A Espanha e a qualidade dos projetos urbanísticos – 1 de 3

Vou pegar carona no post abaixo de Barcelona e transportá-los agora mais ao norte à capital da Espanha. Valdebebas é um projeto de desenvolvimento urbanístico  na parte norte do município de Madrid. A singularidade deste novo distrito, com milhares de edificações em construção, é a combinação de usos: residenciais, escritórios, shoppings, hotéis, centros de lazer e instalações públicas e uma grande conectividade a redes de transportes públicos. Quando pronto ele vai acolher cerca de 12,500 casas de apartamento e uma população de 40.000 habitantes.

Quando me deparei com este projeto em construção me lembrei que a Espanha está na M. Que nossa economia ultrapassou a deles. Mas o que mais me chocou foi, da mesma maneira que as fotos das ciclovias de Boston, a esmerada qualidade no acabamento, no incrível bom gosto paisagístico, na preocupação quase fanática pelos detalhes, pela perfeição, pelo esmero e a qualidade.

Este post irá ser o primeiro de três, pois as fotos são muitas. Novamente, espelhamo-nos! (Clique para ampliar)

Uma vista  geral

Um render de com será um trecho, quando pronto. Não existe arranha céus ou high rises, mas notei uma preocupação de fugir um pouco dos pombais

O projeto paisagístico, à direita, será esmiuçada mais adiante

A quantidade de árvores plantadas aqui é estonteante

Os detalhes, os detalhes

Ciclovia: árvores darão sombra no verão aos ciclistas

Detalhes: bebedouros e paisagismo

Isso não é um paisagismo qualquer



Categorias:Arquitetura | Urbanismo

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64 respostas

  1. Se Porto Alegre quisesse enfrentar o déficit habitacional, poderia adotar soluções realmente planejadas e ordenadas, como esse tipo de projeto urbanístico; além de reativar edifícios privados/públicos abandonados/subutilizados.

    Mas o que se vê é projeto Minha Casa Minha Vida indo cada vez para o Extremo Sul, onde não há e não chegará tão cedo infraestrutura adequada.

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  2. ok

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  3. Leiam: Insane Spain

    http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/04/15/insane-in-spain/

    Paul Krugman, prêmio nobel de Economia em 2008

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    • Desvio do assunto principal, que é arquitetura. O tópico era só um exemplode como a espanha fez um belo conjunto arquitetônico e de como aqui poderìamos fazer belas obras também. Nossa demanda por habitações está aquecida e de qualquer maneira vão ser contruídas, mas como podemos ver no exemplo espanhol, dá pra ser belo, dentro da nossa realidade econômica.

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  4. Acho que a crise européia, é fruto da pós modernidade, medir índice de desemprego ?? Só se consegue medir neste sistema industrial arcaico. As pessoas ainda não estão preparadas para novas formas de trabalhar, como :trabalho temporário, meio turno, free lancer, consultoria e outras formas que estão tomando conta do mercado de trabalho atual. Aquela forma antiga de entrar para uma empresa e passar a vida inteira, bater cartão (fazer carreira, ou não sujar a carteira) aquilo foi no tempo do meu pai, que passou a vida inteira na mesma empresa, ou se for um funcionário público concursado (até quando?). Os novos profissionais, os que estão enquadrados com os novos tempos, tem compromisso com as suas carreiras e não com as empresa onde trabalham. Bom mas vai levar um tempo para os profissionais se acostumarem com isso, aqui na Europa, na Ásia no mundo inteiro. Por isso acho que não é uma crise o que ocorre na Europa, é uma transformação na forma de trabalhar. Estamos na era da “incerteza e da instabilidade” Quanto a cidade de Porto Alegre, tá muito ruím, eu que fotografo a cidade, fico deprimido, com o abandono, sujeira, depredação, descaso, falta de policiamento. Tá difícil. Para os que querem mudar para Europa, talvez agora não seja o melhor momento.

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    • Perfeito comentário Jorge!!!

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    • Legal Jorge! Ótimo comentário! Acho que vc matou a charada dos dois lados, tanto do desleixo com a nossa cidade quanto em relação à crise.

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    • Para os que negativaram meu comentário sobre a “crise na Europa e o trabalho”, tudo bem, leva um tempo, para assimlar-mos as mudanças…quem não assimilar ta fora do jogo, é simples! sempre terá alguma caverna para morar.
      “Acreditar que os trabalhadores substituídos pelas máquinas encontrarão inevitavelmente trabalho na cosntrução dessas mesmas máquinas, equivale a acreditar que os cavalos substituídos pelso veículos mecânicos poderiam ser utilizados nos diferentes setores da indústria automobilística” Wassily Leontief.

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  5. Qual a diferença para que aqui (aqui sendo o Brasil e não somente POA) as coisas sejam tão malfeitas e lá fora (qualquer lugar que não o Brasil) as coisas sejam tão bem feitas? Resposta: Educação. Arquitetos, engenheiros, mestres-de-obras, pedreiros, calceteiros, azulejistas não nascem em árvores. O ensino superior no Brasil é péssimo, os profissionais são muito mal-formados. O ensino técnico foi totalmente abandonado e desprezado. Não há profissionais qualificados. Coloca-se qualquer um para projetar, executar e fiscalizar as obras, usa-se o que tem no mercado. Os países que têm obras faraônicas e não têm educação importam os profissionais, como no oriente médio.

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    • Não concordo que o ensino superior no Brasil é péssimo, sou formado aqui e me considero um ótimo profissional, estudei fora na Itália, e acho que não ficamos devendo para eles. O mundo tá globalizado, as coisa estão mais ou menos niveladas, salvo alguns países muito pobres

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      • Concordo com o Jorge. O problema aqui não é a formação dos arquitetos ou engenheiros. Eles são bem formados e depois não são valorizados. As construtoras fazem sempre caixotes iguais para poupar e era isso. Na realidade acho que tem a ver com o fato que não se valoriza trabalho especializado no Brasil mesmo.

        E temos uma visão muito limitada sobre o valor de urbanismo e os benefícios que poderia nos trazer.

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  6. Meu deus, vocês estão viajando muito… O ponto é que estamos pondo milhões no mercado imobiliário para fazer uma cidade horrível. Não sei por que estão discutindo qual modelo econômico é o melhor.

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    • exatamente. em um pequeno parágrafo você falou tudo!
      esse é problema de porto alegre, estar sempre querendo discutir o sexo dos anjos. é querer estar sempre acima do bem e do mal, dentro do politicamente correto discutindo anjos e arcanjos…
      quanto mimimi…
      o que foi postado lá em cima é um exemplo de bom projeto.
      mas enquanto houver pessoas que usarem da cultura que tem para embaraçar as idéias e desviar os pensamentos do foco, iremos de mal a pior…
      eu sou engenheiro civil. a pergunta é uma só: o projeto é bom ? serve como exemplo prá nós ?
      eu me refiro ao projeto. não quero saber se o pais é rico ou pobre, se é justo ou injusto, se colonizou ou foi colonizado. a pergunta é uam só: o projeto é bom ?
      e os nossos projetos são bons ? são bem executados ? quando prontos tem bom acabamento ?
      acho que foi esse o objetivo da comparação…

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    • Esse é o ponto … O poder público em Bovinópolis é um quintal da sala do SINDUSCON .

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  7. Ah nao tem nada a ver com produtividade….compara a produtividade de um trabalhador alemão com a produtividade de um trabalhador espanhol e tira as tuas conclusões. Detalhe a moeda é a mesma…

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    • A moeda é a mesma, mas compara o peso que a Alemanha tem nas decisões de política monetária do Banco Central Europeu com o peso que a Espanha tem.

      Seria algo como comparar, dentro do Brasil, o peso político-econômico de São Paulo com o do Amazonas.

      (Só para constar: adivinha em que país está a sede do BCE?)

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