Prefeitura quer privatizar gestão do Marinha e Redenção, que terá estacionamento para 577 vagas

Em vídeo de apresentação, diretor da SMP destaca que a ‘Redenção é um parque altamente deficitário em relação à quantidade de serviços que ele precisa fornecer

Parque da Redenção | Foto: Joana Berwanger/Sul21

A Prefeitura de Porto Alegre apresentou nesta quinta-feira (2), em São Paulo, o cronograma para a concessão da gestão dos parques Farroupilha (Redenção) e Marinha do Brasil e de diversos trechos da Orla do Guaíba para a iniciativa privada. A Prefeitura irá oferecer a construção e exploração de um estacionamento subterrâneo como atrativo para a concessão do Parque da Redenção. Os editais de concessão deverão ser lançados em 2023.

A apresentação foi feita pelo diretor de Estruturação de Desestatização da Secretaria Municipal de Parcerias (SMP), Fernando Pimentel, em um evento fechado promovido pelo Instituto Semeia, intitulado “Parcerias em Parques: Perspectivas e Oportunidades de Investimento”, em que diversos representantes de municípios e órgãos federais apresentaram mais de 20 parques a terem a gestão concedida para a iniciativa privada. No caso de Porto Alegre, Pimentel apresentou os cronogramas previstos para as concessões do Parque da Redenção e Orla do Lami, Parque Marinha do Brasil e Trecho 3 da Orla do Guaíba, e Trecho 2 da Orla.

Pimentel destacou que estudos estão sendo realizados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a concessão conjunta do Parque da Redenção e da Orla do Lami por um período de 30 anos. A previsão de investimentos diretos (CAPEX) é de R$ 105 milhões para as duas áreas. Em um vídeo da apresentação ao qual a reportagem teve acesso, Pimentel destacou que o “atrativo” para a concessão das duas áreas, que somam 408 mil m², é a possibilidade de construção de um estacionamento subterrâneo com 577 vagas junto ao Auditório Araújo Viana.

“O estacionamento é o elemento que dá a sustentabilidade financeira para o projeto, porque o Parque da Redenção é um parque altamente deficitário em relação à quantidade de serviços que ele precisa fornecer”, disse o diretor da SMP. Ele destacou ainda que a Orla do Lami é atrativa para a realização de esportes aquáticos.

Já a concessão conjunta do Marinha e do Trecho 3 da Orla, onde estão localizadas as quadras esportivas e a pista de skate, também tem estudos em realização pela FGV, com a previsão de um contrato de exploração das áreas, que somam 860 mil m², por 30 anos. Pimentel disse na apresentação que a expectativa de investimentos diretos (CAPEX) para as duas áreas é de R$ 45 milhões, destacando que elas são totalmente voltadas para a prática de atividades esportivas e eventos.

Segundo o cronograma apresentado, a consulta pública a respeito da concessão do Marinhe e do Trecho 3 irá ocorrer entre setembro e outubro deste ano. Na sequência, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) deverá avaliar o processo. A SMP prevê que a licitação ocorra em abril de 2023, com a assinatura dos contratos em junho.

Já o Trecho 2 da Orla, que será concedido por meio de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) ainda está em fase de revisão de estudos, que deve durar até o final do ano. A consulta pública para a área está prevista para ser realizada em abril de 2023. Este trecho inclui a revitalização da área e a exploração de espaços de comércio e do Anfiteatro Pôr do Sol. Também está prevista a construção da Marina Pública e de um centro de eventos.

Procurada pela reportagem, a SMP informou que a consulta pública a respeito da concessão da Redenção e da Orla do Lami iniciará neste mês de setembro. A respeito de quando a concessão será realizada, a pasta informou que as datas ainda podem ser alteradas, destacando que não está definido se os editais serão lançados em conjunto, em 2023, ou separadamente.

Link: https://sul21.com.br/noticias/geral/2022/09/prefeitura-quer-privatizar-parques-marinha-e-redencao-que-tera-estacionamento-para-577-vagas/



Categorias:Concessão de Parques, Parques da Cidade

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29 respostas

  1. Privatizem tudo! Quero ter a escolha de não pagar um centavo pela Redenção em forma de imposto!

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  2. Já conhecemos esse truque. Já nos aplicaram no Largo Glênio Peres pela mesma turma do Sebastião Mello (na epoca vice prefeito). Vai chegar um momento desse processo vão dizer que o estacionamento subterrâneo é inviável, ou que é uma fase dois do projeto, e vão na verdade pegar um trecho da redenção, cortar as arvores e fazer o estacionamento ali mesmo, ao ar livre, nada de subterrâneo. Mesma coisa fizeram na orla, lembram que ia ter um mergulho para conectar a cidade com a orla. No fim é uma fixa de pedestres e uma sinaleira. Enganar vocês é muito fácil. É só fazer um render bonitinho, conseguir a autorização e depois fazer o que der na telha.

    Aí quando pessoas falarem que isso é um absurdo seremos chamados de caranguejos, de contra tudo, etc…A história sempre se repete como tragédia ou como farsa.

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  3. Nos finais de semana o parquinho da redenção com meia dúzia de brinquedos tem filas enormes que apenas deixam as crianças irritadas por terem que esperar tanto….as coisas tem um limite mesmo, inclusive a otimização.

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  4. Acredito que a Redenção precisava ser repaginada. Entendo que parte do parque é tombada porém, tirando o domingo de manhã, que tem a cultura de passear no Bric, o resto dos dias e turnos eu não levaria um turista pra passear no parque, é muito bucólico. A presença de gente é o que torna um parque atrativo, na minha concepção. O marinha então, é um aterro em que as árvores plantadas cresceram (e parou por ai…). Visto de cima, muito bacana, numa visão macro da cidade; Visto ao nível do solo, nada de atraente. Quem sabe experiências de arvorismo, sobre a copa das árvores seria algo legal de se explorar por ali…

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  5. pensando bem estacionamento subterrâneo seria uma boa contrapartida para manter o parque com acesso público e gratuito.

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  6. romessa de Nelson Marchezan, estacionamento subterrâneo ainda é incógnita em Porto Alegre
    Dos três pontos sondados para receber vagas no subsolo até 2015, dois foram descartados por não serem viáveis economicamente

    https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/amp/2017/01/promessa-de-nelson-marchezan-estacionamento-subterraneo-ainda-e-incognita-em-porto-alegre-9279547.html

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  7. Finalmente, o Marinha, meu jardim de casa, ta abandonado, o lago da saudade, mais ainda. Ta precisando que alguem assuma o parque.

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  8. Tomara que o resultado seja melhor do que a excelente manutenção oferecida pela concessionária do trecho 1 da Orla e que não inclua latões de lixo grafitados por toda a Redenção e casinhas de madeira no entorno do parque.

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  9. O fato de ser dificil de estacionar no entorno da Redençao faz com que muitas pessoas usem meios alternativos de chegar ao parque, como bicicleta ou carros de aplicativo. Agora, com as 577 vagas, a Prefeitura está emitindo a mensagem “usem carro próprio para se deslocar”.

    Um contrassenso ao urbanismo moderno. Parabéns ao envolvidos.

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    • Não procede.
      Está cheio de estacionamentos privados ao longo do Central Park em NY e também um estacionamento subterrâneo igual ao projeto no Jardim público de Boston.
      Todos tem acesso a metrô e pistas de bicicletas.
      Tudo que signifique melhorias, construções, empregos, é muito bem vindo

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      • A questao é que a construcao do estacionamento subterrâneo nao irá resolver o problema de falta de vagas pra estacionamento, já que novas pessoas irão utilizar o carro para deslocarem-se. Isso pode gerar até maiores congestionamentos no entorno do parque, ja que mais carros estarão no mesmo espaço.

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    • Há vários estacionamentos privados no entorno do parque, pois há demanda. Insistir no uso de outros modais é privilegiar os moradores mais próximos. Ademais, o lazer ocorre fora do horário de trabalho, quando o trânsito é mais intenso.

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  10. essa dinamica neoliberal é fácil.. vc não precisa solucionar os problemas, basta entregar pro privado, assim os espaços ficam mal cuidados como a orla está atualmente e não haverá a quem reclamar ou gestão posterior que resolva.. nessas licitações de 35 anos.

    São várias as praças adotadas pelo privado que estão sucateadas e abandonadas..

    Em que momento um parque se propos não ser deficitário? Parque é pra proporcionar qualidade de vida das pessoas, e gerar renda indireta ao comércio do entorno.

    Curtido por 1 pessoa

  11. Alguma dúvida que a turma do atraso (esquerda) será contra?

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    • Gostaria de te pedir um pouco mais de respeito aos diversos modos de pensar que rolam aqui no blog. Eu mesmo tenho uma série de dúvidas e questões sobre essa privatização destes parques. Até pq não foi bem explicado como será ainda. Ninguém aqui é atrasado por ter uma opinião diferente da tua.

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    • adoção de praças não permite a exploração comercial, que serve como contrapartida para o investimento privado.

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    • Não é por que alguém é contra esse tipo de governança de parques que a pessoa é da turma do atraso.

      A Sou capitalista, militar e totalmente contra entregas de bens publicos a qualquer preço, mal feitas e mal fiscalizadas ocorrerem em POA.
      Veja a orla, que porcaria de manutenção, sequer plantam grama onde ela morre, sequer se tira inço onde nasce no lugar da grama, não se tira as gramas das quadras de volei de praia, as lampadas dos refletores e das calçadas estão queimadas e nao se troca!

      Se é pra ter uma porcaria de uma manutenção, se é para fazer um contrato de concessão com a possibilidade de uma empresa explorar o negócio até ele ruir, que nao se faça!

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      • e nao é por que sou contra contratos mal feitos que vou ser esquerdista ou atrasado! Pensar diferente do “vende tudo” e do “da tudo e manda uma empresa cuidar que a mao invisível cuidará de tudo” nao significa comunismo, nao signfica corrupção nem significa turma do atraso.

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