Projeto das torres do Beira-Rio avança em meio a críticas por falta de debate e impacto ambiental

Impedido pela atual legislação, Câmara deve votar em breve nova lei que permitirá a obra do clube

O polêmico projeto da construção de duas torres ao lado do estádio Beira-Rio – uma delas o maior prédio do Rio Grande do Sul, com 130 metros de altura – tem avançado na Câmara de Vereadores da Capital. Nos últimos dias, o presidente da Casa, vereador Márcio Bins Ely (PDT), chegou a cogitar colocar o projeto em regime de urgência para ser votado, mas a ideia não foi adiante devido ao pedido do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), que quer mais tempo para negociar as contrapartidas com o Sport Club Internacional.

Projeto apresentado para a construção das torres ao lado do estádio Beira-Rio | Foto: Reprodução

No projeto, a previsão é o clube arcar com o alargamento da Avenida José de Alencar, a construção de um píer na área do Parque Gigante — localizada junto à Orla do Guaíba — e promover reformas no Asilo Padre Cacique e em uma unidade de saúde. Melo avalia que as contrapartidas são insuficientes.

A intenção do Inter em construir duas torres ao lado do Beira-Rio atualmente é impedida pelo Plano Diretor da Capital, que não permite o desenvolvimento de atividades residenciais e comerciais no local. Conforme a Lei nº 6.150, de julho de 1988, a área está destinada para a construção de um parque esportivo, que não poderá ser utilizado para outro fim, exceto para a implantação de equipamentos e comércio de apoio ao fortalecimento da área. O projeto do clube prevê ainda lojas e restaurantes. A região onde se localiza o estádio foi doada ao clube em 1956 pela Lei nº 1.651.

O projeto teve parecer favorável da Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (CAUGE), mas teve o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) rejeitado pelo descumprimento da legislação de doação. Em dezembro do ano passado, o projeto recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o que o autorizava a ser votado em plenário. Entretanto, com o fim da legislatura, a proposta foi arquivada, e agora desarquivada a pedido do prefeito.

“As torres serão construídas desde que haja a lei que permita”, explicou Felisberto Seabra, membro do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA), em entrevista para o recente especial Que Porto é esse?, do Sul21.

O conselho tem a prerrogativa de analisar o licenciamento dos empreendimentos que descumprem alguma regra estabelecida no Plano Diretor e, portanto, precisam de aprovação especial. Conselheiro titular da Região Geral de Planejamento 1, Seabra é o relator da análise do processo das torres do Beira-Rio no CMDUA. Em seu parecer, ele sugeriu a desaprovação das construções por considerar que o regramento urbanístico da área seria alterado para além das características da região.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui (Sul21)

Por Luciano Velleda

lucianovelleda@sul21.com.br

O Blog Porto Imagem se coloca totalmente a favor do empreendimento. Esta matéria é para divulgar informações e com elas estarmos aptos a discutir. Não reflete a posição do Blog.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Arranha Céus, Plano Diretor, Prédios

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33 respostas

  1. É um negócio típico de Porto Alegre. Prefeitura doa um terreno nobre para ser construído um mega empreendimento que irá gerar milhões de lucro. Em contrapartida o município recebe migalhas.

    É um total absurdo!

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  2. Projeto top! Sou a favor.

    Mas sobre a questão ambiental e impactos. Teve gente falando que “terá impacto mínimo”. Pessoas especializadas é quem podem afirmar isso e outra, imagino que impactos causados por essas intervenções/construções não são sentidas no curto prazo.

    Sendo assim, mesmo sendo a favor e torcer por um empreendimento desses sair do papel, apoio também os estudos ambientais e discussões sobre o tema.

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  3. Se foi doado, doado está e o novo dono faça o que a lei permitir. Com as contrapartidas exigidas POA só tem a ganhar. Até porque o local não não está sufocado de prédios e o impacto ambiental será desprezível em comparação a outros locais abarrotado de construções. Que logo iniciem-se as obras!

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    • Melhor comentário Augusto! Perfeito! A nova lei que permitirá o empreendimento será votada na Câmara. Se aprovada, aprovada estará. Nossos representantes foram eleitos pra isso. Eles tem nosso aval pra decidir. Pelo menos teoricamente.

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  4. Se for bem conversado todo mundo sai ganhando. Clube, prefeitura e população.

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  5. Gostaria de saber se o SCI fez a praça que tinha prometido quando recebeu a doação do terreno e se já devolveu os 25 milhões das estruturas temporárias referente a grandiosa copa 2014 e se vai prometer mais alguma coisa que sabemos não vai entregar como são bons esses políticos para os seus interesses particulares ou clubísticos.

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  6. Uma coisa é certa: tem que haver discussão antes de se permitir mega construções em determinados locais na nossa cidade.

    Se por um lado tem gente que faz um escândalo se removerem 10 metros quadrados de mato, por outro lado, se deixarem, a iniciativa privada vai transformar a cidade em um labirinto de muros, ruas sem vida e tijolos de concreto. E ainda tem quem vai chamar isto de progresso.

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    • Mega construções ? Um prédio de 130 metros ? Gente, o Ed. Santa Cruz tem 107 metros! Um pouco mais alto que o nosso mais alto atual. Em um lugar com sistema liberal não precisa toda essa discussão. Os vereadores são os nossos representantes, eleitos pra isso. Vai se criar uma nova “instância” pra se discutir? Daqui a pouco vão perguntar pro pároco da igreja o que ele acha. Pro dono do botequim da esquina, pro caranguejo que chega na margem do Guaíba e não vê o morro Santa Teresa. Pelo amor de deus! Que Porto Alegre volte a ter ares de primeiro mundo quanto a liberalidade, certa ousadia em construções e não um lugar extremamente travado que aqui no Blog sempre lutamos contra! Esses prédios tem tudo pra virar um ícone bem visível na orla, vão embelezar a cidade. Chega de hipocrisia! Se a Câmara permitir, permitido estará!

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      • Se dependesse da mentalidade assim, Goiânia não seria o que é. Mega construções… Acho que até vão fazer um episódio para isso no Discovery 😂

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        • Isso. Vai passar em New York na semana que vem. Mega construções – prédio de 130 metros de POA. O maior da cidade!

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        • Eita!😬 Eu tinha me esquecido de Goiânia, a capital referência em urbanismo no mundo.

          Goiânia é progresso demais perto de Porto Alegre. Aí o errado é tu, que tá pedindo demais.

          Não dá pra esquecer do lindo Centro com vários edifícios caixotões, letreiros do tamanho de uma pessoa, um em cima do outro, “ótica”, “10x sem juros”, “funerária”. Sem contar as lindas esculturas modernistas.

          Pô, Augusto. Goiânia é outro nível em matéria de “mentalidade” e “progresso”. É outro “níver”.😁

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      • Pelo jeito tu não entendeu.

        Eu não me referi especificamente a este projeto neste comentário.

        Os vereadores são nossos representantes, mas não são a única instância da sociedade civil, muito menos são os principais impactados pelos projetos que precisam de aprovação deles. Até por que, se depender só da Câmara – afinal eles “são os nossos representantes, eleitos pra isso” – o salário deles vai para 30 mil por mês.

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  7. Já vimos este cenário antes, no Pontal. Eram protestos contra a privatização da orla, contra o bloqueio do sol e dos ventos, enquanto um terreno na beira do rio agonizava e ninguém usufruía.

    Hoje, vemos quem estava certo e quem só queria atravancar o projeto por motivos ideológico-políticos.

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    • Você está equivocado!

      O projeto do Pontal foi completamente refeito justamente pela luta da população. E a gente sabe que muita gente ganhou $$$ das construtoras para fazer movimento de apoio ao Pontal.

      Ao menos o Melo não topou essas medidas compensatórias que são no fundo uma piada.
      O mínimo que o inter deveria fazer era desocupar a área invadida da orla e devolver ela toda reformada para a população.

      Espero que não façam como a Arena, onde não tiveram preocupação nenhuma com a questão viária, quando tem jogo é três horas para conseguir sair do bairro.

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    • Calma lá. Tu tá dando um exemplo que é justamente o contrário do que está tentando dizer.

      É claro que não concordo com a demora e com quem não quer permitir nada, mas o projeto do Pontal foi completamente alterado por discussões com diversos grupos da sociedade civil.

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  8. Quem dá negativo no post e comentários é gremista!

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  9. Projeto bonito, prédio icônico (por se tornar o mais elevado do RS), que trará desenvolvimento econômico e turístico à cidade de Porto Alegre, valorizando a orla, elevando a autoestima dos portoalegrenses e dos gaúchos!!

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    • Quem precisa da construção de prédios (ou de qualquer coisa) para ter sua autoestima elevada precisa procurar um psiquiatra em primeiro lugar.

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      • Então vão para o fim da fila, porque aqueles que procuram desculpa e pretexto para ser contra a cidade se desenvolver, inovar e ousar (talvez por algum recalque politico enrustido) são prioridade na poltrona do psiquiatra.

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        • Eu sou a favor do Pontal, Orla, Cais, tudo isso, porém esse caso aí é diferente. Trata-se de uma área pública que foi doada mediante algumas restrições, entre elas a construção de um parque (pelo que entendi), então esse migué pra cima de mim não.

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      • Os psiquiatras dizem que essa obsessão pelo “maior prédio” vem de traumas da infância dos meninos que disputavam quem “tem o maior bíceps” . Sabe, “meu bíceps é maior do que o seu”, isso vira essas disputadas bobas para ter o maior prédio.

        País desenvolvido está nem aí pra verticalização, usa quando é necessário, não como um símbolo de poder. Essa disputa é coisa de país emergente, novo rico. Tipo Dubai, Singapura .

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      • Falou o cara que conhece o mundo e admira as cidades com prédios altos. Mas a sua cidade não pode ter….

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        • Não tem a ver com altura. Por mim faziam um de 300m ali no Pontal sem problema nenhum. A questão aí é que o terreno era da prefeitura e foi feita uma doação com condições estipuladas na lei. Mas dos prédios em si sou a favor sim. Só que, como dito, é uma área doada com condições. Que tal o atual dono da área entrar em acordo com a prefeitura e pagar compensação?

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        • Acho que há consenso que o prédio pode sair. Mas que as medidas compensatórias devem estar de acordo como projeto. Você faz o maior prédio do estado e quer usar como medida compensatória uma doação de papel higiênico e sabonete para o asilo? Não pode!

          Quer fazer o maior prédio do RS? Faz! Mas entregue para a sociedade medidas compensatórias de acordo com o impacto que você esta causando.

          Tem que ser negociação de igual para igual, ser bom para todo mundo.

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  10. Projeto lindo, tem que começar logo!!!!

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