Icaraí: Capital ganha mais um espaço para os ciclistas

A prefeitura, por intermédio da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), inicia nesta segunda-feira, 2, as obras para mais um novo espaço para os ciclistas na Capital: a ciclofaixa da avenida Icaraí. Ao todo, ela terá 1,7 km de extensão, entre as avenidas Chuí e Wenceslau Escobar, no sentido bairro-centro, localizada ao lado direito da via, junto ao meio-fio e segregada por tachões. O asfalto será pintado na cor vermelha e receberá sinalização horizontal específica para quem utiliza a bicicleta para deslocamentos.

O coordenador dos projetos de mobilidade da EPTC, arquiteto Régulo Ferrari, salienta que o projeto é a primeira ciclofaixa implantada em uma via arterial da cidade. A experiência deverá receber aperfeiçoamentos para ser implantada em outras ruas da cidade. “Realizamos diversos estudos e buscamos as melhores alternativas de segurança para a circulação dos ciclistas”.

Mesmo com a implantação da ciclofaixa, o número de faixas para os veículos automotores seguirá o mesmo, assim como as vagas para estacionamento ao longo da avenida. Em alguns trechos, onde há permissão de embarque e desembarque, carga e descarga ou pontos de parada de ônibus, serão criados recuos viários, onde os ciclistas deverão aguardar as ações dos condutores na ciclofaixa.

Segundo o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, o projeto da ciclofaixa da Icaraí foi elaborado para realizar a integração com a ciclovia da Diário de Notícias e, futuramente, com a da avenida Tronco, criando uma rede de ciclovias. “Porto Alegre abraçou a cultura da bicicleta. A cidade e a prefeitura estão dedicadas em transformar a bicicleta numa alternativa de transporte. Os debates prosseguem e nós estamos trabalhando para implantar, a cada dia, novas ciclovias e ciclofaixas”, afirmou.

Dicas e orientações para motoristas, pedestres e ciclistas que circularão nas imediações e na ciclofaixa da Icaraí

• A ciclofaixa será junto ao meio-fio. Nos locais onde é permitido o estacionamento, este será demarcado à esquerda da ciclofaixa.
• Haverá sinalização específica para paradas de ônibus, locais de embarque e desembarque e de carga e descarga
• Nos cruzamentos, a preferência é do ciclista.O motorista que desejar converter à direita deve ter consciência de que a velocidade do ciclista é superior à do pedestre, devendo redobrar a atenção.
• O ciclista deve trafegar apenas na mão correta, usando no sentido centro-bairro a pista contrária ou a ciclovia da Diário de Notícias.
• Nos cruzamentos o semáforo deve ser respeitado. A preferência é do pedestre onde não há semáforo.
• Nos semáforos onde há conversão à direita, quando o sinal abrir, os ciclistas têm a preferência, por isso os motoristas que pretendem fazer a conversão devem aguardar que todos os ciclistas passem.
• Será criado um “box” para o ciclista aguardar a abertura do sinal à frente dos automóveis.

Fonte: Prefeitura de Porto Alegre

Excelente notícia.

Meu adendo: com certeza virão críticas sobre o fato de ser uma ciclovia unidirecional. Em minha opinião, é uma abordagem muito mais racional, por vários motivos: segurança – o ciclista pedala com o fluxo (como prevê o CTB); espaço – a largura requerida para a ciclovia unidirecional é muito menor, facilitando a implementação e, mais importante, impedindo a circulação de carros na mesma; simplicidade – a implementação pode ser feita com simples taxões.

Por este último ponto (simplicidade), deixo a ideia que muitos já levantaram: em vias como a Ipiranga, onde SEMPRE tem carro estacionado na faixa da direita, independente do horário, seria muito mais racional substituir o estacionamento (largura = 2m) por uma ciclofaixa. Obra simples de fazer e que racionaliza o uso do espaço.



Categorias:ciclovias, Infraestrutura, Qualidade de vida

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20 respostas

  1. Fazendo no canteiro central não ficaria mais fácil ter uma ciclovia bidirecional???

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    • Ciclovias bidirecionais na pista já são um tanto complicadas de planejar devido aos cruzamentos e continuidade em outras ruas. Se for no canteiro central, complica mais ainda, porque deve-se pensar como o ciclista vai chegar ali e como vai sair! Além do mais, eu acho inseguro pedalar na “contramão” ao lado da faixa que os carros correm mais rápido.

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  2. O cara fez uma gozação, mas me refiro a este tipo de problema de obstrução desse tipo de ciclofaixa: http://vimeo.com/25037336

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    • Perceba que no vídeo, a ciclofaixa NÃO tem nenhuma separação física com a rua, apenas demarcação por pintura. Na Icaraí, haverá separação física; se utilizarem taxões mais altos (daqueles que você não passa por cima de carro), esse problema estará resolvido.

      Uma excelente explicação sobre as diferentes formas de implementar ciclovias e ciclofaixas está disponível neste vídeo preparado pelo Departamento de Trânsito de Nova Iorque: http://www.youtube.com/watch?v=q9DciyXiRug

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      • Os tachões que vão botar são os “olho-de-gato”. Aqueles que realmente fazem barreira são os supertachões. A EPTC considera que, quando se utiliza os supertachões, é uma cicloVIA e não cicloFAIXA, porque tem barreira física.

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      • Reparem que em Ipanema eles utilizaram o super tachão, e chamam de ciclovia.

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    • Sei não, quando falam em tachões eu penso em “olho de gato”, acho pouco provável que seja outra coisa.

      Tentei ver o vídeo, mas fica todo verde aqui no meu computador, não aparece imagem.

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      • O uso de taxão é controverso. Aqui no Brasil se usa. Mas no exterior não. Alias, no exterior carro pode passar em cima de ciclofaixa, aqui no Brasil o codigo de transito proibe.

        O pessoal ainda tem muita confusão enquanto o uso de bicicleta para lazer e para mobilidade urbana.

        Lazer quer dizer pessoas mais inexperientes, crianças, pessoal que está começando. Para essas não é recomendável pedalar no trânsito. E em POA não tem opcao. A alternativa é pedalar nos parques (que é proibido pelo codigo de transito).

        Quando o pessoal coloca o taxão, eles querem que essas pessoas usem. Dando a ideia de segurança. Para ciclofaixa de ipanema até que funcionou (apesar de ciclofaixa nao poder ser bidirecional – mas ai é outra historia). O transito é de velocidade baixa, e principalmente não existe cruzamentos.

        Mas quando se coloca em cruzamentos, ai o bixo pega. Pq é aí que ocorrem acidentes:

        – A ciclovia (todas são segregadas do transito) – como vai ser a ciclovia da Ipiranga – é um perigo, aumenta em muito a chance de acidentes, a ciclovia vira calçada.

        – Ciclofaixa (junto com o trânsito) é mais seguro. Embora que tem que ter um projeto seguindo as normas.

        Esses 2 casos não são para pessoas inexperientes.

        Quando se colocar taxao para separacao, na verdade o que melhora é o estacionamento de carros. Pq se o carro vier desgovernado, ele passa por cima. Nem sente o taxao.

        Todos quem pedalam sabem que dificilmente ocorre acidente de carro por tras. Ocorre nos cruzamentos. E quando se coloca taxao fica difil pro ciclista ultrapassar e tb nos cruzamentos pegar mais para esquerda pra se fazer notar pros motoristas que quiserem dobrar a direita. Para mim não devia ter taxão.

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        • Mas essa ciclofaixa vai ter bike box nos cruzamentos, o que facilita nessa situação de conversão que tu falou. Pra quem não sabe o que é: http://bikeportland.org/wp-content/uploads/2008/03/bikeboxjaylawrence.jpg

          Esse ciclista deveria ter parado dentro do bike box, na frente do carro, se quisesse converter à esquerda. Não sei se faz diferença quando a sinaleira está aberta, mas o que eu recomendo MUITO é fazer sinal de braço, indicando que vai dobrar.

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  3. Felipe,

    Ciclofaixa e ciclovia a última opção é utilizar o canteiro central. É melhor não ter do que ter na parte central. Vai ficar mais claro quando começar os acidentes na ciclovia da Ipiranga, especificamente nos cruzamentos. Quem pedala sabe que 99% dos acidentes ocorrem nos cruzamentos. E colocando no canteiro central o ciclista fica sem chance de ver o carro (o espelho ta no lado esquerdo, e os carros estão na faixa mais rápida).

    Obstáculos na ciclofaixa não é muito problemático. É só tirar e colocar na via que em pouco tempo o pessoal da EPTC está lá para tirar. E carros estacionados em cima, nada que uma reclamação não resolva. E pedestre a princípio deve utilizar a calçada. É de 1 sentido somente, pedestre não vai conseguir caminhar/correr sem ter um ciclista passando por cima atras (não vai ter espaço para ultrapassar o pedestre).

    Foi a primeira notícia que vi sobre essa ciclofaixa. O pessoal da EPTC não é muito aberto para opinião de quem usa bicicleta, acho que são poucas pessoas que viram esse projeto. Então só vamos saber depois de construída. Mas se usarem como a norma fala, vai ser bem legal.

    O único porém que fala a notícia, é se tiver estacionamento no lado da ciclofaixa (tanto no lado direito, quanto no lado esquerdo). A norma diz que deve ter algum espaço (e tb pintado na faixa) para alertar que pode ser aberto a porta. Essa abertura de porta que é o perigo. Como vai ter taxao (o ciclista não pode ficar mais longe das portas) o projeto tem que separar um espaço para abertura. Não há freio na bicicleta para parar a bicicleta quando se abre a porta.

    Uma das vantagens do estacionamento (alias, acho que uma das poucas vantagens) é ter uma barreira física entre carros e pessoas. É melhor o carro bater em outro carro estacionado do que se acidentar com algum pedestre/ciclsita.

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    • No vídeo que postei ali baixo parece que nem em NY tem esse espaço para abrirem as portas dos automóveis, vamos ver aqui…

      Em relação ao uso de faixa no canteiro central não é questão de por espelho no outro lado da bicicleta? Na minha experiência de motorista a faixa da esquerda seguidamente não é a de alta velocidade, mas enfim, pode ser percepção.

      Valeu pela resposta.

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      • Felipe,

        Ciclofaixa já existem certas normas consagradas. É sempre igual. Da uma olhada no link abaixo. Ja ciclovia é um caso a parte, porque como é segregada do transito, sempre vai ser problemático. Aí cada caso é um caso.

        http://nacto.org/cities-for-cycling/design-guide/

        Faixa da esquerda sempre vai ser mais velocidade. Pq:
        – é onde os veiculos ultrapassam (não se pode ultrapassar indo pra faixa da direita)
        – geralmente é a faixa mais afastada dos cruzamentos, do estacionamento.
        – não tem ciclista ou carroça (por exemplo) na frente.

        Pelo que me lembre na Icarí acho que é permitido dobrar a esquerda (posso estar enganado). Entao nessas converções o motorista ja vai estar estressado com o veiculo vindo atras, nem vai enxergar ou dar um tempo pro ciclista (ninguem quer se acidentar).

        Espelho tem gente com muita experiente que não usa. E sem falar dos pica-paus. Agora espelho na direito acho que são poucos (deve contar nos dedos) que usam. Não precisa espelho na direita porque tu transita na direita, o carro nao vem por la.

        O espelho não é para salvar o ciclista quando um carro corta a frente. Se cortar se foi, nao vai ser pelo espelho. Espelho serve pro ciclista tomar metade da faixa, ficar vendo se vier um carro atras e passar fino dele, ai o ciclista vendo abre mais pra direita e se protege. Esse é o motivo do uso. Claro, o cara tem que ser experiente. Pq é muito rápido, nao da tempo de fazer nada.

        E esse uso da ciclofaixa (se usar taxao é pior) o espelho não vai servir pra muita coisa. Pq se o ciclista não conseguir ir para esquerda para tomar a frente nos cruzamentos (se tiver taxao nao vai conseguir ultrapassar) o espelho nao serve pra nada. Claro que existem normas de construção que a 100m ou mais antes dos cruzamentos a ciclofaixa termina, e entra a via comum. Ai sim o ciclista vai poder ir mais para esquerda e se proteger nos cruzamentos.

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  4. Poderiam ter feito do lado do muro do Jockey, bem menos movimentado.

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  5. Excelente notícia, só não entendi por que não fizeram no canteiro central da Icaraí, que é muito largo e acaba de ser refeito. Acho meio sinistra essa idéia de ciclofaixa entre o estacionamento e a calçada. Além de criar um corredor que pode acabar danificando o carro, facilita muito para botarem obstáculos no caminho da ciclofaixa, seja por má-fé ou por distração. Não me refiro apenas a automóveis, mas tele-entulho, material de construção, etc.

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    • Mas ciclofaixa ao lado do canteiro central também tem suas desvantagens: imagine que o ciclista está vindo de outra rua, na faixa da direita como é o certo. Quando ele entrar na rua da ciclofaixa, acessar o lado esquerdo pode ser bem ruim (seria no caso da Icaraí). Além do mais, os carros mais rápidos vão pela esquerda, então fica perigoso. Tem quem goste de estacionamento ao lado esquerdo da ciclofaixa, pois se sentem mais protegidos.

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