Prefeitura libera as últimas licenças de instalação do complexo Belvedere

Empreendimento na avenida Senador Tarso Dutra, bairro Petrópolis. Foto: Elizabeth Pocztaruk Arquitetos/Divulgação

Após cerca de 20 anos de tramitação do projeto, as licenças de instalação do complexo Belvedere que aguardavam aprovação municipal foram emitidas nesta segunda-feira, 28. Elas estão relacionadas a duas torres comerciais (cerca de 32 mil metros quadrados, com valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 280 milhões, e a um shopping center (146,5 mil metros quadrados), que prevê investimentos de R$ 360 milhões. Além delas, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams) já havia liberado, em julho deste ano, licença de instalação referente a um hipermercado (33,4 mil metros quadrados), com investimento de R$ 64,6 milhões. Com os documentos, o empreendedor fica autorizado a iniciar a construção do complexo, que vai ser erguido na avenida Tarso Dutra, 500, no bairro Petrópolis.

Para o prefeito Nelson Marchezan Júnior, este é um passo decisivo para a concretização de um projeto que tem gerado muita expectativa pela população ao longo dos anos. “Um empreendimento deste porte tem o potencial de movimentar diversas cadeias da economia local, algo especialmente importante para o momento em que vivemos, em que os reflexos da pandemia pesam fortemente”, completa. 

Como contrapartida, há uma série de medidas mitigatórias definidas, que preveem melhorias da infraestrutura da região. As obras viárias (com licença também emitida nesta segunda-feira), por exemplo, envolvem o prolongamento das ruas Mario Antunes da Cunha e Carlos Benvenuto Froner, além da criação de avenida interna paralela ao Loteamento Piemonte e da rua Diretriz 3133, com sentido único desde a rua Cristiano Fischer até a Terceira Perimetral. 

Veja outras das definições acertadas por meio termo de compromisso:

 • Implantar 11 reservatórios de detenção de águas pluviais para controle da drenagem;

• Qualificar as paradas de transporte coletivo dentro da área de influência do empreendimento;

• Criar travessias seguras para pedestres em pontos específicos da região;

• Implantar a quarta faixa de tráfego na aproximação da rua Tibiriçá com a rua Cristiano Fischer (75 metros de extensão);

• Implantar faixa de tráfego na aproximação da rua Valparaíso com a Terceira Perimetral (75 metros de extensão);

• Executar o alargamento e a melhoria da curva entre a rua Professor Ivo Corseiul e a rua José Carvalho Bernardes;

• Realizar projeto de sinalização viária nas vias e intersecções onde ocorrerem modificações em função do projeto de circulação do complexo Belvedere;

• Executar ciclovia na avenida Bento Gonçalves, desde a avenida Elias Cirne Lima até a avenida João de Oliveira Remião, em dois trechos que totalizam 3.450 metros;

• Qualificar a Praça José Luiz Carneiro Cruz, localizada na rua Professor Pedro Santa Helena, no bairro Jardim do Salso;

• Construir um belvedere de acesso público, que permita a manutenção de vista privilegiada da região;

• Doar ao Município equipamentos e instalações para integrar a Central de Controle e Monitoramento de Mobilidade (Cecomm), em valor equivalente a até R$ 535.080;

Projeto do Belvedere terá torres, shopping e hipermercado. Divulgação

Ainda, cada uma das licenças de instalação prevê um conjunto extenso de condições, restrições e medidas de controle e preservação ambiental. As intervenções na vegetação serão compensadas por meio da destinação de área equivalente a 11 hectares de terreno para anexação ao Refúgio de Vida Silvestre São Pedro, localizado no Extremo Sul do Município, além de transplantes e plantios no próprio local do empreendimento. 

Ocorrerá também a destinação de recursos para apoio, implantação e manutenção das unidades de conservação em Porto Alegre, em valor equivalente a 0,5% dos custos totais previstos para a instalação do complexo, conforme prevê a Lei N° 9.985/00, relacionada ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O montante é estimado em R$ 1,55 milhão.

“Foi um processo longo, com cerca de duas décadas de tramitação, que agora tem um desfecho. Isso só foi possível pela dedicação da gestão e das equipes, que sempre estiveram preocupadas em permitir essa entrega para a cidade, mas tomando todos os cuidados para que as definições do projeto estivessem alinhadas com as características ambientais e urbanísticas do entorno. Mais um passo importante para o desenvolvimento de Porto Alegre”, aponta o secretário da Smams, Germano Bremm. 

Empreendimento será construído em área entre a Avenida Senador Tarso Dutra e a Rua Cristiano FischerFélix Zucco / Agencia RBS

Geração de empregos – Além do impacto positivo por meio dos investimentos na construção, também existe a previsão de que sejam gerados milhares de empregos: 

• Shopping center: 1.250 empregos diretos e 1.850 indiretos na obra, além de 3.500 empregos diretos e indiretos na operação

• Torres comerciais: 850 empregos diretos e 1.230 indiretos

• Hipermercado: 700 empregos diretos.

Prefeitura de Porto Alegre

Lembrando que o empreendimento fica no Bairro Petrópolis, e não no Jardim Botânico. Algumas pessoas já estão alarmadas com a “possível destruição do Jardim Botânico”. A falta de conhecimento da sua própria cidade é incrível. Pra ficar claro, olhem o mapa abaixo:



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Shopping Centers

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18 respostas

  1. O projeto foi feito para um mundo de 25 anos atrás e isso fica claro. Com a Amazon e outras lojas online os shopping entraram em crise e esse modelo de um grande galpão climatizado está desaparecendo em todo mundo. Agora os shoppings precisam ser complexos multiuso, com residências, serviços, equipamentos comunitários. Uma pena ver Porto Alegre abraçando um modelo que o mundo está abandonando.

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  2. E aquele “Shopping Zona Sul” que ia sair na cavalhada ? Morreu de vez?

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  3. Este projeto tem cara de galpão logístico ou depósito de alguma coisa, mas não de shopping.

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  4. Eu sempre fui favorável a projetos que trouxessem desenvolvimento para a cidade, mas atualmente vejo um excesso de shoppings. Isso vai na contramão do que está ocorrendo no exterior. Os shoppings acabam com diversas microempresas (pequenos lojistas) e prejudicam a diversidade de produtos e marcas. Eu, particularmente, tenho deixado cada vez mais de comprar em Porto Alegre por que é sempre as mesmas lojas (gaston, paquetá, zara, tevah,…). Tenho encontrado, na área de vestuário, produtos melhores e diferentes em cidades do interior, em SC ou no exterior. Como somente grandes redes conseguem pagar aluguéis absurdos nos centros comerciais, não há como concorrer com elas. E quanto mais shoppings, menos lojas de ruas também, causando um maior abandono dos espaços públicos. É apenas minha opinião.

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    • Pois eh… tenho a impressão de que o projeto fazia mais sentido vinte anos atrás e precisa de atualização. Talvez se fosse mais vertical e com mais aproveitamento, preservação e integração da area verde seria mais interessante e traria mais a cidade.

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    • Concordo plenamente! Está uns 20 anos atrasado este projeto. Infelizmente.

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    • Não são os Shoppings que acabam com “diversas microempresas”. É a decisão das pessoas em utilizar shopping ao invés dessas “diversas microempresas” que acabam com elas. A pergunta é por que as pessoas preferem os shoppings? Algumas respostas são:

      O. É limpo, enquanto o estado cobra fortunas de impostos e é incapaz de mater as coisas limpas e sem pichação, as pessoas vão preferir os shoppings
      O. É seguro, não tem flanelinhas, que são protegidos pela prefeitura, não tem pedintes nem maconheiros.
      O. É cômodo e dispõe de uma série de serviços de bancos, alimentação…

      O problema é que quando qualquer um propõe algo para manter o ambiente público mais agradável, brota uma turminha do nada para gritar “gentrificação”, “e os probi”, “gastar dinheiro cumsrico”…

      Não acredito que “proibir shoppings”, limitando as escolhas das pessoas seja a solução, e sim permitir escolhas mais atrativas para as pessoas.

      Obs. Não descarto a possibilidade de acordos obscuros entre operadoras e construturas com a prefeitura para receber benefícios que “diversas microempresas” deixam de receber. Isso também é um problema a ser combatido.

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    • Em parte, concordo contigo. Passei a ver esta propagação de shoppings em Porto Alegre de maneira mais analítica nos últimos tempos. Acho interessante as obras de contra-partida, os empregos gerados, a valorização do entorno e tudo mais…. mas, me pergunto, será que precisamos mais um shopping em poa?
      mas, enfim, não torço contra. Espero que sobretudo a região se valorize e os moradores do entorno desfrutem desta valorização (inclusive em termos de $$$$).

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  5. Pelo render parece um complexo industrial

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  6. Ótima notícia,
    mas não entendi porque 2 hiper mercados próximos um do outro,
    visto que,
    há outro na Ipiranga…

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  7. Muito bom, agora realmente torcemos muito que esse prospecto seja um esboço sem qualquer relação como quê realmente construirão, porque por favor, com esse terreno incrível a disposição e com todos os exemplos de shoppings incríveis que existem no exterior e até mesmo aqui no Brasil, que se faça algo muito melhor e um marco de centro de compras e lazer com pegada sustentável, modernidade e refinamento estético!

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  8. Que projeto sem graca. Espero que a versao final seja mais elaborada que os caixotes das imagens.

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  9. Que Complexo Lindo!

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  10. Pessoal,
    Alguma novidade sobre a expansão do Moinhos Shopping?

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