Projeto de adensamento do Centro inclui áreas das docas do Cais Mauá

Foto: Sergio Lagranha/Jornal Já

O projeto de revitalização do Centro Histórico, que tem como grande objetivo o adensamento e, consequentemente a construção de prédios mais altos, inclui parte do Cais Mauá. O setor de Docas do Cais entraria no “perímetro de adesão”, área que sofrerá mudanças quando o projeto for aprovado.

Em setembro passado, o projeto foi entregue pessoalmente na Câmara de Vereadores pelo prefeito Sebastião Melo.

A partir da venda de solo criado – pagamento para construir além do limite preestabelecido para cada terreno – será permitido que construções de grande porte sejam realizadas.

Conforme o artigo 8 do projeto, no Perímetro de Adesão os quarteirões deverão ser detalhados em relação aos seguintes itens:
I – Padrão Volumétrico a ser estabelecido pela definição de Gabaritos;
II – Padrão das calçadas, com indicação de rotas acessíveis;
III – Definição das áreas passíveis de serem destinadas à bacias de amortecimento de acordo com as características de consolidação do quarteirão;
IV – Revisão dos gravames de traçado viário, buscando a manutenção da situação existente em detrimento do projetado, quando houver conflito com Patrimônio Histórico ou consolidação significativa do quarteirão.

No relatório de consolidação e proposta, anexado ao projeto o governo municipal justifica a inclusão da área da seguinte forma: “identificou-se que a revitalização do Cais Mauá, em especial os setores Armazém e Docas, seria de fundamental importância no desenvolvimento do território, considerando o incremento para atividade turística do Centro Histórico e expansão dos usos residencial, comércio e serviços.

O estoque de potencial construtivo do centro histórico que hoje está zerado, será liberado em 1.180 mil metros quadrados.

Equivaleria a construir mais de 10 mil novos apartamentos de 100 metros quadrados cada um. Se fosse vendido a preço de mercado, esse estoque renderia mais de R$ 1 bilhão aos cofres da prefeitura.

Na prática, o que vai acontecer é que as construtoras vão pagar o solo criado através de “contrapartidas”, que envolvem obras ou melhorias, não dinheiro.

A subunidade 2, referente ao setor de Docas, pintado de roxo no desenho do projeto, entra no projeto de adensamento do centro histórico.
DESENHO: Gráfico 52 do anexo de consolidação e proposta.

Melo debate Cais Mauá com BNDES e Governo do Estado

Reunidos no Paço Municipal o prefeito Sebastião Melo e representantes do Governo do Estado e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) discutiram nesta quinta-feira a revitalização do Cais Mauá.

No site da prefeitura o governo municipal disse que o objetivo é transformar o Cais Mauá em um centro turístico, gastronômico, comercial, cultural e de entretenimento às margens do Guaíba.

Jornal Já



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, ORLA, Revitalização do centro

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7 respostas

  1. Gostaria de saber que tipo de gente prefere arranha-céus fazendo sombra por todo o lado e obliterando a vista do céu e do horizonte. Seriam pessoas que já habitam nessas condições e perderam referências para discernir entre o belo e o desagradável, ou personagens com interesses econômicos no ramo imobiliário?

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    • Como se a cidade se resumisse ao local onde os temidos arranha céus são cogitados. Nem parece que a maior parte do perimetro urbano da cidade nao passa de patéticos 30m, ou seja pode ter até um Empire State no Centro que ainda daria para ver o céu e o horizonte o quanto quiser por muito tempo. É interessante que em outras cidades banhadas por rios ou lagos como Buenos Aires, Rosário, Barcelona, Chicago isso nunca foi empecilho mas em Porto Alegre isso vira um tabu. Eu que gostaria de saber que tipo de gente acha que a cidade é um vilarejo medieval intocável onde qualquer novidade mais ousada é uma catastrofe.

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      • Voltando ao tema ‘adensamento na área das docas’, fico surpreso em saber que, depois de falarem tanto sobre a feiura do muro da Mauá, agora cogitam construir arranha-céus logo alí. Isso cheira a enganação a favor da indústria imobiliária.

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    • Empresários sempre tentaram contruir nessa região e nunca conseguiram…o que mudou agora? Políticos…? cadê a esquerda para fazer barulho quando precisamos dela!?
      Um único prédio alto ali pode estragar toda a vista. Eu ia dizer que não sabia quem iria ganhar com isso, mas sei…

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  2. Interpretei a notícia como informando que na orla em roxo poderão ser construídos arranha-céus. Espero que essa tragédia paisagística não aconteça.

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