Prefeitura estuda linha de VLT entre Rodoviária e Gasômetro

Secretário Cezar Schirmer não dá prazo para VLT, mas diz que ideia é iniciar operação até o fim da atual gestão

VLT do Rio de Janeiro é a inspiração da Prefeitura de Porto Alegre | Foto: Divulgação

A Prefeitura de Porto Alegre está realizando estudos técnicos e de viabilidade econômica sobre a possibilidade de implementação de uma linha de VLT (Veículo leve sobre trilhos) no Centro Histórico. Ainda sem qualquer previsão de prazo, a ideia vem sendo trabalhada pelo secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos de Porto Alegre, Cezar Schirmer, que se diz um entusiasta do VLT, e pelo secretário municipal de Mobilidade, Luiz Fernando Záchia. Se considerado viável, o novo modal promoveria a reorganização das linhas de ônibus no Centro, com a passagem integrada para os usuários.

Em conversa com o Sul21, Schirmer pontua que, antes da pandemia, passavam pelo Centro 33 mil viagens de ônibus diárias. São 19 terminais de ônibus, entre linhas municipais e intermunicipais, 220 paradas, 52 pontos de táxi. “O Centro é um espaço conflagrado do ponto de vista da mobilidade urbana. Se tu pegar a Salgado Filho, é uma rodoviária a céu aberto”.

O secretário destaca que a construção da nova Ponte Guaíba transformou o viaduto sobre a Rua Dona Teodora em local de passagem de todo o tráfego de veículos da BR-116, da RS-290 e da Estrada da Produção que não se dirige ao Centro ou a Zona Sul de Porto Alegre. Neste sentido, avalia que o ideal seria levar a Rodoviária de Porto Alegre para a região. Como a ideia depende do governo do Estado, outra ideia seria aproveitar a capacidade ociosa da Rodoviária para aliviar o trânsito de ônibus do Centro.

“O Estado licitou a Rodoviária onde ela está e deu deserta (a licitação). Aí nós começamos a conversar com o Estado a possibilidade de colocar na Rodoviária alguns terminais da região metropolitana e mesmo linhas urbanas de Porto Alegre”, diz.

Neste cenário, o acesso ao Centro, a partir da Rodoviária, poderia ocorrer por uma linha de VLT. A discussão de momento na Prefeitura que uma primeira linha de VLT poderia ser estabelecida entre a Rodoviária e a Praça XV, antiga estação de bondes da Capital, percorrendo um trecho de 1,3 km. Uma segunda fase imaginada levaria as pessoas do local até a Usina do Gasômetro, um trecho de 1,5 km, o que totalizaria 2,8 km de linhas de VLT.

Schirmer imagina que, além de uma solução de mobilidade urbana, a implementação do VLT poderia servir para requalificar o espaço urbano do Centro. “Em qualquer lugar do mundo onde foi colocado o VLT, houve imediatamente uma revitalização por onde ele passa e também do entorno”, diz.

Pela ideia atual, o trajeto da primeira fase ligaria a Rodoviária ao Largo Glênio Peres pela Av. Voluntários da Pátria. “Se tu for caminhando pela Voluntários, é camelô, é ambulante, é sujeira, calçada estragada. Agora, se tu levantar a cabeça e olhar para os lado, tem prédios maravilhosos ali, lindos. É uma região belíssima, mas totalmente degradada. Então, tu imagina fazer um VLT ali, tenho certeza que, no outro dia, vão começar a melhorar aqueles prédios, vai começar a ter outro tipo de frequência, outro tipo de ambiente, vai ter outra estética urbana. Então, é um movimento de valorização, requalificação e revitalização do Centro Histórico”, afirma.

Schirmer pontua que ele e o secretário municipal de Mobilidade, Luiz Fernando Záchia, já visitaram Caxias do Sul e Rio de Janeiro para conhecer as experiências locais de VLT. Ele frisa que o tema vem sendo debatido internamente desde o início da gestão de Sebastião Melo, mas que, após a visita recente ao Rio de Janeiro, o prefeito orientou a realização de um estudo técnico e de viabilidade econômica para a implementação do modal. “Há uma decisão política de avançar nessa direção”, diz.

O secretário afirma que, no momento, não há prazo para a conclusão dos estudos, tampouco seria possível estimar um prognóstico de quando a primeira linha de VLT poderia começar a operar na cidade. Contudo, ele acredita que, uma vez considerado viável, poderia ser implantado até o final deste mandato. “Uma primeira linha de 1,2 mil metros, obviamente que demanda estudos técnicos, mas se houver possibilidade concreta e a decisão nessa direção, até o fim do governo Melo isso vai ser implantado”, diz.

SUL 21



Categorias:VLT

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12 respostas

  1. VLT deveria ser encarado como transporte de massas. E a verdade é que aquela região já é super provida de meios de circulação.

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  2. Primeiro achei bem frustrante uma linha tão curta como essa, mas, com as últimas experiências que tivemos (Metro e BRT), começo a achar que o melhor é começar com uma linha curta mesmo, e ir expandindo de acordo com a demanda.

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  3. q uso de recursos desnecessario, para um trajeto que é feito em 20minutos de bicicleta.. deveriam investir em novas ciclovias e transformar o centro em amsterdam, aproveitando todo fluxo de bicicletas da orla e convidando o ciclista a adentrar o centro

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    • Meu caro, VLT é meio de TRANSPORTE COLETIVO, que pode transportar pessoas e várias, inclusive aquelas com déficit de mobilidade física, passageiros protegidos seja no inverno ou nos dias chuvosos, idosos e criancinhas, até pets e as bikes ok, como vemos muito p.ex. numa Alemanha. BIKES óbvio são bem-vindas, mas… são meio de TRANSPORTE INDIVIDUAL, fato, e observemos tal diferença a começar que apenas quem tem condições físicas pode utilizar. Aqui aonde moro por exemplo, notei, fiz questão de observar a diferença entre o inverno e o verão em relação ao fluxo de ciclistas. Impressionante! Nos dias quentes um monte de pedalantes por todos os lados, já nos vários dias frios que rolaram nesse inverno não se via uma fração dos ciclistas que normalmente pedalavam e já nos dias chuvosos então… só vi uns pouquíssimos gatos pingados no pedal. O clima realmente impacta deveras na prática e limita o uso das bikes! Podemos também pensar nos dias de verão todo aquele calorão, o que é o suador de alguém que esta a pedalar e que teria de ir para o trampo!? Por N motivos não dá para desmerecer o transporte coletivo, e ainda mais um novo modal que tende a ser o embrião para que depois possa ser estendido para outros pontos da cidade, e tomara que sim se forme uma rede como vemos nas cidades mais modernas do mundo, e POA merece! Acreditamos e muito que a cidade necessita de mais ciclovias sim, que os ciclistas têm o direito de poder se locomover por mais kms em segurança, mas também que a bike não pode se sobrepujar ao meios de transporte coletivo que englobam e atendem a um leque bem maior de usuários suprindo as necessidades dessas pessoas. Para fins de cumprimento da função, especificamente claro a função transporte, os meios coletivos são absolutamente fundamentais!

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    • Sim, toda a população de Porto Alegre tem condições de andar de bicicleta.

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    • Pra ficar parecido com Amsterdam só falta uma rede enorme de bondes + meia dúzia de linhas de metro.

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  4. Uma linha de nem 2 quilômetros? Que pensamento pequeno tá loco.

    Eu quero VLT em todos os corredores de ônibus.
    Eu quero metrô na Assis Brasil/Farrapos.

    Chega de pensar pequeno.

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    • Pensei a mesma coisa. Já passou da hora de trocar os ônibus por meios mais modernos. Já que o metrô ficou para as calendas, que se implante então VLTs nesses corredores, principalmente desde o Terminal Triângulo da Assis Brasil até o centro, passando pela Farrapos. Seria Fantástico.

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  5. Sou leigo no assunto, mas imagino que o aeromóvel fazendo o percurso da Primeira Perimetral e retirando-se os ônibus da região central seria bastante interessante. Via elevada escapa dos trânsito caótico das ruas.

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    • Não faz muito sentido; uma linha na primeira perimetral pra fazer um trajeto “envolvendo o centro” tornaria a viagem mais longa e exigiria uma troca de modal quando o passageiro já está super perto do seu destino.

      O aeromóvel tem sim possibilidades (como por exemplo a Ipiranga), mas as avenidas que já estão dotadas de corredor de ônibus hoje têm automaticamente espaço suficiente – e demanda – pra um VLT.

      Um rascunho de uma rede razoável – e plenamente atingível – seria algo assim

      https://imgur.com/j95NmaY – (linha azul-escuro: metrô, linha vermelha: aeromóvel, demais: VLT)

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    • Uma linha circular no centro, ao longo da primeira perimetral, de fato seria bem interessante, independente se fosse Aeromóvel ou VLT, mas como uma linha auxiliar para outras linhas secantes vindas da Osvaldo Aranha, Farrapos, Salgado Filho e Borges de Medeiros, por exemplo.

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  6. É engraçado ver nas noticias relacionadas de que o primeiro VLT gaúcho ligaria Caxias a Bento.
    Agora o VLT promete ligar a Praça XV até a rodoviária huahuahua

    Mas é isso né, se pelo menos esse for o pontapé inicial para algo maior no futuro, que seja bem vindo, só espero que não seja mais um aeromovel da vida.

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