Artigo: Chega de jerivás! O problema do ajardinamento em Porto Alegre

Por Henrique Mertins

Infelizmente o “ajardinamento” ” e “plantio de árvores” do poder público de Porto Alegre desde os anos 80 se resume única e exclusivamente no plantio massivo de jerivás. Jerivá nas vias, jerivás nos parques, jerivás na Farrapos, jerivás na Voluntários, jerivá entre corredores de ônibus, jerivás nas praças, jerivá nas calçadas mesmo quando elas demandam sombra, jerivá na frente da rodoviária, jerivás, jerivás jerivás, só existe jerivá.

Jerivás na Av. Farrapos. Plantadas pela prefeitura. Foto: Gilberto Simon. Arquivo Porto Imagem.
Jerivás em empreendimento privado (Trend City).
Jerivás no trecho 3 da orla. Foto: César Lopes/PMPA
Jerivás na Terceira Perimetral. Foto: Gilberto Simon. Arquivo Porto Imagem.

A arborização que existia na cidade até a canonização sacro-santa do jerivá é mantida (por hora, por que, eventualmente, corre o risco de ser substituída por jerivá se essa mentalidade não mudar), já qualquer nova arborização por parte do poder público é só jerivá. SÓ. The only one, the queen of the queens, a palmeira que se tornou o núcleo inconteste e irrefutável do plantio de árvore, o universo da arborização pública urbana reduzido a uma única palmeira.

O projeto original da Terceira Perimetral previa utilizar as Palmeiras-da-California, as da Oswaldo Aranha, ao invés de jerivás. Imagina como teria ficado com as imponentes palmeiras que crescem além da altura dos próprios prédios tracejando os mais de 8km da via, junto aos ipês e outras árvores que compõe o curso. Enfim, não saberemos por que, ao invés disso, foi plantado: jerivá.

Se continuar desse jeito a cidade não mais terá outra Oswaldo Aranha com suas imponentes palmeiras (fotos acima) ou José de Alencar ou Gonçalo de Carvalho. Qualquer avenida, rua, via, calçada que o poder público vai lá “arborizar” está ficando pior do que o status quo, só por que são “nativos” (nativos da mata e não do ambiente urbano, ninguém em sã consciência plantava árvores sem o intuito de deixar o ambiente urbano mais agradável e aprazível só por que são nativas – nem na natureza elas se encontram assim aos montes, mas crescem esparsas entre a mata frondosa – e se é pra ser nativista, os belíssimos ipês e araucárias mandaram um oi, sem falar da cultura gauchesca tendo as grandes figueiras centenárias como sinônimo de tradição e aconchego e mesmo essas pararam de ser plantadas, além da cultura histórica local do plantio de jacarandás e outras espécimes de beleza).



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Artigos, Paisagismo

Tags:, ,

18 respostas

  1. Porto Alegre como sempre demonstrando a sua decadência, que no final significa também a decadência do próprio Rio Grande do Sul.

    Foi-se o tempo da civilidade: dos plátanos, dos álamos alinhados e das araucárias. Porto Alegre agora parece querer adotar um espírito tropical, “miamesco”, rejeitando a possibilidade de se diferenciar como a cidade mais austral do país.

    Esteticamente falando, abandonar as árvores temperadas que se plantavam nos anos 40 em detrimento das palmeiras de feitio tropical só demonstra que nos deixamos seduzir pelos ares tropicais e bregas brasileiros. A arborização certamente é só mais um sinal, porque Porto Alegre e arredores são provavelmente o maior esgoto da região Sul. O Rio Grande do Sul só não está no fundo do poço por causa do conjunto serra-vales-planalto médio, lugares onde ainda se tenta preservar um espírito contrário ao brasileiro.

    Não por acaso os infelizes porto-alegrenses vão à serra todos os fins de semana fazer de conta que estão na Europa. Escapismo. Em Gramado, Canela, Nova Petrópolis, (quase) não há jerivás, lá o que vemos são plátanos.

    Devemos ser o estado mais decadente do país. Os bravios guerreiros pampianos, os colonos que construíram um lugar relativamente próspero no meio do mato, uma das luzes brasileiras (depois de São Paulo), legaram netos e bisnetos mimados e acomodados, porto-alegrenses que sonham viver com a estabilidade do funcionalismo público. Essa realidade material acabou se traduzindo numa realidade mental. Boa parcela da classe ilustrada de Porto Alegre se orgulha dos tempos em que a cidade era um dos centros da esquerda latino-americana. Em 2007 talvez fosse aceitável, mas hoje, em pleno 2021, quando vemos que os que mais rejeitaram esse ideário foram os que mais prosperaram na América Latina, é patético.

    Fujam, fujam se puderem. Fujam para fora do Brasil, e se não der pelo menos para Santa Catarina. Eu já fugi.

    Curtir

  2. Acho bonito Jerivas!!!

    Curtir

  3. BONUS:
    Jerivás plantados para decorar a BR 116 em frente a expointer.
    Com um detalhe especial: plantados a baixo de fiação eletrica e postes de alta tenção.
    https://www.google.com/maps/@-29.8539624,-51.1799245,3a,75y,40h,90t/data=!3m7!1e1!3m5!1s988udx-5KWqJssKytHAwCw!2e0!5s20190801T000000!7i16384!8i8192

    Curtir

Faça seu comentário aqui:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: