CTRL+C e CTRL+V.

        O problema é que se essa roda gigante falir, quem acaba pagando o pato é o estado que vai ter que arcar com a remoção da roda depois de anos de batalhas judiciais. Por isso essas iniciativas devem ser muito bem estudadas.

        A iniciativa privada faz, declara falência, e o estado tem que ir lá limpar. E o estado limpa com o dinheiro dos nossos impostos. Vamos ver o andamento da coisa….

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    • É uma preocupação bem relevante. Vale a pena incluir no contrato o descomissionamento em caso de falência, sob pena de multa no valor mínimo do custo desse descomissionamento.

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      • Hehe, se a empresa falir não adianta nada ter cláusula de descomissionamento, a multa vai pra massa falida e dificilmente será paga.
        Também acho pouco provável encontrar interessados a construir essa roda, mas não custa nada tentar.

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    • Em tempo: também acho que essa roda gigante não seja lucrativa (nesses moldes de 70 reais o passeio). Mas é puro achismo. Tomara que provem o contrário.

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      • Pessoal, vcs estão fazendo as suposições com base na roda do Rio. Creio que aqui será outro valor. Se não me engano li que será entre 40 e 50 reais. Vcs estão colocando a carroça na frente dos bois. É óbvio que a empresa só vai investir se considerar viável. Não tenho dúvida disso.

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        • As empresas de patinete também achavam que era lucrativo ter patinete aqui e o olha no que deu.
          Essas empresas estão lotadas de guris recém saídos dos seus MBA que querem criar startup pra vender suco vegano em aplicativo de celular por 40 reais e culpam a carga tributária quando vão a falência. Todo aquele papo de mindset, risk taker, etc…a gente sabe bem no que dá. Caso claro é o Cais do Porto onde o consórcio vencedor não tinha capital para a empreitada. Porto Alegre parasse que não aprende com seus erros.

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          • Essa comparação é injusta. Uma que, de fato, a alta carga tributária, aliada à uma série de restrições do uso dos equipamentos, contribuiu, sim, para o prejuízo das empresas de patinetes e bicicletas (no RJ eles cobraram que se fizesse uma “auto escola” pra usar patinete!!! Qual usuário vai gastar tempo e dinheiro nisso?).

            E outro ponto é que tu não pode comparar uma empresa privada sem nenhum vínculo com o Estado, ou nenhum dever de responsabilidade orçamentária com o Estado, com uma empresa que competiu numa licitação, onde teve que mostrar que possuía verba necessária pra tocar determinada obra. Eu não li o edital desse trecho 2 (não achei na internet, alguém já chegou a ler?), mas acredita que um dos parágrafos e incisos fale nisso: se tu não tem 5 pila no banco tu não pode vencer essa licitação.

            Respondendo teu comentário em outro post, caso a empresa venha a falir basta se fazer outra licitação para uma empresa que possa gerir a roda gigante. É uma possibilidade.

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          • kkk, como se cabelos brancos determinassem a competência de alguém. Na penitenciária de Curitiba tá cheio de gente de cabelos brancos…
            Em tempo: tenho mais de 40 anos

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  2. A cada dia que passa mais claro fica, que enquanto na iniciativa privada as empresas seguram o colaborador com salário e condições de trabalho, no setor público a estabilidad e é mais uma gaiola que uma proteção e com o tempo o funcionári o públic o vai atrofiando e se amargurando e que a única coisa que resta é a lei. Melhor apagar as mensagen s que mostram a verdade e deixar os xing amentos aos CCs, que aliás são outro câncer do que de fato expor fatos. Poderia ter aprendido que eu estava errado, mas acabei confirmando o que já acreditava.

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  3. Nada como um simples temporal pra jogar na cara dos deslumbrados com o “potencial” da cidade, o quanto chulé e despreparada é Poa. Isso aqui é a várzea da várzea. Além da incompetência para manter-se organizada, há a máxima incapacidade para chegar a um termo modernoso que a gestão adora vomitar; resiliência. Qualquer ventinho desmancha essa taba do Xingu. E que venha a classe média deslumbrada e desconectada do mundo opinar sobre a qualidade de vida daqui. Venham babar ovo de “investimentos” !!

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    • Um “simples temporal”. Cara, ESPECIALISTAS em meteorologia disseram que em qualquer outro lugar o que aconteceu ontem seria considerado um TORNADO, mas tu (que com certeza não entende NADA sobre isso) vem me dizer que foi um simples temporal, simplesmente pra criticar.

      Pessoas que nem tu estão aí torcendo pra que tudo dê errado mesmo, por pura briguinha ideológica. Vocês são patéticos.

      (Desculpe, Gilberto, mas fica difícil entrar no blog pra se atualizar sobre Porto Alegre e ver esse tipo de comentário, ainda mais vindo de gente que é funcionária da Prefeitura, agindo na completa má fé)

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    • Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Só rindo de ti mesmo…
      Pessoas tiveram prejuízos, casa foram destelhadas e tu fica debochando disso!
      Se toca cara!

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      • Pois é. Essa é a mesma pessoa que um dia atrás estava dizendo que a “classe média” não se preocupa com mendigos e pobres e no dia seguinte está fazendo troça das pessoas que foram atingidas por um desastre como o de ontem.

        Como que é aquela palavra mesmo? Hipocrisia.

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      • Acho que tu és bem analfabeto. Sequer conseguiu LER o texto. Quem sabe ler, entende o âmago da coisa. O meu texto diz justamente que (ao contrário dos defensores de perfumarias e incapazes de ter um olhar social amplo), eu me preocupo com a parte social REAL da cidade. Isso jamais significou que sou contra investimentos. Minha bronca é com o cara que vem aqui dizer que agora Poa vai ser maravilhosa só por causa de uma pracinha adotada ou um recanto com algum tipo de novo empreendimento. Esse tipo de pessoa é em suma, um apedeuta travestido de cidadão. Uma pessoa incapaz de andar pelas ruas e perceber a incrível e galopante miséria que nos assola. É, como eu falei, a classe média iludida e sem empatia.

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        • zé boa noite!

          acho que estás sendo muito exigente e critico com a atual gestão de poa. porto alegre era uma cidade prospera no âmbito nacional até 1988. desde então as sucessivas “gestões” literalmente detonaram poa, tanto que fomos ultrapassados por inúmeras cidades, dentre as quais a mais relevante é Curitiba. iniciamos um projeto de retomada no segundo mandato do fortunatti e que está sendo mantido pelo marchezan. Todo o processo já é longo com dinheiro, imaginas sem! vamos valorizar o que está sendo feito que creio que daqui uns 20 anos seremos uma das cidades mais aprazíveis do brasil! pode me cobrar que poa será a cidade dos parques e o vale do silício do brasil. forte abraço!

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          • Boa, Alan

            Mas infelizmente ele vai te acusar de CC e vai continuar fazendo críticas ridículas sem fundamento nenhum e ainda levantando mentiras.

            O que tu falaste é o que todos estão vendo. Não vai ser da noite pro dia que as coisas vão melhorar, mas em anos não se via um prefeito pensando no futuro (vide os cortes de privilégios que ele fez no início do mandato e também a ideia de não se contratar mais cobradores). Eu acho que no pesar dos pesares ele está fazendo um bom mandato e espero que ele se reeleja pra continuar.

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  4. Sinceramente, não gostaria de estar num equipamento desses e ser surpreendido pelos ventos como o de ontem e o havido em janeiro de 2016 ou outubro de 2018. Qual a garantia a ser dada aos usuários ? Haverá atendimento aos avisos da Defesa Civil e consequente interrupção dos serviços naqueles dias?

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    • Me parece óbvio que em situações de mau tempo o serviço seria interrompido, né?

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    • Em caso de mau tempo, o serviço é interrompido até melhorar. Depois que melhora, o equipamento é acionado sem passageiros. Depois é utilizado por alguns técnicos que prestam o serviço, sempre avaliando o estado.

      Esse é também o procedimento no início de cada dia.

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    • Logo logo, os engenheiros responsáveis poderão esclarecer todas essas dúvidas.

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