Estado apresenta projeto de revitalização do Cais Mauá

“Esse porto já movimentou muito as riquezas do nosso Estado e, agora, terá uma nova movimentação”, disse Leite – Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

A capital dos gaúchos está mais perto do reencontro com um dos seus mais famosos cartões-postais. O governo do Estado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Consórcio Revitaliza apresentaram, nesta quinta-feira (25/11), no Palácio Piratini, o projeto de revitalização do Cais Mauá, em Porto Alegre. A partir de estudos técnicos e de workshops de diálogo realizados com a sociedade, o projeto busca a reintegração do Guaíba e do cais com a cidade, especialmente com o Centro Histórico.

O terreno do cais é de propriedade do Estado, com área de 181,3 mil metros quadrados às margens do Guaíba, e se divide entre os armazéns, as docas e o espaço do Gasômetro. Em fevereiro deste ano, o governo do RS e o BNDES assinaram o contrato para a estruturação da modelagem de desestatização do local.

O projeto apresentado prevê a alienação da área das docas e a utilização dos recursos para a revitalização de outras áreas, que serão operadas pela iniciativa privada em regime de concessão. Na área dos armazéns e do Gasômetro, há a indicação de espaços voltados para contemplação, entretenimento, cultura, conhecimento histórico e do patrimônio, inovação, gastronomia, comércio, tecnologia e eventos. Na área das docas, é sugerida a implantação de empreendimentos imobiliários residenciais, corporativos e hoteleiros.

Panorama geral do centro histórico após término da implantação do projeto

Os investimentos previstos em urbanização, revitalização e desenvolvimento imobiliário da área do cais são de R$ 1,3 bilhão em 15 anos. Cerca de R$ 300 milhões serão investidos já nos primeiros cinco anos, período no qual se espera a completa revitalização da área dos armazéns e do Gasômetro, além do início de desenvolvimento da área das docas.

A proposta de urbanização prevê o uso e ocupação contínua do cais durante os sete dias da semana. O projeto prevê ainda substituição parcial do muro da Mauá por outro sistema mais moderno de proteção contra as cheias, com barreiras removíveis, além da elevação do piso em 1,5 metro. O novo sistema, além de proteger a cidade contra possíveis inundações, também vai proteger o próprio cais e o patrimônio histórico do local.

Sem o muro na avenida Mauá, área ficará integrada ao Centro Histórico da capital – Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

O governador Eduardo Leite lembrou da rescisão de contrato por parte do governo do Estado, em 2019, com a antiga concessionária responsável pelo cais. À época, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) apontou irregularidades e descumprimento de obrigações contratuais. “Foi uma decisão arrojada na época, criticada, inclusive. Mas se tratava de uma operação de concessão que não se sustentava e não apresentava resultado. E sem esse rompimento, hoje não estaríamos aqui”, afirmou.

O governador também destacou a importância da efetiva ocupação do espaço e da movimentação econômica e cultural que o novo cais irá promover. “Nos orgulhamos muito do nosso passado, mas é para o futuro que nós vamos. Por isso é tão importante ressignificar o que já foi feito e construir uma nova história. Esse porto já movimentou muito as riquezas do nosso Estado e, agora, terá uma nova movimentação, com gastronomia, lazer, tecnologia e inovação, sendo uma alavanca para a nova economia. Será um símbolo para todo o Estado, um espaço de encontros que não pode mais estar escondido atrás de um muro”, disse Leite.

Com a realização do projeto, se estima a geração de 45 mil empregos diretos na fase de obras e 4 mil empregos diretos em caráter permanente. Os estudos apontam a circulação de aproximadamente 15 mil visitantes por dia na área reurbanizada.

A modelagem da desestatização do Cais Mauá é realizada pelo BNDES desde maio de 2021, com auxílio de consultores especializados que integram o Consórcio Revitaliza. Durante a fase inicial do trabalho, foram realizados workshops com os diferentes grupos de interesse, levantamentos de campo e estudos ambientais, mercadológicos e técnico-jurídicos.

Os sete workshops realizados buscaram compreender as demandas, perspectivas e necessidades dos grupos que se relacionam com o Cais Mauá. Foram ouvidos o poder público, representantes da classe empresarial, representantes da sociedade, entidades acadêmicas, setoriais e diversos cidadãos.

A partir da etapa de levantamento e diagnóstico, foi elaborado o masterplan de usos e ocupação da área com as seguintes premissas:

• A criação de um novo espaço urbano de acesso público, propício ao fomento do turismo, do empreendedorismo, da tecnologia e da inovação
• O fomento à economia criativa buscando a retenção de jovens talentos em Porto Alegre
• A promoção do desenvolvimento sustentável, com a revitalização do patrimônio histórico-cultural do Centro da cidade e o resgate da relação com o Guaíba.

O secretário extraordinário de Parcerias, Leonardo Busatto, exaltou a parceria com o BNDES e o Consórcio Revitaliza na elaboração do projeto. “As pessoas estiveram afastadas desse símbolo da cidade de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul por muito tempo porque há uma barreira física, que é o muro, e por ser um local deteriorado e não atrativo. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas já conseguimos enxergar o futuro nessa proposta estruturada e bem construída por meio de uma parceria muito qualificada”.

A modelagem de negócio, a jurídica e o masterplan ainda serão apresentados para potenciais investidores e passarão por audiências públicas. O processo licitatório será realizado pelo Estado, com a publicação do edital prevista para maio de 2022.

O projeto foi apresentado pelo chefe de Departamento de Estruturação de Projetos Imobiliários do BNDES, Osmar de Lima. “O Cais Mauá é um tesouro, uma joia esquecida no coração de Porto Alegre. Estamos muito felizes de apresentar esse projeto, que é um marco, construído com muitas frentes para que se chegasse em um resultado satisfatório”, disse.

Estiveram presentes no evento de apresentação os secretários Juvir Costella (Logística e Transportes), Claudio Gastal (Planejamento, Governança e Gestão) e Beatriz Araujo (Cultura). Pelo BNDES, além de Lima, esteve presente o diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Imobiliário, Bruno Laskowsky. O arquiteto Renato Dalpian representou o Consórcio Revitaliza e, por fim, os secretários municipais de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre, Germano Bremm, e de Planejamento e Assuntos Estratégicos, Cezar Schirmer, representando a prefeitura de Porto Alegre.

• Clique aqui e confira a apresentação do projeto (pdf com 62 imagens)

Imagens selecionadas pelo Blog para a nossa galeria (clique em uma e navegue com as setas)

Portal do Governo do Estado do RS



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, ORLA, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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43 respostas

  1. As pessoas que não queriam a revitalização da orla provavelmente são as mesma que não querem a do Porto de poa, mas garanto que vivem lá tirando fotos e colocando em suas redes sociais, quero minha capital linda, moderna e pulsante, e não nostálgica, chata e cinza,

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  2. Nossa que prédios maravilhosos e lindos, e imaginar que hoje essa área está abandonada e feia.
    Esse projeto vai repaginar uma área antiga e abandonada e impulsionar Porto Alegre rumo a uma cidade mais moderna e linda.
    Parabéns aos envolvidos.

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  3. Só acredito vendo!

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  4. …que tal chamar o pessoal de Camboriú pra projetar uns arranha-céus ?
    ou então chamar a turma de B. Aires lá do Puerto Madero pra fazer um projeto ousado e moderno !
    P. Alegre a cidade dos caixotes.
    Arranha-céu já em P. Alegre.

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    • Camboriú não, por favor. Aquilo lá é muito brega.
      Arranha-céu, sim ,mas tem que ser feito.

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    • Coisa horrível Camboriú. Sou contra arranha céus em Poa, mas se forem fazer, façam algo bonito por favor. Achei a arborização muito ralinha. As árvores são essenciais para preservar a identidade da cidade, estão sendo deixadas de lado.

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  5. O trensurb é um problema a ser enfrentado em breve. Há previsão da privatização ano que vem. Deveria exigir o rebaixamento da linha entre a rodoviária e o mercado (e no centro de Canoas tb). Dessa forma se eliminaria a barreira entre setor docas s cidades. Acho que os ônibus deveria ser proibidos de circular no centro histórico e atual rodoviária poderia virar um terminar central nas linhas de ônibus. A circulação pelo centro apenas em VLT e lotações.

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    • Sobre rebaixar o trensurb: nem nos mais selvagens sonhos isso vai acontecer, especialmente se ele for privatizado. De fato, se o governo impuser isso como condição de privatização, aí sim que nenhum investidor vai querer. Mas no fim não importa: não é necessário enterrar o Trensurb, quando podemos erguer uma esplanada sobre o mesmo e criar uma grande praça de pedestres em todo o setor das docas. Muito mais barato e mais fácil de implementar, e ainda pode servir como motor pra revitalizar aqueles decrépitos prédios da Mauá.

      Sobre os ônibus no Centro: não faz sentido proibir ônibus no centro histórico. Os destinos que as pessoas querem ir estão lá. Forçá-las a baldear na rodoviária pioraria muito a experiência e afastaria passageiros. O que é necessário – atingível – no momento é racionalizar as linhas e ter apenas uma linha por eixo chegando no Centro, num modelo de BRT, onde as integrações seriam feitas mais longe do Centro. Isso é barato e simples de implementar, não requer muito investimento capital, e pode ser feito em dois ou três anos. Já temos os alinhamentos pros corredores e vários espaços aptos para virarem terminais. Basta haver vontade política. Sistemas de VLT e metrô seriam bem melhores, é óbvio, mas deveriam ser um segundo passo, que pode ser executado num prazo mais longo.

      Sobre lotações: eu pessoalmente acho que eles nem deveriam mais existir, não consigo nem lembrar a última vez que um lotação me foi útil. Por mais que elas sejam confortáveis e tudo mais, não é um sistema que traga muitos ganhos de escala, e por esse exato motivo não é algo que você veja muito em outras cidades mundo afora.

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      • Esplanada para quê se vai ter espaço de sobra para contemplar o Guaíba, inclusive a partir dos prédios.

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        • Pra conectar os prédios com o tecido urbano do Centro de maneira qualificada! Esse é o meu ponto! Se não ligarmos os novos prédios ao centro, vamos ter uma bolha com um monte de prédios completamente desconectada do entorno urbanístico, e qualquer pessoa que os queira acessar vindo do centro vai precisar de um carro ou de uma pernada enorme até não sei onde.

          Um bom exemplo desse tipo de coisa é o Passeig de Colom em Barcelona. Nessa foto, temos uma avenida margeada por uma calçada, de frente a uma marina. Embaixo dessa calçada, temos uma avenida expressa, a Ronda Litoral. Funciona muito bem, e é super fácil de passar de um lado pro outro.

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          • Com esplanada, como ficaria a proteção dos armazéns?

            Um dos pontos deste projeto apresentado é a proteção dos armazéns.

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            • Tem duas coisas que não ficaram muito claras na minha proposta:

              Primeiro, o muro continuaria existindo, mas ele estaria embaixo dessa esplanada. A esplanada NÃO estaria apoiada nesse muro, justamente porque em termos de engenharia ele não é feito para suportar nada em cima dele. A esplanada “flutuaria” sobre ele, e teria seus pilares em outros lugares.

              Segundo: a minha proposta da esplanada é só para o setor docas, isto é, o trecho entre a Estação Mercado e a rodoviária. Para o setor dos armazéns, acho que é um pouco mais fácil dar acesso de boa qualidade para os pedestres, basta reduzir o número de faixas da avenida (acho que três é o ideal) e colocar várias sinaleiras de pedestre.

              Pra mim, o principal motivador de uma esplanada é servir como um incentivo para construção de prédios melhores, que teriam acesso direto a ela (no segundo ou terceiro andar). Isso é especialmente necessário na Mauá naquele trecho entre o mercado e a rodoviária, que hoje é tomado de prédios de baixíssima qualidade – em sua maioria, garagens – quando tem na verdade um potencial imobiliário enorme.

              Um outro exemplo de cidade que fez algo nesse estilo é Chicago: na região central, o “chão” foi elevado ao longo do tempo, e o que seria a cota zero hoje são avenidas cobertas, com acesso direto às garagens dos prédios, e por cima dela (+- 7 metros) estão ruas mais calmas e vivas, com acesso direto à portaria dos prédios.

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      • Os caras estão privatizando monopólio. Se não forem exigir algo muito bom em troca não tem porque privatizar.

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  6. Não vejo nenhuma dificuldade, é só fazer. Diminuir limite de velocidade, aumentar o número de travessias, diminuir o número de faixas (alguns trechos hoje têm SEIS faixas).

    Se você emagrece a rua, os motoristas acham outras opções.

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  7. Bom, todos aqui já sabem minha opinião: tirar o muro como proposto é inviável e irresponsável. Barreiras removíveis ou móveis introduzem um problema considerável de manutenção e operação. Isso por si só já mata o projeto no berço.

    Mas, abstraindo esse “pequeno” detalhe, o projeto não é de todo ruim. Gostei de algumas partes, não gostei de outras.

    Pontos positivos:

    preservação do caráter dos armazéns e boa integração destes com o Centro
    ocupação por prédios modernos no setor docas com altura adequada
    setor gasômetro também está bom em termos de ocupação.

    Pontos negativos:

    falta integrar com o centro no setor docas: o acesso às torres parece estar restrito a uma rua de estacionamento. Boa sorte chegando à pé. Um projeto com verdadeira integração deveria contar com – no mínimo dos mínimos – passarelas que transponham a barreira urbanística formada pela Av.Mauá/Trensurb/Muro, embora eu ache que uma solução baseada em uma esplanada peatonal seja mais elegante (já propus isso antes, não é nada de outro mundo)
    expandindo o ponto anterior: falta um pouco de diálogo com o restante do tecido urbano nesse setor. Pouco se alcança colocando torres maravilhosas se elas vão estar logo em frente àquelas decrépitas torres de garagem da Mauá. Uma operação urbanística cabe para a parte intra-muro, mas por um feudo jurisdicional, não é nem citado no projeto.
    a integração do setor do gasômetro também é meio fraca, pois está varada por uma avenida de alta velocidade, e todos nós sabemos o que acontece em Porto Alegre nesses casos: o pedestre é punido com uma travessia com botãozinho de súplica. Eu gostaria muito de ver a praça Brig. Sampaio se “estender” e conectar direto; isso poderia ser feito rebaixando a avenida em um túnel, ou “elevando” a praça para uma esplanada sobre a avenida
    questão de estacionamento: no setor gasômetro, o desenho mostra um “bolsão de estacionamento”. Uso tenebroso do espaço. No setor docas não parece haver estacionamento além da rua de acesso, mas A GENTE SABE que vão colocar uns três andares de garagem nos prédios e vai ficar horrível. Ou vocês realmente acham que os milionários vão comprar apê ali se não tiver quatro vagas de estacionamento?
    se está perdendo a oportunidade de acabar com o “pinched loop” do trensurb. Se vamos derrubar o muro, que se aproveite para transformar esta estação em um terminus como feito em Paris. Isso melhoraria bastante a integração no setor armazéns.

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