Porto Alegre é o cemitério do urbanismo, por Marcelo Gonzatto

Em artigo, jornalista de ZH lamenta a falta de projetos urbanísticos ousados na Capital

A chaminé do Gasômetro, um símbolo intocável da Capital. Foto: Gilberto Simon

A chaminé do Gasômetro, um símbolo intocável da Capital. Foto: Gilberto Simon

Quando uma boa ideia para melhorar uma cidade envelhece, vem morrer em Porto Alegre. A capital dos gaúchos é a Flórida dos projetos urbanísticos, a última parada antes do repouso eterno na gaveta.

Não viajei nem um décimo do que gostaria, mas desconheço uma grande cidade mais avessa a projetos ousados destinados a melhorar a qualidade de vida do cidadão (…)

Leia o artigo completo, na Zero Hora, clicando aqui.

Zoológico de Sapucaia e Parque de Itapuã devem ser concedidos à iniciativa privada

Zoo de Sapucaia é um dos maiores da América Latina. Foto: Gilberto Simon

Zoo de Sapucaia é um dos maiores da América Latina. Foto: Gilberto Simon

Dois dos principais parques públicos do Rio Grande do Sul podem ter nova direção ainda no segundo semestre. Após concluir a avaliação sobre Zoológico, Itapuã e Horto de Tramandaí, a titular da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini, encaminhou parecer favorável sobre proposta de concessão dos dois primeiros à iniciativa privada.

Leia a matéria completa em Zero Hora, clicando aqui.

Achei ótima a notícia!!  Quem já foi no Zoo de Sapucaia do Sul sabe que é triste a situação de um parque que poderia ser exemplo e atrair muito mais visitantes. É triste ver a situação dos animais e mesmo, da estrutura do parque. Um investimento pesado o espera. 

Fortunati viaja à Europa para garantir investimentos na Capital

Projeto de investimento da Airbus foi anunciado após reunião em 8 de maio   Foto: Ricardo Giusti/PMPA

Projeto de investimento da Airbus foi anunciado após reunião em 8 de maio   Foto: Ricardo Giusti/PMPA

O prefeito José Fortunati embarca neste domingo, 24, acompanhado do secretário municipal da Fazenda, Jorge Tonetto, para uma missão na Europa, como parte da comitiva do governo do Estado, que visita a Alemanha e a França com o objetivo de atrair novos investimentos e parcerias para o Rio Grande do Sul. A agenda é composta de visitas ao conjunto Medical Valley, em Erlangen, na Baviera, no sudeste alemão, e à empresa Airbus Defense & Space, em Paris. A comitiva é liderada pelo governador José Ivo Sartori e integrada ainda pelo chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, pela presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul (Badesul), Susana Kakuta, e por deputados federais e estaduais gaúchos.

Medical Valley – No último dia 15, o prefeito recebeu o diretor do Instituto Central de Engenharia Biomédica (ZiMT), Tobias Zoebel. Na ocasião, foi apresentando o projeto do Medical Valley, uma espécie de Vale do Silício na Alemanha, voltado à engenharia e tecnologia na medicina. A instituição planeja montar outros núcleos fora da Alemanha e tem grande interesse na região metropolitana de Porto Alegre. O prefeito recebeu das mãos do diretor um certificado de cidade parceira. Nesta terça-feira, 26, Fortunati visita o Medical Valley para consolidar a possível parceria.

Airbus – No dia 27, o prefeito conhecerá as instalações da subsidiária da Airbus em Paris. No início do mês, Fortunati anunciou o investimento de R$ 150 milhões na região do 4° Distrito, em uma unidade da empresa, que fabrica equipamentos destinados à área de Segurança Pública.

Porto Alegre foi escolhida devido a infraestrutura na área de processamento de dados, à presença da TecnoPuc e à proximidade com a TecnoSinos. A Capital também é a única que tem infovias distribuídas em todas as regiões da cidade. O contrato poderá ser assinado ainda este ano para que as operações iniciem-se ao longo de 2016.

 Prefeitura de Porto Alegre

Ciclovias avançam, mas ainda estão longe de fazer da bicicleta alternativa de transporte

Jaqueline Silveira

Uma das mais novas ciclovias é a da Erico Veríssimo, entre a Avenida Ipiranga até a Praça Garibaldi, na Cidade Baixa|Foto: Guilherme Santos/Sul21

Uma das mais novas ciclovias é a da Erico Veríssimo, entre a Avenida Ipiranga até a Praça Garibaldi, na Cidade Baixa|Foto: Guilherme Santos/Sul21

Com o trânsito frequentemente engarrafado na Capital, cresce o número de pessoas que optam pela bicicleta para se locomover pela cidade e chegar mais rápido a compromissos. O uso desse veículo também aumentou com a construção de ciclovias em Porto Alegre. Hoje, há 27 quilômetros de espaços exclusivos para os ciclistas, contudo, as faixas ainda estão longe de serem suficientes para a utilização da bike como meio de transporte. Pelo menos essa é a avaliação da Associação  pela Mobilidade Urbana em Bicicleta – Mobicidade. Na última terça-feira (19), a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) anunciou que, em breve, serão entregues aos adeptos da bicicleta mais dois trechos de ciclovias: 550 metros na Avenida Erico Veríssimo e mais dois quilômetros na Rua Ignês Fagundes, no bairro Restinga. “A quantidade ainda é muito pequena pensando a bicicleta como transporte”, reforça o coordenador da Mobicidade, Cadu Carvalho.

O Sul21 percorreu algumas das principais ciclovias da Capital e constatou que, apesar dos avanços, há ainda muito o que melhorar nos espaços exclusivos para a circulação das bikes. A opinião também é compartilhada pelos ciclistas. O professor Dirceu Ângelo Frittoli comemora o fato de a Capital contar com mais ciclovias, entretanto lamenta os trechos curtos, como o da Avenida Erico Verissimo, que se estende da Avenida Ipiranga à Praça Garibaldi. “Hoje, fui para o lado da Azenha e não tem ciclovia. Quanto mais, melhor, mas já aumentou bastante”, afirmou o professor, enquanto cruzava a nova ciclovia da Erico.

A ciclovia da Avenida Ipiranga é elogiada por ciclistas, porém alertam que a tinta vermelha deixa a pista escorregadia em dias de chuva |Foto: Guilherme Santos/Sul21

A ciclovia da Avenida Ipiranga é elogiada por ciclistas, porém alertam que a tinta vermelha deixa a pista escorregadia em dias de chuva |Foto: Guilherme Santos/Sul21

Uma das ciclovias mais utilizadas é a da Avenida Ipiranga, localizada entre a Avenida Beira-Rio e a Rua Silva Só, e é elogiada por ciclistas. “É excelente, uma pena que não terminaram. As ciclovias estão melhorando, só que o ritmo é lento”, observa o fotógrafo freelancer  Eduardo Aigner, ao pedalar pela Ipiranga. A prefeitura retomou a obra na avenida e promete até o final deste ano concluir a ciclovia em toda a sua extensão, somando 9,4 quilômetros. Hoje, a Ipiranga tem 2,8 quilômetros.

Trechos curtos

Adepto da bicicleta para se locomover por Porto Alegre e trabalhar, o ator e bailarino Robson Lima Duarte avalia as ciclovias como “mais ou menos”. “No geral, são precárias, pequenas, a maioria delas é muito curta. Parecem mais um protótipo”, justifica ele, que usava uma das bicicletas do projeto Bike Poa. Apesar de apontar problemas nas ciclovias, ele afirmou que nos últimos cinco anos “houve um avanço e tanto”. Por usar com frequência as bicicletas do Bike Poa, Duarte percebeu que, cada vez é maior a procura pelas magrelas, o que tem dificultado encontrá-las nas estações do centro da cidade. “É sinal que as pessoas estão usando bastante”, constata o bailarino.

Clique aqui e leia a matéria integral no SUL 21

Projeto de Barcelona inspira revitalização do 4º Distrito

Arquitetura diferenciada do 22@ é uma das marcas do Distrito de Inovação

Arquitetura diferenciada do 22@ é uma das marcas do Distrito de Inovação

O coordenador do POAdigital e integrante do GT 4º Distrito, Thiago Ribeiro, visitou na manhã desta sexta-feira, 22, o projeto 22@ em Barcelona. A iniciativa que constitui o Distrito de Inovação da capital catalã é reconhecida no mundo como um modelo de revitalização urbana de áreas degradadas e exemplo da união de forças entre poder público, iniciativa privada e universidades para a promoção do desenvolvimento local.

Atualmente, a área é um cluster criativo que se propõe a concentrar empresas e profissionais ligados ao design, à tecnologia da informação e da comunicação, às ciências médicas e às novas fontes de energia, segurança, entre outras. Conforme o coordenador  do departamento de Promoção da Cidade da Agência Barcelona Activa, Marc Sans Guanãbens, o projeto está 70% concluido.

“Devemos demorar em torno de 10 anos ainda para atingir o resultado que foi planejado”, afirmou, destacando que o 22@ é um conceito que reúne em um mesmo espaço negócios, pesquisa, educação, cultura, entretenimento e moradia.

Para Ribeiro, a iniciativa constitui uma referência para o que está sendo pensado para a região do 4º Distrito. “A experiência de Barcelona tem muito a acrescentar ao nosso trabalho, principalmente nessa fase de planejamento. Identificamos muitas similaridades entre o que temos hoje naquela região de Porto Alegre e o que acontecia em Barcelona no início dos trabalhos do 22@”, explicou.

A visita ao 22@ integra um conjunto de iniciativas adotado pela prefeitura para buscar a ampliação do desenvolvimento econômico e urbano de Porto Alegre, como a criação de um grupo de trabalho envolvendo áreas estratégicas para a definição de um planejamento para a revitalização da região do 4º Distrito.

Prefeitura de Porto Alegre

Inicia obra de iluminação cênica no viaduto Abdias do Nascimento

Trabalho tem previsão de término em 30 dias   Foto: Luciana Turela/Divulgação PMPA

Trabalho tem previsão de término em 30 dias   Foto: Luciana Turela/Divulgação PMPA

A obra de iluminação cênica do viaduto Abdias do Nascimento, localizado na avenida Pinheiro Borda, teve início nesta semana. O projeto, executado pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), complementará a a segurança dos motoristas que utilizam a via. Nos quatro pilares serão colocados 48 projetores de led de 43,2W, com 36 lâmpadas de led com potência de 1,2W, com cores levemente amarelada e branca.

Já a iluminação dos estais (cabos de sustentação) será destacada com projetores tipo focal, com lâmpadas de vapor metálico de 150W. O trabalho tem previsão de término em 30 dias. A pista de rolamento, que já foi executada sob o viaduto, é iluminada com 57 projetores, também de 43,2W e 36 lâmpadas de led com potência de 1,2W. O valor total de investimentos em iluminação é de R$ 258.192,07.

Prefeitura de Porto Alegre

Prefeito assina contrato para colocação de câmeras em parques

Parques Farroupilha e Marinha do Brasil receberão 21 câmeras de monitoramento   Foto: Ricardo Stricher/Arquivo PMPA

Parques Farroupilha e Marinha do Brasil receberão 21 câmeras de monitoramento   Foto: Ricardo Stricher/Arquivo PMPA

O prefeito José Fortunati e o governador José Ivo Sartori assinam, nesta quinta-feira, 21, o contrato de financiamento para a aquisição e instalação de câmeras nos parques Farroupilha e Marinha do Brasil. A solenidade acontece no Palácio Piratini, às 9h30, com a presença da diretora-presidente do Badesul, Susana Maria Kakuta. Os recursos serão liberados por intermédio do programa Badesul Cidades.

O projeto prevê a instalação de 21 câmeras com sensores de movimento e capacidade de gravação de 30 dias consecutivos nos parques Farroupilha e Marinha do Brasil, com o monitoramento pela Guarda Municipal. O objetivo é proporcionar segurança para o patrimônio municipal e para as pessoas que circulam nesses locais.

Prefeitura de Porto Alegre

Ciclovia em marcha lenta: em um ano, Porto Alegre ganhou só 3,8 km de novas ciclovias

Em velocidade média, um ciclista levaria 15 minutos para percorrer os 10% que foram construídos de 50km prometidos

Prefeiutra de POA enfrenta problemas na implantação das vias créditos: Ricardo Duarte

Prefeiutra de POA enfrenta problemas na implantação das vias.  créditos: Ricardo Duarte

Uma cena sobre duas rodas ilustra o ritmo da construção de ciclovias em Porto Alegre: em velocidade média, um ciclista levaria 15 minutos para percorrer tudo o que a prefeitura conseguiu aprontar em um ano de obras. De maio de 2014 até maio deste ano, a colcha de retalhos formada pelas ciclovias e ciclofaixas da Capital ganhou menos de quatro quilômetros. Não chega a 10% da meta da prefeitura para o período, 50 quilômetros. Menina dos olhos da Empresa Pública de Transporte da Circulação (EPTC), a ciclovia da Ipiranga não cresceu nenhum centímetro nos últimos 12 meses.

“Nós fomos muito otimistas. Tínhamos uma expectativa de evolução significativa, mas acabamos tendo uma redução em função de questões externas”, justifica o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari. Para Cappellari, o imponderável é o principal fator para o atraso na implantação do Plano Diretor Cicloviário, existente desde 2009 – dos 495 quilômetros previstos no projeto original, apenas 24,735 estão prontos. A demora das contrapartidas de empreendimentos imobiliários, que representam boa parte dos recursos a serem investidos em ciclovias, além de obras “casadas” com projetos da Copa que não saíram do papel, seriam responsáveis pelo atraso em, pelo menos, quatro obras: Voluntários da Pátria, Avenida Tronco, Severo Dulius e Ipiranga, que conta com apenas 2,8 dos 9,4 quilômetros de seu projeto.

Portal Mobilize Brasil / Zero Hora – clique aqui para ler a matéria integral

Câmara discute implantação de helipontos em Porto Alegre

2 helicópteros na Praça Itália, durante a realização do Caminho do Gol na Copa 2014. Foto: Gilberto Simon

2 helicópteros na Praça Itália, durante a realização do Caminho do Gol na Copa 2014. Foto: Gilberto Simon

A Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor) da Câmara Municipal de Porto Alegre realizou, na manhã desta terça-feira (19/5), reunião com o objetivo de discutir a implantação de helipontos na cidade. Autor do projeto de lei complementar que disciplina a implantação de helipontos em Porto Alegre, o vereador João Carlos Nedel (PP) presidiu a reunião e abriu o debate. “Esse projeto tramita desde o ano passado na Câmara e leva em conta a melhoria da mobilidade urbana. Praticamente todos os hospitais necessitam desse avanço, assim como as universidades”, ressaltou. Nedel afirmou que os vereadores já estão discutindo o PL no plenário, mas que ainda há tempo de analisá-lo profundamente e sugerir possíveis alterações. “Nossa intenção é construir e não obstruir, temos que ficar do lado das soluções, pois a cidade precisa recuperar esse atraso que implica diretamente em seu desenvolvimento”, disse.

O empresário do setor Luciano Garcia agradeceu a comissão por trazer esse assunto à tona. “Porto Alegre é muito carente quanto a essa questão. Atualmente não há uma área pública homologada para fazer um pouso. Em São Paulo, por exemplo, uma das maiores cidades em termos de trânsito de helicópteros, existem helipontos em prédios comerciais e até em praças públicas”, citou ao fazer referência ao Decreto 14573, que, segundo ele, praticamente deixa inviável para o empresário construir um heliponto. “É desestimulante. Tentamos realizar operações turísticas na época da Copa, mas foram vetadas. Há muita falta de informação, um helicóptero faz menos barulho que certas motos”, concluiu.

Segundo Milton Lima, membro do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), quando se fala em avião é imprescindível pensar na prevenção e segurança de vôo. “Queremos interagir para que possamos construir helipontos dentro dos padrões de segurança previstos”, declarou. Já o major Rodrigo Prado dos Santos, chefe do Serviço Regional de Engenharia do V Comando Aéreo Regional (Comar), comentou o início da construção do projeto e as alterações pelas quais passou até chegar ao texto atual. “Um dos pontos que devemos destacar é pensar as áreas nas quais os helipontos serão instalados para que não haja conflito de crescimento urbano e segurança da aviação. As construções localizadas no entorno têm que permitir uma operação de vôo segura”, afirmou.

Os vereadores Bernardino Vendrusculo (PROS) e Airto Ferronato (PSB) cumprimentaram o vereador João Carlos Nedel por discutir o assunto. “Sugiro olhar a legislação de São Paulo, além da legislação que vem da Aeronáutica, e tomar esses dados como parâmetro”, disse Vendruscolo. Ferronato ressaltou que é favorável ao PL e que o mesmo trará avanços para a Capital. Em resposta ao apontamento de Bernardino Vendruscolo, a arquiteta Rosane Zottis, que ajudou a construir o projeto, enfatizou que a legislação de São Paulo foi pesquisada. “A partir do conhecimento desses dados, extraímos as situações que tinham mais relação conosco. Nosso texto está alinhado com todas as exigências dos órgãos e secretarias correspondentes”, disse.

José Peres, secretário-adjunto de Turismo, disse que o fomento do turismo envolve o desenvolvimento de uma cidade. “Qualquer cidade que busca alavancar o turismo apresenta alternativas como essa. As pessoas terão acesso a mais uma forma de locomoção. Apoiamos esse projeto”, afirmou. Conforme a arquiteta Laura Kochenborger, da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb), o projeto contempla a maioria das questões levantadas pela Secretaria. “Na análise dos projetos, tentamos levantar todas as possibilidades para a viabilidade de uma obra. Em alguns casos, a licença precária do heliponto seria provável, uma vez que dessa forma não prejudicaria o desenvolvimento da cidade, em caso de novas construções no entorno”, ponderou.

Também acompanharam a reunião os vereadores Guilherme Socias Villela (PP) e Idenir Cecchim (PMDB), além de outros representantes do Executivo municipal, autoridades militares e empresários do setor.

Texto: Lisie Venegas (reg. prof. 13.688)
Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)

Câmara Municipal

Vilas Dique e Nazaré devem ser reassentadas até 2016 para obras do aeroporto, segundo Frente Parlamentar

Trogildo é o presidente da Frente Parlamentar que irá acompanhar a ampliação | Foto: Guilherme Almeida/ CMPA

Trogildo é o presidente da Frente Parlamentar que irá acompanhar a ampliação | Foto: Guilherme Almeida/ CMPA

A Frente Parlamentar Pró Ampliação do Aeroporto Salgado Filho foi instalada na manhã desta terça-feira (19) na Câmara Municipal de Porto Alegre, com o objetivo de “articular ações entre órgãos governamentais, incluindo o setor privado, para discutir e realizar estudos, elevando o debate sobre o tema”. À tarde, os vereadores fizeram uma visita às obras habitacionais que estão em andamento para as famílias que serão reassentadas para a realização da obra.

O vereador Cássio Trogildo (PTB) preside a comissão e destacou que a ampliação do aeroporto é uma “necessidade de muito tempo”, visto que a pista é pequena e não permite que aviões de carga e de grande porte pousem. “O nosso estado já está em dificuldades, crise financeira, e estamos abrindo mão da tributação dessas cargas e recursos dos passageiros que não embarcam aqui, acabam indo até São Paulo ou Rio”, argumenta.

A reunião da Frente foi realizada de forma concomitante à do Comitê de Defesa do Aeroporto Salgado Filho, criado pela sociedade civil com 70 entidades que defendem sua ampliação. O coordenador  Alcebíades Santini lembrou que o projeto de reforma foi aprovado há 7 anos pela Prefeitura municipal, mas apenas este ano pela Infraero. “O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, já tem o projeto em mãos e está analisando se haverá um edital de licitação para empresas que se dispuserem a executar a obra ou a ampliação ocorrerá por meio de concessão”, explicou ele, que acrescentou que os trabalhos devem começar ainda em 2015.

Remoções

Um dos principais embates em relação à ampliação do aeroporto é a necessidade de remoção de famílias das vilas Dique e Nazaré. A primeira já está em grande parte reassentada no Conjunto Habitacional Porto Novo, que fica próximo ao Sambódromo Porto Seco. No entanto, como o processo tem demorado mais de quatro anos, algumas famílias se expandiram durante o reassentamento, enquanto outras chegaram Às vilas de onde os moradores estão sendo removidos. No início deste ano, um grupo deu início a um movimento para manter-se lá, alegando não querer ser reassentado no Porto Seco.

Maioria dos moradores da Vila Dique já reside no Porto Novo | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Maioria dos moradores da Vila Dique já reside no Porto Novo | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Os moradores da Vila Nazaré, por sua vez, mostraram-se contrários ao reassentamento diversas vezes, realizando protestos e resistindo no local. Agora, com a aprovação do início das obras, duas áreas já estão sendo construídas para abrigá-los. A vila se localiza na avenida Sertório, mas as famílias serão transferidas para o loteamento Bom Fim, na Assis Brasil, e para uma área na rua Irmãos Maristas, no bairro Mário Quintana. Segundo Trogildo, esta deve receber a maior parte dos moradores, 1.300 famílias. O vereador afirmou que a Quadra E do Porto Novo está em fase final de reformas e as famílias de ambas as vilas devem ser reassentadas até o final de 2016.

Histórico

Embora a Prefeitura de Porto Alegre esteja planejando a realização das obras desde 2009, a Infraero apenas aprovou a ampliação em 2015. Em janeiro, o assunto voltou à tona quando o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, afirmou que as obras não aconteceriam, dizendo que era desnecessária. Cerca de uma semana depois, ele voltou atrás sobre a reforma.

Vista aérea do aeroporto Salgado Filho em 2014 | Foto: Gabriel Heusi/ME

Vista aérea do aeroporto Salgado Filho em 2014 | Foto: Gabriel Heusi/ME

Cerca de dois dias depois, no dia 25 de janeiro, a Infraero autorizou o início das obras, embora depois tenha afirmado que a ampliação não seria possível sem a remoção das famílias. “Prevendo o esgotamento da capacidade de processamento do atual terminal de passageiros, que tão bem atende aos porto alegrenses e aos turistas que visitam a capital, conforme comprovado no Mundial de Futebol, a Infraero revisou em fevereiro de 2011 o plano diretor para o Aeroporto Salgado Filho, a fim de garantir a manutenção do padrão de qualidade e conforto atualmente oferecido aos seus usuários. A primeira fase do referido plano iniciou sua implantação em 2014″.

A remoção das famílias deve ser feita até o final de 2016 e as obras do aeroporto estão previstas para terminar até 2017.  A ampliação da pista de pousos e decolagens em 920 metros está estimada em cerca de R$ 500 milhões. Atualmente, a extensão da pista é de 2.280 metros. Já a reforma e ampliação do Terminal de Passageiros do Salgado Filho está em andamento desde 2013 e deve estar concluída em janeiro de 2017.

Além da ampliação do Terminal de Passageiros, as obras previstas são construção de um novo terminal de cargas, para setembro de 2016; novo pátio para o terminal de cargas, para agosto de 2015; construção de um novo edifício garagem em parceria com o setor privado, cujo edital deve ser lançado em junho de 2015; construção de um hotel também em parceria com o setor privado, com previsão de término das obras em abril de 2016; e a ampliação da pista de pouso e decolagem em 920 metros.

 SUL 21 – Débora Fogliatto – com informações da Câmara Municipal

Câmara instala a Frente Pró Ampliação do Salgado Filho

Foto: José Arthur Eidt

Foto: José Arthur Eidt

A Câmara Municipal de Porto Alegre instalou, nesta terça-feira (19/5) pela manhã, a Frente Parlamentar Pró Ampliação do Aeroporto Salgado Filho. O ato de instalação ocorreu no Plenário Otávio Rocha, da Câmara. Segundo o vereador proponente, Cassio Trogildo (PTB), a Frente tem por objetivo articular ações entre órgãos governamentais, incluindo o setor privado, para discutir e realizar estudos, elevando o debate sobre o tema, de forma democrática e plural. “A ampliação da pista é um dos fatores estratégicos primordiais para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Mercosul, significando uma profunda transformação no perfil produtivo e gerador de riquezas para a Região Sul”, afirmou Trogildo, que presidirá a Frente Parlamentar.

Cassio Trogildo destacou que o acompanhamento do Comitê Técnico para a a ampliação do Aeroporto Salgado Filho mantém um trabalho conjunto em prol de um novo conceito de aeroporto em Porto Alegre. “Já tivemos uma audiência pública em prol da ampliação do aeroporto e nela tratamos das remoções das famílias que vivem no entorno do local da ampliação. Este fato está praticamente resolvido, tendo apenas algumas áreas que ainda precisam ser desabitadas”, disse. O vereador ressaltou que essas remoções são necessárias para a execução dos 920 metros da pista, para que se possa receber aviões cargueiros e aviões de grande porte no aeroporto, “diminuindo o prejuízo que estamos tendo por não receber esses tipos de veículos”.

O representante da Assembleia Legislativa e presidente estadual do Comitê Pró Ampliação do Aeroporto Salgado Filho, deputado Maurício Dziedricki (PTB), afirmou que é preciso capacitar e qualificar o Aeroporto para que o turismo na Capital seja valorizado, atraindo conquistas para a cidade. “A qualificação do Salgado Filho demonstra um investimento sólido para Porto Alegre, e os parlamentares estão comprometidos com este movimento”, disse.

O coordenador do Comitê de Defesa do Aeroporto Salgado Filho, Alcebíades Santini, destacou que a entidade foi criada em janeiro de 2015 para acelerar o processo de ampliação do aeroporto. “Sabemos que o prefeito José Fortunati é a favor da ampliação; no entanto, o secretário da Aviação Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, é contrário à reforma. Com isso, precisamos do apoio dos parlamentares para que a ampliação saia do papel e torne-se realidade”, afirmou.

O Comitê representa 70 entidades que defendem a ampliação do Aeroporto Salgado Filho. Santini destacou que o projeto de reforma foi aprovado há 7 anos; no entanto, somente em 2015 a Infraero aprovou a ampliação. “O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, já tem o projeto em mãos e está analisando se haverá um edital de licitação para empresas que se dispuserem a executar a obra ou a ampliação ocorrerá por meio de concessão”, ressaltou. Segundo Alcebíades Santini, com a consolidação do projeto, o início das obras devem começar ainda em 2015, com término previsto para 2016.

O procurador do Ministério Público Federal Enrico Rodrigues de Freitas saudou a iniciativa da Câmara Municipal ao instalar a Frente Parlamentar Pró Ampliação da Pista do Aeroporto Salgado Filho. “Estamos acompanhando o processo, pois essa é a finalidade do Ministério Público, para acelerar o processo como um catalisador no caminho de uma solução”, disse. Freitas disse ainda que há necessidade da participação do Ministério Público Federal para que haja, em todo o processo de ampliação, uma fiscalização jurídica e pública. “Queremos realizar uma reunião com o prefeito municipal de Porto Alegre e a Infraero para saber quais são as condições para a realização da obras, como, por exemplo, a eficiência econômica do projeto para os cofres públicos”, concluiu.

Contraponto

O professor de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Honorato, afirmou que é preciso pensar na logística integrada, quando do começo da obra de ampliação. “Isso remete à junção de transportes viários e aeroviários, pois temos o segundo maior congestionamento do Brasil, na BR 116, o que demonstra que temos uma incompetência no que diz respeito à logística integrada”, disse.

Para Honorato, é necessário que se faça um novo aeroporto; no entanto, não seria a melhor solução criar uma obra em cima da BR 116, que é completamente congestionada. “Visitamos diversas entidades e dissemos que, quando se escolhe um local para uma obra, temos de levar em conta os aspectos históricos e econômicos”, disse. O professor ressaltou que o local da obra de ampliação é uma das áreas que possui uma das poucas vertentes limpas do Rio do Sinos e, para ele, a vertente deixará de existir com a obra. “Além disso, várias árvores serão derrubadas, as quais deveriam ser protegidas pela Secretaria do Meio Ambiente”, concluiu.

In loco

A tarde o presidente da Frente Parlamentar, acompanhado do diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Everton Braz, e de integrantes do Comitê em Defesa do Aeroporto, visitaram três áreas de reassentamento das famílias que serão removidas das vilas Dique e Nazaré. No total são mais de duas mil e setecentas famílias que deverão ocupar casas e apartamentos, com 43 metros quadrados cada, que estão sendo construídos pelo programa Minha Casa Minha Vida nas regiões Norte e Nordeste da Capital. “As unidades são de responsabilidade do Governo federal, e a infraestrutura do município de Porto Alegre”, salientou Everton Braz, lembrando que até o final do ano todas as famílias receberão suas moradias nos loteamentos Bom Fim e Porto Novo, em fase de conclusão, incluindo o loteamento dos Irmãos Maristas.

Cronograma

Cássio Trogildo lembrou que grande parte dos moradores da vila Dique já foram removidos em 2010 e que em 2011 a área foi entregue à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroviária (Infraero) para que a pista fosse ampliada, “obedecendo o cronograma assumido pela prefeitura para as obras da Copa do Mundo de 2014”, disse o vereador. A Infraero não realizou as obras de ampliação “e exigiu que todas as famílias do entorno fossem removidas”, revelou Fernando Bizarro, integrante do Comitê. Ele não entende o porquê da exigência já que o trato, numa primeira fase, era o de entregar a área para a construção da pista. Agora o município vai entregar toda a área, cumprindo a segunda parte do tratado, para que a Infraero possa erguer seu projeto de logística no entorno. “O que lamentamos é que a pista de 929 metros já poderia estar concluída e as obras nem começaram” concluiu Bizarro.

Textos: Juliana Demarco (estagiária de Jornalismo)
Flávio Damiani (reg prof 6180)
Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)

Câmara Municipal

Reduzem acidentes e vítimas fatais com bicicletas

Diminuição no número de acidentes foi de 6,82%

EPTC realiza ações educativas para orientar ciclistas, pedestres e motoristas  Foto: Marcela Barbosa/Divulgação

EPTC realiza ações educativas para orientar ciclistas, pedestres e motoristas  Foto: Marcela Barbosa/Divulgação

Mesmo com aumento de bicicletas nas ruas da cidade, Porto Alegre comemora uma redução significativa na acidentalidade com ciclistas. Nos quatro primeiros meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2014, houve redução de 6,82% em acidentes (88 a 82) e menos 7,95% em feridos (88 a 81). Houve também a diminuição de 50% em mortes – duas em 2014 e uma em 2015. Nos últimos cinco anos, o número de acidentes reduziu em 17,82%, de 303 em 2010 contra 249 em 2014. Neste mesmo período, houve um crescimento de 800% na construção de ciclovias em Porto Alegre, passando de 3,3 km, em 2010, para 27 km no primeiro semestre de 2015. Os dados da acidentalidade são da Coordenação de Informações de Trânsito da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

Nos próximos dias serão entregues oficialmente à cidade as ciclovias da avenida Érico Veríssimo, com 550 metros, e da rua Ignês Fagundes, com dois quilômetros, no bairro Restinga. O espaço da  avenida Érico Veríssimo, já utilizado informalmente pelos ciclistas, permite uma ligação entre a Cidade Baixa / Centro e a Ciclovia da avenida Ipiranga, com deslocamento possível até a zona Sul da cidade, somando cerca de 17 km de ciclovias integradas.

Ao todo, já foram disponibilizados 2,8 km de espaços exclusivos para os deslocamentos de ciclistas na avenida Ipiranga, entre a avenida Edvaldo Pereira Paiva e a rua Silva Só. A previsão da Prefeitura, de acordo com a EPTC, é a conclusão de toda a ciclovia até o final deste ano, num total de 9,4 km. Está em fase de  construção um trecho de 1,5 km, entre a  avenida Cristiano Fischer e a rua Félix Contreiras Rodrigues, dando continuidade as obras da ciclovia da avenida Ipiranga. Os trabalhos, já em andamento, com limpeza do piso e colocação de estacas para demarcação, fazem parte de contrapartida de investimentos da empresa  Goldsztein Cyrela na cidade.

O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, comenta o esforço de mudança de cultura de valorização das bicicletas na cidade e comemora os avanços conquistados. “Na história de Porto Alegre, agora com 243 anos de existência, pouco havia sido feito em favor das bicicletas, de valorização dos ciclistas, na construção de espaços próprios para deslocamentos e também em garantir os direitos à circulação nas ruas para todos os segmentos, além dos deveres, que abrangem  a totalidade de condutores e pedestres. Criamos o Plano Diretor Cicloviário, com apoio da Câmara de Vereadores; evoluímos muito em pouco tempo, em projetos, em ações de fiscalização, na construção de ciclovias, em atividades de educação para o trânsito. Mas não vamos parar por aí. Temos diversos projetos em andamento e vamos avançar ainda mais nesta área, no decorrer deste ano, sempre com o envolvimento da comunidade”, destacou.

Bike Poa – No esforço da Prefeitura de mudança de cultura em valorização da circulação da bicicleta, o projeto do Bike Poa, criado em Porto Alegre em setembro de 2012, com 40 estações e 400 bikes à disposição da população, já registrou 641 mil viagens, com 146 mil pessoas cadastradas até maio de 2015. A estação da Usina do Gasômetro segue como a mais utilizada, com 30 mil bicicletas retiradas.

Com a política de incentivo à bicicleta na cidade foram instalados 22 paraciclos em locais públicos, sendo quatro na rua Uruguai (Loja Tri); seis na praça Rui Barbosa; quatro na avenida Azenha; dois na avenida Antônio de Carvalho; quatro no Terminal Triângulo; dois na avenida Nilo Wulff.  Mais paraciclos serão instalados nas ruas do bairro Belém Novo, nas sedes das secretarias da prefeitura, nos hospitais municipais, postos de saúde e UPAs. A EPTC já autorizou a instalação de 40 unidades por particulares.

Educação – As ações da EPTC fazem parte do programa Conviver Para Viver Melhor, que têm o objetivo de, na mobilidade urbana, qualificar a relação entre todos os usuários das vias. A Coordenação de Educação para Mobilidade da EPTC (Cem), preocupada com o público ciclista, exerce várias atividades para esses condutores, assim como desperta a atenção dos demais segmentos do trânsito, principalmente os mooristas de veículos automotores, em suas palestras, para a importância da utilização deste modal e suas peculiaridades.

Por meio desta coordenação, empresas de transporte coletivo recebem palestras sobre a convivência necessária entre ciclistas e condutores de ônibus, assessorando o desenvolvimento de cursos práticos e teóricos, onde o motorista profissional se coloca no lugar do ciclista, percebendo a fragilidade deste modal. A Ciupoa (Centro de Inteligência Urbana), com o projeto BiciEscola, auxilia a população que demonstra interesse em utilizar a bicicleta como meio de transporte, com aulas práticas e, em parceria a Cem, ministra aulas teóricas com orientações de segurança. Através de seu Curso de Multiplicadores de Educação para o Trânsito, a Cem ministra o Módulo Mobilidade Urbana, onde é dado o direcionamento ao público específico. Mais de mil lideranças já participaram destes treinamentos.

Abordagens – Nas ações de abordagens nas ruas, destaca-se sempre ao ciclista a necessidade de atenção no trânsito, de circulação com uma bicicleta em boas condições de uso, respeitando a sinalização e a importância de equipamentos de segurança como o uso de capacete, óculos, luvas, etc. As atividades, que incluem também a distribuição de material orientando e informando, para uma circulação com menos riscos de conflitos, acontecem em diferentes pontos, como nas proximidades das estações do Bike Poa.

Prefeitura de Porto Alegre

Comitê gaúcho não quer mais saber de conversa fiada sobre a ampliação do Salgado Filho

Foto: Gilberto Simon

Foto: Gilberto Simon

Nesta terça-feira, 9h30min, o Comitê em Defesa do Aeroporto Salgado Filho vai recrudescer na campanha pela retomada imediata das obras de expansão que foram paralisadas pela Infraero sem ex-plicação alguma.

A reunião foi agendada para a Sala Ana Terra, Câmara de Porto Alegre.;

Será criada uma frente Parlamentar e o Ministério Público Federal informará tudo sobre o andamento do inquérito civil que abriu sobre o assunto.

O Comitê já avisou que não aceitará os novos obstáculos criados pela Infraero e secretaria da Aviação Civil para retardar as obras de ampliação da pista.

O governo federal mudou o discurso novamente e agora interpôs novos embaraços, ao adiar tudo para uma improvável privatização do Salgado Filho. Esta, mesmo que venha a sair, levará pelo menos dois anos para reiniciar os estudos da ampliação do aeroporto, o que é inaceitável.

A população gaúcha está sendo flagrantemente enganada pelo Planalto, pela Infraero e pela SAC.

Políbio Braga

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Do site da Câmara:

Frente Pró Ampliação do Aeroporto será instalada nesta terça

Será instalada, nesta-feira (19/5), a Frente Parlamentar Pró Ampliação do Aeroporto Salgado Filho, às 9 horas no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre. Segundo o proponente, vereador Cassio Trogildo (PTB), a Frente tem por objetivo articular ações entre órgãos governamentais, incluindo o setor privado, para discutir e realizar estudos, elevando o debate sobre o tema, de forma democrática e plural. “A ampliação da pista é um dos fatores estratégicos primordiais para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Mercosul, significando uma profunda transformação no perfil produtivo e gerador de riquezas para a Região Sul”, afirmou. A Câmara fica na Avenida Loureiro da Silva, 255.

Texto: Juliana Demarco (estagiária de Jornalismo)
Edição: Claudete Barcellos (reg. prof. 6481)

Câmara Municipal

Implantação da Zona 30 começa em junho em cinco bairros da cidade

Projeto garantirá circulação mais segura, com limite de velocidade   Foto: Divulgação/PMPA

Projeto garantirá circulação mais segura, com limite de velocidade   Foto: Divulgação/PMPA

Após definição, na tarde desta segunda-feira, 18, da Sinargs como empresa vencedora do pregão realizado pela prefeitura, com proposta de R$ 804.460, a previsão é iniciar em junho as primeiras ações de implantação do Projeto Zona 30 em cinco regiões da Capital, que garantirá uma circulação mais qualificada e segura em áreas residenciais de bairros da cidade. De acordo com a programação, haverá reforço em placas indicativas, de lombadas físicas, pinturas no asfalto, faixas de travessias elevadas para pedestres, além de estreitamento de pista para veículos e também calçadas mais largas. Também foi realizada licitação para implantação de 57 Paradas Seguras a serem instaladas na av. Ipiranga, sendo vencedora a empresa Delta Ind. e Comércio de Mobiliário Urbano.

Os projetos da Zona 30 e Paradas Seguras foram aprovados pela Caixa Econômica Federal e a prefeitura. Em outubro do ano passado, houve a garantia de verba do Ministério das Cidades, por intermédio da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 1,4 milhão, além de aporte pela prefeitura. A conclusão das cinco Zonas 30 e implantação de 57 paradas seguras estão previstas para o segundo semestre deste ano.

A Zona 30, com ostensiva sinalização e disciplinamento viário, prioriza locais de interior de bairros onde há desrespeito à velocidade máxima de 40 km/h e índices de acidentalidade, de acordo com dados estatísticos, assim como onde existem escolas, praças, pontos de atendimento de saúde, entre outros serviços à população. “O nosso objetivo é devolver a cidade para as pessoas, com mais qualidade nos deslocamentos, reduzindo conflitos, tornando as ruas bem mais amigáveis e acolhedoras”, afirma Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da EPTC.

Locais – De acordo com estudos técnicos e encontros nos Centros Administrativos Regionais (CARs), as cinco primeiras Zonas 30 da Capital ficarão localizadas nas seguintes áreas, com muitas características residenciais:

Cristal: ruas Butuí e Inhanduí. Na área estão a Escola Municipal Professor Eliseu Paglioli Especial, o Posto de Saúde Cristal Divisa e a Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Professor Elpídio Ferreira Paes.

Vila João Pessoa: a área contempla a avenida Luiz Moschetti, limite entre os bairros Vila João Pessoa e Cel. Aparício Borges. Destaca-se a existência de uma praça, um posto de saúde e, no entorno próximo, a existência de três escolas.

São Geraldo: a área abrange o quadrilátero formado pelas avenidas São Pedro, Pernambuco, Maranhão e Amazonas, no bairro São Geraldo. A região possui cinco entradas, sendo as principais pelas avenidas Pará e Bahia. Destaca-se a existência de quatro escolas e diversos restaurantes, o que ocasiona uma quantidade significativa de deslocamentos a pé pela região, em diferentes horários.

Rubem Berta: rua Wolfram Metzler, uma das principais vias deste populoso bairro da Capital. Conta com uma escola municipal e uma estadual; cinco creches comunitárias, três linhas de ônibus e uma de lotação; posto de saúde e posto da Brigada Militar, além de uma igreja e diversos templos;  um CTG, várias entidades esportivas; clube de mães, grupo de terceira idade, o que proporciona uma quantidade significativa de deslocamentos a pé pela região, em diferentes horários.

São Sebastião: a área de estudo contempla a  avenida João XXIII. Destaca-se a existência de um centro comercial de grande porte, uma escola estadual e o Terminal Triângulo, além de estabelecimentos comerciais de pequeno porte na via e imediações.

Prefeitura de Porto Alegre

Porto Alegre mobiliza ações para revitalização do 4º Distrito

Capital mobiliza ações para Revitalização do 4º Distrito e atração de investimentos  Na foto: Beyond Bulding Barcelona (BBB) aborda cases de revitalização urbana como o projeto local @22 Barcelona Foto: Divulgação/PMPA

Capital mobiliza ações para Revitalização do 4º Distrito e atração de investimentos Na foto: Beyond Bulding Barcelona (BBB) aborda cases de revitalização urbana como o projeto local @22 Barcelona. Foto: Divulgação/PMPA

A prefeitura da Capital inicia uma série de ações para buscar a ampliação do desenvolvimento econômico e urbano de Porto Alegre. Uma delas é a criação de um grupo de trabalho (GT) envolvendo áreas estratégicas para definir um planejamento para a revitalização da região do 4º Distrito. Nesse sentido, nesta segunda-feira, 18, o coordenador do PoAdigital e integrante do GT 4º Distrito, Thiago Ribeiro, embarca para Barcelona, a convite da prefeitura catalã, onde participa da Beyond Bulding Barcelona (BBB), evento internacional que abordará, entre outros temas, cases de revitalização urbana como o projeto local @22 Barcelona.

“Esse projeto, já reconhecido no mundo inteiro, é um exemplo da união de forças entre poder público, iniciativa privada e academia. É um cluster criativo que se propõe a concentrar empresas e profissionais ligados ao design, à tecnologia da informação e da comunicação, às ciências médicas e às novas fontes de energia, segurança, entre outras, e constitui uma referência importante para o que pensamos para a região do 4º Distrito”, afirmou. Ribeiro ressalta também que está prevista uma agenda com o projeto Barcelona Ativa, que é a agência de desenvolvimento local da prefeitura, voltada à comunidade empreendedora, sobretudo às startups.

A definição do marco regulatório do 4º Distrito é outro ponto de destaque que será trabalhado e deve ser uma das alavancas do desenvolvimento da região e um dos principais diferenciais para atração de investimentos. Nesse sentido, a experiência de Barcelona também tem muito a acrescentar, pricipalmente na fase de planejamento.

Prefeitura de Porto Alegre

Brasil atinge recorde na produção de energia eólica

No Rio Grande do Sul, um dos parques eólicos está localizado em Osório, no Litoral Norte |Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini

No Rio Grande do Sul, um dos parques eólicos está localizado em Osório, no Litoral Norte |Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini

Referência na produção de energia limpa – produzida a partir de fontes que não geram poluentes – o Brasil acaba de atingir um recorde importante: a produção de 6 mil megawats de energia eólica instalada e operando. A quantidade equivale a cinco vezes a capacidade máxima da Hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais, que tem 1.216 MW, e é suficiente para abastecer cerca de 35 milhões de pessoas. Estado líder nesse tipo de energia, o Rio Grande do Norte, sozinho, atingiu 2 mil MW em abril.

O alcance de exatos 5.966,60 MW foi possível com a liberação, neste ano, de novas usinas eólicas no Rio Grande do Sul e no Rio Grande do Norte. Este valor se refere a 266 usinas eólicas já conectadas ao SIN (Sistema Interligado Nacional), o que permite levar a energia gerada para todas as regiões do Brasil.

Além das usinas conectadas, cerca de 300 MW de outras eólicas estão disponíveis, mas aguardam rede de transmissão. Caso a produção dessas usinas, prontas e aptas a gerar energia, fosse contabilizada no total disponível para ser comercializada, o recorde dos 6 mil MW teria sido alcançado em janeiro deste ano. A previsão é que os 300 MW sejam conectados a partir de julho deste ano.

Referência mundial

O Brasil encerrou 2014 com 4.974,13 MW em operação comercial, entre os dez maiores produtores mundiais, segundo relatório anual do Global Wind Energy Council. O crescimento mais surpreendente ocorreu no Rio Grande do Norte que, em maio de 2014, foi o primeiro Estado a atingir a marca de 1.000 MW e agora passa de 2 mil MW. O site Energia Mapeada, que faz o acompanhamento diário dos dados da ANEEL, elaborou o quadro abaixo com o ranking atual dos Estados que produzem energia eólica e ainda a projeção para 2018:

tabela-energia-eolica

Para se ter uma referência mundial, marcas superiores a 5 mil MW são bastante comemoradas, pois colocam os países na posição de grandes produtores de energia eólica, viáveis e atrativos para receberem fábricas de equipamentos locais – como turbinas, hélices e torres –, o que já acontece no Brasil.

(…)

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Catamarã comemora três milhões de passageiros

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

A marca de 3 milhões de passageiros na travessia Guaíba-Porto Alegre no catamarã foi comemorada na última quinta-feira (14). O evento contou a presença do governador do Estado, José Ivo Sartori, além do presidente do grupo Ouro e Prata, Hugo Fleck, executivos da Cat Sul, empresários de Porto Alegre e Guaíba, secretários de Estado, prefeitos do Delta do Jacuí, integrantes da administração e vereadores de Guaíba, entre outras autoridades. José Ivo Sartori disse que a marca atingida pela Cat Sul significa que o projeto deu certo e comparou o catamarã com o Rio Grande do Sul.  “Sim, estamos todos navegado no mesmo barco. E esse barco precisa chegar ao destino. O futuro é agora e depende do trabalho, do esforço e da colaboração de todos nós”, disse o governador.

O estudo de viabilidade para instalar estações hidroviárias nos municípios do Delta do Jacuí, abrangendo Porto Alegre, Charqueadas, São Jerônimo e Triunfo será coordenado pela Metroplan.

Sul 21

*Com informações da Prefeitura de Guaíba

Obras na trincheira da Anita são retomadas nesta segunda-feira

Conclusão dos trabalhos deve ocorrer em dez meses   Foto: Divulgação PMPA

Conclusão dos trabalhos deve ocorrer em dez meses   Foto: Divulgação PMPA

Os trabalhos na trincheira da rua Anita Garibaldi serão retomados na manhã desta segunda-feira, 18, a partir das 8h30. O Consórcio Tradição assumiu a construção após o encerramento de contrato com a Sultepa no início de abril. A partir do reinício serão feitos, em um primeiro momento, os serviços de limpeza do canteiro, terraplenagem, esgotamento das águas superficiais e preparação para execução das estacas.

A trincheira integra o conjunto de cinco grandes obras executadas com o objetivo de qualificar o fluxo do trânsito da Terceira Perimetral. Atualmente, o estágio de conclusão é de 39%. O cronograma a ser executado prevê um prazo de dez meses para entrega da trincheira. O valor é de R$ 9.168.505,40.

Com o encerramento do contrato antigo, a Prefeitura de Porto Alegre aguardou o prazo legal de manifestação de aceite da obra pelas segunda e terceira colocadas na licitação realizada. A segunda colocada não aceitou. Mas a terceira colocada – Consórcio Tradição – aceitou pelo mesmo preço da empresa que teve o contrato encerrado.

A obra – Com extensão de 211 metros, a trincheira da Anita Garibaldi terá duas faixas de tráfego, além de duas alças para acesso local e conversões na Carlos Gomes. De acordo com dados da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), 75 mil veículos cruzam diariamente a Terceira Perimetral através da Anita Garibaldi. Com a trincheira, passarão por baixo da via, deixando de sobrecarregá-la.

Prefeitura inicia a segunda fase do Reluz

Programa prevê troca por equipamentos com tecnologia mais eficiente  Foto: Lucino Lanes/PMPA

Programa prevê troca por equipamentos com tecnologia mais eficiente  Foto: Luciano Lanes/PMPA

O prefeito José Fortunati assina, nesta segunda-feira, 18, a ordem de serviço para o início da segunda edição do Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente (Reluz). O evento ocorrerá no Salão Nobre do Paço Municipal, a partir das 14h.

O programa prevê a troca de equipamentos convencionais (lâmpadas, reatores-ignitores, luminárias, braços, relés fotoelétricos) e acessórios para instalação por outros com tecnologia mais avançada e eficiente, proporcionando redução de aproximadamente 35% no consumo de energia.

Nesta etapa estão previstas a eficientização de cerca de 2,8 mil pontos de luz e a instalação de até mais mil novos pontos. Tanto o processo de eficientização como a instalação de novos pontos de luz ocorrerão em locais periféricos da cidade que acabaram ficando de fora da primeira fase do Reluz, como, por exemplo, os bairros Lomba do Pinheiro, Lami, Lajeado, Vila Dique, entre outros.

O investimento para a qualificação e instalação de novos pontos é de R$ 2,3 milhões. A primeira etapa do programa ocorreu entre os anos 2009 e 2012, foi responsável pela eficientização de 80,5 mil pontos na Capital e contou com um investimento de R$ 25 milhões.

Iluminação na Capital – Hoje, Porto Alegre conta com mais de 90 mil pontos de luz. Somente em 2014, 107 praças da cidade receberam 1.941 novos pontos de iluminação, com um investimento de R$ 4 milhões. Para esse ano, a Smov já licitou obra de iluminação para 29 praças, totalizando 780 novas luminárias.

Prefeitura de Porto Alegre

Ferrovia Norte-Sul terá traçado definido em junho. Rio Grande é o destino final

FERROVIA-1Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) vai revelar por onde trilhos passarão no trecho sul, entre Panorama (SP) e Rio Grande (RS)

O traçado do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul deve ser conhecido nos próximos dias. É o que revela o ofício encaminhado pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. ao deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Depois de sucessivos atrasos na divulgação, a conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) está prevista para o mês de junho. Com isso, será possível saber por quais municípios a ferrovia vai cruzar, no trecho compreendido entre Panorama (SP) e o porto de Rio Grande (RS). “Temos aí pelos menos três anos de atraso desde que conseguimos inlcuir a obra no PAC. Passado tudo isso, agora temos um prazo bastante imediato. Mês que vem teremos a condição de saber por onde passará essa obra”, destacou Jerônimo. A definição do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul levou em conta aspectos como a demanda econômica, o fluxo de caminhões e a geografia do solo, tendo em vista o menor custo logístico de transporte e o incremento do volume de cargas. O levantamento apontará a alternativa de traçado mais viável, inclusive os ramais de ligação. De acordo com Jerônimo, “esse estudo que está sendo feito leva conta três traçados possível e em junho teremos a definição daquilo que vai entrar em licitação”, explicou. Na avaliação de Jerônimo, a Ferrovia Norte-Sul é fundamental para a mudança da logística brasileira, fortemente dependente do transporte rodoviário. “Especialmente para o Rio Grande do Sul, que tem um dos melhores portos. Mas sem ter a ligação com a ferrovia ele fica incompleto. Então nós teremos uma redução de custo logístico muito importante, que dará ao Estado uma grande competitividade no contexto nacional e internacional”, destacou. O parlamentar pediu que as comunidades se mobilizem e aumentem a pressão sobre o governo para que este prazo seja cumprido e que não haja novos atrasos na definição do traçado. Ele entende que é preciso acelerar os investimentos em ferrovias, modal de transporte 40% mais econômico do que o rodoviário. Além disso, é um modal de transporte mais seguro e que gera ganhos enormes para o meio ambiente.

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População de rua aumenta em Porto Alegre e políticas públicas falharam, diz Fasc

Na Capital, 1,3 mil pessoas constroem suas vidas tendo praças e viadutos como lares

Na Capital, 1,3 mil pessoas constroem suas vidas tendo praças e viadutos como lares | Foto: Samuel Maciel

Na Capital, 1,3 mil pessoas constroem suas vidas tendo praças e viadutos como lares | Foto: Samuel Maciel

Para a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), que disponibiliza 1,2 mil vagas em Porto Alegre ao acolhimento da população em situação de rua, é necessário um trabalho conjunto. “Vivemos um caos social. Entramos em ação porque as políticas públicas falharam, mas o nosso desejo é ter todas entrelaçadas para ressocializar essas pessoas”, afirma o presidente Marcelo Soares.

A população de rua é acompanhada pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. A quantidade de pessoas nas ruas está aumentando, conforme Soares, e há escassez, inclusive, de pessoas para atendimento. A rede para adultos, que oferece pernoite e alimentação, conta com 173 vagas em três abrigos, 50 em abrigos familiares, 24 em república, 355 em três albergues, 260 em quatro instituições de longa permanência e 220 nos dois Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua.

Há ainda 24 idosos na primeira casa lar do município. Outras 123 vagas são abertas no inverno. Para a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), que disponibiliza 1,2 mil vagas em Porto Alegre ao acolhimento da população em situação de rua, é necessário um trabalho conjunto. “Vivemos um caos social. Entramos em ação porque as políticas públicas falharam, mas o nosso desejo é ter todas entrelaçadas para ressocializar essas pessoas”, afirma o presidente Marcelo Soares.

A população de rua é acompanhada pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. A quantidade de pessoas nas ruas está aumentando, conforme Soares, e há escassez, inclusive, de pessoas para atendimento. A rede para adultos, que oferece pernoite e alimentação, conta com 173 vagas em três abrigos, 50 em abrigos familiares, 24 em república, 355 em três albergues, 260 em quatro instituições de longa permanência e 220 nos dois Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua. Há ainda 24 idosos na primeira casa lar do município. Outras 123 vagas são abertas no inverno.

Na Capital, 1,3 mil pessoas vivem nas ruas 

Barracos erguidos nas ruas de Porto Alegre abrigam centenas de pessoas que tiveram suas vidas moldadas debaixo de lonas. Cada construção improvisada denuncia a realidade da Capital. Entre homens, mulheres e crianças, são 1.347 em situação de rua, conforme o último censo, de 2010. Algumas delas, que se instalaram no asfalto e buscam o abrigo de viadutos e praças, estão há mais de 25 anos dessa forma. O município oferece albergues, núcleos de acolhimento e abrigos. Porém, as medidas não agradam nem alcançam a todos.

Com apenas 5 anos, Daniel Silveira se tornou um filho da rua. Nascido em Ijuí, foi deixado na capital gaúcha pela mãe e aprendeu, desde pequeno, a encontrar o seu próprio caminho. Hoje, com 43, ele tem um barraco na praça Brigadeiro Sampaio, em Porto Alegre, onde guarda os pertences e as histórias que foram acumuladas com o passar dos anos. “Quando eu cheguei na cidade e fui largado sozinho na rua, procurei logo um lugar para me deitar e me proteger do frio. Com o tempo, fui aprendendo a viver dessa forma”, lembra Daniel.

O barraco construído com lonas, que alcançam um dos braços de uma figueira centenária da praça, é dividido com o amigo Jorge Luis da Silva, 40, um conterrâneo que também ganhou as ruas.  No local, carrinhos de supermercado, caixas de papelão, sacos plásticos e um quadrado com madeiras pregadas, que imitam o esqueleto de uma cama, estão assentados na terra e compõem a moradia. Em um dos cantos, uma caixa de papelão foi transformada também em casa para a cadela que Daniel encontrou na rua, enquanto catava latinhas para a reciclagem: Lois Lane, a companheira escolhida para os momentos de solidão. O nome é inspirado no amor do Super Homem. “Encontrei ela largada, assim como eu fui, e resolvi cuidar dela. Hoje eu dou o melhor que posso a ela, porque aqui só tem amor”, conta Daniel.

O sentimento é anunciado logo na chegada por uma placa que estampa o nome escolhido para o barraco: “Recanto do Amor”. Foi dessa forma que o menino que pedia comida e dinheiro na rua cresceu e foi buscar a sobrevivência. “Comecei a trabalhar em obras e depois em um supermercado. Assim eu fui vivendo e me criei”, explica.
Daniel se casou, teve filhos e diz ter estudado. “Também dava aulas de capoeira, foi o que me salvou das drogas”, relata.  Mas a rua continuou sendo o lugar que ele escolheu para viver. “Não fiquei sempre na rua, mas acabei voltando para ela, porque isso também se tornou um estilo de vida”, resume.

Correio do Povo – Jézica Bruno

Ciclistas protestam contra impunidade no trânsito

Grupo chegou a bloquear cruzamento da Ipiranga com Erico Verissimo por dez minutos

Foto: Fabiano do Amaral

Foto: Fabiano do Amaral

Cerca de 50 ciclistas realizaram uma bicicleteada pelas ruas da Capital em protesto contra impunidade na noite de sexta-feira. Eles reclamam dos motoristas que atropelaram ciclistas e que ainda continuam à solta e conduzindo veículos motorizados.

Os cicloativistas pararam em frente ao Tribunal de Justiça, na avenida Borges de Medeiros, onde reclamaram da morosidade da Justiça em julgar o responsável pelo o atropelamento de 17 pessoas durante massa crítica realizada há quatro anos.

Depois, na esquina das avenidas Ipiranga com Erico Verissimo, os ciclistas trancaram a circulação dos carros por 10 minutos. Conclamaram o presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, a explicar por que um taxista ainda dirige seu táxi apesar de ter matado três pessoas. “Cappellari, assim não dá. O taxista tem licença para matar!”, bradaram em coro.

“Eu não concordo que um trabalhador não tenha o direito de circular na rua sem saber se vai chegar bem em casa. E se acontecer algum acidente de trânsito a impunidade encobre isso”, comentou um dos cicloativistas.

Correio do Povo – Nildo Júnior

Governo do RS fecha parceria para polo tecnológico de saúde

Instituto Central de Engenharia Biomédica da Alemanha trabalhará com hospitais e centros de pesquisa

Mãe de Deus Center (direita). Foto: Gilberto Simon

Mãe de Deus Center (direita). Foto: Gilberto Simon

O governador José Ivo Sartori formalizou, nesta quarta-feira no Palácio Piratini, uma parceria com o Instituto Central de Engenharia Biomédica da Alemanha para a criação do Medical Valley, que reúne hospitais universitários e centros de pesquisa a partir da estrutura já existente no Estado. “O governo se coloca como organizador do sistema que deve atrair investimentos para a saúde”, projetou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Fábio Branco. Ele destacou também que a iniciativa terá custo zero. “Uma das vantagens é que o sistema público de saúde será beneficiado com a parceria da iniciativa privada”, concluiu.

Diretor do Instituto Central de Engenharia Biomédica da Alemanha, Tobias Zobel destacou que o objetivo é estimular a criação de um polo tecnológico aplicado à área médica no Rio Grande do Sul. Segundo ele, o projeto de adensamento da cadeia produtiva conta com a adesão do Sistema de Saúde Mãe de Deus e do Parque Tecnológico Tecnosinos, com o apoio do Badesul. “Este modelo já foi implementado na China e nos Estados Unidos com sucesso”, comentou o dirigente. “Escolhemos o Rio Grande do Sul por conta da infraestrutura médica e tecnológica que já está pronta, faltando apenas a conexão com a indústria de ponta para que ambos os setores sejam mutuamente beneficiados”, salientou.

O diretor de Desenvolvimento e Inovação do Sistema de Saúde Mãe de Deus, disse que a ideia é unir as áreas de pesquisa, ensino, clínica e produção industrial de alta tecnologia, na formação de um centro de referência tecnológico voltado para a área da saúde. “A colaboração entre centro industrial e institutos de pesquisa é um fator de sucesso nos países mais desenvolvidos do mundo. A Universidade produz muitos trabalhos é é preciso associá-los de algum modo é linha de produção, como estamos empreendendo”, finalizou.

Correio do Povo – Luiz Tosca

Ciclovia da Ipiranga continua

A construção de um trecho de 1,5 km, entre a avenida Cristiano Fischer e a rua Félix Contreiras Rodrigues, marca a continuidade das obras da Ciclovia da avenida Ipiranga.

Os trabalhos, já em andamento, com limpeza do piso e colocação de estacas para demarcação, fazem parte de contrapartida de investimentos da empresa Goldsztein Cyrela na cidade.Ao todo, já foram entregues 2,8 km de espaços exclusivos para os deslocamentos de ciclistas na Ipiranga, entre a avenida Edvaldo Pereira Paiva e a rua Silva Só.

A previsão da Prefeitura, de acordo com a EPTC, é a conclusão de toda a ciclovia da Ipiranga até o final deste ano, com um total de 9,4 km.

Até este momento, a cidade já conta com 25 km de ciclovias. Os próximos a serem entregues oficialmente ficam na avenida Érico Veríssimo, no bairro Azenha, com 500 m, e na rua Ignês Fagundes, na Restinga, totalizando dois quilômetros, na zona Sul da cidade.

ONDE:

ciclovia-ipiranga-maio-2015

Affonso Ritter

Sartori pede agilidade em estudo sobre expansão do Catamarã

Transporte fluvial chegou a 3 milhões de usuários

Sartori pede agilidade em estudo sobre expansão do Catamarã | Foto: Luiz Chaves / Palácio Piratini / CP

Sartori pede agilidade em estudo sobre expansão do Catamarã | Foto: Luiz Chaves / Palácio Piratini / CP

O governador do Estado José Ivo Sartori pediu nesta quinta-feira agilidade na análise da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) de expansão do serviço do Catamarã. O estudo, que avalia interesse de passageiros e trajetos possíveis, visa atender Charqueadas, São Jerônimo e Triunfo na região do Delta do Jacuí.

No entanto, uma pesquisa que começou em abril do ano passado, ainda depende do modelo de concessão do governo do Estado e da abertura de licitação para ver interessados. As declarações foram feitas durante a celebração dos três milhões de passageiros que utilizam o transporte fluvial, em Guaíba.

Às 18h, na viagem sentido Porto Alegre-Guaíba, a CatSul fará o sorteio de uma passe livre de um mês a um dos passageiros. O Catamarã dispõe de três embarcações, sendo duas com 122 passageiros e um com 140, que já fizeram 45 mil viagens. São uma média de 3,3 mil passageiros ao dia.

Correio do Povo – Mauren Xavier

Vereadores lançam Frente Parlamentar para tratar de população em situação de rua

Débora Fogliatto

No ano passado, população de rua protestou em frente à Smed contra fechamento da EPA | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

No ano passado, população de rua protestou em frente à Smed contra fechamento da EPA | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Para avaliar os aparelhos de acolhimento às pessoas em situação de rua, a vereadora Sofia Cavedon (PT) propôs a criação de uma Frente Parlamentar na Câmara de Porto Alegre. A necessidade veio a partir do iminente fechamento da Escola Porto Alegre (EPA), determinado pela Prefeitura no ano passado e que causou grande mobilização popular. Os parlamentares irão começar a se reunir no final deste mês, quinzenalmente.

A Frente irá monitorar o Plano Municipal de Enfrentamento à Situação de Rua, lançado em 2011 com a participação de 13 secretarias. “Vamos verificar se está sendo alcançado. Uma das propostas era ‘promover a saída da rua através de alternativas inovadoras e socialmente inclusivas’. Isso está acontecendo?”, questionou Sofia. Ela destaca que no plano também consta a atenção integral à população adulta em situação de rua, principalmente no que diz respeito a “saúde, habitação, trabalho e renda, educação, cultura e esportes”.

No item de educação entra a Escola EPA, a única em Porto Alegre que atualmente atende apenas jovens e adultos em situação de rua e de vulnerabilidade social. Em 2014, a comunidade escolar se movimentou, procurando a Câmara de Vereadores, após o anúncio de que a instituição seria fechada para que o local fosse transformado em uma escola de educação infantil. Segundo determinação da Secretaria Municipal de Educação (Smed), os estudantes seriam transferidos para o Centro Municipal de Educação do Trabalhador Paulo Freire (CMET).

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Obras na trincheira da Anita serão reiniciadas na segunda-feira

Cronograma de execução a partir da retomada é de dez meses  Foto: Divulgação PMPA

Cronograma de execução a partir da retomada é de dez meses  Foto: Divulgação PMPA

As atividades na Trincheira da Anita Garibaldi serão retomadas na segunda-feira, 18. O Consorcio Tradição assume a obra após o encerramento do contrato com a Sultepa no início do mês de abril. Atualmente, o estágio de conclusão da obra é de 39%: o cronograma de execução a partir da retomada é de dez meses. O valor é de R$ 9. 168.505,40.

Estabelecido o encerramento, a Prefeitura de Porto Alegre aguardou o prazo legal de manifestação de aceite da obra pelas segunda e terceira colocadas na licitação realizada. A segunda colocada não aceitou. Mas a terceira colocada – Consórcio Tradição –  aceitou pelo mesmo preço da empresa que teve o contrato encerrado.

A trincheira integra o conjunto de cinco grandes obras executadas com o objetivo de qualificar o fluxo do trânsito da Terceira Perimetral. Estão em andamento também as trincheiras das avenidas Ceará e Cristóvão Colombo e os viadutos das avenidas Bento Gonçalves e Plínio Brasil Milano. De acordo com dados da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), atualmente 75 mil veículos cruzam por dia a Terceira Perimetral através da Anita Garibaldi. Com a trincheira, passarão por baixo da via, deixando de sobrecarregá-la.

Prefeitura de Porto Alegre

Autorizações e licenças públicas impedem avanço do Cais Mauá

Foto: Norberto Lemos

Foto: Norberto Lemos

Edemar Tutikian, que na prefeitura de Porto Alegre responde pela responsabilidade da administração municipal no caso Cais Mauá, informou que o decreto do governo estadual que criou grupo de trabalho não objetiva debater nada, mas reunir os esforços públicos pela demarragem das licenças ambientais e de instalação dos empreendimentos que irão para o porto.

A empresa que revitalizará o Cais Mauá não consegue levar o projeto adiante porque não recebeu ainda todas as autorizações públicas necessárias.

Segundo disse Tutikian, isto poderá acontecer num prazo de até seis meses.

Políbio Braga

Rosario: a Porto Alegre que “deu certo”!, por Marcelo Allet

Não fosse a surpreendente semelhança de ambiência urbana que se experimenta caminhando pelas ruas de Rosario, principal cidade e centro econômico da província argentina de Santa Fé, a referência a Porto Alegre no título escolhido para este artigo não faria sentido.

Figura 1a – As semelhanças entre Rosario e Porto Alegre começam na sua condição geográfica...

Figura 1a – As semelhanças entre Rosario e Porto Alegre começam na sua condição geográfica…

Figura 1b – ...e se estendem pela tipologia arquitetônica do antigo porto - hoje convertido em equipamento cultural junto às águas do Rio Parana. – passando pelas ruas da Área Central com arquitetura de matriz europeia.... até a ambiência familiar das pessoas tomando chimarrão nos espaços públicos.

Figura 1b – …e se estendem pela tipologia arquitetônica do antigo porto – hoje convertido em equipamento cultural junto às águas do Rio Parana. – passando pelas ruas da Área Central com arquitetura de matriz europeia…. até a ambiência familiar das pessoas tomando chimarrão nos espaços públicos.

O termo “deu certo” – no entanto – faz todo sentido, na medida da agradável constatação, especialmente para um arquiteto, das exitosas transformações urbanas que Rosario vem promovendo nos últimos anos, com uma ênfase deliberada na qualificação do seu sistema de espaços públicos. Sobretudo naqueles junto às margens do Rio Parana, que define o contorno da sua fronteira leste.

Figura 2a – A antiga área portuária – antes separada da a área central da cidade também por um muro - é hoje um sistema de espaços públicos que com um mix adequado de bares, restaurantes, serviços e equipamentos culturais à beira do seu Rio.

Figura 2a – A antiga área portuária – antes separada da a área central da cidade também por um muro – é hoje um sistema de espaços públicos que com um mix adequado de bares, restaurantes, serviços e equipamentos culturais à beira do seu Rio.

Figura 2b – Acima a área norte do antigo porto, que hoje vem sendo convertida em uma nova centralidade urbana com usos simultâneos de habitação, entretenimento, convenções e comércio e serviços. O conceito é o vencedor de concurso público de ideias e os respectivos projetos desenvolvidos pela Municipalidade de Rosário. Abaixo os espaços públicos criados junto à porção central da orla, com projetos também de autoria da equipe de arquitetos da Municipalidade de Rosario.

Figura 2b – Acima a área norte do antigo porto, que hoje vem sendo convertida em uma nova centralidade urbana com usos simultâneos de habitação, entretenimento, convenções e comércio e serviços. O conceito é o vencedor de concurso público de ideias e os respectivos projetos desenvolvidos pela Municipalidade de Rosário. Abaixo os espaços públicos criados junto à porção central da orla, com projetos também de autoria da equipe de arquitetos da Municipalidade de Rosario.

Atendendo ao convite informal de uma colega da Municipalidade de Rosario, estive por lá em outubro passado para visitar a IX Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo, que em 2014 teve como sede a charmosa e pródiga cidade argentina; afortunadamente, nossa irmã diplomática desde 1995.

Semelhanças, satisfação, tristeza… e um convite à reflexão sobre as estruturas porto-alegrenses de planejamento e gestão urbana.

Esta segunda visita à Rosario provocou-me sentimentos simultâneos de satisfação e tristeza.

Satisfação, por vivenciar espaços urbanos cada vez mais vivos e arquitetonicamente qualificados, resultado do protagonismo público local traduzido pela implementação de instrumentos de planejamento e gestão nos quais desde há muito tempo acredito.

Tristeza, por conhecer de perto a generosa distância de cultura e prática urbanísticas que – a despeito das semelhanças de ambiência – separam a nossa cidade de sua irmã argentina.

A escolha pelo foco no sentimento da satisfação acabou por contagiar meus pares profissionais cotidianos, gerando então dois convites: o convite para um relato técnico dirigido a alguns colegas e ao novo secretário de urbanismo de Porto Alegre – Valter Nagelstein – e, ainda em viagem, o convite para escrever este artigo, vindo do editor do Blog Porto Imagem; casualmente, também um servidor municipal e sempre atento aos “gargalos” urbanísticos da nossa cidade.

O relato técnico acima mencionado ocorreu recentemente no âmbito interno da SMURB, provocando nos colegas uma saudável reflexão e, no novo secretário, um claro e bem vindo estímulo ao seu aprofundamento.

Figura 3 – capa da apresentação feita aos colegas da SMURB e seu novo secretário em 23 de março de 2015.

Figura 3 – capa da apresentação feita aos colegas da SMURB e seu novo secretário em 23 de março de 2015.

Considerada a natureza coletiva do tema cidade, o presente artigo busca então ampliar para o conjunto dos porto-alegrenses a oportunidade desta reflexão.

Essencialmente, seu objetivo consiste em provocar – a partir da exitosa experiência de Rosario como referencial bem próximo a nós – uma discussão responsável e construtiva sobre as distorções que hoje fragilizam os instrumentos e estruturas de planejamento e gestão urbana de Porto Alegre; e, portanto, comprometem o seu futuro.

A cidade como um sistema, Rosario e suas estruturas de planejamento e gestão urbana.

Em que pesem as diferenças de origem e trajetória, cultura e demais singularidades locais, toda e qualquer cidade pode ser compreendida e gerenciada como um sistema aberto de alta complexidade composto, basicamente, por um conjunto de subsistemas de igual natureza essencial; quais sejam, base geográfica, infraestruturas de saneamento, mobilidade, comunicação e recurso edificado, onde as pessoas habitam, circulam, trabalham, interagem, se divertem, criam seus filhos e sonham.

Submetidos continuamente a dinâmicas e interesses diversos, estes subsistemas “respondem”, por assim dizer, com desempenhos que – de uma forma geral – ou deprimem ou estimulam a materialização das condições necessárias à qualidade de vida e à prosperidade material e imaterial da sociedade que abrigam. Não são outras, se não estas, a composição e os propósitos fundamentais de toda e qualquer cidade.

Em abril de 2010 o Grupo de Trabalho da Orla (GT ORLA) -instância de planejamento que coordenei na antiga SPM, hoje SMURB – se preparava para finalizar as “Diretrizes de Desenho Urbano para a Orla Central de Porto Alegre” quando a notícia do êxito da municipalidade de Rosario na condução do propósito fundamental da cidade que administra nos atraiu para uma primeira visita técnica à cidade “hermana”.

Figura 4 – GT ORLA. 2010: Plano de Qualificação Urbanística para a Orla Central de Porto Alegre, contendo diretrizes resultantes, em grande medida, da Iniciativa de intercâmbio técnico com a Municipalidade de Rosario sobre mecanismos e procedimentos administrativos de qualificação urbanística de orlas urbanas.

Figura 4 – GT ORLA. 2010: Plano de Qualificação Urbanística para a Orla Central de Porto Alegre, contendo diretrizes resultantes, em grande medida, da Iniciativa de intercâmbio técnico com a Municipalidade de Rosario sobre mecanismos e procedimentos administrativos de qualificação urbanística de orlas urbanas.

Naquele momento interessava-nos conhecer não apenas suas estruturas de planejamento e gestão urbana, mas, especificamente, como aquelas estruturas vinham viabilizando as operações urbanas – ainda em curso por lá – de reconversão de uma orla há bem pouco tempo (uma década) com função logística e acesso restrito, que hoje abre a cidade argentina ao seu rio.

Figura 5 – Sistema de Espaços Públicos na Orla Urbana de Rosario, antiga área logística então apartada da cena urbana e que hoje abre a cidade ao seu rio.

Figura 5 – Sistema de Espaços Públicos na Orla Urbana de Rosario, antiga área logística então apartada da cena urbana e que hoje abre a cidade ao seu rio.

Daquela primeira viagem restou-me a certeza do dever cumprido, dois amigos “Rosarinos” e a vontade de voltar com mais calma para uma compreensão mais cuidadosa de suas estruturas de planejamento e gestão urbana.

Figura 6 – Acima, mesa do Seminário Internacional Porto Alegre de Frente para o Guaíba, promovido pelo GT ORLA / SPM / PMPA em outubro de 2010 como evento principal do intercâmbio referido na figura 4. Abaixo imagem alusiva às estruturas de Planejamento e Gestão Urbana de Rosario, que classifica a conversão da sua orla em sistema qualificado de espaços públicos como uma “OPERAÇÃO ESTRUTURAL ESTRATÉGICA”.

Figura 6 – Acima, mesa do Seminário Internacional Porto Alegre de Frente para o Guaíba, promovido pelo GT ORLA / SPM / PMPA em outubro de 2010 como evento principal do intercâmbio referido na figura 4. Abaixo imagem alusiva às estruturas de Planejamento e Gestão Urbana de Rosario, que classifica a conversão da sua orla em sistema qualificado de espaços públicos como uma “OPERAÇÃO ESTRUTURAL ESTRATÉGICA”.

O “Gobierno de Santa Fé” e a “Municipalidad de Rosário” compareceram na IX BIAU não apenas como anfitriões, mas também como expositores , oportunizando aos visitantes conhecer, simultaneamente, a cultura a sistematização e a práticas urbanístico-arquitetônicas do setor público local.

Figura 7 – Stand do Governo da Província de Santa Fé - instância equivalente ao nosso ‘Governo do Estado” – onde foram expostos os avanços e materializações do seu “Projeto Estratégico”.

Figura 7 – Stand do Governo da Província de Santa Fé – instância equivalente ao nosso ‘Governo do Estado” – onde foram expostos os avanços e materializações do seu “Projeto Estratégico”.

O primeiro aspecto que chama a atenção na cultura urbanística “hermana” é a postura de PROTAGONISMO dos poderes público locais. Sobretudo na esfera municipal, como veremos a seguir.

Um segundo aspecto bastante evidente é a premissa de que PLANEJAMENTO e GESTÃO são conceitos indissociáveis. Ou seja, nas palavras de um colega argentino: “não faz sentido planejar se não for para executar e posteriormente manter o devido controle”.

Outra premissa consiste no pressuposto – básico na cultura local – de que esforços, instrumentos e procedimentos de planejamento e gestão urbana devem ser formulados, sempre, com base nos princípios da ARTICULAÇÃO e da melhor ESTRATÉGIA, conforme demonstrado pelo ECOM (Ente de Coordinacion Metropolitana), órgão do “Gobierno de Santa Fé” que corresponde à nossa METROPLAN.

Figura 8 – Stand do “Ente de Coordenação Metropolitana”, correspondente á nossa METROPLAN.

Figura 8 – Stand do “Ente de Coordenação Metropolitana”, correspondente á nossa METROPLAN.

A apresentação dos anfitriões no “Seminário Internacional Transformaciones Urbanísticas Relevantes em Ciudades Iberoamericanas” – evento paralelo integrante da IX BIAU – demonstrou claramente a presença do pressuposto acima referido em suas respectivas abordagens e instrumentos de planificação; demonstrando que as duas esferas públicas locais praticam, com cuidadosa articulação entre sí, a noção que restou consensuada no seminário. Qual seja, a noção de que a condução das transformações urbanísticas relevantes é uma questão de atribuição, protagonismo e responsabilidade da esfera publica; em outras palavras, é uma atribuição do Estado.

Figura 9 – Abertura dos trabalhos do Seminário pela Intendente de Rosario, Srª Mónica Fein, reafirmando o compromisso de Rosario com a noção de que a condução das transformações urbanísticas relevantes é uma questão de atribuição, protagonismo e responsabilidade da esfera pública.

Figura 9 – Abertura dos trabalhos do Seminário pela Intendente de Rosario, Srª Mónica Fein, reafirmando o compromisso de Rosario com a noção de que a condução das transformações urbanísticas relevantes é uma questão de atribuição, protagonismo e responsabilidade da esfera pública.

No caso da “Municipalidad de Rosario” em especifico, o respeito à noção acima referida fica ainda mais evidente quando se examina a sua trajetória, o conjunto de princípios valores e premissas vigentes no ambiente de gerenciamento local, bem como quando se examina a sistematização que adequadamente organiza e articula as suas abordagens, objetos e instrumentos de planejamento e gestão.

Os primeiros esforços de ordenamento da vida sobre o território em Rosario datam de 1858; apenas seis anos após a “declaração” da então vila à condição de cidade.

Ao longo dos anos vários outros planos foram sendo sistematicamente aprimorados e em 1996 Rosário inicia a elaboração de seu “Plano Estratégico”, buscando ordenar seu rumo no contexto de uma economia agora globalizada.
Dois anos depois o processo coletivo de elaboração do Plano Estratégico é finalizado e a cidade conta hoje com um ambiente de gerenciamento – ao que tudo indica bastante “saudável” – estruturado em aspetos como estabilidade politico-administrativa, clareza de papéis e articulação sinérgica entre os agentes (1), bem como um conjunto de instrumentos urbanísticos específicos que de fato permitem a viabilização jurídica, econômica e de gestão continuada das intervenções e políticas públicas previamente planificadas sobre o seu território.

Figura 10 - Planificação territorial das intervenções identificadas pelo “Plano Estratégico” como estruturais para a qualificação da cidade.

Figura 10 – Planificação territorial das intervenções identificadas pelo “Plano Estratégico” como estruturais para a qualificação da cidade.

Amparada, por assim dizer, pelo conjunto de instrumentos acima referido, o “mapeamento” prévio das intervenções sobre a estrutura física da cidade permite à municipalidade, dentre outras capacidades, uma prática administrativa bastante salutar e praticamente inexistente na municipalidade de Porto Alegre: desenvolver e detalhar os projetos urbanos correspondentes – ora desde a concepção inicial, ora a partir das proposições vencedoras de concursos públicos de ideias – de modo a exercer um saudável controle público sobre a qualidade dos espaços e ambiências que vão então definindo a cidade (2).

Figura 11 – Acima os integrantes do GT ORALA sendo recebidos em 2010 na ‘Oficina Técnica de Projetos” da “Secretaria de Planiamento de Rosario”, o “Plan Maestro” e alguns dos projetos já executados na sua Orla Central, como o abaixo – e um dos mais recentes - o Restaurante RIO MIO.

Figura 11 – Acima os integrantes do GT ORALA sendo recebidos em 2010 na ‘Oficina Técnica de Projetos” da “Secretaria de Planiamento de Rosario”, o “Plan Maestro” e alguns dos projetos já executados na sua Orla Central, como o abaixo – e um dos mais recentes – o Restaurante RIO MIO.

O Documento legal que hoje reúne o arcabouço acima sintetizado é O PLANO URBANO ROSARIO 2007-2017 (PUR). Muito mais um “Projeto de Cidade” – conforme anuncia no PUR o conjunto de intervenções mapeadas sobre o território da cidade – do que algo semelhante aos “Planos Diretores” que pretensamente ordenam (ou desordenam…?) o desenvolvimento urbano das cidades brasileiras, como no caso de Porto Alegre.

Figura 12 - O conjunto de intervenções mapeadas sobre o território da cidade caracteriza a atual condução urbanística de Rosario como um “PROJETO DE CIDADE”.

Figura 12 – O conjunto de intervenções mapeadas sobre o território da cidade caracteriza a atual condução urbanística de Rosario como um “PROJETO DE CIDADE”.

Porto Alegre e a crise de suas estruturas de planejamento e gestão urbana.

Inicialmente é preciso lembrar que – no Brasil – a noção de “Planejamento Governamental” jamais conseguiu evoluir para padrões continuamente eficazes no que tange ao seu propósito essencial de ordenar e otimizar a condução dos interesses nacionais na direção da prosperidade (3). E isto não apenas na área econômica – seu objeto historicamente mais contemplado – mas também no que se refere ao ordenamento e à condução das nossas cidades (4).

Assim, a “crise” das estruturas de planejamento e gestão urbana acima anunciada não se verifica, portanto, somente em Porto Alegre consistindo – com maior ou menor gravidade conforme a cidade – em mais uma versão da crônica “patologia de gestão” que permeia as três esferas do setor público no Brasil.

Interessa-nos, no entanto, o caso de Porto Alegre; uma cidade que em meados do século XX já pôde se jactar de ser referência nacional em termos de planejamento urbano, estando hoje bem longe desta condição.

Essencialmente, nossas estruturas de planejamento e gestão urbana consistem no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Porto Alegre – o PDDUA – as instâncias que dentro dele previstas estruturam a participação da comunidade organizada no planejamento físico-espacial da cidade e a Secretaria Municipal de Urbanismo – SMURB – cuja estrutura administrativa tem como atribuição legal e específica conduzir os instrumentos e as rotinas de planejamento e gestão afetas ao ambiente físico-espacial da cidade.

Considerado o interesse deste artigo em provocar uma discussão responsável e produtiva, bem como considerada a natureza politicamente delicada desta discussão, em nada ajudaria – neste momento – avançar na caracterização pormenorizada das distorções existentes hoje em cada uma das três estruturas acima sintetizadas; Neste momento, Interessa “relembrar” que elas existem, que suas implicações comprometem o futuro da cidade e que, em alguma medida, já são conhecidas no meio profissional.

A relativa complexidade do tema exige por si só um artigo específico para tal, a ser eventualmente escrito com os devidos cuidados quanto à escolha de uma linguagem acessível ao leigo e, sobretudo, que desperte na sociedade local um desejo de avanço no tema e não de mais e mais conflitos eternos como costuma ocorrer entre nós, onde perdemos todos.

Enfim, ficam então dois convites: um primeiro à reflexão sobre o que o êxito urbanístico de Rosário nos inspira a pensar sobre Porto Alegre…. e um segundo convite para – assim que possível – uma visita a Rosário, nossa bem resolvida e charmosa irmã argentina.

Notas do texto:

1. Secretaria de Planiamento de Rosario; Universidades; Investidores Imobiliários; Representações Técnico-Profissionais, Comunidade Organizada, Poder Legislativo e ONG’s locais, onde os quatro primeiros detalham conjuntamente as intervenções preestabelecidas no “plano Urbano” e as submetem para a discussão, ajustes e validação por parte dos três demais.

2. A estrutura administrativa da Secretaria de Planejamento da Municipalidade de Rosário conta com “Oficinas Técnicas de Projeto”, onde são concebidos e desenvolvidos a maioria dos” Planos Locais” e suas respectivas intervenções de qualificação dos espaços públicos, também na Orla da Cidade. Um exemplo emblemático hoje desta prática administrativa é o desenvolvimentos dos projetos resultantes do concurso de ideias promovido pela Municipalidade de Rosário para a Operação Estrutural “La Renovacion del Puerto Norte”.

3. Para mais detalhes ver:

http://iis7-e2.cepal.org/brasil/publicaciones/sinsigla/xml/9/36379/LCBRSR205FernandoRezende.pdf

4. Para uma visão geral ver:

http://urbanidades.arq.br/2008/11/urbanismo-e-planejamento-urbano-no-brasil-1875-a-1992/

*Arq. Urb. Marcelo Allet
Arquiteto e Urbanista;
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – 1990
Especialista em Planejamento Urbano e Regional;
PROPUR / UFRGS – 1995
Arquiteto do quadro da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
SMURB / PMPA – desde 1996