RS inicia estudo para o primeiro sistema de transporte em cápsulas de altíssima velocidade

Acordo com a HyperloopTT, em parceria da UFRGS, prevê avaliação de aspectos técnicos e financeiros de rota entre capital e Serra

O Rio Grande do Sul pode ter, no futuro, o primeiro sistema de transporte por cápsulas de altíssima velocidade da América Latina. Nesta terça-feira (19/1), foi assinado, no Palácio Piratini, acordo entre o governo do Estado e a empresa Hyperloop Transportation Technologies (HyperloopTT) para realização, com auxílio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), de estudo inicial de viabilidade da rota Porto Alegre–Serra.

Conforme apresentação feita pela empresa ao governador e ao secretário Lamb, sistema é viável sem depender de recursos públicos – Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

Chamado de hyperloop, o sistema de transporte por cápsulas para passageiros ou cargas pode alcançar 1,2 mil km/h com conforto e segurança superiores ao de aviões. A parceria do Estado com a empresa de pesquisa americana coloca o Brasil na rota do transporte mais inovador e disruptivo atualmente em desenvolvimento no mundo.

“Não vivemos do passado, vivemos de futuro. E o nosso governo acredita muito na força do conhecimento. Por isso, trabalhamos com gestão inovadora, tecnicamente responsável e, sim, sonhadora. O acordo de hoje pode ser considerado bastante futurista, mas cogitamos analisar viabilidade do projeto e, assim, lançar a primeira ideia para que, quem sabe logo adiante, possamos confirmar as condições de viabilizar o hyperloop, uma alternativa economicamente viável, segura e sustentável. A pesquisa nos permite sonhar. E o sonho começa a ser realizado a partir da vontade e da ação, e hoje temos um exemplo disso”, afirmou o governador Eduardo Leite.

Além do estudo de viabilidade técnica da rota, o acordo prevê a análise das condições ambientais, socioeconômicas e financeiras, como retorno de investimento que um projeto desta dimensão possibilita.

De acordo com a HyperloopTT, uma das vantagens do sistema é ser viável comercialmente, não dependendo de recursos públicos para se manter. Além disso, é uma maneira sustentável do ponto de vista ambiental de avançar em sistemas de transporte.

Cápsula com passageiros ou carga viaja, em alta velocidade, dentro de tubo, como nesta linha de teste na França – Foto: Divulgação HyperloopTT

“O estudo demonstrará que o sistema é sustentável do ponto de vista do investidor como do ponto de vista ambiental. E irá suprir uma demanda muito importante por transporte de qualidade, em altíssima velocidade, no Brasil. É uma satisfação enorme termos o governo do Rio Grande do Sul como parceiro nessa iniciativa”, afirmou Dirk Alhborn, fundador e presidente da HyperloopTT.

“Esse acordo é resultado do trabalho que temos realizado para posicionar o RS no mapa global da inovação”, disse o secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luís Lamb, destacando a relevância do projeto. “É uma oportunidade de avaliarmos, através da UFRGS e da empresa, uma das tecnologias de potencial impacto global no setor de transportes para as demandas da sociedade gaúcha, possibilitando benefícios em diversas áreas”, acrescentou.

O estudo inicial de viabilidade também avaliará aspectos operacionais e estruturais para criar um sistema de transporte hyperloop ao longo da rota entre Porto Alegre e a Serra. Avaliará localizações para grandes estruturas, possíveis restrições para o alinhamento do sistema e a integração do sistema de cápculas com a estrutura de transporte já existente, entre outros aspectos.

Saiba mais sobre o sistema

Fundada em 2013, a HyperloopTT é uma equipe global de mais de 800 engenheiros, criativos e técnicos em 52 equipes multidisciplinares, com 40 parceiros corporativos e universitários. Seu modelo de negócios pioneiro vem sendo estudado em universidades de ponta como Harvard.

O Centro Europeu de P&D da HyperloopTT no Aerospace Valley em Toulouse, França, é o local de testes do primeiro e único sistema completo de cápsula de passageiros do mundo. Em 2019, a HyperloopTT lançou o primeiro estudo abrangente de viabilidade analisando um sistema de hyperloop, que constatou que o sistema é econômica e tecnicamente viável e que gerará lucro sem exigir subsídios governamentais.

Com sedes em Los Angeles (EUA) e Toulouse (França), a HyperloopTT tem escritórios em Abu Dhabi e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos; Bratislava (Eslováquia); São Paulo e Barcelona (Espanha).

Até agora, a HyperloopTT já assinou acordos nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, França, Alemanha, Índia, China, Coreia do Sul, Indonésia, Eslováquia, República Tcheca e Ucrânia.

Portal do Governo do Estado



Categorias:Hyperloop Porto Alegre - Serra, Meios de Transporte / Trânsito

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28 respostas

  1. Sinto cheiro de “roda-gigante na orla”, “trem bala da Dilma” e por aí vai…

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  2. Isto me lembra da primeira vez que fui na Disney lá na florida,um das coisas mais interessantes era o epcot center,eu ia todas as noites ver o show de luzes. O epcot mostrava o que seria o mundo do futuro e senão me engano tinha uma especie de montanha russa que era num tubo. Claustrofobica para mim mas tem quem gostasse. Quando um governo não tem os pés no chão ele faz distração e trabalha com aquilo que até pode ser viavel mas não em um horizonte proximo. Faz tempo que não vou a serra,ia muito a Caxias do Sul e posso te dizer que sempre havia passagens e onibus disponiveis a um preço razoavel. Na minha opinião se isto se tornar realidade pode ser que atraia as pessoas mais como uma atração turistica. Fico pensando este tipo de proposta não é realidade efetiva em nenhuma parte do mundo e querem empurrar para aqui. Há muito tempo eu ouvio falar que estavam testando trens de grande velocidade que andavam sob uma especie de imãs e não tocavam o solo seria o futuro segundo eles,não sei se saiu.

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  3. Primeiro garante o arroz com feijão, depois vai delirar com a torradinha de caviar. Prioridades, a gente não te vê por aqui.

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  4. Teve alguém nos comentários anteriores que reclamou que o “Brasil” não “investe em ciência”. Esse dinheiro gasto pela universidade nisso é considerado “investimento em ciência”.

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  5. Por que sera que a empresa se uniu a ufrgs comunista que presta deserviços a comunidade, onde só se faz sarau e protesto e nao a pucrs, unisinos, espm e riter … ?

    Por que nossos points de ensino nao estão envolvidas em alta técnologia e empreendedorismo como tanto prometem e se propagandeiam?

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  6. tomara que nao tome o mesmo destino do aeromovel

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  7. o publico realizando estudo pro privado saber se vale a pena investir?
    quem acompanha o hyperloop sabe que se isso se tornar realidade no mundo, levará mais uns 60 anos pela frente e surgira em mega potências como China, Singapura, Dubai.
    Talvez nunca chegue aqui, assim como o trem nunca chegou e sequer o trem-bala. A nossa moeda desvalorizada, e o pouco fluxo de pessoas nesse trajeto nunca justificara um investimento desses.
    Por mais que a Serra seja destino turístico, é incomparável com o volume de turistas nos países asiáticos, tendo seus turistas europeus ou de países com moeda valorizada.

    Perda de tempo e recursos, nao é um sonho, mas uma realidade impossível visto os países a nossa frente visando o investidor.

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    • Caxias do Sul não é simplesmente um destino turistico, é um centro de negócios e indústria também, uma segunda região metropolitana do nosso estado, se há alguma linha de transporte rápido viável no RS, certamente é Porto Alegre Caxias do Sul.

      Quando à UFRGS estar fazendo o estudo de viabilidade, certamente não está saindo de graça, como aluno de engenharia mecânica da própria UFRGS, te garanto que a universidade tem suas maneiras de ser remunerada por esse tipo de consultoria.

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  8. Se o Brasil e nem o PoA tem demanda para trens e metrô, como dizem, imagine um sistema que demanda gerar vácuo em um longo tubo e manter pressão para pessoas respirar dentro da cápsula. Coisa bem simples, barata e viável…

    Faz o básico que é a quebra do monopólio do transporte de passageiros por ônibus.

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  9. Comentando como ultra leigo, a princípio pelo fato do estado se envolver no desenvolvimento e acessar tal tecnologia, parece super interessante e promissor. Já olhando a imagem da estrutura anexa, observando esse tubo aí, para fins do uso, é por demais claustrofóbico, nada agradável! E no quadro geral dá um tanto de receio de ser mais do mesmo no caso brasileiro, como aqueles estudos de linhas de trem-bala, sem fundamento algum, sem qualquer sombra de viabilidade e que portanto não se concretizaram. Temos uma dose de ceticismo!

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    • Olha… 12 minutos dentro dessa capsula nao deixaria ninguem em situação de claustrofobia! É muito pouco tempo fico até espantado, porem, acho que nao concretiza, a diferença da realidade de Abu Dhabi e Chicago (onde esciste também apenas estudos ainda) para a de Porto Alegre não me desce! mas, vamos aguardar

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  10. Na minha opinião é mais mídia do que realidade. Lobby. Brasil deveria continuar investindo em tecnologia própria. Existe exemplo do Maglev para ser estudado. Se o trajeto é Porto Alegre – Serra o Maglev pode subir rampas de 15% enquanto o hyperloop sobe rampas de 10%. Porque não?

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    • Por que depende do tipo de tecnologia, o Maglev Cobra (projeto brasileiro desenvolvido na UFRJ) é bastante flexível, consome menos energia que um Maglev tradicional, porém tem pegada mais urbana, com velocidades entre um VLT e um metrô (ele chega a velocidade máxima de 80km/h). Para percursos de maior distância, como uma ligação Poa-Caxias, Poa-Santa Maria ou Poa-Litoral, o mais apropriado seria um Maglev tradicional (pensando dentro da tecnologia de levitação magnética, pois existem outros modelos a ser avaliados).

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