Casa de Cultura Mario Quintana completa 30 anos

Hoje, dia 25 de setembro, a Casa de Cultura Mario Quintana – CCMQ, completa 3 décadas de existência.

Inaugurada em 25 de setembro de 1990, a Casa, que leva o nome de um dos maiores poetas gaúchos, se consagrou como um dos clássicos cartões-postais de Porto Alegre e como um dos principais centros de cultura e arte do Brasil.

A história da Casa de Cultura Mario Quintana começou anos antes de sua inauguração — com a criação do Hotel Majestic. Em 1916, Horácio de Carvalho, empresário ligado ao ramo de importação e exportação, iniciou a construção de um hotel na Rua da Praia. Nessa época, o local era uma das principais vias da cidade, concentrando bares, cafés e grande parte da vida social da Capital. Carvalho também viu muita potencialidade na localização pela proximidade do Guaíba — nesse período, o hotel chegava quase às margens do lago, onde atualmente é a Avenida Mauá. Projetado pelo arquiteto alemão Theodor Alexander Josef Wiederspahn, o hotel causava espanto e encantava a população, afinal era incomum encontrar passarelas suspensas sobre via pública no cenário da época. “Foi o primeiro prédio a usar concreto armado, era uma tecnologia super inovadora para a época. É o que permite que o espaço tenha aquelas passarelas”, explica Diego Groisman, diretor da CCMQ.

Hotel Majestic, em 1980. Foto: Núcleo de Acervo e Memória da CCMQ

A construção do prédio foi finalizada apenas em 1933. Mas em 1923, o Hotel Majestic já havia aberto suas portas e recebia os primeiros hóspedes. Rapidamente, o local se transformou em símbolo do desenvolvimento e da modernização de Porto Alegre, tornando-se referência pela hospitalidade e pela infraestrutura luxuosa. Os anos 30, 40 e 50 foram seus tempos dourados. Importantes figuras populares como os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, o poeta Oswald de Andrade, a vedete Virgínia Lane e o cantor Francisco Alves foram hóspedes do Majestic.

Um dos hóspedes ilustres foi o poeta Mario Quintana, que viveu por longos períodos no hotel entre 1968 e 1980. O escritor residia com frequência no quarto 217. Na época, Quintana trabalhava no jornal Correio do Povo, localizado a algumas quadras do Majestic. Segundo Groisman, diretor da CCMQ, Quintana não pagava pelo aluguel do quarto, vivendo no hotel em troca de favores. “Muitas vezes não tinha quarto, e ele era expulso”, relata Groisman. Foi o que aconteceu em 1980, quando Quintana foi despejado definitivamente do Majestic. Nessa época, o hotel já estava em decadência e não tinha mais como arcar com os custos de um hóspede morando gratuitamente. Desde a década de 70, o Majestic passou a sofrer com a concorrência de novos hotéis que contavam com instalações mais amplas e modernas, perdendo, assim, muitos clientes.

Fachada do Hotel Majestic na década de 1970

Após ser expulso do Majestic, Quintana se mudou para o Hotel Royal. O proprietário era o comentarista esportivo e ex-jogador da seleção Paulo Roberto Falcão, que cedeu um quarto para o poeta. Solitário, Mario Quintana passou grande parte da sua vida vivendo em hotéis. Atualmente, a Casa de Cultura Mario Quintana possui uma reconstituição do quarto ocupado pelo poeta, feita com base em fotos da época e utilizando objetos pessoais do escritor.

Na década de 70, o grande Hotel Majestic vai à falência e fecha suas portas. É nesse período que os sinais de abandono tomam conta do prédio: o telhado é destroçado pela ação das chuvas e ventos e alguns recintos são tomados pela água. Devido ao estado de deterioração do edifício, muitas pessoas lutaram por sua demolição. Apenas em 1980, o antigo prédio é comprado pelo Banrisul e, dois anos mais tarde, adquirido pelo governo do Estado. Nesse momento, a população do bairro e a Associação de Amigos começou a se organizar para que fosse criado um centro cultural no espaço. “A Associação de Amigos da CCMQ foi fundamental. Ela é um caso raro no mundo: é uma associação que surge antes do aparelho cultural”, ressalta o diretor da Casa. A partir desse movimento, em 1983, o edifício foi arrolado como patrimônio histórico, tendo início sua transformação em Casa de Cultura. No mesmo ano, por meio da Lei 7.803 de 8 de julho, foi aprovado que o local recebesse o nome de Mario Quintana.

Para transformar o antigo hotel em um espaço cultural, foram necessárias diversas reformas, que ocorreram de 1987 a 1990. O projeto arquitetônico foi assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski. Aos poucos, os antigos quartos e áreas de convivência do Majestic foram dando lugar a espaços voltados para o cinema, a música, as artes visuais, a dança, o teatro e a literatura. Em 25 de setembro de 1990, a Casa de Cultura Mario Quintana foi finalmente aberta para o público.

Veja a matéria completa, no SUL 21, clicando aqui.

Vejam esta galeria de fotos especial CCMQ by Porto Imagem



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Fotografia, Patrimônio Histórico, Prédios, TURISMO

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2 respostas

  1. É um lugar bem legal de se visitar.

    Tem exposiçoes itineirantes, um café e um restaurantes bem interessantes, nos cinemas tem filmes que nao entram nos grandes cinemas de shopping e se voce nao gosta de nada disso ainda é um bom lugar para se visitar a arquitetura e tirar algumas fotos bonitas. Tambem tem uma vista legal do guaiba la!!

    Eu mesmo fui poucas vezes na CMCQ mas todas foram bastante proveitosas.

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  2. Muito bom saber um pouco mais da história desse centro cultural tão importante do nosso estado!

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