RS atrai mil vagas de indústria de calçados

EMPREGO CALÇADISTA

Carmen Steffens vai gerar mais de 1 mil vagas no RS

Empresa decide mudar parte da produção de São Paulo para Vale do Sinos

Pela primeira vez em quase duas décadas de uma história bem-sucedida, a grife Carmen Steffens terá calçados fabricados no Rio Grande do Sul. Proprietário da empresa, Mario Spaniol calcula que o deslocamento de parte da produção de Franca (SP) para o Vale do Sinos vai gerar 600 empregos até o final deste ano e mais 600 a 700 no próximo, com a estreia de uma marca para a classe C.

Na contramão de outras indústrias, que demitem e encerram produção local, a Carmen Steffens se voltou para o Estado por pressão de mão de obra. A marca não terá unidade própria no Vale do Sinos, vai comprar das fábricas já instaladas, que precisarão absorver pessoal para atender à nova demanda. A primeira fase do projeto de gauchização da grife prevê a encomenda de 2 mil pares ao dia e deve duplicar até novembro. Em fevereiro de 2012, com a estreia da marca para a classe C, vai agregar 5 mil pares ao dia. O nome está escolhido, mas, como o registro só se completa dentro de 60 dias, Spaniol guarda segredo.

– A nova marca já vai nascer no Sul. Nos produtos Carmen Steffens, vamos colocar pedidos nas fábricas do Vale, para atender ao mercado interno, como antes faziam os exportadores – detalha Spaniol.

Nos últimos anos, relata o empresário, o crescimento da marca – 57% em 2010 e projeção de 30% para este ano –, começou a esbarrar na escassez de mão de obra em Franca e na formação local mais dirigida aos produtos masculinos. Há cerca de 90 dias, foi tomada a decisão de transferir parte da produção para o Rio Grande do Sul.

– Não trabalhamos com um produto que só depende de preço e de incentivo – afirma Spaniol.

Conforme o empresário, a estratégia não vai gerar desemprego em Franca, porque a maior parte dos funcionários locais será absorvida na produção de bolsas, em alta.

– À medida que crescemos, temos de formar mão de obra do zero, o que leva de dois a três anos. Como há abundância de pessoal treinado no Sul, especialmente para sapatos de maior valor agregado como os que fazemos, preferimos fazer dessa forma. Além disso, no Vale estão quase todos nossos fornecedores – explica o empresário.

Gaúcho de São Sebastião do Caí, Spaniol começou a trabalhar no segmento coureiro-calçadista na Malas Weber, em Novo Hamburgo. Em 1981, abriu a Couroquímica, um curtume em França. Em 1993, criou a Carmen Steffens, primeira marca feminina do polo voltado ao público masculino. Hoje existem lá cerca de 70 indústrias de sapatos femininos.

– Como gaúcho, para mim é motivo de alegria poder voltar para o Estado gerando emprego. Sou gremista e são-paulino, mas, num jogo entre Grêmio e São Paulo, o gremismo fala mais alto – afirma Spaniol.

MARTA SFREDO

Quem é
– Não é uma designer, nem uma celebridade. O nome que aparece em 200 lojas de 16 países é o da mãe de Mario Spaniol. Carmen Steffens trabalhou como agente dos Correios em São José do Hortêncio na época em que a localidade era distrito de São Sebastião do Caí. Até 2016, o plano de Spaniol é espalhar o nome por 400 lojas em 30 países, duplicando a rede. Os calçados vendidos na rede de franquias variam de R$ 99 a R$ 549, e as bolsas chegam a R$ 1.299. A marca lança oito coleções por ano, uma a cada 90 dias. O grupo ainda tem um curtume, Couroquímica, e a marca Raphael Steffens, nome do avô materno de Spaniol.


Categorias:Economia Estadual

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3 respostas

  1. Bem feito para os irmãos Grendene! Que não nasceram gaúchos, mas “apareceram” por aqui! O Sr. Spaniol devolve dignidade ao Vale dos Sinos, dignidade esta que os irmãos que “apareceram” em Farroupilha não souberam honrar!

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  2. Esse sempre foi um dos meus gols, voltar ao RS e montar um negocio que agrega- se valor e tecnologia. Por enquanto esta dificil, mas talvez num futuro breve, quem sabe!!!! Boa para o vale e para senhor Spaniol.

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  3. Interessante, a debandada de empresas deve estar tornando o RS num estado com mão-de-obra treinada para o setor e não tão cara quanto era.

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