Matéria especial do SUL21 sobre o projeto do Cais Mauá

Projeto apresentado pelo governo do Estado traz previsão de construção de nove torres na área das docas do Cais Mauá | Foto: Reprodução

No último dia 18, o governo do Estado publicou o edital de concessão do Cais Mauá, em Porto Alegre, trazendo algumas diferenças em relação ao que constava no projeto original, apresentado em novembro passado. As mudanças incluem a previsão de que o pórtico de entrada e os armazéns A e B do Cais, que são tombados, serão destinados exclusivamente para atividades culturais e não terão gestão privada. Outra mudança é a elevação do valor a ser pago pelo consórcio vencedor do edital para a exploração da área das docas, onde está prevista a construção de nove torres residenciais e comerciais, de R$ 94 milhões para R$ 145 milhões. O leilão deve ocorrer em 26 de setembro.

Apresentado oficialmente em novembro passado, o projeto de revitalização dos armazéns foi elaborado em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o consórcio de escritórios de arquitetos Revitaliza. Secretário extraordinário de Parcerias do Estado do Rio Grande do Sul, Marcelo Spilki explica que as mudanças ocorreram após uma série de consultas públicas, duas audiências públicas, nove workshops e reuniões bilaterais fechadas com representantes setoriais. “Justamente para ouvir a sociedade como um todo, coletar essas contribuições e incorporar isso ao nosso edital. E o edital reflete isso”, diz.

Spilki destaca como a principal mudança justamente a garantia de que o pórtico e os armazéns A e B permanecerão sob gestão pública e com a garantia de destinação para atividades culturais. “A princípio se falou em um pavilhão, mas no fim nós achamos melhor colocar dois pavilhões. Esse pavilhões estão unicamente destinados para atividades culturais durante o ano inteiro. Ou seja, a Secretaria da Cultura aqui do Estado, que é o poder concedente, vai em conjunto com os interessados, com quem atua nessa área, fazer uma gestão para que tenha todo tipo de representação cultural ali, principalmente cultura local, que é uma questão importante”, diz.

Spilki destaca que, como o edital garante a gestão pública dos pavilhões, a área não está incluída nas projeções de equilíbrio econômico-financeiro da revitalização, uma vez que não terão o objetivo de auferir lucro. Sobre como será feita a gestão, ele diz que isso ainda será definido. “Provavelmente, a operação vai começar no ano que vem, mas não sabemos quem será o governador, muito menos secretário da Cultura. Mas, obviamente, vai ser uma gestão que vai ser feita pela Secretaria de Cultura em conjunto com os demais interessados”, diz.

Outra mudança do projeto inicial para o edital é a disponibilização de dois pavilhões, entre os nove que terão gestão privada, para que o poder público possa realizar eventos em ao menos 90 dias do ano, podendo ser ampliados em acordo entre o poder público e o consórcio. A previsão é que o espaço seja usado para eventos diversos, como a Bienal do Mercosul, a Feira do Livro e o South Summit Brasil.

“Isso é condição básica, o concessionário é obrigado a deixar disponível para isso, então entendemos também que é mais um avanço que veio dessas entidades representativas da sociedade, que foram alterações que vieram da consulta”, diz o secretário.

Avanço?

Um dos principais grupos que participou das discussões sobre o projeto é formado por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e representantes do Coletivo Cais Cultural Já, que apresentaram, também em novembro passado, um projeto alternativo à privatização da região.

Eber Pires Marzulo, professor do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura, avalia que a garantia de que o pórtico e os armazéns A e B permanecerão sob gestão pública é um grande avanço em relação à proposta original.

“Tem sido muito comum nessas práticas de privatização, utilizando inclusive o recurso da PPP, a perda do espaço público, o P de público. No Masterplan do consórcio Revitaliza, o único cara que falava em público era o arquiteto [Renato] Dal Pian, que é arquiteto de um escritório importante no País. Era o único membro do consórcio que tinha uma preocupação em manter o chão público, ou seja, que a privatização não produzisse áreas fechadas do tipo condomínio. Do jeito que está esse processo regressivo de perda do público, tu acaba ficando feliz quando alguém diz que o chão vai continuar público e as pessoas vão poder passar por ali, em que pese que pode ser tão público quando é o Embarcadero [empreendimento temporário em operação na área do Cais], aquela portinha com aviso de tudo que tu não pode levar contigo quando entrar no espaço”, diz.

NÃO PUBLIQUEI A MATÉRIA INTEGRAL. PARA LER MAIS, CLIQUEM NO LINK ABAIXO.

Link: https://sul21.com.br/noticias/geral/2022/08/podia-ser-pior-podia-estar-tudo-privatizado-avancos-e-impasses-no-edital-do-cais-maua/

NÃO USEI O TÍTULO ORIGINAL DA MATÉRIA, QUE ESTÁ AQUI EMBAIXO

E LEMBRANDO:

Este post não reflete a posição do Blog.

Apenas cumpre a função de informar e ser objeto de discussão.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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14 respostas

  1. Será que estão pensando nos “corredores de vento” para a estação em que Porto Alegre se transforma em “Forno Alegre” ?

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  2. Acho que a resistência a essas torres aumentou mais depois do que foi feito no Pontal (vide o galpão da Leroy e o pobre paisagismo).

    Espero que as torres do Cais sigam algo parecido com os prédios de Puerto Madero, que possuem elevada altura e menor área de base – o que proporciona maior vista para o rio, a partir da cidade.

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    • Com certeza. Em relação ao Pontal, é inegável que o que está sendo entregue ficou aquém do projeto. A maior parte das diferenças não é algo que ainda possa ser ajustado. E isso que é complicado: prometer novidade e entregar o mesmo de sempre. O projeto do Pontal, na prática, não difere muito de um prédio que a Melnick faria na Nilo Peçanha. Pode-se discutir se é melhor do que o que tinha antes, mas não dá para negar a diferença entre expectativa e realidade.

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  3. É bom porque vai inserir moradores na orla, o que sempre é algo positivo.

    Mas tinha que ter uma compensações melhores do que restaurar os galpões (que não tem mistério, não é teto da Capela Sistina, nem o Coliseu de Roma)

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  4. Já fecharam o acordo pra Leroy Merlin fazer mais um lindo galpão as margens do Guaíba?

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  5. Veremos garagens subterrâneas inundadas no futuro e todo mundo dizendo que não sabia que poderia acontecer.

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    • Sim até por que em pleno século XXI, ano 2022 não temos tecnologia pra isso ainda. Mode ironic on

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      • Aí vem a questão do custo e a cultura de construção na cidade (e no Brasil): opta-se pela opção menos custosa, mas menos eficiente; logo depois questiona-se “por que tal coisa aconteceu?”.
        O problema nunca é a falta de tecnologia e sim das decisões políticas e econômicas tomadas pelos agentes responsáveis pela cidade.

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  6. Baita projeto parabéns aos envolvidos,

    Lindos os prédios, muito melhor prédio cinza novo do que aqueles prédios caco velho caindo aos pedaços da Maua.

    E Lógico que junto a construção haverá paisagismo e não será somente cinza , haverá verde e modernidade, que convenhamos essa área precisava mesmo de uma atualizada…

    Curtido por 1 pessoa

    • Concordo contigo Marcio. Antes um paredão cinza moderno, do que o atual skyline encardido da cidade. Vai ficar uma cortina de modernidade em primeiro plano mostrando a pujança e a nossa intenção de modernizar Porto Alegre.

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  7. Paredão cinzento

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