Governo do Estado marca para dezembro leilão do Jardim Botânico de Porto Alegre

Ambientalista diz que estudos do edital citam mais de 100 vezes a palavra ‘comércio’ e nenhuma as palavras ‘espécies da flora ameaçadas de extinção’

Jardim Botânico será concedido à iniciativa privada. Foto: Filipe Castilhos/Sul21r

O edital de concessão à iniciativa privada do Jardim Botânico de Porto Alegre (JBPA) foi publicado pelo governo estadual na última terça-feira (4). Os investimentos previstos são de R$ 27,3 milhões para “requalificação, modernização, operação e manutenção da infraestrutura do Jardim Botânico”.

A concessão do espaço se insere na política iniciada pelo ex-governador e candidato Eduardo Leite (PSDB) e seguida por seu vice Ranolfo Vieira Júnior, que neste ano já concedeu à iniciativa privada os parques estaduais de Canela, Tainhas e do Turvo.

Assim como nos parques estaduais, a modelagem do negócio foi elaborada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), agora com apoio do consórcio Araucárias e do Instituto Semeia.

A política de concessão à iniciativa privada dos parques estaduais tem sido muito criticada por entidades ambientalistas do Rio Grande do Sul e o mesmo já está acontecendo com o Jardim Botânico.

“O projeto de concessão prevê três pilares ligados à preservação ambiental, fomento ao turismo sustentável e a geração de renda e desenvolvimento regional. A Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente) vai continuar sendo responsável pela pesquisa científica e manutenção das coleções da flora nativa, jardim de plantas medicinais, bem como da área de produção de mudas”, informou o governo ao anunciar a publicação do edital.

Localizado no bairro de mesmo nome, o Jardim Botânico tem 36 hectares e conta com estrutura de laboratórios, gabinetes, salas de exposições e coleções científicas, constituindo um acervo diversificado de exemplares de animais, plantas e fósseis que representam a biodiversidade nacional e internacional, com ênfase no RS. É considerado um dos cinco maiores jardins botânicos brasileiros e tem classificação A, conforme a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Professor de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o biólogo Paulo Brack critica o governo estadual por alegar falta de recursos como justificativa para conceder o Jardim Botânico ao mesmo tempo em que R$ 26 milhões em multas ambientais prescreveram há sete anos por falta de mecanismos de cobrança. “Ou melhor, por falta de vontade política em efetuar sua cobrança”, afirma.

Brack aponta que nos estudos e relatórios encomendados pelo governo gaúcho ao BNDES e empresas consultoras, as palavras “comércio” e “comercialização” aparecem mais de 100 vezes, enquanto as palavras “plantas ameaçadas” ou “espécies da flora ameaçadas de extinção” não constam nos documentos.

“No que toca à expansão das atividades em finalidades fora dos objetivos principais de um patrimônio como um jardim botânico, com coleções de plantas, há que se destacar, por exemplo, que o prédio do orquidário seria transformado em um ‘restaurante botânico’, enquanto o antigo prédio que abrigava bromélias (bromeliário) está planejado para ser transformado em lojas de souvenir”, afirma o professor da UFRGS e coordenador-geral do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá).

“O conflito entre os objetivos do Jardim Botânico, do Museu de Ciência Naturais e o concessionário serão inevitáveis, já que são previstas expansões de prédios e estruturas que podem afetar, externamente, coleções botânicas, ou internamente espaços de laboratórios, gabinetes de pesquisadores, salas de exposições, coleções científicas e espaços de acervos de coleções científicas de animais, plantas e fósseis que representam a biodiversidade nacional e internacional, com ênfase no Rio Grande do Sul. O regramento desta relação não está claro”, ele destaca.

Transparência

Ao anunciar a publicação do edital, o governo do Estado deu ênfase para o recebimento de 36 contribuições durante o período de consulta pública do processo, das quais seis foram acolhidas total ou parcialmente. O governo ainda citou a realização de duas audiências públicas e “reuniões com empresas interessadas na concessão”.

Continue lendo, clicando no link abaixo.

https://sul21.com.br/noticias/meio-ambiente/2022/10/governo-do-estado-marca-para-dezembro-leilao-do-jardim-botanico-de-porto-alegre/



Categorias:Meio Ambiente, Parques da Cidade

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2 respostas

  1. O Estado näo tem recursos??? Para onde vai os recursos??? Conceder o Jardim Botânico estaremos pagando bi-tributaçäo??

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  2. Super bem-vindo, aguardamos que finalmente haja um salto qualitativo, que se faça algo grandioso, que aproveite o espaço natural complementando-o com uma infraestrutura inspiradora. Tem tanto potencial a ser aproveitado mas esse jardim botâncio porto-alegrense precisa ser profundamente remodelado aproveitando fórmulas que já deram certo como Inhotim em Minas e sua mescla com arte; ou o Jardim Botânico de Curitiba com sua estufinha foco de selfies de gente vinda de todo Brasil; melhor ainda o tradicionalíssimo e realmente o top total Jardim Botânico do Rio; ou porque não, algo inédito no Brasil com a presença de um jardim lindo padrão Parque del Chateau de Córdoba – AR, algo, mara, com pegada turística-encantadora para alegrar tanto os moradores como os visitantes, a ver:

    https://www.cordobaturismo.gov.ar/experiencia/parque-del-chateau/

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