Mansões tomam lugar de área verde em Porto Alegre

Na região das ilhas, casas de alto padrão tomaram lugar de vegetação nativa

Agentes da Prefeitura identificaram casas tirando lugar de vegetação | Foto: Mauro Schaefer

Agentes da Prefeitura identificaram casas tirando lugar de vegetação | Foto: Mauro Schaefer

Agentes do Consórcio Guaíba que trabalham na atualização RecadastraPoa, da prefeitura, encontraram dezenas de mansões novas na Região das Ilhas, que não constavam no levantamento aéreo feito há cinco anos. Com uma rápida olhada em fotos de satélite de 2010 dá para ver a transformação do local, que outrora abrigava uma ilha de vegetação nativa e hoje reúne casas de alto padrão, a maioria com marina própria e piscina.

O recadastramento descobriu ainda centenas de propriedades novas em terrenos na periferia da Capital onde os agentes encontraram condomínios de luxo e verificaram o aumento da área de residências mais simples que mudaram de aparência sem que houvesse sido feita alteração nos registros oficiais. Os fiscais fazem a verificação munidos de informações a partir de fotos aéreas, perfilamento a laser e imagens de satélite. Eles visitam imóveis selecionados pelos técnicos da Secretaria Municipal da Fazenda (SMF), que comparam os dados em um projeto gigante que envolve o mapeamento de 545 km² de área territorial e a verificação de milhares de propriedades entre casas, lojas, fábricas e comércios distribuídos em 49 setores.

Conforme o diretor da Divisão de Receita Imobiliária da Receita Municipal, Marco Antônio Heinski, até o fim do ano devem ser visitadas mais de 70 mil casas que apresentaram algum tipo de divergência entre a área construída cadastrada na SMF e a área detectada por meio do levantamento aerofotogramétrico. “Recebemos fotos aéreas restituídas e estimativas de área construída de todas as partes da cidade e fizemos a comparação com registros anteriores para verificar onde houve mudança”, destaca Heinski.

O levantamento de dados está sendo feito por um consórcio de cinco empresas que venceu licitação. Depois de compilados, os dados são encaminhados à Fazenda para análise. Desde setembro, quando começaram as primeiras visitas aos imóveis, foram vistoriadas 27 mil propriedades, sendo que 1,2 mil receberam a guia para pagamento do IPTU com valores recalculados. Heinski esclarece que só vai pagar a diferença do imposto o proprietário que fez reforma e ampliou imóvel e não comunicou a obra aos órgãos competentes.

A assessora da Divisão de Receita Imobiliária da SMF, Claudia De Cesare, destaca que Porto Alegre tem mais de 720 mil inscrições imobiliárias e o banco de dados precisa estar atualizado para que haja justiça na cobrança de tributos. Ela destaca que o estudo impactará positivamente na qualidade de vida porque permitirá o planejamento da mobilidade urbana.

O coordenador do projeto, Cláudio Lopes de Almeida, da Unidade de Tributos Imobiliários da SMF, explica que a fiscalização não terminará em dezembro, no fim do contrato com o Consórcio Guaíba. “Os auditores seguirão atualizando o cadastro imobiliário, agora com as facilidades da nova base de dados criada a partir do RecadastraPoa.” Ele detalha que os imóveis fechados na ocasião da vistoria e mesmo proprietários que se recusaram a atender os agentes receberão IPTU retroativo a 2010 sempre que constatadas divergências. A SMF atende quem quiser contestar valores.

Luís Tosca

Clique aqui para ler a matéria completa no Correio do Povo



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Delta do Jacuí

Tags:, , ,

7 respostas

  1. o prazer da burguesia em ter uma casinha na ilha vale mais que o meio ambiente. Ser humano é triste

    Curtir

  2. Esta area naõ é de preservação?

    Curtir

  3. Da mesma maneira que os bairros pobres das ilhas estai cada vez maiores e mais precarios. Alguma novidade?

    Curtir

  4. Eu li em algum lugar que 60% das invasões não são de pobres, mas de pessoas muito ricas que constroem em orlas, ilhas, morros, áreas de preservação, encostas…

    Curtir

  5. Cada vez desconfio mais que a atuação de nossos “pseudo-ambientalistas” é meramente política e oposicionista. Estivessem preocupados com o meio ambiente mesmo já teriam feito abraços coletivos nas ilhas, em áreas verdes da zona sul que se transformaram em condomínios e nos prédios públicos que foram construídos na orla recentemente.

    Curtir

    • Acho que alguns deles até casa nas ilhas tem
      hahahaha

      Eu, com grana, faria a mesma coisa, que lugar show.

      Curtir

  6. Acho bom que cobrem direitinho o imposto destes cidadãos abonados invasores. Nós pobres coitados que compramos nossos apartamentos do tamanho de caixas de fosforo, temos de regularizar tudo com plantas e com registros e documentos carissimos que a prefeitura fornece, ou fazemos e pagamso tudo isso ou nao temos a chance de financiar em 30 anos nossos lares.

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: