Lojistas se sentem prejudicados por obra na José Montaury, no centro de Porto Alegre

Do lado esquerdo da obra, lojas, do lado direito, pequenas lanchonetes | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Do lado esquerdo da obra, lojas, do lado direito, pequenas lanchonetes | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Débora Fogliatto

A rua José Montaury, no centro de Porto Alegre, na Praça XV, está sofrendo modificações e sendo adaptada para permitir a circulação de veículos de tráfego lento. Atualmente, apenas caminhões de carga e descarga e veículos oficiais do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e da Brigada Militar podem passar pela via, que é principalmente voltada para pedestres. Desde o ano passado, a rua está em processo de obras que podem mudar seu caráter, o que não vem agradando aos comerciantes do entorno.

O coordenador do projeto Viva o Centro, Glênio Bohrer, esclarece que a ideia é liberar o tráfego lento de veículos apenas à noite, mas que isso ainda depende de estudos feitos pela Empresa de Transporte e Circulação (EPTC). “Nos calçadões, dependendo da situação, não ter tráfego noturno é inseguro. E sem trafegar carros também afasta as pessoas”, afirma.

Bohrer explica que as obras da rua já estavam previstas para ocorrer quando foi revitalizada a Praça XV, em 2008. No entanto, a empresa responsável abandonou o empreendimento, o que fez com que fosse necessária realizar nova licitação. Após uma licitação deserta, foi feita mais uma, em que a Rumo Engenharia foi a vencedora.

A ordem de início da obra foi assinada em abril de 2013, mas cerca de três meses depois o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) embargou judicialmente, por se tratar de um sítio arquelógico. As obras foram reiniciadas em julho deste ano e paralisadas novamente em agosto, também por solicitação do Iphan. Apesar de o fim das obras inicialmente estar previsto para abril deste ano, a reforma ficou parada por meses e foi retomada há duas semanas.

O projeto prevê também a instalação de novas luminárias, bancos, sinalização e arborização. A pavimentação com blocos de concreto já está sendo feita na parte central da rua. A Prefeitura precisou de mais recursos, passando de R$ 2,8 milhões para R$ 3,3 milhões, devido às paralisações. A previsão de conclusão atual é para o final de 2014 na José Montaury e para o início de 2015 na Marechal Floriano, que a nova rua deve ligar à Borges de Medeiros.

A via é principalmente comercial, com lojas de um lado e pequenas lancherias do outro. Na parte mais próxima à frente dos estabelecimentos, o antigo piso ainda não foi modificado, o que deve ser feito em janeiro para não prejudicar as compras de fim de ano das lojas, segundo a Prefeitura.

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O gerente da loja Aldo Calçados, Antônio Henriques, reclama que seu movimento já caiu desde o início das obras em cerca de 20%. “Clientes nem param aqui por causa do barulho. Além disso, como a obra é bem no meio, a rua está dividida, então quem passa lá não vem aqui porque está bloqueado”, explicou Antônio. Ele também lamentou a falta de comunicação em relação às obras e afirmou não saber exatamente como irá funcionar após a mudança e nem a data de término.

Antônio pondera que “se tiver carros, vai prejudicar” seu comércio. A mesma opinião é dividida por Paula Simone de Oliveira, funcionária da Livraria Paulus, que também considera as obras um empecilho devido ao barulho. “Eu não sei se vai ter carros, mas acho ruim porque o povo já está habituado assim”, apontou.

Do outro lado das obras, a situação é semelhante. Os proprietários e funcionários das lanchonetes também estão apreensivos, embora as informações sobre o início das reformas seja desencontrada. “Não era para antes da Copa?”, questionou Fernando César, funcionário da Rei do Lanche. “Era pra bem antes, está há anos isso aí”, respondeu sua colega de trabalho Luciane Santos Correia.

Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), antes de abril de 2013, eram realizadas apenas pequenas reformas no piso, que sofria com o tráfego de veículos pesados para carga e descarga. “Eu gostaria de saber se vão fazer aqui na frente, porque dezembro é melhor época para vender. Mas acho que não deve virar rua, não pode ser isso”, disse Luciane.

Obras foram retomadas há duas semanas | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Obras foram retomadas há duas semanas | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

A facilidade que a modificação pode trazer para os proprietários no momento de descarregar produtos agora representa um empecilho. “Não temos como encostar caminhão, não pode nem descarregar a mercadoria aqui. Tem que parar lá na Marechal”, afirmou Dagoberto Carvalho, gerente da loja CentroMix, de cama, mesa e banho. Ele também coloca que “o ideal é só circular pedestre”.

O encarregado da obra pela empresa terceirizada Rumo Engenharia, Paulo César Jesus Antunes, esclarece que a via será toda uniformizada com o mesmo piso e que a reforma inclui também a rede de canos e eletricidade para o Dmae. “Faz um ano que estava parada porque o Iphan não tinha liberado. O que fica ruim é que foi orçado um ano atrás”, lamenta.

SUL 21



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17 respostas

  1. mais carros, tudo que essa cidade precisa (só que não), enquanto a gente não for como nova delhi a prefeitura não vai estar satisfeita

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  2. Qual vai ser o sentido dessa rua?

    Acho que não vai ter muito movimento, é uma parte do centro com poucos carros.

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  3. O coordenador do projeto Viva o Centro, Glênio Bohrer,no texto o comentário desse “cidadão” vai de encontro com a intencionalidade da politica de planejamento para a cidade: -“Nos calçadões, dependendo da situação, não ter tráfego noturno é inseguro. E sem trafegar carros também afasta as pessoas”, afirma.

    se seguisse esse critério daqui a pouco vão querer que o calçadão da Andradas passe a permitir a passagem de carros,e além disso dizer que sem a passagem de carros afasta as pessoas do centro!!!por favor,sendo que o fluxo de carros é que afasta,atrapalha as pessoa do centro,o centro é para a percusso de pessoas,não de carros.

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  4. Prefeitura vai ter que oferecer até massagem para os pedestres para compensar o estrago na região.

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  5. Beleza, ninguém quer essa obra. Joga uns basaltos e deixa como calçadão que ninguém vai notar que fizeram algo.

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    • A obra em si não é ruim (passo seguido por ali e tá ficando bem bonito), o problema é esse absurdo de colocarem carros a transitar por ali. Já basta terem transformado o Largo Glênio Peres em estacionamento…

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      • COncordo, o acabamento tá bem melhor que nossa média. Acho que essa administração melhorou a qualidade das praças que reformou, tomara que comece a acertar isso tb.

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  6. Beleza, os próprios comerciantes são contra o trânsito de veículos naquela via. Aliados importantes contra esse absurdo.

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  7. Eu acompanho esta obra desde seu começo, e só posso entender que é uma cadeia de incompetência, ou de despreparo profissional que vigora em todas as obras da Prefeitura. O que falta para se ter primeiro um Planejamento longo que reúna todos os envolvidos. O que tem de tão grave na área que o IPHAN prejudique toda uma cidade com suas autuações que nem se sabe o que o burocrata descobriu na região. Olhe a dificuldade de concluirem a duplicação da Voluntário da Pátria. Como faz falta uma dose de planejadores japonês nesta cidade…

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    • Isso mesmo. É um papelão qualquer coisa que essa prefeitura faz. E é basicamente recapeamento de rua, pelo amor de deus!

      Mais: tanto essa inútil IPHAN sugadora de impostos como o inútil Ministério da Cultura sugador de impostos, que a controla, deveriam ser dissolvidos.

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      • Tu deverias de ser dissolvido. Talvez no processo restasse alguma parte tua que não fosse ódio ou “resmunguíce”.

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    • O Iphan não tem culpa da prefeitura não saber orçar projetos, esquecer de colocar trabalhos de arqueologia dentro do Centro Histórico.

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      • Um centro CAINDO aos pedaços, a Rua da Praia parecendo um beco de Havana, e uma autarquia gastadora de impostos se preocupando com arqueologia???? Pelo amor de deus.

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    • Manga, ao invés de querer que eu me dissolva, argumente. Você quer um Ministério da Cultura para que, exatamente? E para que precisamos de uma IPHAN?

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