Marchezan apresenta novo pacote de transporte com ‘pedágio’ de R$ 4,70 para acessar o Centro

20200813-marchezan-transporte-coletivo-1536x1024

Nelson Marchezan Jr. participa de videoconferência sobre pacote de mobilidade | Foto: Anselmo Cunha/PMPA

Em transmissão realizada pelas redes sociais no final da manhã desta quinta-feira (13), o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), e o Secretário Extraordinário de Mobilidade Urbana, Rodrigo Tortoriello, apresentaram um novo pacote de medidas para ajudar a financiar o transporte coletivo da Capital.

O pacote traz algumas alterações em relação aos projetos apresentados em janeiro deste ano, que ainda aguardam votação na Câmara de Vereadores, sendo a principal delas a alteração na proposta de “pedágio urbano” a ser implementada na Capital.

Em janeiro, a Prefeitura havia proposto cobrar uma tarifa diária — equivalente a uma passagem cheia de ônibus — de todos os veículos com placas de fora da cidade que acessassem à Capital. Considerada a medida mais polêmica daquele conjunto de propostas, ela foi alterada para a cobrança de uma “tarifa de congestionamento e dano ambiental” para veículos que acessarem o Centro Histórico (exceto ambulâncias, carros oficiais, de moradores do bairro e transporte coletivo) entre 7h e 20h, também em valor equivalente a uma passagem, hoje em R$ 4,70. Durante a transmissão, Marchezan afirmou que a mudança ocorre após conversas com vereadores.

Segundo a Prefeitura, caso a proposta fosse aprovada, a tarifa reverteria integralmente para o subsídio do transporte coletivo, projetando que poderia significar uma redução de R$ 1,60 na tarifa (34% do total).

Tortoriello destacou que a tarifa de congestionamento, também conhecida como pedágio urbano, já é aplicada em cidades como Santiago (Chile), Nova York (EUA), Londres (Inglaterra), Estocolmo (Suécia) e Milão (Itália). Ele destacou que, no caso de Santiago, também uma cidade da América do Sul, a tarifa varia de 7 mil a 21.150 pesos, o que seria equivalente a R$ 38 e R$ 112, respectivamente.

Outra proposta do novo pacote é a utilização de novas fontes de receita para evitar aumentos e ajudar no subsídio à tarifa, como verba de publicidade, compra de passe antecipado, estacionamento público, entre outras ações. Uma terceira proposta é a eliminação da intermediação de centros acadêmicos e grêmios estudantis na renovação da Cartão TRI para estudantes, o que, segundo a Prefeitura, agilizaria a solicitação. Uma quarta proposta seria a revisão da legislação municipal para facilitar a concessão de serviços públicos para a operação de novas tecnologias de transporte público, o que também é previsto na quinta e última proposta, que também permitiria a utilização de veículos menores em dias e horários com menor demanda de usuários.

A expectativa da Prefeitura é que, com a aprovação desses projetos e mais as medidas do pacote anterior que permanecem na Câmara, seria possível reduzir a tarifa da cidade para R$ 2, o passe estudantil para R$ 1 e conceder passe livre para trabalhadores com carteira assinada.

Tortoriello explicou que, além da redução de R$ 1,60 prevista pela tarifa de congestionamento, isso seria possível com o fim da cobrança da taxa de administração da Câmara de Compensação Tarifária (CCT), hoje em R$ 0,15 por passagem, com a implementação de uma taxa de R$ 0,28 por quilômetro rodado de aplicativos de transporte individual — o que poderia reduzir a tarifa em mais R$ 0,70 na estimativa da Prefeitura — e com a implementação da Taxa de Mobilidade Urbana (TMU), que seria a cobrança de valores entre R$ 63 e R$ 110 das empresas por cada empregado com carteira assinada, o que teria como contrapartida a eliminação da necessidade de vale-transporte e a concessão de passe livre para estes trabalhadores.

Marchezan e Tortoriello destacaram que um dos grandes desafios da cidades é que o transporte público tenha preço acessível. Nesse sentido, destacaram que diversas localidades concedem subsídios aos seus sistemas, como é o caso de Praga, na República Checa, que tem 74% da tarifa subsidiada, mas que isso também ocorre no Brasil, com 30% da tarifa de ônibus de São Paulo sendo financiada pelo poder público, 21% em Florianópolis, 16% em Vitória e 14% em Curitiba. Para o prefeito, além disso, o transporte público deveria ser encarado com uma política nacional, assim como são a saúde e a educação pública, mesmo a execução sendo municipal. “A nossa sociedade não vê ainda o transporte como a saúde pública. Ninguém imagina que o usuário tem que pagar pela saúde pública”, ponderou.

“O cenário atual é de redução de passageiros, custos elevados, falta de subsídios e uma crise no sistema”, disse Tortoriello. “O objetivo desse trabalho é sustentado em três pilares, aumentar a confiabilidade do sistema, com informação em tempo e transparência; aumentar a eficiência do sistema, aumentando a velocidade operacional através dos corredores exclusivos, e, por último, aumentar a acessibilidade para o cidadão, reduzindo o seu custo e tornando o transporte público atrativo em Porto Alegre”, complementou.

Sul 21

 

 



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito, mobilidade urbana, Outros assuntos

Tags:, , ,

41 respostas

  1. Que bom que usaram Praga como exemplo. Estou morando aqui a mais de um ano e realmente o transporte é de outro nível. Eu paguei em maio agora 150 euros pelo passe anual de transporte da zona central, que da direito a todos os modais: Trens, metro, trams, funicular (tem apenas dois e são turisticos) e balsas. As 3 linhas do metro fazem 1 milhao de viagens por dia e a linha de trams é uma das maiores do mundo. São menos de 80 reais por mês (Nessa cotação absurda atual).

    A conversa aqui agora é como mitigar a crise que se abateu no transporte público, pois sem turistas, ficou inviável. Quem é morador normalmente tem o passe (como eu), e paga menos. Os turistas compram passes por hora ou dia e o custo é maior (1,5 euro por 1,5 hora e 4,5 euro por dia).

    Existem tantas coisas que poderiam ser exemplo para POA, como, não ter cobrador no sistema, recarga online, aplicativo para comprar a passagem ou passe e procurar rotas, passes mensais/trimestrais/semestrais/anuais… Sem contar os trams com ruas exclusivas ou total preferência na rua.

    Curtir

  2. Está faltando clareza de como os recursos desse subsídio serão repassados às empresas de ônibus. Será um valor fixo? Um valor por giro de roleta?
    Creio que essa é uma discussão mais importante do que a criação do imposto propriamente dito. Estaremos recuperando o transporte público ou as empresas?

    Curtir

    • Mas qual é a dúvida?

      O valor da passagem continuará sendo calculado da mesma maneira, com os quilômetros rodados e número de passageiros e a margem de lucro das empresas, já prevista no contrato de concessão.

      Se por exemplo esse cálculo resultar numa passagem no valor de 5 reais, e a prefeitura quer que a passagem custe 2 reais, a cada giro de roleta ela vai passar 3 reais para a empresa. É assim que funciona o subsídio em qualquer lugar.

      O cálculo do valor da passagem vai continuar sendo anual, e caso haja uma grande migração das pessoas para o transporte coletivo, fazendo que a tarifa real caia, pode-se diminuir o valor do subsídio.

      O subsídio pode variar para manter o equilíbrio mínimo da empresa também. Um exemplo é em São Paulo, onde nesse ano esse valor aumentou devido à queda de passageiros com a pandemia.

      Curtir

      • A dúvida é sobre a fiscalização de quantos giros da roleta serão “cobrados” pelas empresas. Acho que apenas confiar nas informações repassadas pela empresa não seria o correto.

        Curtir

        • Tu sabe que cada roleta tem um contador e esse contador é verificado no fim de todo o dia, certo?

          Sabe também que quando tu passa o teu cartão TRI ele automaticamente vai para o servidor da procempa, né?

          Deve ter reparado também que todo final de linha o cobrador anota o número de passageiros que passou naquela rota. Número esse que ele pegou do dispositivo de leitura do cartão TRI.

          Eu não morro de amores pelo Estado e muito menos por políticos, mas se vamos começar a duvidar de toda e qualquer coisa, vamos ficar malucos. Acho que nesses 3 procedimentos que eu citei, e estando em pleno 2020, já dá pra se precaver de futuras falcatruas. Até porque nada impedia que agora eles mantivessem o número baixo, pra que o preço da passagem aumentasse, e nunca ouvimos nenhum escândalo quanto a isso.

          Curtir

    • Entenda que esse valor atual de 4,70 é o valor mínimo que as empresas operam para não quebrar e com o baixo número de usuários elas não conseguem se manter.

      Claro que devemos cobrar para que no futuro haja um redesenho das rotas dos ônibus, algo como os portais da cidade que especularam anos atrás, mas atualmente a situação é essa. Se o preço não baixar, de alguma maneira, mais pessoas deixarão de usar os ônibus, fazendo com que a passagem suba mais ainda.

      Curtir

      • Talvez o que o Ricardo esteja querendo fazer, é passar esse valor diretamente ao usuário? Talvez como uma carga no TRI? Não sei se há outro modo.

        Curtir

        • Mas não faz sentido.

          E quem paga com dinheiro, como faz? E como que vai ser repassado um valor pro cartão da pessoa, se não se sabe quantas viagens ela fará?

          O subsídio funciona como eu expliquei em qualquer lugar do mundo, não vejo o porque daqui ser diferente.

          Curtir

        • Na verdade estou aguardando para ver o que estará descrito na proposta do Executivo. Não sei como pode ser feito de forma confiável, segura e transparente. Vamos aguardar que a proposta seja bem elaborada para que não haja margens para desvios ou corrupção.

          Creio que a Prefeitura não pode confiar exclusivamente nas informações passadas pelas empresas. As informações do TRI imagino que sejam confiáveis, porém os “avulsos” que não possuem cartão, como seria o ideal?
          Como iremos subsidiar ainda mais o transporte público, devemos cobrar e ficar atentos à proposta.

          Convenhamos que não temos uma classe política 100% confiável, por isso é nosso papel o questionamento de suas atitudes. Nem entro muito no mérito do projeto, se é justo ou não, mas se tiver de pagar gostaria que esse valor fosse bem empregado.

          Curtir

  3. Esquecam Metro. O investimento é muito alto e Porto Alegre nao tem densidade populacional para fazerem um e é uma cidade falida entao também nao tem dinheiro. Governo estadual idem e o federal provavelmente investiria em metro de cidades mais populosas (SP, Rio, BH,…). Racionalizar as linhas é a melhor saída para o transporte público mas o lobby provavelmente impede isso. Após otimizar as linhas e mudar o plano diretor da cidade (estimular o adensamento do centro e substituir prédios antigos/abandonados) para aí sim discutir tarifa pra andar de carro no centro mas pelo visto é pedir muito dos políticos e cidadaos portoalegrenses.

    Curtir

  4. Na minha opinião tal cobrança pode até ser adequada desde que… se promova a evolução do sistema de transporte coletivo da cidade com o agregamento de novos modais, com a criação de redes de VLTs e de metrô. Além disso, que o valor ou ao menos a maior parte da arrecadação seja empregada em benfeitorias diretas no centro histórico da cidade, para resgatar o brilho perdido após décadas de decadência e tanto descaso, assim se farão necessárias intervenções no espaço público através de projetos assiandos por arquitetos-urbanistas gabaritados de verdade, por favor.

    Curtir

  5. O mais importante desse projeto é como esse subsídio será repassado às empresas de ônibus. Será um valor fixo mensal? Será um valor para cada giro da roleta?
    Isso não foi explicado. Estão deixando a polêmica correr solta sobre a legalidade do subsídio para esconder a forma de pagamento às empresas.

    Me parece que não é um projeto para salvar o transporte público, mas sim para salvar as empresas do transporte público.

    Curtir

Faça seu comentário aqui:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: