Emitida autorização para construção de novo hotel em Porto Alegre

Hotel será construído no terreno que abriga a fachada do antigo Cine Astor  Foto: Sérgio Louruz/PMPA

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams) expediu nesta semana, licença de instalação que autoriza a construção de empreendimento hoteleiro com mais de seis mil metros quadrados, na avenida Benjamin Constant, pela empresa Endutex Hotéis Brasil Ltda. O novo hotel será construído no terreno que abriga a fachada do antigo Cine Astor.

O prédio contará com 10 andares e um nível de subsolo. Serão 149 quartos e 33 vagas de estacionamento construídas no terreno do antigo Cine Astor, o qual terá a fachada preservada, conforme orientação da Equipe de Patrimônio Histórico e Cultural e do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural. “Essa licença deve ser muito festejada, pois, assim como a licença do Cais Mauá, devolve à cidade mais um patrimônio histórico restaurado com recursos privados”, destaca o secretário da Smams, Maurício Fernandes.

A licença ambiental estabelece condições e restrições quanto à vegetação, movimentação de terra e resíduos sólidos. Será realizado o transplante de uma figueira nativa e estão autorizadas as remoções de cinco árvores, devidamente compensadas. Os serviços de terraplenagem, drenagem superficial e contenções foram descritos em projeto já apresentado à Smams e contam com responsável técnico devidamente habilitado, assim como o projeto de gerenciamento de resíduos da construção civil. A licença tem validade de dois anos e pode ser renovada.

Cine Astor – A origem do Astor remete ao Cinema Orpheu, com capacidade para 1891 lugares. A edificação foi projetada em 1922 por Eduardo Pufal, sendo inaugurada no dia 3 de outubro de 1923, com a novidade de apresentar funções noturnas que intercalavam sessões de cinema com músicos e artistas. A partir de 1963, passou a se chamar Cine Astor, nome pelo qual ficou mais conhecido, e ainda hoje, é lembrado. O local encerrou suas as atividades no ano de 1993.

Prefeitura de Porto Alegre

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Categorias:Arquitetura | Urbanismo, hotelaria, Prédios, Restaurações | Reformas

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19 respostas

  1. [off topic] Gilberto, é só comigo ou o feed rss não está funcionando no site, já há bastante tempo?

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  2. Penso ser louvável a ideia de construir ali um hotel e a preservação da fachada do antigo Cine Astor. Mas a pergunta que fica é saber se a calçada do empreendimento irá permanecer com a atual largura que é mínima (menos de 2m) . Quem por ali transita sabe o sufoco que é disputar o espaço com os veículos, principalmente os ônibus que quase sobem sobre a calçada antes de fazerem a curva em direção à Av. Cristóvão Colombo. Fica a pergunta.

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  3. Mais um hotel? Pra quê? Nem durante o evento mais extraordinário da história da cidade (Copa 2014) a rede hoteleira teve ocupação massiva. Porto Alegre é uma cidade que as pessoas estão cada vez mais evitando.

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  4. Tenho grandes dúvidas a respeito desta metodologia de “preservar” o patrimônio arquitetônico limitando a atitude apenas à manutenção volumétrica e estética da fachada.
    Acho que a fachada numa edificação histórica é bastante representativa de uma época, mas ela isoladamente não acrescenta muito à preservação em si. Acaba virando apenas um “pastiche” do conjunto.
    Na minha opinião, pela banalização gerada pela inserção de inúmeras “edificações de interesse” no rol das sujeitas a serem preservadas, criou-se este subterfúgio para flexibilizar que empreendimentos possam se desenvolver nestes locais.
    Não falo apenas deste empreendimento em si, afinal não vi o projeto ainda, mas de alguns exemplos que temos pela cidade.
    As vezes me parece que este tipo de situação acaba por prejudicar 2 coisas que em si seriam maravilhosas – a preservação do patrimônio e uma nova edificação projetada com respeito ao patrimônio (tipo lasanha de chocolate que não se presta para lasanha e é uma porcaria como chocolate). Mas isso é uma opinião pessoal e, sem muito fundamento no campo da preservação, afinal não é minha área.
    Torço para que ali surja algo que valorize a região e que realmente o patrimônio seja percebido de maneira mais sólida do que o “bolo de noivas colado na fachada de vidro”.

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    • tinham era que obrigar a recuar a fachada, pra ter uma calçada decente ali. Senão o melhor era botar abaixo tudo mesmo.

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      • Recuar a fachada é impossível. Pra recuar teria que demolir e reconstruir…Mas o que vai ocorrer pelo que percebi, vai ser aumentada a calçada. Desta forma vai melhorar bastante a situação.

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        • tecniamente é possivel, claro que seria bem caro. Quanto a aumentar a calçada…ali o transito já é terrivel, se estreitar inviabiliza. Se bem que depois da porcaria que estão fazendo na Goethe, não duvido nada mais em POA…

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        • O sr. fala em aumentar a calçada com consequente afunilamento da via? Será conflitante.

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    • Os bens históricos possuem diferentes graus de integridade e de importância. Em alguns períodos da arquitetura, apenas a fachada era elaborada, e os interiores eram de fato uma sucessão de cômodos interligados e por vezes sem ventilação nem iluminação. Por vezes os usos já estão em esquecimento, como por exemplo um cinema de rua, e para garantir a adaptação do bem para o atual contexto se faz necessário uma mudança mais profunda, surgindo um novo bem.

      Um exemplo muito claro são hospitais, é completamente possível mantermos as caraterísticas arquitetônicas da fachada e realizarmos internamente as transformações que são necessárias para garantir a utilização e sustentabilidade do bem.

      É necessário ter discernimento e saber em que situação é possível garantir a integridade completa do bem, fazendo apenas a manutenção e restauração, e em que situações é necessário flexibilizar as restrições.

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      • Bem colocado.
        Mas mesmo assim, ainda insisto que alguns exemplos de preservação apenas da fachada acabam por comprometer o conjunto todo, sem trazer um resultado efetivo como meio de preservação. De qualquer maneira, sei que é um tema delicado e que existe sempre 2 viés básicos – o do empreendedor, que visa o lucro, e o do patrimônio que visa a preservação – e a conciliação destes interesses não é fácil.

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      • Obrigado pelo lúcido esclarecimento L. Falou um grande arquiteto da nossa cidade ! Obrigado pela participação!

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  5. nao tem nenhuma imagem do projeto?

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  6. Cara toda esta região da farrapos e imediações tá um vazio enorme o que tem de prédio fechado,abandonado é incrivel o que Porto Alegre esta se tornando uma cidade fantasma nas áreas mais centrias e com melhor infraestrutura urbana e o prefeito ainda querendo estorquir mais IPTU,imagino o que vai ser daqui a tres ou quatro anos.

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  7. Finalmente algo decente ali naquela esquina decrépita. Aliás a Benjamin é a cara de POA, decadência do asfalto aos prédios!

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