Transparência nas informações às demandas da população

No sábado, dia 13 de abril, fui convidada a participar de uma série de entrevistas denominada “Encontro com o Meu Bairro”, promovida pela Revista meuBairro, da Zona Sul, a convite de Letícia Demoly de Mellos. A proposta foi gravar entrevistas, que posteriormente estarão disponíveis na internet, com pessoas formadoras de opinião para discutir assuntos importantes e pertinentes à Zona Sul. Assim, a ideia era tentar responder algumas questões como Sai ou não do papel a reforma do Posto de Saúde da Tristeza? Pontal do Estaleiro Só: benefícios ou prejuízo para Porto Alegre? Por que o Estado não diz sim ao projeto do Centro de Eventos no Morro Santa Tereza? Também conversar sobre a Feira do Livro da Zona Sul, Quando a união muda a paisagem da Capital e O futuro incerto do Centro Cultural Zona Sul. Esse último tema foi o que me coube, posto que há algum tempo venho brigando pela criação de um centro de cultura no espaço onde anteriormente funcionava o Fórum Regional de Justiça e, ainda nos anos 70, foi a fábrica e atelier do Artesanato Guarisse.

Foi um evento muito interessante e que suscitou duas importantes perguntas entre alguns dos entrevistados e que agora eu repasso ao leitores, em especial, aos cidadãos de Porto Alegre: por que algumas demandas simplesmente desparecem da pauta da prefeitura ou do governo estadual e a necessidade urgente de alterar a forma de participação da população. Sobre essa última, alguns passos que estão sendo dados em direção a uma nova forma de participação já foram objeto de análise aqui no blog. Trata-se de grupos formados a partir das redes sociais e que têm a internet como ferramenta para mobilização. São atuações diretas do cidadão em problemas mais restritos, do bairro, de algo pontual, como limpeza de um lugar ou solicitação de algum serviço ineficiente ou inexistente.

A segunda pergunta foi mais difícil. Achar uma resposta plausível para a paralisação da trajetória de demandas importantes da população. O Centro Cultural da Zona Sul é um desses casos. Há anos, a comunidade vinha postulando a criação do espaço, foi ouvida por algumas autoridades, incluídos governadores vereadores, secretários municipais e estaduais, e muitas promessas foram feitas. Mas sem a menor explicação, o local foi “partilhado” e parte cedida para entidade alheia à comunidade, impossibilitando o projeto que previa inclusive um teatro no local. Mesmo após esse episódio, alguns acordos foram assinados, colocando prefeitura e governo do Estado em parceria num condomínio cultural. Mas, o tempo foi passando e a possibilidade de concretizar o sonho foi ficando cada vez mais distante. Até que não mais se falou no assunto.

O caso do Centro de Eventos no Morro Santa Tereza é um outro exemplo. Muito se falou sobre o assunto. O escritório do Oscar Niemayer, que ficaria responsável pelo projeto, expressou sua preferência pelo local no ano passado. Era a tendência, entre as opções apresentadas pelo governo do Estado — concorriam ainda o Centro Vida (bairro Sarandi, na Zona Norte) e a Doca Turística (bairro Navegantes, na Zona Norte). Tempos depois, a construção havia ficado entre o Morro Santa Tereza e o Parque de Exposições de Esteio. De forma inexplicável, uma terceira opção, estranha às duas finalistas, mostra-se a possível vencedora e, agora, apesar de ser uma área do Governo de Estado, a prefeitura tem o poder de decisão.

São dois exemplos de falta de transparência das administrações públicas, deixando a população sem respostas às suas demandas e sem saber quais são os obstáculos que impedem a implementação de projetos importantes para a sociedade.

Blog Chega de demolir Porto Alegre



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Centro de Eventos do RS, Outros assuntos

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2 respostas

  1. Ideia: Aterrar a área do estaleiro Só para dentro do Guaíba, incorporando área, e fazer o centro de eventos lá junto com um conjunto de prédios comerciais (arranha-céus).

    No meu ponto de vista seria um projeto marcante para Porto Alegre, teríamos o centro de eventos na beira do Guaíba e teríamos os arranha-céus que muita gente quer 🙂

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